Notas iniciais
Último capítulo minna-san... TToTT
Não sei se ficou muito bom, mas...

Com o maior cuidado, o trouxe mais pra dentro da caverna. Não queria machuca-lo ainda mais. Mesmo com os protestos dele, pude fazer os curativos necessários para estancar o sangue. Depois de um tempo reclamando, ele se calou. Pude continuar cuidando dele sem problemas.

Ouvi alguns passos vindo em nossa direção. Era Yuuichi voltando. Acho que foi esfriar a cabeça, pensar um pouco. Isso é bom de vez em quando. Os passos pararam. Senti seu olhar sobre mim, enquanto tocava os ferimentos do soldado caído.

Notei que as balas não atingiram pontos vitais de Tenma. Yuuichi não tinha intenção nehuma de matá-lo. Isso me aliviou muito, afinal, aliado matando aliado é uma coisa... Estranha e imperdoável.


– Por que está fazendo isso...? Eu dei um tiro na sua perna! — Tenma perguntou me encarando seriamente.

– Porque não quero mais ninguém morrendo... Só por isso... — Falei sorrindo para ele.

– Mesmo depois de eu ter te ofendido você me ajudou... É diferente dos outros malditos... Me desculpe... — Tenma falou, encarando o chão.

– Já acabou Winry? — Yuuichi perguntou. Parecia impaciente.

– Winry? Um nome japonês em uma americana...? — Tenma perguntou assustado.

– Sim... Meus pais me deram o primeiro nome que lhes veio à mente...! — Sorri com uma gota enorme caindo da testa.

– Ta certo, agora pode ir Tenma... — Yuuichi falou.

– Calma, ele não pode ir assim! Irei cuidar dele assim como cuidei de você! — O repreendi.

– O que...? — Yuuichi pareceu não ter gostado da ideia.

– Claro! É o que uma médica faz! Cuidar de seus pacientes até que eles estejam bons! — Falei.

– Droga...! Como queira, médica... — Ele falou e sentou-se afastado de nós.

– É melhor não contraria-lo, Winry-san... Ele é muito instável... Depois que perdeu os pais, temos que ficar atentos quanto ao humor dele... — Tenma falou, sorrindo fraco para mim.

– Não me importo... Falei que não iria abandonar nenhum ferido... Irei cuidar de você e depois me entendo com ele... — Falei. Agora que parei pra pensar... Eu não sou nada dele! Por que tenho que dar satisfações?


Fiquei um tempo conversando com Tenma. Ele não é o durão que mostra ser. Muito pelo contrário. É divertido e sorri por coisas bobas. Também tem ideias muito loucas que não consigo compreender, mas é uma ótima pessoa. Se os americanos o conhecessem, com certeza teriam uma ideia diferente do povo japonês.

Preparei a mesma sopa que tinha feito para Yuuichi. Por sorte, ele tinha alguns suprimentos que sobrou. Quando terminei, tratei de servir os dois.

A hora da refeição foi silenciosa. Tenma atacava sua tigela de sopa, enquanto Yuuichi tomava o líquido do recipiente tranquilamente, só que olhando para o menor. O que está havendo com ele?

Enquanto eles se alimentavam, fui para um canto mais afastado fazer um curativo na minha outra perna. Não conseguia andar direito, então, fui praticamente me arrastando, sem ser notada. Peguei alguns remédios e bandagens e comecei a fazer o curativo. Doía bastante, afinal, eu usava o álcool para desinfetar, afinal, fiquei um bom tempo com aquele ferimento exposto ao ar livre.

Segurei muito para não gritar e assusta-los. Não consegui segurar por muito tempo. Quando ouvi uma bomba estourar pertíssimo dali, gritei a plenos pulmões e me encolhi em um canto.


– O que foi Winry-chan? — Yuuichi apareceu. Logo atrás estava Tenma.

– N-nada... — Falei assustada.

– Sua perna... — Tenma falou, ao notar o que eu estava fazendo.

– Como chegou aqui? Falou que não conseguia andar direito...! — Yuuichi perguntou.

– B-bom... — Falei olhando pro chão.

– Está toda suja de terra... Veio se arrastando...? — Tenma perguntou.

– Não foi nada... Tem mais álcool por aqui? — Perguntei, mudando de assunto.

– Pra quê? — O azulado me perguntou.

– Pra desinfetar o machucado! — Respondi, mostrando o que estava fazendo.

– Ficou horrível... Gomen Winry-san... — Tenma falou.

– Não foi nada, só estava fazendo seu trabalho...! — Respondi sorrindo e pousando uma mão sobre a cabeça dele.

– Ta, ele tava fazendo o trabalho dele... Não acha que já desinfetou o bastante? Usou quase todo o álcool que tínhamos! — Yuuichi falou.

– Não sei... Se infeccionar, terei que amputar a perna... — Falei em voz baixa.

– Eu irei buscar mais álcool... Tenma, se tocar nela... Lhe acerto o coração... — Yuuichi falou e, logo em seguida, saiu pisando duro.

– … — Nada falei, me assustei com a atitude dele.

– Não ligue... Ele fala isso mas não tem coragem... E outra, não irei fazer mal à você... Seria muita falta de caráter de minha parte... — Tenma falou, sentando-se do meu lado.


Ficamos por algum tempo conversando e rindo muito. Realmente me surpreendi depois de conhecê-lo melhor. Tenma é divertido, se preocupa com os outros e, como Yuuichi, teve um passado horrível. Ele também perdeu os pais, mas foram balas perdidas que fizeram o serviço.

