Batalhão 179
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Então eu dedico esse capítulo às lindas das SSSG e mmousy que recomendaram a fic! Espero, do fundo do meu coração que vocês e todos os leitores gostem!
Minha vista ainda estava defasada e eu só conseguia ouvir uma voz bem longe. Aos poucos fui recuperando a consciência e quando abri os olhos, me deparei com o Bill me chacoalhando forte e falando alguma coisa que eu não consegui entender.
-B-bill?
-OH, TOM! EU FIQUEI TÃO PREOCUPADO! ACHEI QUE TIVESSE TE MATADO, ME DESCUULPE!
-Tá, tá, só não grita, pelo amor de Deus.
-Desculpe! – ele me abraçou apertado, esmagando-me ainda mais.
-Tudo bem, Bill, só por favor, não me machuca mais que eu to todo quebrado.
-Certo, me desculpe. – o general olhou para baixo, visivelmente corado e me soltou. – Nossa, Tom, que embaraçoso. Sério mesmo, me desculpe, cara.
Suspirei alto. Mein Gott, o que eu não faço pra consolar um pobre soldado alemão?
-Ei, relaxa, Bill. Eu te desculpo por quase me matar, ok? Só tenta não fazer de novo.
-Tá, desculpa.
-Ok, então.
Fechei meus olhos por um segundo e... Espera. Que som é esse? Abri novamente meus olhos e me deparei com um certo general fungando. Ah, man, não me fala que ele está chorando! Qual o problema desse cara??
-Bill?
-Humf... q-que? – quando ele levantou a cabeça, pude visualizar seus olhos chocolates vermelhos e levemente inchados, enquanto ele continuava a fungar baixinho.
-Por que você está chorando? – perguntei preocupado. Bill era definitivamente a pessoa mais estranha e encantadora que eu já conhecera.
-Ah, Tom, porque eu só faço bobagem! – ele tampou seu rosto com as duas mãos e desabou a chorar.
-Eii, calma, Bill, calma. Não fique assim.
Só o que tive como resposta foi um muxoxo e um apertão mais forte. Então fiz a única coisa que poderia acalmar aquele adolescente no corpo de um adulto: abracei-o, puxando-o para o meio da cama.
-Psiu. Não seja tão duro consigo mesmo.
-M-mas...
-Shhh. Não diga nada, Bill. – disse, enquanto eu mexia em seus cabelos negros e sedosos – Apenas feche os olhos e durma.
E assim ele dormiu em meus braços. Depois de um tempo, sua respiração se normalizou e o Kaulitz parecia um pequeno anjo. Nunca imaginei que um dia algo assim pudesse me acontecer. Não só o fato de ter entrado para o exército, mas ter um homem em meus braços e não achar aquilo estranho e/ou repulsivo, afinal, naquele momento me pareceu a coisa certa a fazer, por mais que as circunstâncias tenham sido totalmente inusitadas.
Agora, pensando bem, tenho quase certeza que sou um ímã para pessoas bipolares. Primeiro, com a minha mãe naquela fatídica manhã de domingo. Segundo, com meu querido general, que num instante tenta me matar (mesmo que esta não fosse sua intenção) e no outro está chorando como uma criança. É... como existe gente estranha por aí..
Afastei-me, então, de Bill e me deitei de bruços, esperando o sono chegar.
***
Acordei com um certo desconforto bem na região do meu querido Tom Jr., sentindo-o levemente duro. Quando abri meus olhos para me certificar da minha situação, descobri o motivo do meu “pequeno” problema: eu estava com a cabeça encostada no peito de Bill — que me envolvia com seus braços fortes -, nossas pernas estavam entrelaçadas e para completar eu ainda estava sem camisa. Como nós chegamos àquela situação, eu não fazia idéia e nem queria saber.
-Bill! – chamei-o, sentindo meu rosto pegando fogo.
-...Huumhum....unicórnios não existem, mamãe... – O QUÊ?
-Bill, acorda, cacete! – tentei me afastar, mas seus braços continuavam me prendendo.
-...Só mais cinco...uuhuumm....minutos.... – e ao invés do ser me soltar, não, ele me abraçou ainda mais. E o problema lá embaixo só piorou... E você está adorando, né seu safadiinho... Cala a boca, consciência maldita, que isso não é hora de você dar essas merdas de palpites!
