Be Afraid
13 Capítulo 13 - Aquela cadela psicótica
Notas iniciais
7 anos depois do crime...
— Bella? — Eleazar a chamou enquanto terminava de arrumar a gravata. — Você vai ficar bem sozinha?
— Já disse que sim, Tio.
— Pensando bem, eu acho que não preciso sair... — Comentou franzindo o cenho.
— Tio, eu tenho 14 anos. Eu não vou dar uma festa ou algo assim enquanto você está fora, ok? Vá e divirta-se.
— Eu sei que muito bem o quão responsável você é Bella.
— Quando eu vou conhece-la? — Ela perguntou, chegando onde queria.
— O que? Eu vou encontrar um amigo. — Defendeu- se.
— E eu acredito em papai Noel. Qual é, Tio. Para um agente, você mente muito mal.
— Eu não estou mentindo. — Alegou, passando a mão pelos cabelos e sua voz o entregou.
— E você mexe no cabelo toda vez que mente. Exatamente como está fazendo agora. Trejeitos são ruins pra alguém nessa área, sabia? — Questionou, fazendo ele arquear a sobrancelha.
— Está bem. Eu vou me encontrar com uma amiga, mas não é nada demais.
— Eu a conheço? — Perguntou. — É alguém da agencia?
— Não. Ela é psicóloga. O nome dela é Carmen e você não a conhece ainda. O que acha se eu traze-la para almoçar aqui amanhã? — Perguntou a sobrinha. Queria que elas se conhecessem, mas faria isso aos poucos.
Bella não tendia a lidar bem com grandes mudanças.
— Um almoço?
— Sim. Assim vocês se conhecem oficialmente, porque eu sempre falo de você.
— Pode ser. — Respondeu dando de ombros.
— Eu tenho que ir agora. Por favor, tente não colocar fogo na casa enquanto estou fora, querida.
— Nada de promessas.— Bella cantarolou olhando para seu livro.
— Eu falo sério Isabella! — Ralhou e ela revirou os olhos.
— E eu estou brincando. Eu vou terminar aqui, treinar um pouco e dormir. Está bem?
—Ok. Não durma tarde. Até depois. — Se despediu.
—Até.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Já passava da meia noite, quando Bella terminou seu treino, e seu tio ainda estava fora. Ela pensou em espera-lo, mas estava tão exausta que tudo que conseguiu fazer foi tomar um banho e cair na cama.
A manhã veio e com ele o tão esperado almoço. Bella estava feliz que seu tio havia encontrado alguém, mas era estranho. Foram apenas eles por muito tempo, seria diferente alguém vivendo com eles.
— E você deve ser a famosa Bella. — Uma mulher com roupa e cabelos perfeitamente alinhados, a cumprimentou.
— Isabella. — A corrigiu. Só permitia que poucas pessoas a chamassem pelo apelido. — E tenho certeza que meu tio exagerou.
— Duvido disso, querida. — Respondeu sorrindo e piscando para ela. — Eu ouvi muito sobre você mocinha.
—O curioso é que eu não ouvi nada sobre você. — Retrucou, decidindo provocar. Não conhecia a tal mulher, mas podia dizer que havia algo errado. Ela não parecia doce a amável como seu tio a descreverá. Havia algo escuro nela, mas Bella não sabia o que era,
—Bella! — Eleazar advertiu, mas ela ignorou.
—Tudo bem, querido. Eu entendo que essa situação seja nova para ela. Perder os pais em um acidente de carro tão trágico e ser criada pelo tio. É estranho ter uma figura feminina tão perto.
Para todos os efeitos, a história oficial sobre a morte dos pais de Bella, era a do acidente de carro. Para todos que não sabiam de sua verdadeira natureza.
— Eu tenho uma influência feminina. Tânia tem nos ajudado muito por esses anos. — Retrucou pensando na amiga do tio.
— Tania?— Carmen perguntou olhando para Eleazar, que olhou para Bella claramente zangado.
— Ela é uma colega de trabalho. Existem alguns assuntos que eu não poderia ajudar Bella. Ela trabalha comigo desde que Bella veio morar comigo e tem nos ajudados desde então.
Carmen baixou seus olhos dourados em direção a garota a sua frente e analisou Bella, que sustentou o olhar, como poucos adultos fazia.
