Bate, Bate o Chocolate
3 Lei de Murphy
Notas iniciais

Já teve aqueles dias em que tudo dá errado? Em que você pensa: hoje eu não deveria nem ter levantado da cama.
A lei de Murphy diz que tudo que pode dar errado vai dar errado.
E é assim que meu dia se dividiu em três desastrosas partes:
Parte 1 — Restaurante
“Ir ou não ir, eis a questão”
Andei de um lado para o outro sem parar, poderia estar começando a fazer um buraco no chão de tantas voltas que eu já dei no centro de minha sala.
Encarei o relógio na parede com os ponteiros se movendo de forma muito vagarosa. O tique e o taque me enlouquecendo, enquanto que meus pensamentos lutavam um com o outro.
“Você não pode abandonar o restaurante, é seu dever como chef estar presente para qualquer tipo de situação” — falava um dos lados.
“Eu e você sabemos que esse seu nervosismo não tem nada haver com ser chef, você só está procurando desculpas para não ir neste encontro” — rebatia o outro
Odeio ficar nervoso, começo a suar e minha barriga dói, uma dor puramente psicológica. Eu não conseguia tomar uma decisão coerente aquela manhã.
Temari também não ajudava, ela não falou nada sobre essa tal de Ino, ele não sabia nem do que a moça gostava ou o que fazia… Só sabia seu nome e idade, vinte e três anos. Dois anos mais nova que eu. Temari cismou que eu deveria conhecê-la pelo que ela é, e não pelo que falam dela, isso inclui a própria Temari.
Dai você se pergunta, e porque não olhou em redes sociais?
Veja, eu não sei mexer nestas coisas, sou meio... “antiquado”… E mesmo que eu pesquisasse, como iria saber que aquela Ino seria a Ino certa? Francamente, quantas Ino’s Yamanaka’s não devem existir por ai.
Por isso eu permanecia neste meu dilema:
Ir ou não ir, eis a questão…
“Ela pode nem gostar de pessoas como você” — meus pensamentos novamente, fazem um bom trabalho em me atormentar.
Me olhei no espelho vendo nada mais que eu mesmo:
Um homem gordo com uniforme de cozinheiro. Possivelmente uma grande piada.
Decidi dizer para Konan que ficaria no restaurante, quando a vi conversando com um rapaz que não conhecia. Foi então que me lembrei...Udon estava de folga, devido a uma gripe e por isso hoje recebemos um novo garçom.
Estava tão distraído que nem percebi quando Shikamaru se aproximou para me dizer algo, acabei me assustando e quase derrubei o arranjo da mesa perto de mim.
—Vá de ré assombração — falei para ele — O que quer Shikamaru? Já não basta Temari me ligando o dia inteiro ontem!
—Você está sofrendo com ela? imagine eu que aguentei ela falando sobre seu encontro a noite toda!
—A diferença, amigo, é que ela é sua mulher, e não minha.
Talvez eu tenha sido um pouco grosseiro em deixar que Shikamaru falasse sozinho, mas eu precisava falar com Konan.
—Posso falar com você? — me aproximei dela.
—Claro, só deixa eu te apresentar — ela bateu no ombro do garoto que dirigia um sorria de maneira falsa — Este é Sai, ele vai começar aqui hoje — revelou — Sai, este é nosso máster chef Chouji Akimichi.
— Olá — cumprimentei — vai me perdoar, mas tenho urgência em resolver um assunto, com licença um momento — tentei ser o mais educado possível, ganhando apenas um aceno de cabeça do homem.
Afastei um pouco Konan para que Sai não nos ouvisse.
—Vou ficar no restaurante hoje — declarei — Não posso abandonar meu serviço assim.
Konan revirou os olhos para mim.
Ela era uma ótima pessoa, de verdade, mas Konan é aquela amiga que não tem paciência para dramas e também não tem medo de falar as verdades na sua cara, foi por isso que ela apenas suspirou e me disse:
—Toma vergonha nessa sua cara!
—Eu não posso deixar o restaurante…
—Tá achando que eu nasci ontem? Que restaurante o que! Tu tá é querendo fugir igual um gato escaldado com medo de água fria — rebateu — Você vai sim, e eu vou ficar de olho no restaurante para você.