-Mas que porra! Acorda, Bill! – Santo Jesus Cristo, o que eu fiz pra merecer isso????
-Huumm... – ele finalmente abriu os olhos. Graças a Deus! – Bom dia, Tom.
-BOM DIA O CACETE, ME SOLTA!
-Puxa, parece que alguém acordou de TPM hoje... – o filho da mãe simplesmente soltou um risinho e voltou a dormir, mesmo que hoje fosse terça-feira e ainda não deu seis horas – horário em que vamos tomar café para depois seguirmos com nossas obrigações do dia.
-TPM? Como você tem a cara de pau de me dizer uma coisa dessas????? Seu gay tarado e pervertido, me solta!
Bill, com a maior paciência do mundo, apenas abriu um olho e falou calmamente:
-E por que eu deveria fazer isso? É cedo, temos 30 minutos, seu querido brinquedinho está “acordado” e eu estou confortável. – ele sorriu cínico e continuou me encarando, provavelmente se divertindo muito com a situação.
Ah, então é provocação que ele quer? É provocação que vai ter.
-Bom, porque talvez se você me soltar, eu possa te mostrar um jeito ótimo para deixar o seu brinquedinho tão feliz quanto o meu. E o melhor, em menos de trinta minutos. – fiz a melhor cara de anjo que consegui, sendo seguida de um adorável sorriso sarcástico.
-Hum... – ele pareceu pensar por um segundo, com uma sombra de curiosidade passando por seu rosto – Parece divertido. Mostre-me então.
HAHAHAHAHA. Que idiota! Caiu direitinho na minha prov... O QUÊ? SANTA MÃE AMADA! E AGORA? O QUE EU FAÇO?
-Então, Tommy, estou esperando. – a pontada de ironia em sua voz doeu como uma facada.
Mas eu continuava atônito. ESSE CARA VAI ME ESTUPRAR, ATÉ APELIDO ELE ME DEU! SOOOCOOOORROOOOOOOO!
FOCO, TOM! PARA COM ESSE DRAMA, AGORA! SE ELE QUER QUE VOCÊ O DEIXE DURO, FAÇA ISSO! MOSTRE PORQUE VOCÊ SEMPRE FOI TÃO POPULAR ENTRE AS GAROTAS E FAÇA JUZ AO SEU APELIDO DE “SEX GOTT”!
Respirei fundo duas vezes e senti os braços de Bill afrouxarem ao meu redor. É agora ou nunca, pensei. Rolei meu corpo para esquerda, prendendo o corpo do General entre minhas pernas, fazendo questão de roçar nossos membros e com uma de minhas mãos, prendi as mãos dele em cima de sua própria cabeça.
-Se você quer brincar, Billy, então que comece a brincadeira. – sussurrei rouco e sexy em seu ouvido, sentindo o gostinho da vitória ao ver seus pelos da nuca se eriçarem.
Sua risada baixa e divertida era como uma droga pra mim, a qual me instigava a fazer coisas que nenhum cara supostamente heterossexual faria, mas que nesse momento não faria alguma diferença, porque essa bichinha – morena, linda e totalmente sexy – mexia comigo de tal forma que ninguém seria capaz de explicar, nem mesmo eu.
Comecei, então, a beijar seu pescoço alvo e cheiroso, intercalando com algumas mordidas bem leves, fazendo todo o percurso de debaixo da orelha à clavícula, só para eu parar e recomeçar do outro lado de seu pescoço. Bill — que por sua vez soltara suas mãos e estas agora estavam em minha cintura, fazendo uma grande pressão para baixo – já começava a dar sinais de que estava gostando da situação, uma vez que era denunciado pelo volume de sua cueca e pelos baixos ofegos que ele emitia.
-T-tom... – Bill gemeu meu nome de forma tão deliciosa que cheguei a parar de beliscar seus mamilos e prestei atenção em seu belo rosto.
-Hum?
-Me beija. – ele pediu de forma tão manhosa que ninguém conseguiria dizer “não” e foi com prazer que realizei seu desejo.
