Be Afraid
3 Capítulo 03 - Um pedido de socorro silencioso
Notas iniciais
Ao chegarem a casa de um andar, o silencio reinava, mas logo se desfez com as conversas dos policiais ao encontrarem os corpos da irmã e do cunhado do agente responsável por aquela operação, Eleazar Denali, sem vidas.
Ele se abaixou ao lado da irmã caçula e colocou a mão direita sobre a boca.
— Não. — Sussurrou sentindo as lágrimas em seus olhos castanhos mel.
Em seu peito o vazio o dominava, a angustia dançava com sua alma. Aquilo não podia estar acontecendo, por favor, não. Quem fez aquilo? Quem? E por qual razão? Não, não! Ele não podia acreditar que sua irmã estava morta. Um soluço escapou de sua garganta.
— Senhor? — Um dos agentes, Laurent, alto, negro e corpulento, aproximou-se e logo Eleazar se levantou, limpando as lagrimas nas costas da mão.
— Acharam minha sobrinha? — Perguntou virando-se para o agente.
— Não, senhor. Só encontramos eles. — Respondeu olhando para o corpo de Renée e Charlie no chão, sobre suas próprias poças de sangue. — Por que a levariam? — Questionou mais para si mesmo. — Ou a deixariam viva? — Eleazar o olhou com uma sobrancelha arqueada.
— Vamos continuar procurando. — Vociferou não acreditando que seu agente fez a mera menção de dizer que Bella estivesse morta.
Ele voltou a olhar para os corpos aos seus pés e lembrou-se da ligação de Renée na semana passada, ela estava tão perturbada:
Flashback On
— Eleazar, por favor.
— Calma, Re. — Ele pediu enquanto afastava sua cadeira giratório da mesa, cheia de documentos, e se colocava de pé. — O que houve?
A irmã sempre fora tão brincalhona, aquele tom em sua voz não era costumeiro para ela.
— Eu preciso que você me prometa que se qualquer coisa acontecer comigo ou Charlie você vai cuidar da Bella.
— O que? — Franziu o cenho e riu. — Do que você está falando, Renée?
— Estou falando sério.
Ele mudou o semblante e começou a andar por sua sala com o celular no ouvido.
— Por que está dizendo isso? — Ouviu do outro lado da linha Renée engolir o choro e respirar fundo. — Está me assustando, diz logo. O que está acontecendo?
— Nada. — Disse por fim. — Acho que...
— Acha o que?
— Nada, Eleazar, é só por que eu parei pra pensar que se alguma coisa acontecer com o Charlie e comigo a Bella só terá a você.
Eleazar voltou a sorrir, sua irmã às vezes tinha umas ideias bem neuróticas.
— Relaxa, maninha, não vai acontecer nada, ‘tá bom? Para com essas ideias, você vai viver o suficiente para ver seus netos. Talvez não os meus. — Riu, pois estava difícil encontrar alguém, quem dirá ter filhos e netos.
Renée forçou, do outro lado da linha, um riso.
— Tudo bem, Eleazar, só me prometa, tudo bem?
Eleazar suspirou, sentando-se novamente em sua cadeira.
— É claro que eu vou cuidar dela, eu prometo, mas não vai acontecer nada com vocês, então não tem com o que se preocupar. — Arqueou uma sobrancelha. — Ou tem?
— Não. — Respondeu rapidamente. — Não tem.
— Viu só? Para de ficar com esses pensamentos. — Sorriu. — Promete?
— Prometo. — Suspirou do outro lado, tentando se apegar àquela promessa.
Flashback Off
Agora tudo fazia sentido. Droga! Por que não ouviu com mais atenção ao pedido de Renée? Por que ele não insistiu para que ela lhe contasse o que estava acontecendo? Ele devia saber que ela estava mentindo e que tinha algo de errado!
Cerrou os punhos e travou o maxilar, sentia-se culpado, um verdadeiro filho da puta de bosta! Agora sua irmã estava morta e não tinha nada que ele pudesse fazer para mudar aquilo.
— Aqui! — Ouviu um dos homens gritar. — Encontramos uma menina.
Eleazar se virou para trás e a alguns metros de distância o agente tinha em mãos sua sobrinha. Ele soltou o ar pesadamente, sentindo o alivio em cada célula de seu corpo.
— Me solta! — Bella gritou, ela ainda estava em estado de choque quando o policial a encontrou, mas assim que ele a tocou, para que ela saísse do armário, seus gritos ecoaram pela sala de estar.
