Batimentos Prematuros
1 Batimentos Prematuro
Agnes uma mulher ruiva de cabelos cacheados, delicada e com a voz serena, estava radiante, iluminada e muito feliz pois estava gravida do seu primeiro filho. Fazia compras de roupinhas e brinquedos, lia muitos livros para entender a vida de uma mãe. Oliver ajudava em tudo o que podia, era um marido dedicado e que também estava extremamente feliz. Certa noite ele a deixou na cama assim que Agnes adormeceu e foi para sala jogar, como quase sempre ele fazia, sua mulher tinha medo de dormir sozinha. Já na sala colocou seu headset para não fazer barulho e atrapalhar o sono de sua amada e o mesmo era anti ruídos. Nessa noite ela acordou sentindo muitas dores, a barriga atrapalhava levemente sua movimentação e respiração afinal já estava perto dos 8 meses de gravidez. A dor foi ficando mais forte, ela chama por Oliver mas, Agnes não conseguia gritar tão alto respirar era difícil, na tentativa de se levantar ela caiu da cama em cima de sua barriga, a dor então que já estava muito forte ficou ainda mais intensa. Começou a rastejar-se pelo chão gelado, a dor já estava a enlouquecendo, ainda teria que descer as escadas, suas pernas foram ficando cada vez mais fracas e um som de um coração batendo ecoava por sua mente agora. Não sabia o que era, não sabia o que fazer, não sabia porque estava acontecendo isso com ela. Em um surto momentâneo e sem raciocinar corretamente ela começou a apertar sua barriga com muita força, não estava em si, só queria que isso tudo parasse, aperta-se não adiantou então, respirou tudo o que podia, resgatou um pouco de força que ainda tinha, ajoelhou-se e se jogou com toda força que pode contra o chão. Assim que sua barriga tocou fortemente ao chão, ela sentiu o cranio do seu bebe sendo esmago, ela tinha certeza que havia acabado de matar seu filho. Um leve sorriso de alivio se formou em seus lábios. As dores cessaram, Agnes sangrava, ao voltar daqueles minutos de insanidade a mulher se deu conta do que havia acontecido. Chorava com um pesar na alma mas ainda assim não entendia porque estava se sentindo aliviada. A mulher chegou até o andar de baixo, Oliver ficou incrédulo com o que viu e muito confuso, foi uma noite longa para o casal. Alguns meses depois Agnes engravidou novamente e agora era uma menina, porém desde do acontecido ela nunca parou de ouvir os batimentos, os mesmos batimentos dentro de sua mente, o mesmo ritmo e na mesma altura, ela acreditava que pararia de ouvir e que era uma memória apenas. Mas sempre que e a mulher comemorava os meses de gravidez os batimentos se tornavam mais altos, e quando se recolhia em sua cama para adormecer era quando o coração em sua mente ficava mais forte ecoando por todo seu corpo. Agnes começou a ter problemas para dormir depois de algum tempo mas, ainda assim acreditava que era apenas um trauma da gravidez anterior. Oliver percebera algumas mudanças na sua esposa, era já não era mais tão calma, sua delicadeza foi se transformando gradualmente e dando lugar para grosserias. O marido também pensara que deveria ser hormônios e que era uma gravidez complicada. Se passaram os meses e a pequena Manuela nasceu, houve festas, visitas de parentes para conhecer o pequeno ser que agora fazia parte da vida de todos da família. Enquanto isso, Agnes ainda ouvia os batimentos ecoando em sua mente se manifestando mais vezes ao dia. Manuela completa um ano de vida, dois anos, três anos e sua mãe percebe algo diferente na menina, quando Agnes tentava tirar cochilos na cama do casal a bebê nunca conseguia dormir havia alguma coisa incomodando-a também. Por volta dos 5 anos de Manuela a menor então pergunta a mãe: — Mamãe, que é isso? — O que minha filha? — Disse Agnes curiosa e um tanto preocupada. — Isso mamãe, tum dum tum dum eu ecuto aqui. — A menina coloca a mãozinha na cabeça indicando de onde vem o som e sem saber pronunciar corretamente as palavras. Olhos abertos, coração acelerado, mãos geladas, um frio percorre o corpo da mulher que logo sai do transe pega Manuela no colo, sai do quarto claramente irritada. Sim, Agnes percebeu que a pequena também podia ouvir os batimentos de um coração. Desde então Agnes passou a tratar a filha com mais frieza, quase não conseguia ficar perto da menor que cresceu sem entender e sem ter a mãe por perto mesmo morando de baixo do mesmo teto. A mulher estava cada vez mais perturbada, ia para psicólogos e nada adiantava, os batimentos do coração estavam mais claros a cada ano que Manuela ficava mais velha. Remédios e falta de sono já era parte da vida de Agnes que estava com problemas visíveis em seu rosto. Oliver tinha saudades da mulher com quem casou, ela nunca mais foi a mesma, saudades dos cuidados, da voz serena e a calmaria que Agnes trazia para ele. Agora era apenas tormentos e transtornos psicológicos. Quando por fim Manuela completa 13 anos os batimentos na sua mente toma conta deixando a furiosa, ela também não aguentava mais, não entendia o que era e foi confrontar sua mãe, afinal agora ela era uma voz ativa e destemida. Entrou enfurecida no quarto encontrou Agnes deitada na cama tampando os ouvidos. — O que é isso??? Eu sei que você também ouve!!! — Manuela indagou irritada e querendo respostas olhando para a mãe e se aproximando da cama. — Eu não seiiiiiiii!!! Saia da aquiiii! Some da minha frente! — Agnes senta na cama e começa a chorar mantendo os olhos longe da sua filha. Manuela segura os braços da mãe fazendo força para que ela tirasse a mão dos ouvidos, alguns segundo depois nessa ação ambas se olham seriamente o som parou de ecoar em suas mentes e tomou conta do quarto, inicia claramente um batimento forte e ritmado no chão chegando a sentir no coração das meninas em cima da cama. As duas olham para baixo, Manuela coloca sua cabeça na cama e entende que o som vem do chão. Bruscamente sai da cama, puxando sua mãe com você, empurra a cama, ouvidos no chão e o som fica mais nítido, ela nota pisos quebrados, então decide investigar. Quando por fim encontra um corpo de um bebe morto com o crânio quebrado, enrolado em algumas panos já bem velhos e rasgados. As batidas começou a ecoar no quarto todo e muito forte. Chorando a menina pega o bebe e olha para a mãe a fim de ter respostas. — Era para ser seu irmão. E agora tudo faz sentido, você não era pra existir. Você é o motivo da minha loucura. — Agnes sorriu pela primeira vez depois de muitos e muitos anos e, sem dar tempo de respostas para sua filha, começou a enformar Manuela que não pode e nem tinha forças para sair dali. Manuela morre pelas mãos de sua mãe, o corpo do bebe que nunca entrara em decomposição imediatamente se tornou um esqueleto nos braços da menina que um dia deveria ter sido chamada de irmã. Mas ainda assim os batimentos não cessaram apenas se tornaram mais incômodos, mais alto, um tormento que Agnes já não poderia mais suportar, tomou todos os remédios tarja preta que conseguiu, a mulher é tomada por um sentimento maternal, abraça seus filhos que agora estava gelado e um apenas os ossos. Finalmente sentiu uma calma fechou os olhos e adormeceu para nunca mais acordar ao lado de seus filhos. Os batimentos de um coração prematuro teve fim.
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