Nossas bocas se tocaram pela primeira vez de maneira sutil, assemelhando-se a um simples selinho. Mas havia mais naquele ato tão simples. Havia curiosidade. Desejo. Carinho. E até mesmo algo que eu desconhecia. Acho que minha segunda cabeça voltou a me dominar, porque logo aquele doce momento foi substituído por um beijo feroz e cheio de luxúria. Sua língua pedia passagem em minha boca, que foi prontamente concedida e logo disputávamos uma “batalha” para ver quem dominaria quem. Por fim, Bill acabou “vencendo”. E, quer saber? Eu realmente não estava me importando com aquilo, pois senti-lo tão conectado a mim era quase uma forma única e erótica de ligação. O que me agradava muito.
Mas como diz o ditado de que “tudo o que é bom, dura pouco”, aquele maldito despertador tinha que fazer um escândalo marcando “05:45”. Foi só aí que nos separamos. E foi só nesse momento que a realidade novamente me atingiu com um tapa na cara.
O que foi que eu fiz?
Bill, provavelmente percebendo o meu choque, desconforto, uma pontada de tristeza e decepção ou sei lá o que fosse, pensou rápido e acabou com aquele silêncio incômodo.
-Vai, Tom. Não fica aí parado que nem uma besta! Levanta, lava sua cara e se apressa que eu vou te emprestar um uniforme. – no entanto, como o bom idiota que sou, continuei lá, parado, e ainda impressionado com o que tinha acabado de acontecer. – Tom, a gente tem menos de quinze minutos, caralho!
E eu continuei parado. Chocado. Confuso e de certa forma, amedrontado.
-Ah, meu Senhor, por que eu ainda perco meu tempo? – resmungou Bill, enquanto saía de baixo de mim, empurrava-me para o banheiro e pegava um uniforme limpo.
-O que foi que eu fiz... – falei pra mim mesmo. Caralho. E agora?
-TOM! PARA DE AGIR COMO UM IDIOTA! MAS QUE CARALHO, NÓS JÁ ESTAMOS ENCRENCADOS O SUFICIENTE PARA VOCÊ TERMINAR DE FODER A NOSSA VIDA!
-Tá bom, tá bom! – finalmente consegui fazer alguma coisa de útil e em menos de sete minutos já estávamos ambos vestidos e arrumados – E agora, Bill? Como eu saio daqui sem ser pego?
-Hum... Ah, já sei! Eu vou ficar olhando aqui na janela e quando a barra estiver limpa, você sai e vai para o fundo da cabana, e de lá já vai para o refeitório. Entendido?
-Entendido.
-Ótimo, espere só vai um pouco... e... vai!
Abri a porta rapidamente e me dirigi para os fundos torcendo para que ninguém tivesse visto, andando o mais rápido e naturalmente que eu conseguia. Graças a Deus consegui chegar são e salvo no refeitório, dando de cara com meus dois colegas de quarto.
-TOM! – gritaram os dois em uníssono.
-Shh, fala baixo, galera. – respondi enquanto sentávamos em nossa mesma, cada um com sua respectiva bandeja.
-Ah, certo, foi mal, cara. Mas o que aconteceu que você sumiu? – Georg foi o primeiro a se manifestar.
-É, Tom, pensamos que você tivesse sido seqüestrado pelo Kaulitz. – continuou Gustav.
-Bom, foi quase isso. Acontece que eu precisava resolver um assunto com ele e acabou que quando eu vi as horas, já era tarde demais. Consequentemente, tive que passar a noite na cabana 69 se não quisesse problemas ainda maiores.
Ambos trocaram um olhar cúmplice e sorrisos marotos apareceram em seus rostos.
-E o que os dois amiguinhos aprontaram durante a noite, hein? – alfinetou Georg, cheio de malícia.
Por mais que eu não quisesse, as imagens de tudo o que aconteceu passaram como um filme em minha cabeça e eu senti minhas bochechas esquentarem.
-Nada, galera. – menti, torcendo para ser convincente – Ele só me zuou e me fez dormir no tapete, porque eu não queria dormir na mesma cama que ele.
Novamente, mais um olhar desconfiado e cheio de malícia.
-Está certo, Tom. Mas sabe que pode contar o que quiser para gente.
-Claro, Georg. O mesmo serve para vocês.
Bom, tudo estava correndo assustadoramente bem, até uma figura alta e esbelta entrar em meu campo de visão. Bill passou pela nossa mesa, dizendo um simples “Bom dia, soldados” sem nem olhar em meu rosto, deixando-me de certa forma aliviado. Mas, e agora? Como as coisas vão ser? Eu simplesmente não acredito no que fizemos. Então no final das coisas a “bichinha” era eu? Como eu vou lidar com o Kaulitz? E pior, e se alguém descobrir? Quais punições poderiam ser-nos aplicadas?
