Notas iniciais
Peeessoaas!! Acho que nem demorei tanto dessa vez! Bom, eu gostei bastante desse cap e realmente espero que vocês também curtam =D

Tom's POV

PUTA QUE PARIU, EU TENHO UM ENCONTRO COM O BILL! Caralho, o pior de tudo é que eu estou nervoso. E se ele não gostar do restaurante? E se ele me achar chato? E se tudo der errado? Argh, Tom cala essa boca, seu idiota! Credo, lá vou eu dando outra crise de adolescente! Mas também, pudera, né. Eu vou sair com meu superior, com o cara que tinha prazer em me torturar e que agora virou meu amigo-e-mais-não-sei-o-quê. Ah é demais pra minha cabeça.

Bom, depois desse outro pequeno surto meu, tomei outra decisão louca: fui ao cabeleireiro tirar meus dreads e acabei trocando-os por tranças raízes negras, só que como meus dreads estavam minúsculos, as tranças também não ficaram muito grandes. Quando voltei ao dormitório, decidi tomar um belo banho. Fiquei cheirosão e até me depilei, acredita? É, as pessoas mudam. Mas enfim, coloquei uma cueca vermelha e abri meu guarda-roupa, pensando no que vestir. Meu Deus, o que eu coloco? Tem que ser algo bem bonito, meio chique ou sei lá, tem que causar uma boa impressão, então coloquei um jeans claro um pouco largo, um tênis Nike preto, uma camiseta também preta com uns detalhes em prata, um lenço, por baixo dele o medalhão que Bill me deu e uma faixa na testa. É, acho que ficou legal.

(Tom foto abaixo)

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Olhei no relógio e já eram dez para as oito, então só passei um perfume, peguei as chaves do carro e saí, torcendo para tudo dar certo. Cheguei ao dormitório 69 exatamente oito horas e quando Bill saiu, acho que meu queixo caiu, porque querendo ou não, ele estava muito lindo. Ele usava a jaqueta que eu lhe dera, juntamente com a munhequeira, combinando-as com uma calça preta justa e um par de coturnos. A maquiagem estava mais realçada e de certa forma mais elegante, se brincar aquela devia ser a sombra que dei de aniversário. O cabelo, ah o cabelo... Pela primeira vez em todo esse tempo eu realmente curti aquele moicano. Parecia mais bonito hoje e definitivamente deu um toque todo especial à sua produção.

(Bill foto abaixo)

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-Uau, está bonito, hein Bill? – ele abriu um sorriso de orelha a orelha.

-Obrigado, Tom. Você também. – senti minhas bochechas esquentarem.

-Bom, obrigado.

-Então, quer ir no meu carro ou a gente pode ir no seu?

-Ah, faço questão que a gente vá no meu. Vem. – assim que chegamos no meu bonitão, abri a porta do passageiro para Bill.

-Belo carro esse seu Honda Civic.

-Valeu, eu também tenho um Audi r8, mas ele gasta demais, sem contar que esse aqui é o meu xodó.

-Ah sim, eu tenho um Audi a8. – disse ele enquanto se sentava.

-Legal. – sorri – Então, Bill, você gosta de comida italiana?

-Nossa, adoro!

-Então você vai curtir o restaurante em que vamos jantar. – dei a partida no meu Honda e uns dez minutos depois já estávamos em frente do Bucattini, melhor restaurante de toda Berlim. – E aí, já conhece aqui?

-Não... você vem sempre aqui?

-Normalmente só quando é algo especial. – Bill corou e eu achei aquilo uma graça, acho que nunca fui tão legal com um cara como estou sendo agora. Entranho... Bem, saí do carro e abri a porta para ele que pelo sorrisinho que deu, devia estar se sentindo uma madame.

Assim que entramos, sentamos em uma mesa mais afastada. O ambiente do Bucattini era realmente agradável, à meia-luz, o que dava um certo toque romântico ao local. Dois minutos depois de nos sentarmos, apareceu um garçom com dois cardápios na mão.

-Em que posso ajudá-los, senhores? – perguntou educadamente o rapaz, mas logo em seguida dirigiu um sorriso malicioso a Bill e aquilo me incomodou.

-Hum, o que você vai querer, Tom? – Quebrar a cara desse garçom de meia tigela que não para de te secar!

-Vou querer um fetutini. Eu também sugiro talharim ao molho sugo, é muito bom.

-Certo, então traga o que ele pediu.

-E para beber? – perguntou, agora secando a boca carnudinha de Bill, passando a mão no cabelo, tentando fazer charme.

