Battle Scars

3 Chapter I - Part II


Chapter I — Part II

Ficamos paradas, quietas, só ouvindo o murmúrio das folhas nas árvores e os passos do homem pisando nas folhas de outono que já caíram. Fechei meus olhos e belisquei-me de leva no antebraço.

– O que está fazendo humana? Se é que é humana. — Disse o homem. Abri os meus olhos e dei de cara com um elfo alto, de uma longa cabeleira loira quase branca. Ele nos encarava com os olhos azuis penetrantes, a flecha no arco apontada bem para a minha glabela*.

– Como assim: ''Se é que é humana"? — Perguntei, olhando para o elfo.

– Ora, não são elfas, já que suas alturas e olheiras são normais. Anãs também não são já que são mais altas do que elas e não possuem barba muito menos são gorduchas. Hobbits também não... — Ele disse olhando para nossos pés.

– E o que era aquela coisa, sr. Elfo? — Perguntou Lily receosa.

– Quem faz as perguntas sou eu, srta. E qual seria o nome de vocês? — Ele guardou a flecha na aljava e pendurou o arco no mesmo ombro.

– Eu sou Ariel e esta é minha amiga, Lily. — Respondi.

– Quero que me acompanhem, Senhoritas Ariel e Lily. — Ele nos pegou pelo cotovelo e começou a nos levar para mais dentro da floresta escura.

Caminhamos por horas e horas, e Lily não parava de reclamar de como ela estava cansada, com fome, sono. Sério, não me perguntem como eu aguento ela.

– Dá para fechar a matraca, garota? – Ele tirou um pano de seda do bolso de seu casaco grosso e amarrou na boca de Lily. Soltei uma risadinha e ele me encarou e mexeu a boca num gesto de reprovação: — quer que eu amarre uma em você também?

– Não, não. Vou ficar bem quietinha. – Mesmo com o diacho do pano na boca, Lily não parava de resmungar e grunhir. – Lily, cale-se ou faço-te em pedaços.

Uma meia hora depois, chegamos à um imenso castelo. O elfo pediu para que ficássemos paradas na porta e fizéssemos silencio.

– Quem ele pensa que é para mandar-nos ficar quietas? – Reclamou Lily, assim que desamarrei o pano.

– Quem ele é? Ele é o Príncipe Legolas, o herdeiro de Mirkwood. – disse uma elfa ruiva, surgindo de sei lá onde. – E quem são vocês, estranhas?

– Prazer, eu sou Ariel Seymour e esta é minha amiga Lily Olsen. – ela nos olhou de baixo para cima.

O tal de Legolas apareceu de repente, pegando cada uma por uma braço e nos conduzindo para dentro do salão.

– Vossa Majestade, essas são as moças que encontrei na floresta. – Ele nos soltou e Lily fez uma carranca para ele.

– E como vocês se chamam? – Perguntou o Rei, que estava sentado em seu trono, com as pernas cruzadas.

– Bom, nós não nos chamamos. As pessoas que nos chamam por Lily e Ariel.

– Como? – ele deve ter se irritado por alguns segundos, pois uma veia de sua testa pode ser vista.

– É isso mesmo o que o senhor ouviu! – Ele levantou-se bravo. – Se eu me chamasse, eu me chamaria de Rosalinda, mas fazer o quê? Minha mãe que escolheu esse nome.

– Como ousa ser irônica e sarcástica comigo, sua jovem petulante? – Lily não respondeu. Eu olhei em volta e só então percebi um anão ao nosso lado. Ele estava tão quietinho que nem havia percebido ele aqui. – Não olhe para ele garota! Olhe para mim! – Gritou o rei comigo, virei o rosto no mesmo momento, sentindo ele enrubescer.

– Desculpe-me, Vossa Majestade, não pretendia fazer algo que lhe desagradasse. – respondi no mesmo momento.

– Tudo bem. – Ele olhou para atrás de nós. – Tauriel, leve-as para qualquer um dos quartos. Preciso pensar no que fazer com elas, e ainda tenho o problema de Thorin e Companhia.

– Não temos problema algum, Thranduil. – O anão pronunciou-se. Thranduil lançou-lhe um olhar sombrio.

Tauriel pediu para que a acompanhássemos e ela nos fez andar por todo aquele imenso castelo, a procura de quartos para nós. Se Lily estava cansada antes, imagine depois de toda aquela caminhada.

– Ariel, você ficará neste quarto e a Srta. Olsen no quarto da frente. — Tauriel abriu as portas dos quartos. — Vou deixá-las à sós. O jantar será servido em breve e o rei desejará a presença das duas.

Tauriel voltou pelo mesmo caminho, deixando as duas amigas no corredor.

– Acho que vou tomar um banho. — Reclamou Lily, depois de cheirar uma mecha de seu cabelo e fazer uma careta.

– Eu também. Nos vemos mais tarde, na hora do jantar?

– Mas é claro. — Disse Lily, pouco tempo antes de bater a porta do quarto.

*Glabela: O espaço entre as nossas sobrancelhas é conhecido como Glabela.

Notas finais
Quarto Lily: http://2.bp.blogspot.com/_L-aIG-7AW7I/TDI1O3mHPII/AAAAAAAAIwE/-n1PvSYSrHY/s1600/Dormitorio+medieval+1,+Mus%C3%A9e+d'Art+D%C3%A9coratif.jpg Quarto Ariel: http://t1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQPICk3SHblGAY-X6UKzAEiQ1CKpiO6jfElHHNLew4UE-rU9VJ-