Essas e outras dúvidas inundaram os meus pensamentos durante o resto do dia. A semana se passou “normalmente”, ou pelo menos o mais normal que poderia ser. Bill e o resto dos militares continuavam com seus treinos pesados, com o general sempre sendo o mais frio e cruel possível, porém, por mais incrível que pareça, às vezes seus olhos, ao invés de mostrar sarcasmo ou ironia – como era habitual –, mostravam algo diferente e de certa forma até entediante: inexpressividade.
Finalmente, quando sábado chegou, a minha vontade era só de ficar na cama, e eu agradeci mentalmente por todos irem visitar suas famílias, permitindo-me ficar tranqüilo para pensar (ou pelo menos tentar pensar) em meus problemas. Gustav e Georg até se ofereceram a ficar comigo, mas achei que a solidão seria melhor. Fiquei com medo de falar de mais e contar o que realmente aconteceu naquele dia. O que eles pensariam de mim?
Suspirei alto e fui tomar um banho. Quem sabe assim minha cabeça começa a funcionar melhor. Estava terminando de me enxugar quando alguém bateu na porta. Coloquei uma cueca preta e enrolei a toalha em minha cintura. Abri a porta e lá estava ele, a razão de todas as minhas preocupações:
-Er... Oi, Tom.
-Oi, Bill. – nossa, como a vida é irônica. Entretanto, como eu também sou uma pessoa educada, dei passagem a ele, torcendo para não acontecer nenhuma merda – Vem, entra.
-Tem certeza que não vou te incomodar?
-Tenho. Georg e Gustav só vão voltar amanhã à noite, enquanto estarei sozinho por um bom tempo.
-Ok, se você diz. Com licença.
-Sente-se. – indiquei a minha cama e logo ele fez o que eu pedi. – Então, o que te traz aqui?
-Eu... eu queria conversar sobre o que aconteceu no começo da semana.
Suspirei e sentei-me ao seu lado, sentindo meu coração bater descompassado. Bill olhava-me com intensidade, porém também havia uma certa preocupação em seus orbes castanhos.
-Sim, sim. Então...?
-Bom, sinceramente, eu não sei bem o que fazer. Queria ouvir sua opinião. – essa me pegou de surpresa. Ele que é sempre o foda, não sabe o que fazer? Agora, sim, ferrou de vez.
-Olha, Bill, eu também não sei o que fazer. Na verdade, não sei nem o que aconteceu direito naquele dia. Eu ando muito confuso e me sinto sem apoio, sem um chão. Entende?
-Sim, e por isso eu te peço desculpas. Não achei que aquelas brincadeiras bobas iam dar numa coisa tão séria.
-É... muito menos eu. Mas tudo bem, eu aceito suas desculpas. Só o que precisamos é de uma solução.
-Claro, mas... tem uma coisa que anda me incomodando e eu queria tirar essa dúvida com você.
-Diga, o que foi? – Bill encarou-me diretamente nos olhos, sustentando meu olhar.
-Você gostou do que aconteceu? – agora, havia muita preocupação em seu olhar, apesar da forma direta que ele perguntou.
-Eu...ah, eu não sei, Bill. Não sei o que pensar. Num momento eu estava me gabando pra você como eu era hetero e no outro nós estávamos nos beijando... É muita informação para pouco tempo. Sinto-me confuso, porque parte de mim, gostou de tudo, outra fica me falando que o que eu fiz foi errado... Eu... eu não sei o que fazer...
-Tom... olhe para mim. – levantei o olhar, percebendo uma ligeira mudança na fisionomia de seu rosto – Eu sei que para você está sendo difícil, mas talvez você seja apenas como eu. Qual foi o termo que você usou? Ah, sim, “bissexual”. Entendo perfeitamente que é tudo complicado, estranho e confuso, porque eu também já passei por isso. Mas é algo que não adianta lutar contra. Não devemos impedir a felicidade, independentemente da forma como ela venha...
Ele fez uma pausa e eu continuei apenas ouvindo:
-Só que eu preciso saber por que... Porque eu gostei. Sei que uma possível relação traria problemas, muitos problemas, mas valeria a pena. – as palavras dele deram um nó em meu coração. O que ele estava dizendo? Que me amava?