— Tudo bem, Bella... — Eleazar tentou a acalmar.
Bella parou de gritar ao vê-lo e rapidamente correu para seus braços.
— Tio! — Eleazar a tirou do chão, apertando-a, seu coração ainda despedaçado se aqueceu em consolo com aquele abraço.
Ele sentia Bella tremula, logo as lágrimas dela ensoparam a camisa social preta que ele usava.
— Vamos sair daqui.
~*~*~
No enterro de Charlie e Renée haviam poucas pessoas, visto que Charlie era filho único e seus pais já haviam morrido e na família de Renée era apenas Eleazar. Então só quem assistia aos caixões descerem e serem cobertos por terra era Eleazar, Bella, Tânia – amiga de Eleazar –, Laurent – um de seus melhores agentes –, alguns amigos de Charlie e de Renée e o padre, que fizera a cerimonia.
De baixo daquele céu nublado de Nova York, Eleazar prometeu, em seu íntimo, justiça; já Bella, a pequena garota de seis anos que havia sentido sua essência e pureza serem esmagadas há dois dias quando viu as balas atravessarem o cérebro de seus pais, ah! Bella jurou vingança.
~*~*~
A guarda de Bella ficou com seu tio, mas durante os dias que se passaram, até o enterro de seus pais, ela ficou no hospital, estava com muita febre e a imunidade baixa, os médicos disseram que era normal após o que ela viveu. Mas depois do funeral, Eleazar teve permissão para finalmente leva-la para sua casa e... Deus, como ele estava aterrorizado com isso.
— Esse é seu quarto. — Disse enquanto Bella observava tudo com seus olhos verdes, que havia puxado de sua mãe.
Eleazar morava sozinho em um apartamento onde usava o quarto de hospedes como seu escritório, então ainda haviam várias caixas empacotados, uma em cima da outra, e um pouco de poeira e... é, não parecia um quarto muito apropriado para uma criança de seis anos. Ainda haviam fotos penduradas nas paredes de alguns assassinatos que ele investigava e, rapidamente, ele as puxou, retirando-as antes que Bella as visse.
O lugar era composto, além das caixas e poeira, pela cama e o guarda-roupa que ele havia pego na casa de Bella, pelo menos ela teria alguma coisa familiar no quarto. A janela estava desprovida de cortina, então o ambiente estava bastante claro, até por que o sol começava a surgir atrás das nuvens cinzas.
— Desculpe a bagunça. — Caminhou até o meio do quarto, deixando a mala de Bella ao lado da cama. — Não tive muito tempo para arrumá-lo, mas podemos...
— Tudo bem. — Disse, interrompendo-o, e indo até seu guarda-roupa e tocando-lhe com a pequena mão.
Eleazar a estudou. Ele sabia que ela estava muito triste, mas não chorou no enterro dos pais e aquilo o deixou surpreso, mas talvez fosse o choque, talvez a ficha ainda não tivesse caído.
Eles não conviviam muito, mas se viam ora ou outra, então todas as vezes em que Eleazar a via ela estava com um sorriso sapeca nos lábios e sempre disposta a lhe mostrar os desenhos que fazia, contudo aquela Bella que começava a abrir a mala e a retirar as roupas lá de dentro não parecia a mesma garota.
Ele sabia que era cedo para perguntar a respeito, mas tinha toda uma investigação, na qual ele estava liderando, acontecendo e ele precisa de algumas respostas.
— Bella, posso te perguntar uma coisa? — Ela o olhou e assentiu. — Você viu quem matou seus pais? — Ele viu sua sobrinha segurar a respiração e balançar a cabeça negativamente. — Mas você sabe quantos eram? Viu alguma coisa? Algum detalhe ou marca de quem disparou os tiros?
— Não, foi muito rápido, não lembro e de onde eu estava não dava pra ver direito também. — Se recompôs e voltou a desfazer sua mala.
Eleazar respirou fundo. Não a forçaria mais a falar, ainda estava muito recente e era difícil pra ela, talvez dali um tempo ela se sentisse melhor para falar com ele a respeito ou talvez lembrasse de alguma coisa. Ele torcia para que sim.
Mas ele entendia que ela precisava de um tempo, as coisas não seriam mais como antes, porém ele se esforçaria para que ela se sentisse confortável ali, vivendo com ele. Um poderia se apoiar no outro, porque seriam apenas ela e ele. Agora eles eram a família um do outro.
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