O sol nasceu não fazia muito quando Éris despertou. A noite estava tão escuro, que ela não consegui ver o quão belo era o local. As árvores eram altas, lotadas de frutas e flores das mais variadas cores. A grama era do tom de verde mais belo que ela já havia visto, molhada pelo orvalho que havia inundado a madrugada.

Enquanto a observava, Éris percebeu que ela parecia chorar toda vez que uma gota escorria até a sua ponta e caía no chão, perdendo sua forma e escorrendo pela terra. E também haviam os animais. Eram poucos, mas corriam de um lado para o outro, trazendo uma atmosfera ainda mais alegre àquela manha de sol.

Bem... Nem todos os animais. Aranir roncava feito um porco velho em seu saco de dormir purpura, e Baron não parava de tagarelar em seu sonho. Eles eram patéticos e acabavam com todo o visual da floresta. Porém, era graças a eles que Éris havia fugido.

Éris. O que era ela naquele exato momento? Ela precisou da ajuda de um elfo biruta para escapar daquela masmorra, teve de utilizar magia para dar um fim àquela fúria, expondo seus poderes para todos e foi capturada duas vezes em menos de um mês.

No que ela estava se tornando? Ela se sentia fraca e incapaz. Como Éris, a Guerreira, Éris, a Vitoriosa, Éris, a Invencível teria caído tão fundo em um poço de total incompetência? Como ela havia se permitido virar fugitiva, sendo acusada de traição e fuga? Ela estava se tornando fraca. E essa definitivamente não era a melhor maneira de iniciar a manhã de um dia que provavelmente seria longo.

Éris decidiu afastar aqueles pensamentos de sua cabeça e focar na paisagem, mas foi interrompida por Bargon, que recomeçou a falar.

– Sim, sim. Gostaria de mais chá, minha donzela? Aposto que a viagem deve ter sido extremamente cansativa. O que acha de passar a noite aqui? Temos ótimas acomodações.

Éris riu. É, ele realmente não batia nada bem. E o que eram aquelas roupas? Se o objetivo dele era o mesmo que o de Éris, com certeza ser discreto era a chave do processo. Ninguém havia dito isso a ele, provavelmente. Agora que ela conseguia olha-lo direito, reparou que para um elfo ele estava um tanto desgastado. Sua pele clara estava começando a formar manchas de idade, e algumas rugas eram facilmente visíveis. Quantos anos ele teria? Uns quinhentos, seiscentos anos? Ou mais, ela não fazia ideia do tempo que um elfo vivia.

Desviando seus olhos do ancião do grupo, Éris os pousou em Aramir, que continuava a roncar. Seu rosto não possuía marcas de idade, e havia uma cicatriz branca na sua lateral esquerda. Ele era belo. Mas, não do jeito elfo de beleza, ele era diferente, parecia menos perfeito, mais humano. E mais normal que seu tio, o que não é tarefa difícil. Uma pena ser lerdo feito uma lesma, ele possuía um porte atlético, se possuísse agilidade seria um ótimo guerreiro.

Éris saiu de sua cama de folhas e foi até os dois elfos, mas antes que conseguisse encostar em Aranir para acordá-lo um barulho chamou sua atenção. Ela se virou de supetão e arrancou a faca que estava em sua bota. Olhou em volta. Nada. Ela ficou parada em posição de defesa até o barulho repetir atras dela.

Ela se virou bem a tempo de ser atingida em cheio na cabeça com algo que parecia uma bola de metal. Éris ficou tonta, mas tentou se manter em pé o máximo possível, e começou a golpear o ar em sua frente tentando acertar o que quer que tenha lhe atirado aquela bola de boliche assassina.

Embora sua vontade de ficar em pé e lutar fosse maior do que toda Altera, sua batalha com o vento não durou muito tempo. Quando se deu conta de si Éris estava novamente engaiolada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.