-O que você quer dizer com isso, Bill? Está dizendo que é apaixonado por mim?
-Não estou dizendo isso, Tom. Eu estaria mentindo se dissesse que você não representa nada pra mim, mas amar... Amar é algo bem mais forte e complexo. Acho que não te conheço suficientemente bem para dizer se é amor. Mas estou disposto a apenas... nos divertir. Sem compromisso. Assim você vê se é mesmo bi ou se é só uma confusão momentânea causada pelos seus hormônios.
-Apenas diversão? Hum... mas e se não der certo?
-Ambos fingiremos que nada aconteceu.
-E se der?
-Bom, aí é outra história e mais pra frente pensamos nisso. Então, topa?
Essa pode ser a maior burrada da minha vida, mas...
-Tudo bem, então. – um pequeno sorriso formou-se em seus lábios e ele chegou mais perto, quase batendo a cabeça na cama de cima do beliche, sentando-se em meu colo. Apesar de parecer leve, Bill era bem pesado, fazendo com que se corpo fizesse uma pressão extra em cima de mim. Já suas pernas delineadas se alojaram ao lado das minhas, tornando que um contato entre nossas partes baixas fosse possível.
-Acho que não vai se importar se eu passar um tempinho aqui, não é, Tom? – sussurrou em meu ouvido, enquanto passava seus braços pelo meu pescoço.
-Não, claro que não, Bill – respondi no mesmo tom, entrando no jogo e segurando sua cintura com minhas duas mãos.
Meu General sorriu lindamente, mostrando todos os seus dentes brancos, para logo em seguida me beijar com vontade, de tal forma que nossas línguas se movimentavam rapidamente, com saudade, desejo e muita vontade. Por mais que eu não queira admitir, Bill beijava muito bem. Atrevo-me a dizer até melhor que as garotas com quem eu já fiquei. Diferentemente delas, ele fazia o que queria, tomava atitude e batalhava comigo por espaço em nossas bocas, deixando tudo mais prazeroso.
Quando o ar fez-se necessário, separamo-nos o suficiente para respirar e começar o segundo round, que por sinal, foi iniciado por uma série de leves chupões em meu pescoço.
-B-biiill… — não acredito que eu estava gemendo o seu nome, mas eu precisava de um minuto de sua atenção.
-Hum? – murmurou ele, enquanto mordia o lóbulo de minha orelha esquerda.
-S-sem marcas, por favor.
-Como quiser. – respondeu enquanto voltava a me beijar com um desejo quase insaciável. É, acho que ficar seis anos sem dar um simples beijo resulta em tesão acumulado.
E como o Bill, de bobo não tem nada, aproveitou o momento para passear suas mãos em meu corpo. Ele passava seus dedos longos e ágeis em todo o meu tórax, descendo para a barra da minha calça, só para depois subir e sentir os músculos dos meus braços. Eu acabei desequilibrando e caí de costas no colchão, enquanto ele sedutoramente mordia meu lábio inferior. Ah, então é assim? Decidi também aproveitar de seu corpo: acariciei suas costas até chegar ao meu foco principal, sua bunda. Passei minhas mãos com vontade na região, escutando-o gemer sob a minha boca. Acho que acabei pegando gosto com aquilo e logo eu o apertava mais, massageando seu bumbum delicioso, chegando a sentir com mais clareza sua ereção em contato com a minha, mesmo que ainda estivéssemos vestidos.
Apenas quando Bill retirou sorrateiramente minha blusa que achei melhor pararmos.
-Bill, chega. É melhor pararmos por aqui. – disse, tentando ser firme, enquanto separava aqueles lábios macios e carnudos dos meus.
-Por que, Tom? Você não estava gostando? – perguntou, sentando-se no meu colo.
-Não é isso, eu estava gostando, sim. Mas é que eu to preocupado de alguém aparecer e a gente se fuder, como você mesmo já disse.
-Aaaah, mas isso aqui está praticamente vazio! – resmungou, fazendo beicinho.
-Eu sei, Bill. No entanto, se tem algo que eu aprendi durante todos esses anos, é que se é pra fazer algo errado, faça em um lugar seguro.
-Humf. Tá bom. – respondeu, fechando a cara – Poderíamos sair, então. Afinal, hoje é sábado e nem deu meio-dia ainda.