— Konan, eu… Não sei se devo ir a este encontro…
Minha insegurança estava bem visível, todo mundo sabia disso, e mesmo que eles tentassem me animar, eu sabia que seria uma coisa que teria de superar.
—Você vai, e vai se dar muito bem — Konan apertou minha bochecha — Você é um doce e todo mundo gosta de doces! Menos o Sasuke, mas ele é um azedo mesmo.
Não se engane com as palavras de Konan. Na realidade o que ela quis dizer foi: Se você não sumir da minha frente agora eu vou dar na sua cara. E sim, isso é ela tentando ser legal.
Deixei Konan conversando com o tal Sai e voltei para cozinha.
Estávamos preparando para abrir para o café da manhã. Separei os morangos frescos para colocar no bolo de chocolate e fui até a dispensa para buscar o material de decorar com glacê. Eu preferia nunca ter aberto aquela dispensa.
Konohamaru e Moegi estavam aos beijos na dispensa.
Ok, talvez você esteja confuso. Quando esses dois começaram a ter um relacionamento. Acontece que não tem o que contar aqui, são apenas dois adolescentes de dezesseis anos se beijando na minha dispensa. Nada demais. Ao que parece é muito comum ter vários “lances”, “crushs”, “contatinhos” hoje em dia… Nada que alguém como eu entenda, essas manias jovens…
—Eu já falei para vocês que a dispensa não é lugar para namorar? — puxei os dois para fora — Aliás o restaurante não é lugar para funcionário ficar de agarração.
— Que nada haver — Konohamaru rebateu — Quando é Shikamaru e Temari você nem reclama, ou Naruto e Sasuke.
— Um — numerei — Naruto e Sasuke são clientes, não são meus funcionários, apesar do Naruto me dar uma ajuda e receber por isso. E dois, Temari também é minha cliente e ela não estava beijando Shikamaru na minha dispensa.
—Colé mano, só porque tu não namora — Konohamaru disse irritado, segundos depois percebendo que disse seus pensamentos em voz alta, tampando a boca — Desculpa chef! — pediu desesperado.
—Sei, sei! — revirei os olhos — E a senhorita também não fica atrás, eu não já tinha conversado com você?
Moegi me deu um sorriso sem graça.
—Desculpa, é como a Tenten vive dizendo: É o fogo da juventude.
Tenten estava andando tempo demais com Rock Lee.
—Da juventude...Sei, isso ai é fogo no rabo, isso sim — peguei meus materiais — Vão logo botar as xícaras e os pires no lugar, por favor.
Ambos se apressaram em fazer como pedido, não queriam arriscar o emprego.
Continuei enfeitando o bolo quando Hinata apareceu na cozinha para me entregar a cópia do novo menu que eu tinha mandado fazer.
—Chegou hoje, está bem bonito — sorriu doce me mostrando.
—Está lindo mesmo — observei — Os desenhos de Naruto ficaram uma graça na parte infantil.
Encarei Hinata meio incerto se deveria ou não ter aquela conversa com ela, eu não estava num dia bom, mas Kiba e Sakura só chegariam mais tarde e seria uma boa hora para conversar com ela em paz.
—Por favor Chef, se vai me demitir… Só faça logo — ela pediu.
Balancei a cabeça negativamente e olhei em seus olhos.
—Por que eu te demitiria? Você não fez nada de errado para com o restaurante.
—Mas…
—Mas nada Hinata — soltei um suspiro — Olha, eu não ia falar disso hoje, mas vejo que está precisando: Você tem que se impor.
— C-como assim?
Me sentei em uma das cadeiras e pedi para que Hinata fizesse o mesmo.
—Olha Hinata eu sei que está focada nos seus estudos e trabalho, aqui está ajudando bastante nos planos que você tem para vida, isso é ótimo, mas nada disso adianta se você ficar pedindo desculpa por tudo, até quando você não está errada, se ao invés de dizer o que pensa você só aceita a vontade alheia e abaixa a cabeça nada vai mudar — argumentei — é assim com Sakura e Kiba, você não quer magoá-los e tem medo de dizer o que sente, e isso só os faz pensar que você está se fazendo de difícil, quando na verdade você realmente não quer sair com nenhum deles dois.
