Batman vs Arrow

11 Homens bons e cruéis.


Notas iniciais
Este capitulo está mais focado no que Alfred representa ao Batman, e qual é o peso de suas palavras.

Batman atravessou com seu batmóvel a cachoeira que escondia sua caverna.

O sangue escorria do ferimento aonde a bala havia atravessado. Uma pessoa comum estaria gritando, se contorcendo, suplicando a algum Deus que a dor parasse. Mas para o Batman, aquilo parecia não o incomodar, parecia que tudo estava bem e que não havia um grande furo em seu ombro.

Ele subiu até os computadores, ele gostava de se mover nas sombras. Era como se fosse um lar para ele, mesmo que ninguém estivesse ali, ele se movimentava por elas, se mesclava a elas. Como um morcego.

Ele tirou sua armadura. Ficou apenas como Bruce Wayne, bilionário, órfão.

Foi costurar o ferimento e Alfred Pennyworth surgiu com um gesto incomum em seu rosto. Ele parecia decepcionado, e com uma espécie de sofrimento escondido em seu coração. Bruce percebeu aquilo, ele conhecia seu mordomo. O conhecia bem demais, era como um pai para ele. Agora era um pai decepcionado. Não existe dor pior para um filho, do que ver seus pais decepcionados. Mesmo com toda aquela fúria em seu corpo, com suas mãos sedentas pela justiça que ele prometeu ao seu bom amigo Gordon. Quando viu o rosto de Alfred, uma dor amarga surgiu em seu peito.

– Me desculpe, Alfred – Wayne falou, enquanto Alfred tirava a linha de sua mão e começou a costurar.

– Pelo o que, patrão Bruce? – Alfred perguntou sem tirar os olhos da ferida.

– Pelo jeito que te tratei, eu estava nervoso. Eu quero ter a justiça para a morte de Gordon, mas estou me perdendo no caminho. Nem sei mais quem eu sou. – Ele olhou para a armadura do Batman que estava posta a sua frente. – Não sei mais quem o Batman é, e, nem do que ele é capaz de fazer. – Alfred queria dar um sorriso, mas se manteve sério.

– Eu estou criando uma guerra contra a A.R.G.U.S, e contra aquele Arqueirinho de Starling. – Bruce falou retomando sua raiva.

– O que o Arqueiro tem a ver com a A.R.G.U.S? Que eu saiba ele é apenas um vigilante, como o Batman. – Alfred afirmou dando uma ultima olhada no ferimento costurado. – Pronto acabei. – Ele avisou, e Bruce vestiu a camiseta.

– Ele está trabalhando com a Waller, está a ajudando a mascarar o crime do comissário. Terei que derrota-lo, para acabar com a Amanda. – Alfred encarou o patrão, o homem que ele criou. Ele via naquele homem, o garotinho de décadas atrás, o garoto que queria buscar vingança pela morte dos pais. O menino que virou homem, antes da hora e se tornou a coisa que é hoje.

– O ódio o está cegando patrão Bruce, por isso está com esses ferimentos. Você está perdendo sua concentração nas lutas, está perdendo suas técnicas de detetive. – Alfred respirou. – Isso irá destruí-lo.

– Como pode pensar algo assim? Estou vendo as coisas como elas devem ser vistas. – Ele afirmou com os olhos exalando raiva.

– Sabe patrão Bruce. Na China antiga. Havia um imperador que semeava o poder, que tudo tinha que ser feito para beneficia-lo. Ninguém ousava enfrenta-lo, todos temiam o poder que ele tinha. – Alfred continuou olhando fixamente o olhar de Bruce, e notava traços fortes de ódio. – Porém havia dois samurais de diferentes vilas. Eles eram os melhores, diziam que eles derrotavam centenas de homens com suas espadas. Todos do império os conheciam e os respeitavam, até mesmo exércitos de outros reinos se ajoelhavam aos dois. O Imperador viu isso como uma ameaça, dois homens serem amados por tantos. E se algum dia um deles resolve se rebelar contra o Império, todas as pessoas os apoiariam e facilmente tiraria o Imperador do poder. Isso começou a preocupa-lo, ele tinha que acabar com os dois. O poder tinha que ser dele. – Antes que Alfred continuasse.

– E o que ele fez? – Bruce interrompeu.

– Ele matou a família de um dos samurais. Ele trucidou os filhos e a mulher de um samurai e não deixou rastro algum. O samurai enlouqueceu vendo a família assassinada, ele caçou homens e mulheres inocentes. Até assassinos, o samurai deixou um longo rastro e sangue. E não encontrou nada sobre o real assassino de sua família. – Alfred se sentou. – O Imperador vendo que as pessoas estavam odiando um dos samurais, agora ele tinha que destruir o outro. Então ele culpou o samurai pela morte da família do outro, ele disse que o samurai queria o poder absoluto e que queria que o outro se destruísse para ele ter todo o amor das pessoas, sem nenhuma concorrência. Então em um belo dia os dois samurais se enfrentaram, dizem que foi um dos melhores combates da China Antiga. — Ele afirmou

– E quem venceu? – Bruce perguntou.

– O samurai que estava com raiva acabou se cegando na luta e foi morto primeiro. Mas o outro samurai estava tão machucado que quando o imperador surgiu e enfiou a espada em seu coração, ele nem conseguiu fugir. E no fim não havia mais ninguém para enfrentar o Imperador, e as pessoas o temiam ainda mais. – Alfred concluiu.

– E o que você quer dizer com isso, Alfred?

– Que toda essa fúria está te colocando atrás de apenas um homem, o homem errado. Ele será a sua destruição mestre Bruce. – Alfred respirou ainda mais fundo, e passou a mão nos seus cabelos grisalhos. – Eu sei que você quer justiça pelo comissário Gordon, olha, eu também quero. Mas você está passando dos limites que o senhor criou para si mesmo.

Bruce resmungou nervoso e Alfred o fitou com o olhar.

– Este sentimento de falha, de culpa. Este sentimento de impotência é o que transforma homens bons em cruéis. – Alfred deu as costas a seu patrão.

Bruce manteve um olhar raivoso sobre a armadura do Batman, algo estava se esclarecendo em sua cabeça. Talvez algo que o levasse ao caminho certo, ou algo que o levasse para o caminho mais sombrio e violento.

Notas finais
E ai pessoal gostaram? O que acham que o Batman vai se tornar depois de tudo o que ouviu. Comentem ai embaixo, valeu ;)