-E é exatamente o que mais me surpreende. Nós dois nesse fogo ainda de manhã!
-Ah, Tom, eu não tenho culpa se seis anos de abstinência deu nisso!
Sorri de lado. Como ele fica fofo fazendo manha.
-Eu sei, não estou reclamando. Agora, antes que você deixe meu júnior mais alegre, pode, por favor, sentar do meu lado? Não quero sujar minha cueca logo cedo. – Bill riu suavemente e deu um soco bem leve em meu braço.
-Tudo bem, “Capitão Limpeza”. Vamos aonde? – questionou, enquanto fazia o que eu lhe pedi.
-Hum... acho que ir ao shopping seria uma boa idéia. Dá até pra pegar um cineminha... – sorri malicioso e ele prontamente entendeu a mensagem.
-Tudo bem, vou trocar de roupa e quando for mais ou menos meio dia a gente se encontra no portão principal, ok?
-Ok. – Bill me deu um selinho e piscou o olhou direito, totalmente sacana.
-Não demore, Tom. – sorriu de um jeito safado.
-O mesmo serve pra você, Bill.
Então ele se foi. Parecia meio apressado, mas fazer o quê se o Tomzão aqui deixa qualquer um – homem ou mulher – completamente doido? Pois é, nada. Enfim, corri para o banheiro pra bater uma, afinal, olha só o meu estado! Tom Jr. estava sofrendo com a falta de atenção. Acabei me sujando mais do que devia, sendo obrigado a tomar outro banho, só que dessa vez mais rápido.
Hum... o que eu coloco? Como estamos quase no inverno, tem que ser algo bem quente e estiloso, afinal, Bill não era o único que sabia se vestir. Decidi colocar um jeans preto, tênis nike branco, uma blusa de manga comprida também preta, um casaco branco grande e bem quente, um lenço azul marinho com detalhes em preto e branco e uma faixa preta na testa. Perfeito. Passei um perfume levemente amadeirado e me dirigi ao local de encontro. Cheguei exatamente 12 h em ponto e milagrosamente.
Mesmo estando todo de preto, o Kaulitz também estava impecável. Usava uma calça justa, um sobretudo, botas, cachecol e um lenço. Já seu cabelo estava com o típico moicano e seu rosto, maquiado. É, eu sei muito bem que tudo isso pode estar sendo MUITO estranho, mas eu até que estou aceitando bem os últimos acontecimentos. Talvez Bill tenha razão. Talvez meus hormônios estão muito a flor da pele – graças a falta de sexo no Exército – ou então eu realmente seja bi. Sei lá, com Bill, as coisas parecem fazer sentido. Vai ver eu sempre o desejei, durante todos esses meses aqui, mas não queria admitir. Todas as vezes que eu sequei sua bunda, os sonhos, as brincadeiras...
-TOM! – Bill acabou tirando-me de meus devaneios.
-Desculpa, Bill. Eu só estava pensando no quanto você está ainda mais lindo. – ele deu um sorriso tímido e corou. Deve ser por isso que ele chama tanto minha atenção, por ser uma verdadeira caixa de surpresas.
-Ah, obrigado. Então quer ir hoje ao shopping no meu carro?
-Claro.
Dirigimo-nos ao fundo do quartel, entrando no seu belo Audi a8, com Bill no volante. Durante todo o trajeto fomos conversando sobre assuntos aleatórios e até banais. Era algo mais para se conhecer mesmo, ver e entender os pensamentos e idéias do outro. Coisas assim. Quando chegamos lá, decidi dar uma de cavalheiro – mais para impressioná-lo, mesmo –, abrindo a porta para ele que sorriu e me agradeceu.
-Er... Bill?
-Sim?
-Tipo, nós somos o que agora? – perguntei enquanto entrávamos no shopping.
-Hum... Não sei. Chame do jeito que quiser.
-Mas ainda não é namoro, é? Porque você disse que não era sério.
-Não, não é. – respondeu seco. Acho que minha observação não o agradou muito.
-Certo... Mas eu devia segurar sua mão e andarmos juntos? – Bill caiu na gargalhada e eu fiquei muito envergonhado. Será que estou falando tanta besteira assim?
-Não precisa, Tom. O que me lembra, que você parece muito inseguro para um “ex-pegador”.
