Be Afraid
17 Capítulo 17 - Adeus lei, olá vingança
Notas iniciais
4 ano atrás....
— Então, amanhã é o grande dia. – Eleazar comentou, orgulhoso, enquanto bebia seu vinho.
— Tio, sobre isso... — Bella começou, mas foi interrompida.
— Nem acredito que fará dezoito anos amanhã, Bella.
— Tio! — Bella chamou sua atenção, enquanto Tânia observava tudo. Sabia o que aconteceria e sabia que não seria bonito.
— Ah desculpe, querida. Queria dizer algo? — Perguntou sorrindo e Bella suspirou.
— Sinto muito, mas não farei a prova de ingresso amanhã.
— O que? Por que não? — Questionou.
— Eu estive pensando e não quero isso. Não quero essa vida.
— Não quer... Esteve pensando e agora não quer mais isso? — Perguntou irritado.
— Eleazar. — Tânia chamou sua atenção, mas ele ergueu a mão em sinal claro para que não se metesse.
— Por que não chegou essa conclusão há onze anos atrás, Isabella? Quando eu implorei para que mudasse de ideia? Por que agora? Quando é tão boa e se sairá maravilhosamente bem?
— Isso é decisão minha. — Retrucou.
— Podia ter decidido isso anos atrás e ter vivido a vida de uma criança normal!
— Eleazar, já chega! — Tânia rugiu batendo na mesa, chamando a atenção dos dois.
— Uma criança normal? O que eu sou para você então, tio? Uma aberração?
— Bella, eu não quis... – Tentou se desculpar, mas era tarde. Já havia dito aquilo.
— Eu perdi a fome. Com licença. — Pediu, se levantando e indo para seu quarto.
— Francamente, Eleazar. Me lembro que você implorava para que ela não entrasse nessa vida e agora faz isso?
— Eu sei, Tânia, mas seria um desperdício parar agora. Ela é tão malditamente boa.
— Isso não foi apenas um traço de seu treinamento, Eleazar. Isso é parte de quem ela é. Está no sangue dela.
— Já disse para não falar mais nisso. — Resmungou.
— E eu acho que está errado sobre isso. Ela tem o direito de saber de quem é filha.
— E o que isso mudaria? — Eleazar questionou, bebendo seu vinho. – De qualquer maneira, a mãe dela está morta e bem, o pai...
— O pai tem feito um trabalho maravilhoso como pôde. Kate ficaria orgulhosa de você. — Comentou em tom baixo, acariciando a mão dele.
— Acha que sua irmã teria orgulho em saber que não só abandonei nossa filha, como deixei que assistisse a morte daqueles que ela pensa serem seus verdadeiros pais?
— Eleazar...
— E como se não fosse o bastante, roubei a infância dela, a transformando em uma maquina de combate.
— Ela pediu para ser treinada. Foi escolha dela.
— Ela era uma criança, Tânia! Não deveria escolher nada! Sabe o que eu pensava todas as noites, antes de dormir, quando ela chegou?
— Não. Me diz, o que você pensava? – Perguntou docemente.
— Eu pensava que se não a tivesse entregue para Renée quando ela nasceu, se não estivesse tão consumido pela dor, quando sua irmã morreu, que eu poderia te-la criado. E dado a ela a vida de uma criança normal.
— Isso não teria mudado nada, querido. Ela provavelmente teria seguido seus passos de qualquer maneira. – Respondeu acariciando o rosto dele. — Converse com ela. Mostre a ela que sente orgulho dela, independente do caminho que ela escolher. – Acrescentou se levantando.
— Aonde você vai? – Perguntou a segurando pela mão.
— Para casa. Vocês têm muito que conversar. — Ele assentiu, se despedindo e caminhando até o quarto de Bella. Bateu duas vezes antes de entrar.
Bella estava deitada na cama, com os olhos fechados e os fones nos ouvidos. Ele se aproximou, fazendo com que ela abrisse os olhos. Se sentia aliviado por ela não ter ouvido a conversa que teve com Tânia. Mas o que ele não sabia, era que nos fones não tocava música alguma. Bella havia desenvolvido essa estratégia dos fones, quando queria ouvir conversas, sem que soubessem que ela as ouvia.
Ela retirou os fones e o observou.
— Eu sinto muito pelo que eu disse. — Começou a dizer, segurando a mão dela.
— E eu pelo seu tempo perdido.