Enquanto ríamos, Yuuichi chegou. Estava visivelmente cansado, seus olhos pareciam querer fechar a qualquer momento e seu uniforme, que conseguiu recuperar, estava um pouco rasgado.


– Yuuichi! O que aconteceu? — Perguntei horrorizada.

– Nada demais... Aqui está o álcool... — Ele falou e entregou-me o recipiente, sentando do meu outro lado.

– Muito obrigada... — Sorri em agradecimento e beijei sua bochecha.


Comecei a desinfetar meu ferimento novamente. Estava ardendo muito. Os soldados pareceram notar minha dor. Yuuichi tomou o álcool de minhas mãos e Tenma pegou os remédios e bandagens. Ambos começaram a cuidar da ferida da minha perna.


– N-não se preocupem, eu consigo sozinha! — Falei com a voz fraca.

– Não consegue não... Perdeu muito sangue já por esse ferimento... — Yuuichi falou.

– Temos que ser rápidos... As bombas já estão chegando por aqui... — Tenma falou, enquanto passava uma pomada na ferida.

– Mas já...? — Essa guerra está acabando mais rápido que as outras... — Comentei olhando tristemente o chão.

– O que aconteceu...? Guerras são assim... — Yuuichi falou, vendo meu estado.

– Eu sei, mas... Estou me sentindo uma inútil... Não consegui ajudar ninguém... — Falei quase chorando.

– Hey, eu não sou “ninguém”... Você me salvou, mesmo depois de ter dado um tiro em sua perna... — Tenma retrucou.

– E eu também não sou “ninguém”... Olha, você fez o seu melhor... Eu que te segurei tempo demais... — Yuuichi falou.

– Tudo bem... Vou me recuperar e voltar a curar as pessoas! — Falei determinada.

– Isso Winry-san! — Tenma falou animado.


Enquanto conversávamos, eles continuaram a fazer os curativos. Notei que os bombardeios chegavam cada vez mais perto. Pegamos nossas coisas e saímos correndo. Yuuichi me levava no colo, enquanto Tenma nos acompanhava com dificuldades. Estava ferido ainda. E então, aconteceu o que eu temia. Tenma ficou para trás e acabou sendo atingido por uma bomba que caiu por perto. Tenma estava morto. Enquanto Yuuichi corria, só conseguia chorar olhando para trás. Mais uma vez, não consegui salvar as pessoas.

Meu peito começou a doer. Lágrimas caíam desenfreadas de meus olhos. O primeiro amigo que tinha feito acabou morrendo por causa dessa guerra inútil. Aquilo me subiu à cabeça. Acabei fazendo besteira.


– Yuuichi, me solta! Preciso voltar pra lá! Preciso encontrar Tenma! — Falei chorando. Mesmo sabendo que ele estava morto, precisava vê-lo.

– Winry-chan, ele morreu... Não podemos fazer mais nada... Por favor, vamos sair daqui rápido... — Yuuichi falou.

– Droga, droga! Me deixa ir lá! — Falei. Quando consegui me soltar, fui indo com dificuldades para o lugar onde a bomba caiu.

– Winry... — Yuuichi falou.

– … — Eu nada respondi. Só continuei seguindo para o local onde Tenma estava.

– … — Senti ele me pegar no colo novamente. Mas dessa vez ele estava me ajudando a chegar onde a destruição era recente.


Ainda podíamos sentir o calor da bomba. Quando chegamos lá, vimos Tenma completamente irreconhecível. Estava morto e quase enterrado já. A bomba havia caído em cima dele. Aquela cena me fez chorar ainda mais. Aquela guerra estava acabando comigo. Estava acabando com o Japão. Estava acabando com o mundo. Yuuichi me abraçou forte, como se quisesse me consolar.

Os bombardeios continuavam. Tínhamos que sair dali, mas nenhum dos dois tinha mais força. Ver alguém morrer assim é algo que nunca tinha visto na vida. Estava chocada e assustada, Eu sabia que guerras eram assim, mas não imaginei que era pra tanto.

Como não tínhamos mais forças e os tremores eram grandes, Yuuichi, como uma forma de despedida, selou nossos lábios. Foi um beijo carregado de dor e sentimentos. Ele deitou-me no chão e ficou sobre mim novamente. Esse provavelmente seria nosso último beijo. Eu queria ter vivido uma vida ao lado dele, queria ter lhe dado filhos, queria ter lhe dado mais motivos para sorrir.

Quando terminamos o beijo, vi os lábios dele dizendo um “eu te amo” inaudível. Não tive tempo de responder. A bomba havia nos atingido. A última coisa que pude ver, era o sorriso de meu amado. Com muito esforço, consegui mover meus lábios e responder um “eu também te amo”. Mas era tarde demais. Ele havia morrido primeiro. Depois de instantes, perdi completamente meus sentidos também. Estávamos mortos.

Queria ter morrido de velhice, ao lado de meu amado e de meu amigo. Queria ter sido feliz. Mas, penso que esse foi um fim melhor, afinal, queria viver em paz, não em guerra. Tenho certeza que esse mundo alcançará a paz algum dia.

Notas finais
E aí, mereço reviews? Pedradas? Tiros? Facadas? XD
Mandem tudo isso e, se tiverem elogios, mande-os também! Winry gosta de elogios! XD *levatiro*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!