-Que tal um vinho branco, amor? – perguntei dando o meu melhor sorriso sedutor, aquele de lado, segurando sua mão esquerda logo em seguida. Bill pareceu atordoado por uns instantes e depois respondeu:

-Ah, claro, meu bem. – o garçom fechou a cara. ISSO, PONTO PRA MIM.

-Ok. Logo seus pedidos chegarão – disse e se retirou.

-Tom! Por que me chamou de amor? – o sorriso de Bill mais parecia divertido do que indignado.

-Porque eu não gostei do jeito que aquele garçom ficou te secando. Você não reparou no sorriso malicioso dele para você?

-Não, nem reparei – Bill fez biquinho, no entanto o ar de diversão permanecia ali.

-Tá, então vamos mudar de assunto. – comecei a me sentir incomodado com o rumo da conversa. Daqui a pouco ele ia dizer que eu estava com ciúmes, o que não era verdade. “Mentiroso!” gritou uma voz no fundo da minha cabeça, que achei melhor ignorar.

-Certo. E do que você quer falar?

-Bom, faz tempo você não comemora seu aniversário?

-Faz. Não tem graça comemorar sozinho.

-Ué, mas e o resto da sua família?

-Ela sempre foi pequena e os parentes mais próximos moram nos EUA. Nenhum deles liga para mim.

-Nossa, sinto muito. Mas e seus amigos?

-Amigos? – Bill riu sem humor algum – Não tenho.

-Como assim não tem? Pelo menos uma pessoa você deve considerar amiga.

-Olha, Tom, tirando você, não considero ninguém amigo.

-Uau, me senti privilegiado agora. – ele sorriu com o comentário e eu o acompanhei – Mas por quê?

-Assim, até quando eu era adolescente, eu sempre tive meu próprio estilo que é no mínimo bem diferente, como você pode ver e não é todo mundo que entende ou pelo menos aceita pessoas diferentes.

-Aff que ridículo. Só porque você se maquia e usa esse moicano não quer dizer que você é um alien.

-Exatamente. Mas ninguém na minha escola pensava assim. Eu era alvo de agressões, de apelidos maldosos e até quase fui estuprado, porém graças a Deus eu consegui fugir e isso não aconteceu. Acho que isso só me ajudou a ser mais durão depois que entrei para o Exército, afinal, era uma forma de mostrar que superei todas essas coisas ruins.

-Nossa, Bill, estou chocado. Não consigo entender como alguém teve coragem de tentar te abusar.

-Ah, mas isso não era difícil. Todos me chamavam de “menininha”, “Billa”, “gracinha” então “os gostosos” lá da escola no fundo só mostraram que eram um bando de bichas reprimidas que precisava usar a força para pegar um garoto fraco e desprotegido.

-Credo, que triste. Acho que eu não agüentaria viver assim. Te admiro por isso, Bill.

-Uh, obrigado. – suas bochechas ganharam novamente um tom avermelhado.

-Com licença, aqui está o seu pedido. – o garçom irritante deixou primeiro o prato de Bill e depois o meu, servindo também o vinho.

-Obrigado. – respondemos juntos.

-Então quer dizer que você não ganha nenhum presente faz tempo? – perguntei interessado, imaginando se fui o primeiro a quebrar essa possível triste “tradição”.

-Não. Nossa, o último presente que ganhei foi quando meus pais estavam vivos.

-Ah então foi por isso que você se emocionou tanto, né?

-Aham, foi algo muito importante para mim. Até estou usando o que ganhei – Bill deu uma piscadela para mim e eu senti minhas pernas fraquejarem, mesmo eu estando sentado. Recomponha-se, Tom!

-Ah que bom. Eu também estou usando seu medalhão, olha. – tirei o meu presente e mostrei a Bill, que sorriu orgulhoso.

-Fico feliz que tenha gostado e já esteja usando. – sorriu.

-Digo o mesmo. – sorri de volta.

-Então, Tom, do que gosta? – De sexo.

-Em que sentido você diz?

-Humm, primeiro, música.

-Gosto de rap alemão e você?

-Rock.

-Bem, não é difícil perceber. – Bill deu uma risada gostosa.

-O mesmo serve para você, com esse estilo largadão.

-Que combina muito com você – dissemos ao mesmo tempo, logo caindo na gargalhada.

-E sua comida favorita? – perguntou-me, aproximando-se mais de mim.

-Hum, lasanha. E a sua?