Carmen pensou que tivesse encontrado um bom futuro marido, mas não contava com uma sobrinha petulante. Envolve-lo tinha sido fácil. Homens quando apaixonados só enxergam o que querem ver. A sobrinha seria um problema se ela não o resolvesse logo.
— Eu vou ver como está o almoço. Por que não conversam um pouco? — Eleazar disse, chegando perto de Bella e sussurrando em seu ouvido. — Comporte-se, por favor.
— Eu sempre me comporto. — Respondeu inocentemente, fazendo o tio suspirar.
—Então, Bella...
—Isabella. — A corrigiu novamente.
—Desculpe. Eleazar disse que você preferia o apelido.
—Os únicos que me chamam assim são as pessoas da minha família. O que não é seu caso.
—Talvez por pouco tempo, querida. — Carmem disse dando ombros. Percebendo que fazer o papel de boazinha não funcionaria decidiu ser mais direta.
— Eu não sou sua querida e duvido muito que isso aconteça.
— Por quê? Seu tio não tinha lhe falado de mim até ontem. — Retrucou, a provocando.
— Esse é um dos motivos. Meu tio não me esconde coisas. Não as importantes pelo menos. — Rebateu, sem se deixar abalar.
— Eu poderia ser legal com você mocinha. Podíamos ter sido amigas, mas já vi que isso não vai dar muito certo.
— Quer dizer que percebeu que eu não sou tão manipulável quanto meu tio? — Perguntou, fingindo estar ofendida. — Que sorte a minha! Assim não tenho que ver seu teatrinho. Vamos ver quanto tempo dura.
— Acho que tempo o bastante até o casamento. — Respondeu com um sorriso maléfico nos lábios. — Seu tio é um ótimo partido. Me surpreende que ele ainda esteja solteiro.
— Eu sou muito boa em espantar golpistas. Você ficaria surpresa. — Declarou a analisando atentamente.
— E é por isso que logo depois do casamento você vai fazer uma pequena viagem. — Respondeu com um sorriso brincando nos lábios. Já sabia como resolver tudo.
— Viagem? — Bella perguntou confusa.
—Diga, Bella. Você já conhece a Suíça? Ouvi dizer que os colégios de lá são os melhores do mundo. — Comentou, analisando as próprias unhas, que estavam impecáveis.
— Você não se atreveria! – Grunhiu irritada. Estava perto de avançar naquela mulher, mas sabia que só teria a perder se o fizesse.
— Me tente, querida. Eu tenho dado muito duro para uma fedelha tirar Eleazar de mim. — Sussurrou, mas parou, ao ouvir Eleazar se aproximando.
—O almoço esta pronto, meninas. — Disse Eleazar, entrando na sala e interrompendo a conversa.— Então? Do que falavam?
— Eu estava falando para Bella que talvez umas sessões de terapia fariam muito bem a ela. Com o trauma da perda dos pais pobrezinha. — Comentou, voltando a usar sua voz mais doce. Deixando Bella de queixo caído. Pelo visto não era a única a dominar a arte do teatro.
— Eu conversei com ela varias vezes sobre isso, Carmen. Talvez você consiga convencê-la.— Bella ainda estava chocada com as palavras que saiam da boca daquela oportunista. Ela precisava de ajuda. E rápido.
Eles decidiram almoçar na cozinha mesma. Haviam três pratos na mesa. Um em cada ponta e um ao meio. Eleazar estava sentado em uma das ponta. Bella ia ocupar o lugar ao seu lado, mas Carmen tomou seu lugar.
— Desculpe, querida. Ia se sentar aqui? — Perguntou sinicamente, fazendo Bella rosnar.
Ao notar a tensão nos ombros da cozinha, Eleazar interveio.
— Bella, querida, por que não se senta ali? — Perguntou apontado para a outra ponta.
— Tanto faz. — Murmurou, se sentando.
Assim que o almoço terminou, Eleazar disse que queria passear com Carmen. Ela convidou Bella, que disse estar com dor de cabeça e preferia ficar em casa. Assim que os dois saíram ela correu para seu quarto pegando o telefone.
— Bella? — A voz a chamou.
— Oi, Tany. Eu estou atrapalhando? — Perguntou.
— Claro que não, querida. Você nunca atrapalha. Algum problema? — Tânia perguntou preocupada.
— Na verdade tem sim. — Respondeu suspirando. — Um dos grandes.