Hinata me olhava calada, ela sabia do que eu estava falando, possivelmente já tinham tido essa conversa com ela antes.
—Vamos treinar isso, está bem? Comece me dizendo o que pensa de mim, os bons e os maus motivos.
—E-eu… Não posso…
— Não ficarei chateado, Hinata.
—E-eu acho… — ela ficou extremamente vermelha e respirou fundo — Eu te acho um bom chef, cozinha muito bem e é uma pessoa muito legal.
—Ok, agora diga algo que você não gosta em mim.
—Não quero…
—Hinata, entenda que nessa vida você tem que aprender expressar sua opinião, se você se deixar levar pelos outros vai quebrar muito a cara — observei a morena baixar os olhos envergonhada, mas respirou fundo e volte a me encarar nos olhos.
—E-eu...Acho que… Você é solitário.
Me surpreendi, não esperava por algo assim, mas a surpresa deu lugar ao orgulho de ter feito-a dizer algo fora dos seus padrões.
—Entendo, e porque pensa isso?
—O senhor é...Bom, por mais que você tenha amigos ao seu redor, sua primeira prioridade é o restaurante, eu não o conheço, mas… Já deu para perceber que o senhor não tem uma vida fora daqui. Desculpe.
—Não peça desculpas por ser sincera comigo, Hinata — disse a ela lhe dando um sorriso doce — Pode voltar a seus afazeres, e pense no que eu lhe disse.
—Sim senhor.
Hinata se retirou da cozinha e eu finalizei o bolo o levando para fora.
Um vulto passou correndo por mim assim que abri a porta da cozinha. O bolo que estava nas minhas mãos voou para cima e foi parar no chão. Fiquei cerca de dois minutos petrificado encarando todo meu trabalho ser desperdiçado. Soltei uma lágrima solitária lamentando a perda.
—Meu bolo! — falei assim que sai do transe.
Olhei ao meu redor e vi Shikamaru segurar Temari que se debatia para tentar alcançar Sai. Eu não tava entendendo nada! Quando Temari havia chegado? E por que ela estava tentando bater em Sai?
—Me solta! Eu vou dar na cara desse puto — gritou furiosa.
—Calminha — Shikamaru falou enquanto segurava ela em seus braços.
Temari bateria mesmo em Sai se deixassem que fizesse. Ela já foi parar na delegacia uma vez por tentar arrancar o pau de um cara que havia passado a mão na bunda dela. Temari não é o tipo de mulher que só ameaçar.
—O que aconteceu? — perguntei tentando limpar o meu avental sujo de bolo sem sucesso.
—Eu vou matar esse filho de uma puta, é isso que aconteceu!
—Ok… Alguém que esteja raciocinando poderia me explicar?
—Esse novato ai virou para Temari e disse que ela parecia uma vassoura de pelos velha— destacou a palavra — Sabe como Temari é esquentada e ai pronto.
—Velha é seu passado, infeliz — arranhava o braço de Shikamaru para que ele a soltasse, que bom que o moreno já tinha prática com a Temari irritada.
—Vem loira, vamos até a cozinha para você tomar um sorvete e esfriar a cabeça — puxou Temari consigo.
—Pode ser de flocos?
—Do que você quiser…
Os dois sumiram pela porta da cozinha e eu me senti aliviado.
Temari tinha sérios problemas com a idade dela, já que é seis anos mais velha que Shikamaru. Sua insegurança é uma das maiores razões para brigarem, mas Shikamaru faz questão de mimá-la e cuidar para que ela se sentisse assim, já que ele sabe o quão forte e determinada Temari é.
A mulher vive reclamando porque Shikamaru não se estressa e por isso tem uma pele maravilhosa, segundo ela, enquanto que a dela está ficando decadente por falta de cuidados e stresse.
—Mas o que aconteceu para Sai chamar Temari de velha? — questionei para Konan
—Que eu saiba ela só lhe deu um bom dia — respondeu.
Aquilo me foi suficiente para que soubesse, meu dia ia ser muito complicado. Não era nem dez da manhã e meu bolo tinha ido parar no chão junto a bandeja, em que estava e se espatifou no chão, Temari estava comendo meu último pote de sorvete de flocos na cozinha e Sai com dez minutos de garçom já chama alguém de velha. Eu mereço.
