Batalha Real - Matar ou Morrer!
3 Jogar para vencer
Notas iniciais
23 minutos de jogo...
Amanda continuava no estacionamento escondida, escutara os gritos de Andressa, suas pernas haviam se movido involuntariamente, e estava prestes a correr ajudar a colega. Mas seu pensamento se direcionou para o fato de que estavam em um jogo de vida ou morte e que Andressa, a colega com quem tinha conversado minutos antes, infelizmente poderia já estar morta.
Ela se abaixou, sentou-se ao lado do carro, e começou a chorar baixinho, parando para pensar em tudo o que estava acontecendo “Eu não acredito que isso está acontecendo... Por que eles estão jogando? Por que justo a nossa turma foi escolhida? Não é justo, não é justo... Por favor, parem de jogar, por favor...”.
Ela escutou passos, limpou as lágrimas rapidamente e se virou. Carina (garota nº 4) estava saindo da escola às pressas com uma pistola na mão. A tristeza de Amanda logo se converteu em medo e ela pensava “Merda, ela recebeu uma arma muito melhor que a minha! Eu deveria chamá-la? Dizer que estou aqui, querendo formar uma aliança? ... O quão bem eu a conheço? Ela merece minha confiança?” Mas enquanto Amanda tentava raciocinar, Carina já subira correndo a rua à esquerda da igreja, deixando pra trás o perímetro da escola.
***
Na escola, o General mais uma vez quebra o silêncio. Não para anunciar o próximo aluno, mas para fazer um anúncio.
– Parece que já temos uma morte confirmada! — Ele falou enquanto os soldados riam discretamente – Parece que alguém está meio apressadinho...
A sala inteira ficou boquiaberta, era realmente difícil de acreditar que algum dos seus colegas havia morrido, e pior, um deles havia matado.
– Garoto nº 2, Cezar! – Disse o General rispidamente.
Cezar se levantou rapidamente, estava com muito medo, mas não queria demonstrá-lo. Pegou uma bolsa e deixou a sala de aula. A turma inteira estava perplexa, o garoto mais forte da sala, estava assustado.
***
Bruna (garota nº 3) havia subido a rua à esquerda da igreja, e parou em uma construção no quadrante H-3. Ela tentava encontrar algo que pudesse usar como arma, mas não haviam muitas opções, ela sentou-se em uma pilha de tijolos, se debruçou nos joelhos e colocou as duas mãos na cabeça desesperada “Bosta! Merda de berimbau! Não acredito que recebi uma arma daquelas... MERDAA!! Eles só podem estar tirando uma com a minha cara. Eu assisti a edição passada, teve uma menina que recebeu um lança-chamas... E eu recebi o quê? A porcaria de um berimbau! Por que eu não recebi uma arma boa?” Ela pensava frustrada, chorando.
De repente ela escuta passos na rua, com certeza tinha alguém vindo. Ela ficou parada, em completo silêncio, avistou Carina (garota nº 4) andando apressada com uma pistola na mão. Bruna não pensou duas vezes, pegou uma ripa de madeira que se encontrava na construção e esperou Carina se afastar um pouco. Sem que Carina percebesse, Bruna a seguiu e acertou com a ripa em cheio na cabeça de Carina, que caiu desacordada e soltando o revólver da mão. “Será que ela morreu? Não... Ainda está respirando...” Ela pensou, em seguida pegou a pistola do chão e mirou em Carina, que estava desmaiada, cogitou em atirar, mas começou a pensar “Meu Deus! O que eu estou fazendo? Merda... Eu estou entrando no jogo, não posso fazer isso!” Ela guardou a pistola e saiu correndo. Deixando Carina inconsciente no chão.
***
Cezar já havia deixado a escola e agora estava no quadrante I-5, atravessando a praça em direção ao Correio do lado do Teatro da cidade, onde pretendia virar a rua da esquerda e encontrar algum lugar para se esconder e bolar uma estratégia. Em sua bolsa ele havia encontrado um revólver. Ele parou na frente do Correio, mas algo à sua direita lhe chamou a atenção, ele olhou com mais atenção, e percebeu, iluminada por um poste, a uns 30 metros de distância dali no quadrante I-6, uma enorme poça de sangue que deixava um rastro, como se um corpo tivesse sido arrastado.
Não conseguia acreditar no que estava vendo, sem se dar conta, começou a caminhar em direção a poça de sangue e quando percebeu já estava embaixo do poste que a iluminava. Ele olhou ao redor, procurando por alguém, a rua estava deserta, ele seguiu o rastro de sangue que levava até o estacionamento em frente ao Teatro, do outro lado da rua. Percebeu um barulho vindo de trás das árvores e se chocou com a imagem que via. Anacleto estava tentando colocar o corpo de Andressa dentro de uma lixeira.
– ME DIZ QUE VOCÊ NÃO FEZ ISSO! – Cezar gritou para Anacleto, que levou um susto e deixou o corpo cair.
– E-eu... Eu precisei fazer! E-ela me acertou um choque... Queria me matar... Então... Então eu tive que matá-la. – Anacleto falava, visivelmente perturbado.
– NADA JUSTIFICA O QUE VOCÊ FEZ! – Disse Cezar, que estava tremendo de raiva.
– Eu quero vencer... Eu preciso vencer. É... Eu vou jogar pra vencer! Não faz sentido se não for pra vencer, não é?! – Anacleto dizia – Matei ela! Matei porque quero vencer. E agora... E agora... EU VOU MATAR VOCÊ!
Anacleto empunhou a faca, e a arma de choque de Andressa, e avançou em direção a Cezar. Anacleto tentou cravar a faca no peito de Cezar, mas ele conseguiu desviar e a faca fez um corte leve no braço de Cezar, que empurrou Anacleto com tanta força que o garoto caiu no chão. Anacleto se levantou e ligou a arma de choque, que começou a fazer um barulho muito alto. Cezar então sacou o revólver e atirou no peito de Anacleto, que caiu de joelhos ainda com a arma de choque ligada.
– Por favor... – Anacleto dizia enquanto o sangue escorria de seu peito.
– Não. – Disse Cezar impiedosamente, atirando na cabeça do colega.
Anacleto caiu morto no chão. A arma de choque parou. Cezar recolheu a faca e a arma de choque, abandonando o corpo de Andressa e Anacleto, e deixou-os para trás caminhando em direção ao Supermercado.
***
Cícero (garoto nº 3) acabara de deixar a escola, empunhava uma espingarda e estava disposto a entrar no jogo. Ele estava perto do estacionamento da escola quando escutou um barulho vindo de trás de um carro. Ele observou atentamente o veículo e escutou outro barulho vindo de trás dele, se virou rapidamente e mirou a espingarda. Era apenas um gato, que miou ao olhar pra ele.
– Sai pra lá bola de pelos! – Ele disse, se sentindo meio bobo. Precisava ter mais atenção a partir de agora. Desistiu de ir olhar atrás do carro e deixou o estacionamento.
Ele subiu a rua à esquerda da igreja correndo. Após alguns passos, em frente a uma construção, ele percebeu um corpo caído. Correu até o corpo e notou que era Carina, a princípio achou que ela estava morta, mas ao perceber a respiração da garota nota que ela estava apenas desacordada. “Ela pode acordar a qualquer momento... Não posso perder essa oportunidade.” Cícero pensou.
– Bom, quanto menos concorrência melhor! – Ele disse, e em seguida atirou em Carina, que morreu inconsciente.
Sobreviventes: 32 e contando...
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