Be Afraid
4 Capítulo 04 - Jogo de sedução Parte 01 / 02
Notas iniciais
Dias atuais...
— Cheguei tio. — Bella anunciou, mas ninguém respondeu.— Tio? — Ela ia para seu quarto quando ouviu uma porta bater. Sentiu os pelos da nuca se eriçar e o chamou novamente. — Tio? Está em casa?
Quando ninguém respondeu, Bella foi até o pequeno baú no canto da sala e pegou um revolver. Caminhou até o segundo andar com a arma engatilhada e o braço estendido.
— Tio? — O silencio ainda reinava, enquanto ela olhava atentamente ao seu redor. Qualquer sinal de movimento e ela dispararia. Ninguém respondeu e ela foi até o quarto de Eleazar.
Com o passar dos anos, ela havia recebido um bom treinamento. Andar sem ser ouvida não era um problema para ela. Virando o corredor do apartamento, ela deu de cara com seu tio, que desviou rapidamente da linha de tiro.
— Deus Isabella! Quer me matar de susto? Para que isso?— Questionou quando deu de cara com a sobrinha.
— Eu ouvi a porta bater e chamei o senhor, mas ninguém respondeu. — Argumentou e ele revirou os olhos. Ele era possessivo com seu trabalho, mas ela era absurda as vezes.
— Eu estava no banho. — Justificou. —Agora, pode baixar essa arma? — Questionou e Bella olhou para as próprias mãos, o abaixando.
— Desculpe. — Lamentou.
— Está tudo bem. — Declarou mais relaxado e caminhando em direção a sala. — Tem planos para essa noite?
— Não. Pensei em ficar e ler um pouco. —Respondeu se jogando no sofá vermelho.
— Poderia me acompanhar a um jantar?
—Tio... — Ela sempre havia odiado esses jantares. Eram cheios de frescuras e pessoas com quem ela era obrigada a ser gentil
— Eu sei o quanto esses jantares são chatos para você, Bella, mas eu tenho que ir e não gostaria de ir sozinho. — Indagou com um sorriso fraco e ela revirou os olhos. Amava seu tio. E não havia quase nada que ele lhe pedisse e ela negasse.
— Eu tenho que usar salto? — Perguntou arqueando a sobrancelha.
— Só se quiser. — Respondeu dando de ombros e ela sorriu. — Mas nada de botas de combate. — Acrescentou e ao ouvir isso, Bella bufou.
— Para que esse jantar? — Gritou do quarto, enquanto escolhia sua roupa.
— Um agente será promovido.
— E vão dar um jantar só por isso? — Perguntou colocando a cabeça para fora da porta.
— Ele é um prodígio. — Respondeu se sentando encostando-se à parede.
— Eu aposto que sou melhor. — Retrucou sem hesitar, voltando para dentro do quarto, enquanto Eleazar se sentava no sofá.
— Eu tenho certeza, mas alguém desistiu de fazer a prova de ingresso não foi? — Murmurou com um sorriso torto.
— Eu ouvi isso!
— Sempre se pode voltar! — Gritou do sofá e ela apareceu vestida com um roupão de banho. — Eu poderia...
— Nem comece tio. — Apontou se colocando na frente dele. — Eu já disse que não quero ser uma agente.
— Eu sei, mas não concordo com isso. Acho que é um desperdício de talento. — Indagou balançando a mão no ar. Respeitava a decisão da sobrinha. Mesmo que não concordasse. — Agora, vá se vestir. Sairemos daqui uma hora.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~
Eles já estavam dentro do Lincon preto de Eleazar, quando Bella finalmente perguntou o que queria.
— E quem é o menino de ouro?
— Isabella...— Eleazar a advertiu.
— Desculpe. — Lamentou olhando para o tio e refazendo sua pergunta. — Quem é?
— Edward Masen. — Respondeu prestando atenção na estrada.
— Eu o conheço? — Ela perguntou cada vez mais curiosa.
— Não. Ele começou logo depois que você saiu. — Indagou ligando o ar quente. Fazia frio aquela noite e Bella usava um lindo vestido. Não queria que ela sentisse frio.
— E já será promovido a agente? — Questionou incrédula. Levava anos até que alguém fosse promovido. O garoto devia ser realmente muito bom.
