Eles saíram em direção a floresta. Aranir Não podia negar que essa ideia estava, no mínimo, o dando nos nervos. Odiava florestas desde que era pequeno.

Eu sei, eu sei, é estranho pensar em um elfo que odeia florestas! Mas o problema de Aranir não era com as árvores, ou com os animais, e muito menos com o escuro que parecia engolí-los, e sim porque ele vivia se perdendo.

E sempre que isso acontecia acabava encurralado. Fosse quase se afogando no mesmo rio em que Narciso se afogara, segundo as lendas antigas, ou parando dentro da toca de uma senhora castor nem um pouco simpática.

Mas isso não parecia problema para Éris, ela andava com pompa, de maneira majestosa. Era possível ver a áurea de confiança que dela emanava se prestasse bastante atenção. Ela parecia uma guerreira. Um guerreia perigosa e altamente treinada.

Em contraponto havia seu tio, Bargon. Um velho elfo com cara de maluco, dono do chapéu cuco mais ridículo de toda Altera. Vestindo calças boca de sino alaranjadas, e uma blusa roxa folgada. Tio Bargon estava sempre com uma mochila apinhada de livros de magia e ocultismo, que lhe ensinavam como acender fogueiras com a mente e como curar queimadura de basilisco.

E no meio de toda essa maluquice estava Aranir. O que ele estava fazendo ali ninguém sabia, nem mesmo o próprio Aranir. Já havia se pegado imaginando como seria poder voltar para sua antiga vila, se casar e, quem sabe, até mesmo algum dia ter um filho.

Porém, há cada passo que ele dava em direção ao destino de seu tio, era um passo que dava para longe daqueles pensamentos. Ainda mais depois de entrar naquela floresta medonha. Pareceram-se horas desde que alguém pronunciasse a primeira palavra.

– Acho que aqui já é afastado demais, podemos passar a noite. — Éris disse se sentando no chão, e começou a formar uma cama com as folhas secas que a rodeavam.

– Se está bom para senhorita, está bom para mim. — Tio Bargon respondera, com seu sorriso louco, se juntando a ela, só que ele preferira deitar-se no chão.

Vendo que já estava decidido o que fariam a seguir, Aranir abriu sua mochila e tirou de dentro um saco de dormir.

– Sempre o carrega? — Éris perguntou, já deitada em sua cama de folhas.

– Geralmente, sim. Não sou muito fã de colchão de folhas secas.

– Desde que não cheire a rato morto, qualquer coisa serve para mim.

– Até cocô de gigante? — Aranir perguntou, com um grande ar de espanto na voz, mas logo se arrependeu quando viu o belo rosto de Éris se transformar em uma carranca, e ela se virou para o lado contrario.

– Lição número um sobre as mulheres, meu sobrinho! — Seu tio berrava, o que piorou a situação — Nunca leve o que elas dizem ao pé da letra!

Aranir não respondeu, apenas se deitou e fechou os olhos. Não demorou muito para que adormecesse, e tivesse novamente aquele sonhos terrível, em que o palácio de Tammus estava em chamas, e seu tio despencava para a morte certa.