-Também curto massas, mas meu voto ainda vai para fast food, principalmente hambúrgueres.

-Ah se eu soubesse, nós tínhamos ido ao Mc Donald’s.

-Que isso, Tom. Aqui está maravilhoso. Tudo é muito bonito e aconchegante, sem contar que a comida está ótima. – disse, dando outra garfada em seu talharim.

-Então tá. – comemos em silêncio por uns minutos, até que isso começou a me incomodar e eu voltei a tagalerar. – Certo, quais são suas cores favoritas?

-Preto. E as suas?

-Branco.

-Hum, legal. Mas me diz, como era sua vida antes de entrar no exército?

-Nossa, era bem agitada. Era festa todo final de semana, muita mulher e muita bebida. – Bill fez uma careta, seguida de uma expressão abismada.

-E você não se cansava não? Tipo, de ser só curtição e nada sério?

-Na verdade, não. Afinal, eu não estava nem aí para nada. Tudo o que queria era me satisfazer e isso bastava. Eu era irresponsável e não procurava um amor.

-Hum...

-Mas depois que fui alistado, meu pensamento mudou. Até porque, como antes eu tinha tudo e agora eu tenho que me virar para sobreviver, é bem diferente. E você, Bill?

-Ah, eu nunca tive problemas financeiros nem nada, sempre fui “o filho responsável” – ainda mais sozinho – e minha vida amorosa nunca foi das melhores.

-Ixi, como não?

-Ah, meu estilo sempre atrapalhou.

-E...? – continuei com aquela cara de paisagem.

-E que quando não era uma lésbica querendo ficar comigo era algum cara desavisado – falou já meio irritado com minha lerdeza.

-Que horror, Bill. Você é definitivamente um guerreiro. Se eu estivesse no seu lugar, já teria me suicidado faz tempo.

-É, essa possibilidade já passou pela minha cabeça, mas não vale a pena acabar com a minha vida sendo que sempre que eu supero um problema, me fortaleço.

-Verdade... Você está certo. Tem algum motivo em especial para continuar sempre pensando assim?

-Especial, especial, não tenho. Porém ainda tenho esperanças de achar alguém que me ame e que me respeite.

-Posso ser sincero com você?

-Pode, claro.

-Quando te vi pela primeira vez, achei que fosse gay. – Bill revirou os olhos.

-É o que todo mundo pensa quando descobre que não sou mulher. – falou indiferente, dando-me a impressão que já falara aquilo várias vezes.

-Então você é hetero, certo?

-Er... Não exatamente.

-Porra Bill, assim você está me deixando confuso. Se não é gay nem exatamente hetero, é o que?

-É que assim, Tom. Não sou gay porque não é qualquer cara que me atrai. Mas também não sou exatamente hetero porque se a pessoa que me fizer feliz for um homem, pra mim tudo bem, e se for mulher também está bom.

-Ah, então era só falar que era bi – agora quem rolou os olhos fui eu.

-Se quiser encarar assim... – ele deu de ombros – E você é hetero mesmo?

-100% macho – sorri orgulhoso, só que em compensação vi um brilho triste nos olhos de Bill. Ou seria decepção? De qualquer modo aquilo me incomodou e logo emendei: — Assim, eu digo isso porque até hoje eu nunca me senti atraído por nenhum cara.

-Mas estaria aberto a novas experiências? – perguntou-me um pouco esperançoso. Ou seria coisa da minha cabeça? Não, não é. Certeza.

-Se o cara valesse à pena, sim. Entretanto eu tenho medo da pessoa se apaixonar e eu acabar decepcionando-a, sabe?

-Por que, você diz?

-Ah, tipo, dela ou dele, gostar de mais de mim e eu não sentir o mesmo, sabe? Não sou o tipo que se apaixona fácil.

-Medo de se machucar?

-Também. O detalhe é que eu enjôo fácil. Para mim, a pessoa ideal é aquela cheia de surpresas, que não me cansa, que sempre me surpreende. – Bill parecia pensativo.

-Sei, eu te entendo.

-E você?

-Na verdade, eu não tenho um tipo certo. Como eu disse, sendo amado e respeitado, para mim está ótimo. Mas eu tenho que confiar de verdade na pessoa, senão não me abro.

-Como você confia em mim?

-É. – Bill corou violentamente.

-Sabe, pra mim você é uma caixinha de surpresas. – disse um pouco antes de tomar outro gole de meu vinho – Existe um cara muito legal debaixo dessa sua máscara de durão – ele sorriu, parecendo satisfeito.

