Bater de Asas

15 15. Parentes Distantes.


Notas iniciais
Oque esse Rei quer? Como vou tirar Zack e eu desse lugar?

Acordo de um sono que poderia ser longo, ou apenas uma sensação de longo, olhando para o teto e relembrando os últimos acontecimentos e pensando onde estaria o Zack...

— ZACK.

Levanto rapidamente, com a mão na cabeça devido à tontura de levantar rápido, mas precisava saber se ele está bem.

Olhando em volta percebo um quarto luxuoso, diferente do resto do castelo e até mesmo da cidade.

— Porque me colocaram aqui...

Vou até a porta da varanda onde vejo neve caindo, um lindo jardim se estendia até a floresta.

— Um Jardim luxuoso para um rei, enquanto a cidade se destrói.

A raiva que tinha do tão grandioso rei fazia meu coração acelerar, mas sabia que o Zack não precisava de mais problemas. Escuto baterem na porta.

— Olá senhorita, meu nome é Carmélia e serei sua acompanhante.

— Olá... Onde está o...

— Me siga senhorita, estão te esperando.

Percebo que não vou ser respondida e apenas sigo a moça.

Ao andar pelos enormes corredores percebo para onde está indo o dinheiro que era para cidade, portas enormes e grandes estátuas, até às maçanetas brilhavam.

Seguimos um tapete vermelho até chegar a um grande salão, uma mesa enorme se estendia, Zack sentado em uma ponta e seu pai em outra, e um prato em uma das laterais, que parecia ser para mim.

Minha vontade ao ver Zack era de voar até ele e o abraçar o mais forte possível, mas ele apenas me olhou friamente e voltou os olhos para o prato. Sentei-me na mesa como se tudo aquilo fosse uma reunião de família no natal, enquanto atrás de cada um de nós ficava uma jovem menina de cabeça baixa, imagino o porque elas estão assim.

A Carmélia começa a servir o café matinal quando o rei resolve conversar comigo.

— Você está atrasada garota.

— Não me atrasei, fui chamada ago...

A camélia que me servia apertou os olhos, então percebi estar falando algo que cairia sobre ela.

— Acordei agora mesmo, ser enforcada me deixou cansada.

No fundo, me arrependeria, mas não poderia perder a oportunidade.

— Debochada que nem meu filho, mas não peço nada de você mesmo, só quero que esteja pronta para esse fim de semana.

— Final de semana?

— É, a coroação do meu filho.

Sobe-me um arrepio ao lembrar da promessa do dia anterior, Zack fugiu dela por tantos anos e agora... Será forçado. Se eu tivesse minha adaga ela estaria na cara desse rei agora, mas não tenho mais ela.

Olho para Zack, e ele está com o mesmo rosto sem expressão de quando nos conhecemos, mas com olhar de tristeza, mesmo assim ele mantém os olhos no próprio prato.

Comemos em silêncio, diria que o café da manhã mais amargo que já tive, e pensar que sábado seria depois de amanhã. Temos de fazer algo, ou não a nada que possa ser feito?

Assim que terminamos e levantamos, as serventes levaram ele por uma porta.

— Você vem comigo.

Meu rosto de fecha, mas devo seguir ele, oque mais faria? Tudo que fizer vai acabar em alguém morrendo.

Segui ele por um corredor até chegar em um quarto, onde havia um garoto de cabelos brancos deitado em uma cama, e um loiro em pé ao lado mexendo no soro.

— O deitado é Kuran meu filho casula, o de pé é Ezequiel, primo de Kuran.

Esse é o irmão do Zack? E além disso, eles são extremamente diferentes.

— Kuran nasceu doente, não sabemos o porque, mas andaram rumores sobre você saber curar.

Que ótimo, ontem estava me enforcando e hoje sou médica da família, mas o menino dormindo parecia bem pálido.

— Ok eu posso tentar, mas não garanto nada.

O primo do garoto pálido o acorda para ele ficar sentado. Ele era incrivelmente diferente do Zack.

— Olá sou quase uma médica, vim ajudar você.

— Olá...

Ele tem uma voz de ser jovem, e ao mesmo tempo, voz de doente vou tentar ajudar.

— Oque você sente?

— Me... Sinto fraco o tempo todo.

Aí fica difícil saber exatamente oque fazer, só sei curar ferimentos, nunca tentei com doenças sérias que parece ser o caso dele.