-Aah, Bill. Agora é diferente. Eu sei agir muito bem quando o assunto é mulheres, já com homens eu sou totalmente inexperiente. Dá um desconto, tá? – retruquei indignado. Eu lá vou saber do que esse bipolar gosta?
-HAHAHAHAHAHAHA Tudo bem, garotão. O que você acha de nós almoçarmos?
-É uma boa idéia.
-Ótimo. Vamos ao Mc Donald’s, pode ser?
-Claro, claro.
Assim que chegamos à praça de alimentação, eu me sentei em uma mesa enquanto Bill ia para a fila. Puxa, como as pessoas gostam disso daqui, o shopping está lotado. Ai meu Deus, Tom, e se a gente for mesmo ao cinema? Será que ele vai me “atacar” como fez mais cedo? Mas bem que você gostou do ataque, Tomzão... Está bem, pela primeira vez eu vou concordar com você, consciência: eu gostei. Agora, e se...? AH TOM, PARA COM ISSO! Lá vem você com esses seus momentos adolescentes! E pior, agora não está parecendo um adolescente, está parecendo UMA adolescente no primeiro encontro.
-Tom, aqui. Espero que goste de Cheddar McMelt. – disse Bill, colocando a bandeja no meio da mesa.
-Gosto sim. Nossa, Bill, não precisava ter se incomodado. Obrigado.
-Relaxa que não foi incomodo algum. Agora aproveita.
Ele havia comprado dois refrigerantes, um Cheddar pra mim e um Chicken para ele e duas batatas médias. Continuamos conversando por um bom tempo, mesmo já tendo acabado de comer. E sabe de uma coisa? Bill é realmente uma pessoa muito legal. Merda, fere meu orgulho dizer isso, mas no fundo eu estou gostando. Sei lá, acho que talvez seja porque eu nunca havia tido interesse em alguém. Digo, algo mais do que só atração e tensão sexual... Deve ser por isso que tudo está sendo tão... diferente. E bom.
-Hei, Bill. Vou comprar um milk-shake e aí nós vamos ao cinema, pode ser?
-Aham.
Levantei-me e dirigi-me à fila, que para minha sorte, não estava grande. Comprei um milk-shake de flocos e então começamos a caminhar rumo ao cinema.
-Você aceita? – perguntei.
-Não, obrigado.
-Ok. Então, que filme você quer ver? – Bill deu um sorriso sacana.
-Eu não tenho preferência, Tom. Esteja à vontade para escolher.
-Tudo bem, então.
Continuamos andando e eu continuei tomando meu milk. Estava tudo indo tranquilamente até que eu comecei a reparar nos olhares de Bill (leia-se: secadas) na minha boca, o que me deixou meio confuso. Será que ela está suja? Fiquei com isso na cabeça até ver seus olhos. De castanhos, estavam negros. E havia um brilho diferente neles.
Acabei me distraindo por um minuto quando chegamos ao local desejado e, mais uma vez, como um bom gentleman que sou, paguei os ingressos. Eu já estava quase acabando quando ouvi Bill me questionar:
-Tom, será que eu posso dar uma chupada? – a malícia em sua voz era tão grande que eu cheguei a engasgar.
-Er... claro, ele é todo seu. – respondi e entreguei o copo a ele.
-Obrigado. Vem, a sessão já vai começar.
Entramos na sala e nos sentamos bem ao fundo. Para nossa sorte, a sala estava praticamente vazia, tendo só umas cinco ou seis pessoas mais para baixo. Realmente espero que esse filme não seja lá muito bom, porque só pelo olhar de um certo general, estou vendo que não vou prestar atenção nessa bagaça.
Dito e feito. O filme mal chegou aos vinte minutos que nós já estávamos nos beijando. Ao menos dessa vez o beijo não era tão violento ou necessitado. Era algo mais para explorar cada canto da boca alheia. E o jeito que Bill movimentava sua língua, chupando meu lábio inferior juntamente com meu piercing era algo incrível. Ele, de fato, era um cara muito habilidoso.
No final das contas, passamos nossa tarde e noite assim, com uns beijos aqui e acolá, saímos para jantar, conversamos bastante... Enfim, foi um dia incrível e eu com certeza, de agora em diante, vou querer mais. Muito mais.
Notas finais
Agora, só um detalhe, pra quem achar que foi tudo muito rápido, lembrem que meses foram passando e que não foi de uma hora pra outra =D
Enfim, beijitos e até o próximo capítulo!
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