Bater de Asas

4 4. Caçadores.


Notas iniciais
Droga me acharam! Nunca quis tanto aquele garoto do meu lado, ele me ajudaria tanto... eu acho. * Música do capítulo: The Wisp Sings— Winter Aid*

Dormi bem pouco, umas 3 horas, esfreguei os olhos até a visão voltar ao normal, era de madrugada ainda.

Então levantei pulando com barulhos de tiros, e corri em direção a janela com medo de estarem caçando os animais, eles foram meus amigos e família por muito tempo, nem passou pela minha cabeça que poderiam ter vindo atrás de arrumar uma "espécie rara".

Abri a janela lentamente, para soar o mínimo de barulho possível, logo que olhei o terror tomou conta, a casa estava cercada por caçadores, haviam 5, pelo menos eram os que eu conseguia ver, segurando armas antigas que pareciam precisar colocar pólvora para atirar, e alguns com arco e flechas, aparentam ser humanos. Escuto um deles gritar, enquanto os outros acenderam suas flechas.

— Vai sair daí na boa ou vamos ter que colocar fogo? Se for legal, nós nem colocamos você na gaiola.

Coloquei a mão na boca no impulso de medo e desespero, como me acharam? Alguém da cidade falou onde eu moro? Mas ninguém sabe onde eu moro... apenas Zack.

Balanço a cabeça para dispersar esses pensamentos. Oque eu faço... Se eu atirar as flechas em um deles, ainda vai ter 4 para atirar em mim, e se eu voar vão atirar em mim, parece que não tenho muita chance.

— Vão embora! Estou armada!

O que estou falando, como se fosse intimidar eles, mas juntei as poucas forças que tinha para ao menos tentar.

— Nós também, anda logo que não temos o dia todo.

Não sei oque fazer, se eu voar daqui, vão atirar em mim, mas se eu descer, vão me levar... Não quero isso de novo, é melhor morrer do que ser presa.

Então fui até a janela da cozinha que era do lado oposto onde estavam, abri lentamente para ter um mínimo de hipótese de não morrer, me estiquei ao máximo para fora dela com minhas asas já prontas para ir. Voei o mais rápido que pude para as copas das árvores, coloquei a mão na frente do rosto, mas os galhos cortavam, não pensei em outra coisa a não ser continuar, segurar a dor que eu sentia e voar para cima das copas.

Tiros soavam, enquanto gritavam para me pegar, estou com tanto medo, mas para aonde vou? A cidade é longe.

Aproveitei a escuridão da madrugada e voei o mais alto possível, dava para ver a iluminação das tochas lá embaixo. O lugar mais perto de seguro que eu tinha era a casa do Zack.

No meio do caminho quando a adrenalina diminuiu que a dor veio, não saí de aquele tiroteio bem, olhei para baixo havia dois pontos de sangue se juntando, um de cada lado da barriga, um deles era de raspão, já o outro, era na cintura, era mais profundo, estava saindo sangue, na asa direita também tinha um, apenas tentei ignorar a dor, e pensar que aquele garoto estranho e suspeito poderia me dar abrigo.

Cheguei na borda da caverna e ele não estava lá, o cheiro de caverna molhada dava para ser sentido, mas o lugar estava limpo. Fui até a cama do Zack que estava limpa e arrumada, aproveitei para olhar meus ferimentos, pareciam ter chegado fundo, mas não precisaria de sutura, apenas me auto curar ajudaria.

Quando comecei a curar o de raspão da barriga, a visão ficou turva, então parei e lembrei que não comi direito já que deixei o jantar mais para o Zack que parecia faminto, além de ter curado bastante ele.

Sentei na cama dele e senti o sangue escorrendo da asa ferida, levantei já que não queria o Zack bravo por sujar a cama dele, sentei no chão do lado da cama esperando ele chegar. No meio tempo tirei algumas penas quebradas do local da ferida para ficar mais limpo, cortei a parte de baixo da minha blusa e coloquei no machucado da cintura que era o mais profundo, e separei um pedaço menor para colocar na asa, porque as asas são tão sensíveis?

Nunca estive com tanta vontade de ver ele, ele não é a melhor companhia, e suspeito de ele ter falado onde eu moro, mas não posso afirmar isso sem provas. Não demorou muito para ele chegar.

Logo que ele chegou, parou na entrada e me olhou meio surpreso.

— Não pensei que apareceria tão cedo, escutei barulhos de tiros na floresta então fui a sua casa e você não estava, havia bastante caçadores, e trouxe um coelho, do jeito que você é, é bem capaz de cobrar o jantar na sua casa.

Ele fala com sua voz baixa, mas não sei se ele está calmo, bravo ou cansado, devo algum dia ajudar ele a caçar e trazer legumes, tudo bem que acho que ele é mais de comer carne.

Levantei tentando não cair, com os braços cruzados na barriga fingindo estar tudo bem e com as asas encolhidas, não queria dar trabalho, e não confiava nele ainda, só queria comer para me curar e talvez um pouco de companhia nesse momento.Zack de um meio sorriso, foi para um rosto fechado me encarando.

— ... Não adianta disfarçar, sinto cheiro de sangue de longe, pensei que você tinha caçado... Agora sei oque os caçadores queriam.

Ele parecia não querer se aproximar, tapava o nariz e quase não me olhava.

— Não me dou bem com sangue, é um cheiro que me deixa com fome... ainda bem que trouxe comida, ele tá com aparência melhor que você.

Foi em direção a mesa colocar o coelho, ainda com o nariz tampado. Eu tentava não me mover muito, me levantei calmamente.

Assim que olhou de novo para mim, viu o sangue escorrer. Ele tirou a mão do nariz me olhando preocupado.

Eu andei em direção a ele, queria ajuda, mas não sabia oque ele poderia fazer por mim. Porém, após anos morando sozinha eu naquele momento queria companhia.

— Hey, está pior que eu achei, fica quieta antes que...

A voz dele ficou baixa, e minha visão escura, as minhas pernas ficaram fracas, logo que me senti cair, observei os braços de Zack vindo em minha direção com expressão de assustado, tudo apagou.

*Lembrando vocês leitores de curtir e comentar :D*

Notas finais
Ainda bem que ele esta aqui...