— Eu disse que ele era bom. — Eleazar declarou estacionando o carro em frente ao hotel onde o jantar aconteceria. Tudo estava impecavelmente organizado. Havia luzes e uma fonte em frente à entrada. — Chegamos. Pode, por favor, ser gentil? — Perguntou. Sabia que ela podia ser bem geniosa quando queria.
— Contanto que o Newton e seus amigos fiquem longe, será um prazer. — Respondeu com um sorriso sínico nos lábios. Ela não tinha intenção de estragar a noite do tio, mas também não tinha sangue de barata.
— Não se preocupe querida. Depois de quebrar o braço do pobre rapaz eu acho que ele aprendeu a lição.
— Em minha defesa, foi culpa dele. Ele me desafiou. — Bella disse sorrindo e enlaçando o braço no do tio. Que balançou a cabeça negativamente, mas trazia um sorriso nos lábios.
— Sim, claro. E você não gostou nem um pouco disso não é?
— Talvez um pouco. — Respondeu caminhando até a entrada.
— Eu falo sério Bella. Pode ser gentil essa noite? — Eleazar a olhou seriamente e ela assentiu.
— Eu vou tentar. Eu prometo.— Disse e os dois caminharam até o salão, enquanto Bella observava o ambiente.
Era uma de suas manias. Sempre que entrava em algum lugar pela primeira vez, o estudava. Procurando câmeras, saídas, qualquer coisa.
O salão estava muito bem decorado. Havia boa comida, música e pessoas elegantes. Olhou para as próprias roupas e agradeceu mentalmente por ter deixado a ironia de lado e se vestido bem.
— A propósito, você está linda. — Eleazar disse olhando para a sobrinha e ela corou.
— Você só está dizendo isso porque peguei leve com você e coloquei saltos invés das minhas botas, que alias são muito mais confortáveis. — Acrescentou com uma carranca de dor.
— Estou dizendo porque é a verdade.
— Obrigada. — Respondeu corando e colocando uma mecha rebelde atrás da própria orelha.
— Você fica bem de vestido. Deveria usar mais vezes. — Acrescentou e ela revirou os olhos.
— Sabe que não tenho modos para isso. —Retrucou divertida.
—Esse colar é...
— Sim. Era da minha mãe. O único que meu pai não perdeu no jogo.
— Eu dei a ela quando você nasceu. — Declarou enquanto ela passava os dedos pela delicada corrente. Se lembrava de sua mão o usando. Era uma corrente fina com um pingente de uma rosa que era feita de ouro branco.
Assim ambos entraram no salão principal, todos os olhares se voltaram para eles.
— Nossa. Você ficou mais famoso desde que eu saí, tio?— Bella sussurrou em seu ouvido e Eleazar soltou um riso baixo.
— Não seja absurda, Isabella. Estão olhando para você. —Declarou afagando a mão da sobrinha, que apertava seu braço.
— Meu vestido está rasgado? — Perguntou se avaliando e ele sorriu. Bella nunca havia se enxergado como os outros a viam. Uma linda jovem.
— É tão difícil para você ver o quão bonita você é Bella?
— Quem está sendo absurdo agora? — Ela disse e Eleazar balançou a cabeça. Ela era tão teimosa quanto a mãe. — Então? Onde está o menino de ouro? — Questionou olhando ao redor.
— Bella... — A advertiu e a sobrinha revirou os olhos sorrindo travessa.
— Eu estou brincando. — Respondeu, mas o ar divertido se esvaiu assim que pôs os olhos em quem vinha em sua direção. — Ah só pode ser brincadeira. — Grunhiu quando viu Mike se aproximar.
— Uau, Eleazar. Sua sobrinha está linda essa noite. — Declarou tomando sua bebida, mas sem deixar de analisa-la. Ele praticamente a despia com os olhos.— Especialmente quando não está usando aquelas botas de combate. — Acrescentou e Bella deu um passo a frente, mas Eleazar a segurou discretamente pelo braço.
— Como vai o braço, Michael? — Ela perguntou divertida e Eleazar puxou seu braço novamente.
— Muito melhor, Isabella. Você teve sorte. — Declarou com desdém. Seu braço ainda doía apenas com a lembrança dela o torcendo. Ele ainda estava com o maldito gesso, para a alegria da garota.