— Não foi perdido. Fico mais tranqüilo em saber que se um dia eu não estiver por perto, você poderá se defender.
— Não quero que pense que não dou valor ao trabalho que teve, tio. É só que, eu não quero mais isso. Não quero mais nada disso. – Disse cobrindo os olhos. – E sabe o que dói mais? Eu era tão pequena que a lembrança deles esta começando a desaparecer. E é disso que eu tenho mais medo, tio. Eu não quero me esquecer deles. E eu não tenho nenhuma foto, nada que me lembre deles.
— Renée nunca gostou de fotos e Charlie fazia todas as vontades dela. — Eleazar comentou, se lembrando da irmã.
— Eu me lembro que havia um pequeno álbum em casa, que eu passava horas folheando. Mas depois do incêndio...— Dois dias depois do crime, a casa havia inexplicavelmente, pegado fogo. Destruindo tudo. Digitais e qualquer vestígio dos assassinos.
— Eu sinto muito, Bella. Sinto que não possa ter tido uma vida normal. Eu te amo tanto, querida, mas não pude te dar isso.
— Isso não foi culpa sua, tio. Você fez o melhor que pôde. Você sabe que eu também amo você. Você e Tany são minha família. — Respondeu o abraçando. Esses momentos eram extremamente raros, então Eleazar apenas a apertou nos braços e suspirou.
— Então o que vai fazer agora? — Perguntou quando ela se afastou.
— Sobre isso. Eu ia te contar hoje.
— O que você ia me contar hoje?
— Me inscrevi no curso de psicologia. Recebi a carta ontem de manhã. – Disso mostrando o papel ao tio.
— Harvard? Você foi aceita em Harvard, Bella?
— E em Oxford e Stanford, mas Harvard me pareceu a mais apropriada.
— Bella! Quando pretendia me contar isso?
— Hoje. – Comentou dando ombros.
— Sempre soube que era inteligente. – Disse bagunçando os cabelos. — Afinal de contas, foi bom eu ter feito um poupança para você.
— Não vai ser preciso.
— E como pretende pagar? Não quero que trabalhe e estude ao mesmo tempo, querida.
— Não, tio. Não vai ser preciso, porque eu consegui uma bolsa integral. — Respondeu sorrindo.
— Deus, seus pais ficariam tão orgulhos! — Comentou sorrindo. — Se vista, vamos sair para jantar.
— Mas tio, acabamos de jantar. — Declarou rindo da empolgação do tio.
— Você não comeu e eu comeria novamente. Podemos chamar a Tânia ou você quer que sejamos só nós dois? — Perguntou se levantando.
— Vai ligar para ela. — Respondeu revirando os olhos e Eleazar foi se vestir.
— Bella? – A chamou antes de sair do quarto.
— Sim, tio?
— Estou muito orgulhoso de você. — Declarou e ela assentiu se levantando.
Bella já estava vestida e terminava de prender seu cabelo, quando viu um papel ser passado por debaixo da porta. Era um envelope. Ela o pegou e na frente estava escrito Feliz aniversário, com a caligrafia de Eleazar. Quando abriu o envelope, se sentou na cama, sentindo seus olhos úmidos. Era uma foto de Renée e Charlie e eles seguravam uma linda garotinha de cabelos escuros. Bella era a garotinha.
Ela ainda se lembrava claramente deles, graças a sua memória fotográfica, apenas queria convencer seu tio que aquele era o motivo pelo qual ela havia desistido do teste. Ela ainda seguiria com seu plano, apenas precisaria de mais tempo livre. Foi muito fácil ingressar na faculdade. Ela era inteligente. E com o curso de psicologia, seria ainda mais fácil seguir com sua vingança, afinal, ela saberia como as pessoas pensavam, seria psicológica e teria sua vingança.
Ela olhava para a foto, se lembrando de cada detalhe de como eles eram. Os sorrisos de Renée e as brincadeiras de Charlie. Então segurando a foto, se sentou em sua escrivaninha e ligou a câmera já preparada, antes que Eleazar aparecesse.
— Meu nome é Isabella Swan. Tenho dezoito anos e meus pais foram mortos há onze anos por Carlisle Cullen e seus capangas. E ele irá pagar. Todos eles irão. – Disse olhando para a foto e depois fixamente para a câmera.
— Está pronta, Bella? – Eleazar a chamou.
— Mais do que pronta. – Respondeu, desligando a câmera.
Fale com o autor