-Obrigado. Mas eu só mostro quem eu sou verdadeiramente para quem merece. Muitas pessoas já tentaram se aproveitar de mim e do meu dinheiro, então a melhor saída foi ser esse cara durão que você conheceu primeiro.

-Simplificando: você então é por dentro uma manteiga derretida, mas pra ninguém pisar em você, você é o cara durão? – ele riu novamente.

-É por aí.

-Então...você está solteiro?

-Sim. Imagino que você também esteja.

-Pois é.

Silêncio.

Opa, para tudo aí. Será que toda essa conversa foi uma indireta? Não, sua besta! Ele fala que confia em você como não confia em ninguém e só assim consegue amar, mesmo essa pessoa sendo um homem e ainda deduz que você está solteiro, é ÓBVIO que foi um indireta bem direta, sua besta! Ah cala a boca, consciência idiota e deixa eu pensar em paz!

Terminamos de comer ainda em silêncio.

-Nossa, queria comer alguma coisa, de preferência doce. – Bill foi o primeiro a falar.

-Tem uma sorveteria muito boa aqui perto, se quiser, podemos ir.

-Sério? – os olhinhos dele brilharam que nem de uma criança.

-Aham.

-Ahh então tá! Eu amo sorvete!

-HAHA certo criança, vamos.

Assim que chegamos lá, nós nos servimos e sentamos lado a lado em uma mesa.

-Bill?

-Hum?

-Posso te fazer uma pergunta indiscreta? Sabe, coisa de amigo.

-Er... é algo constrangedor?

-Bem, depende do que você considera constrangedor – Bill suspirou alto.

-Vai, fala.

-Você é virgem?

-O QUÊ? – ele se engasgou com o sorvete – Tom! Começamos a conversar há pouco tempo e olha o que você me pergunta! – suas bochechas ganharam um tom avermelhado.

-Desculpa então. Pensei que como amigo podia te perguntar isso. E qual o problema? Até parece que sexo não faz parte da sua vida.

-E não faz.

-Como assim não faz? Eu duvido que você não tenha transado esse ano!

-Acredite se quiser, não tenho nenhuma relação desde que entrei no exército e isso já faz seis anos. Bem, mais ou menos.

-Cacete Bill! Lá vem você me confundindo com seus “mais ou menos” e “não exatamente”.

-Cacete digo eu! Se você me deixasse explicar, você entenderia, né.

-Tá tá, foi mal. Prossiga, capitão (?).

-Mais ou menos é porque... porque... – Bill ficava cada vez mais vermelho.

-Porque...?

-Porquenuncahouvepenetração. Pronto, falei. – disse rápido e emendando as palavras, que quase não consegui entender.

-HAHAHAHAHAHA Sério? HAHAHAHA – eu quase me mijava de rir. Ele só pode estar zuando!

-Tom! Para de rir, porra! Eu aqui me abrindo com você e você tirando uma com a minha cara! – falou totalmente indignado, com direito até a biquinho.

-HAHA, desculpa, Bill. É que você é o primeiro cara aos 24 anos que eu conheço que nunca comeu ninguém! – eu ainda me segurava pra não rir, mas aquela carinha fofa dele até me desarmou.

-Ah, tudo bem. É só que eu não sou do tipo galinha ou pegador que come qualquer vadia semi-nua que aparece. – disse ele, em tom irônico.

-Hei, calma. Eu já pedi desculpas, ok? Mas também não precisa vir dando patada não.

-Desculpa, é o costume – ele deu uma risadinha sem graça.

-Tudo bem. Bill?

-Hã?

-Tá sujo aqui. – limpei o canto esquerdo da boca. Ele sorriu e corou levemente.

-Ah, valeu.

Bom, depois disso, continuamos a conversar sobre assuntos banais, mas divertidos, sabe? Então foi ficando tarde e voltamos para o batalhão 179.

-Bom... Foi legal esta noite – disse Bill, encostado no batente da porta de seu quarto.

-Foi sim. Poderíamos sair mais vezes...tipo, só se você quiser.

-Claro, seria ótimo. – ele sorriu e eu sorri de volta.

-Então... até amanhã?

-Até. Boa noite.

-Boa noite pra você também. – eu me virei e comecei a andar em direção ao meu dormitório, quando escutei uma voz me chamando.

-TOM!?

-Sim?

-Feliz aniversário. – sorri.

-Para você também.

Notas finais
E aíí, gostaram??? Mereço reviews...e quem sabe...alguma recomendação?? Bjsss