A manhã se seguiu, com Temari se lamentando na cozinha e Sai ganhando uma bronca de Konan sempre que algum cliente ia reclamar com ela de seus comentários inapropriados.
—Sério Neji, agora é a sua vez de cuidar do Sai — Konan falava.
Ambos estavam discutindo na cozinha, para que eu não ouvisse, mas conseguia ouvir muito bem da minha sala.
—Eu não tô aqui para ser babá de ninguém, se está insatisfeita o mande embora.
—Não posso, Chouji vai se preocupar se tiver um garçom a menos para atender os clientes.
—Então peça para Sakura cobri-lo — Neji rebateu — Vai ser pior se ele ficar aqui e acabarmos perdendo clientes.
Neji era o mais racional daquela cozinha, isso porque Konan costuma ser muito cabeça quente as vezes. É a pessoa que menos fala sobre sua vida aqui dentro, só o que sabemos o que ele pensa de relacionamentos, e que ele está trabalhando aqui para ajudar a prima, Hinata, a pagar os estudos, ao que parece ambas são meio que a “desgraça” da família, ainda não se sabe o porquê.
Neji tem outro emprego além do restaurante, também não sabemos qual é.
Óbvio que os curiosos do restaurante, Konohamaru e companhia, já perguntaram para ele qual é, mas este sempre desvia o assunto. Os meninos tem a teoria de que ele é ou um assassino de aluguel, ou um ladrão de joias ou trabalha em uma boate de strippe. Francamente para mim todas essas opções parecem difíceis de se imaginar quando se trata de Neji… Talvez eu até acredite na do assassino um pouco, mas qual é! Ele é meio assustador as vezes.
Ouvi o som espalhafatoso de Naruto chegando no restaurante, e com isso quero dizer que ele chegou gritando meu nome que nem um sem noção, um “Choujiiiiiiiiiiiiiii” foi ouvido por todo restaurante.
—Não grita, porra — Sasuke bateu na cabeça do loiro — Tem crianças no recinto.
—Então não fala palavrão! Porra!
Fui até eles, antes que fizesse mais escanda-lo.
—Gente, é muito bom ver vocês, mas hoje estou em um dia complicado.
—Eu sei! — Naruto me deu um sorriso malicioso — Hoje é o dia do encontro, e quem não fica nervoso de sair com… — a boca dele foi tapada por Sasuke.
—Com qualquer pessoa depois de tanto tempo — completou o moreno.
Aí tinha coisa, eu sabia que sim, desde a cara da Temari no dia em que ela sugeriu esse encontro às cegas, porém nenhum deles me falaria nada se perguntasse, então só preferi dizer:
—O que fazem aqui hoje?
—Temari disse que queria você bem preparado para o encontro, mas vamos combinar que ela não é a melhor pessoa para romance, por isso eu vim para te ajudar e trouxe Sasuke comigo.
Encarei Sasuke incrédulo.
Uma vez tinha ouvido Tenten perguntar qual era a coisa mais romântica que ele já havia feito para com o Naruto, e ele respondeu:
“Uma vez apertei a bunda dele em público” — isso não tinha nada de romântico.
Naruto riu da minha cara incrédula, mas antes que pudesse falar alguma coisa, fui interrompido por duas clientes, que chegaram cortando a nossa conversa.
—Oi, desculpa, mas vocês não são o famoso casal deste restaurante — uma delas disse empolgada.
Naruto sorriu o mais simpático que pode, enquanto Sasuke apenas olhou para elas desinteressado. Balancei a cabeça em negação, não era a primeira vez e nem a última que aquilo aconteceria, mas o que se pode fazer? Os dois são celebridades por aqui.
—Somos nós sim – Naruto revelou.
—Ai meu Deus! Eu amo a história de vocês – disse a outra menina – Será que podemos tirar uma foto?
Naruto olhou para Sasuke que olhava para as meninas de forma meio irritada, Naruto suspirou para o incômodo do moreno. Sasuke não era chegado a tirar fotos, ainda mais com pessoas desconhecidas, mas ele não queria ser mal educado.
—Está bem.
As meninas se posicionaram um de cada lado e bateram duas fotos, uma para cada celular.
—Muito obrigada, você são super lindos juntos! –a primeira disse animada.