Bella contou tudo sobre Carmen para Tânia, e ela disse que investigaria para tentar descobrir algum podre daquela megera.
Como Tânia também era agente, foi muito fácil gramper o telefone da oportunista, assim se ela falasse alguma das coisas que ela falou para Bella, seria pega.
— Eu acho que você devia conversar com Eleazar, Bella. Ele não a trocaria por ninguém. Você é... — Começou, mas suspirou. — Você é a sobrinha dele, Bella. Sabe que ele te escolheria em um piscar de olhos.
— Pode ser. — Respondeu em um suspiro, mas parou ao ouvir a porta bater. — Ele chegou, Tany. Obrigada pela ajuda.
— Quando quiser, garota.— Bella desligou e ouviu uma batida na porta.— Entra!
— Oi. — Disse entrando no quarto. Está melhor? — Perguntou preocupado.
—Um pouco. — Respondeu segurando o livro, fingindo ler.
— Podemos conversar? — Perguntou, se sentando.
— Precisamos? — Retrucou.
— Bella, por favor. — Pediu e ela assentiu, soltando o livro.
— Está bem. O que é?
— O que achou da Carmen? — Perguntou e Bela retorceu o rosto, pensando se devia abrir o jogo. Pensando no que Tânia havia dito, decidiu jogar tudo no ventilador.
— Quer dizer a megera que quer me colocar em um colégio interno assim que vocês se casarem? — Disse tentando soar indiferente e ouviu Eleazar suspirar. — O que foi?
— Eu entendo que você esteja com ciúmes, mas não tem motivos para isso, pequena.
—Espera, eu o que? — Perguntou, ainda processando as palavras.
— Eu entendo mesmo, Bella. Carmen é psicóloga e disse que você podia reagir assim. Só não pensei que você fosse inventar uma historia dessas. Você é sempre tão madura. — Comentou, passando as mãos pelo cabelo.
— Espera, você acha que eu estou inventando que aquela vadia... — Dizia, mas ele a interrompeu.
—Olha a boca!— Rosnou, a repreendendo.
— Ah me desculpe. Que aquela doce e inocente pútrida disse tudo isso, porque eu estou com ciúmes?
— Talvez seja melhor conversarmos outra hora, Isabella. — Respondeu a chamando pelo nome, demonstrando que estava decepcionado.
—Não, não. — Ralhou se levantando e andando de um lado para o outro. — É isso que você acha?
— Ela disse que é perfeitamente normal esse comportamento, Bella. Que é normal que você tenha se apegado a mim e não queira dividir. E honestamente, essa é a única coisa que faz sentido, porque eu não sei o que pensar, porque você não é assim. — Explicou.
— Puta merda! — Ralhou indignada. Não conseguia acreditar no que ouvia.
— Olhe a boca, Isabella. Francamente, pensei que tivéssemos conversado sobre esse palavreado.
— Não! Você me conhece desde que eu tinha seis anos. Essa piranha te agarrou a seis meses e você vai dar ouvidos a ela? — Questionou indignada com a situação. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
— Isabella! — Tentou argumentar, mas ela o interrompeu.
— Isabella coisa nenhuma! Não da pra acreditar nessa merda!
— Já vi que não adianta conversar com você agora. — Disse se levantando.
—Ei, onde você vai? Eu ainda não terminei! — Rugiu fora de si. — Eu não acredito que você vai ouvir aquela megera e a mim, que sou sua sobrinha.
— Já chega disso, Isabella! —Vociferou. — Você está de castigo!
— Castigo? — Questionou. — E desde quando você me deixa de castigo? Aposto que foi idéia dela. — Murmurou com desdém.
—Não, não foi ideia dela. Sou perfeitamente capaz de pensar sozinho.
—Olha, agora não parece é o que parece, não. Parece mais um boneco nas mãos daquela... — Dizia, mas ele a interrompeu farto.
— Agora já chega! Você está de castigo. — Declarou, caminhando até a porta do quarto. — Sem sair, sem telefone e sem treino! — Disse saindo e batendo a porta.
— Puta merda. — Murmurou inconformada.
~*~*~*~*
Bella esperou cerca de uma hora, sabendo que seu tio havia ido dormir, então apanhou sua mochila com algumas roupas. Calçou suas botas e saiu pela janela, usando a escada de incêndio.
Estavam tentando tirar dela tudo que restara de sua família. E ela precisava de ajuda. Agora mais que nunca.
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