— Eu acho que o gesso que você está usando discorda disso. — Retrucou sorrindo e ele fez uma carranca de dor, enquanto Eleazar segurava o próprio riso.
— Não se sairia tão bem em uma próxima vez. Eu lhe dei vantagem. — O agente tentou se justificar.
— Oh desculpe. — Bella declarou colocando a mão sobre o próprio peito, fingindo lamentar. — Então quer dizer que você me deixou quebrar seu braço? — Questionou com um sorriso inocente e ele estremeceu.
— Isabella... — Foi advertida pela terceira vez aquela noite. Seu tio sempre a cortava quando começava a se divertir. Mas assim era melhor. Ou ela acabaria chutando aquela bunda branca do Newton.
Bem, foi bom ver vocês. — Respondeu dando um passo para trás. Não era exatamente um covarde, mas Bella o deixava nervoso. Deixava todos os agentes nervosos. Ela tinha uma habilidade de luta inigualável e ele sabia disso. Eleazar havia lhe ensinado tudo que sabia. A transformando em uma máquina. — Aproveitem o jantar. Acrescentou, os deixando.
— Francamente Isabella.
— Ele começou. —Tentou defender-se.
— Você disse que seria gentil.
— Eu fui. Se eu não fosse gentil, teria quebrado o outro braço dele quando ele disse que me deu vantagem. —Respondeu sinceramente e voltando a caminhar.
— Você não tem jeito, menina. — Eleazar disse tentando parecer sério, mas um sorriso lhe escapou. — Ali está o agente Masen.— Apontou para um rapaz alto.
Bella o analisou atentamente. Ele era alto, ombros largos. Seu cabelo era de uma cor diferente de tudo que ela havia visto, parecia um acobreado e estava uma bagunça. A impressão que passava era que ele havia acabado de fazer sexo selvagem antes de ir para o jantar, mas o que lhe chamou mais a atenção foram seus olhos. Um par de olhos castanho. Lindos e profundos. Pareciam chocolates. Ela suspirou e Eleazar bufou a analisou e a fazendo engolir alto.
— Fique a vontade. Ele causa esse efeito em todas as garotas aparentemente. — Eleazar declarou enquanto caminhavam até seus lugares. — Pensei que você seria uma exceção.
— Não seja absurdo. Só estou analisando.
— Ah claro. — Indagou revirando os olhos. — Vamos nos sentar. A premiação vai começar, querida. — Acrescentou puxando a cadeira para que Bella se sentasse.
— Senhoras e senhores, muito boa noite. Me chamo Carlisle Cullen e esta noite estou aqui para efetivar alguns agentes. O primeiro é o agente Dale McCarty — Todos aplaudiram quando um homem realmente grande subiu ao palco, mas Bella ainda estava atordoada com quem fazia o discurso
Ela havia o observado por meses e agora ele estava bem na sua frente. Era tentadora, a ideia de puxar a pistola que ela trazia na bolsa e ter sua vingança, mas não era assim que ela o queria.
Ela queria que ele soubesse quem ela era. Queria que ele sentisse o medo que ela sentiu dentro daquele armário. Sem saber se morreria ou não. Então ela resolveu esperar, enquanto Carlisle continuou a chamar os agentes que seriam premiados.
— Ele demonstrou muito empenho no treinamento. Alem de ser um dos mais fortes. Tenho certeza que será um ótimo agente. —Discursou, ainda se referindo ao agente que parecia um armário.
— O segundo agente a ser efetivado, será o agente Hale.— Disse quando um rapaz magro de cabelos loiros subiu ao palco.— E por ultimo, mas não menos importante. — Declarou fazendo uma pausa. Quase como se estivesse emocionado. — Temos o destaque da agencia. Eu não digo isso só por ele ser meu filho, mas porque esse rapaz tem talento. O agente Masen.
Todos aplaudiram e Bella sorriu largamente. Ele tinha um filho. O bastardo que mandou matar seus pais, tinha um filho. Ela observou o rapaz que foi chamado e aplaudido de pé, e seu sorriso, já enorme, ficou ainda maior. Então o menino de ouro era filho do Cullen. Seria uma brincadeira muito interessante. O jogo estava apenas começando e Bella era a única que sabia como jogar.
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