—Por nada.
—Hm.
—Bom até logo, muitas felicidades ao casal – a segunda saiu empurrando a primeira.
Naruto acenou para elas depois voltou a olhar para mim.
—Como eu ia dizendo, Sasuke tem as melhores ideias para uma saída romântica e ele pode te ajudar!
—O Sasuke?! – falei como se ele mesmo não tivesse presente.
Naruto balançou a cabeça freneticamente para dizer que sim.
— Uma vez eu cheguei em casa e ele tinha preparado um jantar a luz de velas, com um bom vinho, uma boa música e depois...
—Ah! Ninguém precisa saber! – interrompi automaticamente – Guarde suas safadezas para vocês dois!
Naruto riu da minha expressão de desespero, só o que me faltava era ouvir sobre as noites “quentes” deles dois.
—A questão é que Sasuke sabe muito bem como agradar sua companhia, e eu quero que você aprenda com ele está tarde – sorriu empolgado.
Antes que eu pudesse responder Sai resolveu usar da sua língua afiada:
—Ele não quer ir nem ao encontro com uma garota, imagine pagar de galã da novela das nove – Sai não tirava seu sorriso falso da cara – Né, gorducho?
Eu já estava acostumado às pessoas me chamando assim, ainda que fizesse muito tempo que eu não ouvia este apelido ser dito diretamente a mim.
—Você deveria ter mais respeito com seu chefe – Sasuke quem respondeu de forma ameaçadora – Ou pode acabar... Se dando mal.
Vi Sai engolir em seco diante das palavras frias de Sasuke. Naruto segurava o braço deste tentando acalmá-lo, enquanto que eu o agradeci com um olhar.
—Sai, acho que Konan quer ter uma conversa com você – disse de maneira profissional – Vá, por favor, falar com ela.
Sai não retirou o sorriso falso do rosto, apenas foi em direção à cozinha. É cada estranho que me aparece.
Naruto bateu com a mão em meu ombro.
—Vamos apenas ignorar que este tipo de pessoa existe e ir de uma vez para sua casa precisamos treinar pro seu encontro romântico – sugeriu – Temari! – gritou – Vamo’ bora!
—Tô indo desgraça – a loira apareceu com o pote de sorvete quase no fim – Mas eu vou levar o sorvete comigo.
Ela se despediu de Shikamaru e fomos os quatro no carro dela para minha casa.
Parte 2 – Treinamento
“Minha acompanhante é o Naruto”
Estávamos na minha casa. Sasuke tinha separado o melhor dos meus ternos, Temari me deu as melhores loções e cremes para que eu ficasse bem cheiroso, como ela disse, para o encontro, e agora me diziam passo a passo o que dizer.
Eu me surpreendi com a dedicação de Sasuke em me ajudar, ele preparou uma mesa romântica no meu apartamento para eu poder treinar. Naruto estava na minha frente e sorria para mim.
—Agora Chouji, elogie sua acompanhante.
—Por que minha acompanhante tem que ser o Naruto? Por que Temari não me ajuda nessa parte?
Olhei para a loira que não saia do celular nem por um instante, então me lembrei o motivo: Ela estava trabalhando a distância e não poderia dar muita atenção.
—Temari está ocupada, e Naruto é uma linda companhia – Sasuke sorriu para o loiro que lhe mandou um beijo – Não flerte com quem não é seu acompanhante – advertiu.
Naruto riu e voltou seus olhos para mim.
— V-Você está muito linda esta noite.
—Tente: Você é extremamente bela, Ino – sugeriu – E sem nervosismo.
—Você é extremamente bela, Ino – me esforcei para não gaguejar.
—Ora Chouji, você é um doce – Naruto afinou a voz.
Nem eu, nem Sasuke, nem Temari conseguimos nos segurar e caímos na gargalhada.
—Que porra de voz de mulher é essa? – Temari perguntou com a mão na barriga de tanto rir.
—Vai se foder, eu sou uma mulher muito melhor que você – Naruto rebateu indignado.
—É sim... Com essa sua voz angelical – alfinetou.
—Gente, foco! O objetivo aqui é o Chouji se sair bem no encontro – Sasuke interveio – Ao longo da noite, Ino vai falar bastante dela, mas vai querer saber de você também. Não seja arrogante e nem tente parecer melhor do que você é, seja você mesmo.