— Vou pedir que todos saiam, vou demorar um tempo.

— Os guardas ficaram aqui.

Concordei com a cabeça, os guardas não me atrapalhariam. Logo que saíram comecei a tentar curar os pulmões, poderia ser algo respiratório, mas enquanto isso eu tinha muitas perguntas a fazer.

— É desculpa perguntar, mas você e Zack chegaram a conviver?

— Tudo bem, não tenho muito com quem conversar, sim, convivemos, mas éramos muito jovens.

É difícil pensar em um pequeno e indefeso Zack correndo e brincando por aí.

— Não vejo ele a anos, mas dá para saber que ele mudou muito, ele era mais alegre.

Zack alegre e animado correndo, agora fica mais difícil pensar.

— Apesar de sermos filhos de mães diferentes, fomos criados igualmente, mas Zack mudou muito depois do que aconteceu com a mãe dele.

Zack nunca me falou muito da mãe dele, mas ela parecia ser importante para ele. Kuran abaixa a cabeça para falar mais baixo.

— Dizem que ela fugiu para ficar com outro, mas sei que não foi isso, o Rei tinha minha mãe como amante, e acabou "sumindo" com a mãe de Zack para ficar com ela.

Agora entendo a repulsa de Zack pelo pai, faria o mesmo de fugir e nunca mais voltar.

— Zack era novo quando eu cheguei, foi entender oque aconteceu com a mãe dele só mais velho, assim ele fugiu.

Enquanto Kuran contava de suas histórias de infância com Zack, as horas passavam e eu tentava de tudo para ajudar, mas nada adiantava, até chegar a noite.

— Não precisa se esforçar muito, não adianta.

— Está tudo bem, quero ajudar.

Ele acenou com a cabeça, ele não tinha muita escolha, mas também não parecia ter esperança de melhora.

— Kuran, e quem é sua mãe?

Perguntei por curiosidade, sei que estava sendo curiosa de mais, mas além de saber da história de Zack, queria saber mais do meio-irmão dele.

— Ela se chamava Julie, ela era uma dama da lua, é igual uma mulher normal que gostava da noite, mas falavam lendas que damas da lua saiam a noite para matar.

Já li muitos livros, e entre eles tinham essas lendas, mas eram mentira, a não ser a parte delas adorarem a noite.

— Não conheci ela, mas já li muitos livros sobre pessoas como ela, a lua era algo fantástico para elas.

— A lua...

Levantei e estendi a mão para Kuran, era óbvio aquilo.

— Kuran se apoia em mim.

— Mas oque foi?

— Quero tentar algo.

Ele sem reclamar muito, se esforça para levantar e se apoiar em mim, assim caminhamos até a porta que dava ao jardim, os guardas vieram atrás.

— Vocês dois aí olhando, ajudem, abram a porta.

Os guardas se olharam, e um deles foi me ajudar a segurar Kuran e o outro a abrir a porta.

— Coloquem ele de pé no jardim.

Estava frio, a neve ainda caia lentamente, mas não tinha escolha. Assim Kuran ficou de pé no jardim com a ajuda do guarda, e logo chega o Rei com o Ezequiel.

— Mas oque estão fazendo com o Kuran na neve?!

— Fica shiu aí, ele está fazendo oque deveria fazer todas as noites.

Ele é filho de uma dama da lua, faria sentido o porque elas serem obcecadas com a lua, talvez a lua era necessária para elas.

— Está, ficando quente, um calor bom...

Assim Kuran se solta dos guardas e fica em pé sozinho, dou um sorriso ao pensar que ajudei. Mas o rei não parecia muito feliz, penso que ele não queria que eu soubesse da história da mãe de Kuran.

— Ele precisa tomar essa luz da lua diariamente, assim ficará bom.

O Rei apenas olha indignado, mas diria que até um pouco feliz, mas é estranho pensar que ele nunca tentou fazer isso.

Enquanto Kuran tomava o "banho de lua" dele, escuto a porta do quarto abrir, era Zack, que olha para mim e abre a boca como se quisesse falar algo, mas ele e eu sabíamos que nada poderia ser falado naquele momento.

Notas finais
Droga estão mantendo Zack longe de mim, será que eles sabem que estamos planejando fugir? deve ser obvio.