—Isso mesmo, você é um bolinho Chouji, todo mundo ama bolinhos – falou Temari.
—Nem me fale em bolo que eu só consigo pensar no meu indo parar no chão, será um sinal?
—Nada de sinal! Você vai se sair muito bem nesse encontro, não tem porque ter medo – Naruto me apoiou.
—É verdade – Sasuke bateu em meu ombro — Agora vamos voltar. Preste atenção no que ela disser e não foque só na beleza dela, é importante que você faça elogios muito mais que a aparência de uma mulher, nenhuma delas quer ser só um rostinho bonito.
—Entendi – olhei para Naruto – Você é muito divertida, Ino.
—É justo, já que essa Ino só se mostrou palhaça até agora – Sasuke olhou irritado para Naruto que coçou a nuca — Você está no caminho certo.
—Mas o que eu devo dizer a ela? Como agir? Eu não sei nada dela!
—Não se preocupe com isso, quando se está em um ambiente agradável e em boa companhia a conversa flui naturalmente.
Sasuke passou três horas me dizendo o que fazer e o que não fazer, e eu sei que a intenção dele era de ajudar-me, mas eu sabia que ia ficar muito nervoso e ia acabar me esquecendo de muita coisa.
Eu só esperava não passar vergonha diante de uma mulher que eu nem conheço.
Parte 3 – O começo do encontro
“Extremamente bela”
Eu dirigia com o ar condicionado no máximo, estava nervoso e começando a suar, não queria chegar mal cheiroso no encontro com Ino.
Eu não conseguia parar de visualizar como seria Ino Yamanaka, sendo amiga de Temari talvez fosse uma executiva. Imaginava ela com uma expressão séria, e muito cordial, talvez estivesse de terninho...
Cheguei ao restaurante e como instruído por Temari falei que tinha reserva para o nome de Yamanaka. O garçom me olhou descrente, mas me disse para segui-lo.
Fui reparando no restaurante, ali com certeza era um lugar muito chique, muito diferente do meu querido Aprazível. Eu não era muito chegado a aquele tipo de frescura, mas não fazia mal comer em um lugar daquele tipo as vezes.
Meus pensamentos foram interrompidos pelo garçom que se dirigiu a tão esperada senhorita Yamanaka.
—Senhorita, este senhor disse que é sua companhia, a senhorita esperava por ele?
Meus olhos foram de encontro a tal da Ino Yamanaka e eles se arregalaram, ela era realmente bela. O corpo magro com as curvas bem definidas, o cabelo longo e loiro, os olhos azuis... Tudo nela era extremamente belo. Ela vestia um vestido vermelho brilhoso de alça fina, sua maquiagem era leve e o cabelo preso de forma charmosa.
—Chouji? – ela perguntou e eu só consegui balançar minha cabeça afirmando, ela sorriu – É um prazer conhece-lo, sou Ino Yamanaka.
“Droga Chouji! Faz alguma coisa que preste, diga que ela está bonita”
—E-eu... – gaguejei – merda! – praguejei baixinho.
—Já desejam pedir alguma coisa?
—Pode nos deixar a sós por um momento – Ino pediu e o garçom balançou a cabeça afirmando – obrigada.
Eu me sentei na frente dela, respirei fundo para ver se meu nervosismo passava.
—M-me desculpe...
Ela me olhou confusa, seu sorriso não havia sumido e ele não parecia falso como o de Sai.
—Por que está se desculpando?
—Eu meio que... Não esperava que... Você fosse tão bonita – falei corando.
Ino riu baixinho e balançou a cabeça mostrando entender.
—Obrigada, eu acho...
Cocei a nuca sem jeito.
—É que eu... Não estou acostumado a essas coisas de encontro ás cegas.
—Sorte a sua então, para mim só teve decepção... Não que você seja uma e... Merda... Eu também estou meio nervosa – explicou – É que meu último relacionamento não foi nada legal, e tentar de novo depois de tanto tempo me deixa nervosa.
—Olha... Então estamos na mesma situação – sorri para ela.
Foi ai que eu percebi que meu encontro com Ino poderia ser muito melhor do que eu pensei.
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