Bastidores
21 Bad news, a cute child and WORLD TOUR, BITCH.
Notas iniciais
Olha que capítulo legal! Temos ovlta do POV Lily. Fazer o que se essa autora andou lendo muito "Sympathy for the Devil" da Lolis (que aliás esse capítulo é dedicado pra ela que deixou uma linda recomendação!)?
Well, well, well, enjoy!
POV Lily
Eu estava sentada na cama fria do hospital, com aquele negócio gelado nas costas – aquele que os médicos usam pra ouvir os batimentos cardíacos, como chama mesmo? – enquanto conversava com Remus.
Era a vez dele ficar comigo no quarto. É, os três faziam uma espécie de revezamento. Com uma boa causa, vai que eu morro do nada.
Mas é fofo. Demais.
– Bom, acho que daqui a uns dois dias, ou hoje mesmo se eu constatar que seu estado é bom, você já pode receber alta. – o médico falou, andando até a porta.
– Dois dias? – falei, desanimada demais.
– Talvez você ainda precise ficar em observação e... Ah, sem nenhum tipo de droga.
– Por quanto tempo?
– O resto da sua vida. – e saiu.
Mas que... Grande, gigante, marrom e fedida merda.
Sem nenhum tipo de droga pelo resto da minha vida?
Eu nem sei como eu sobrevivia antes de começar a fumar.
Sem meus tão amados cigarros...
E então, do nada, uma garotinha pequenina, com os olhos azuis bem claros e os cabelos loiros curtinhos entrou no quarto, assustando a mim e a Remus.
A olhei com curiosidade, enquanto ela me estendia um envelope cor-de-rosa e bem cheio, por sinal.
Ela me abraçou bem forte, e depois abraçou Remus. Ela sorriu bem timidamente.
– Oi. – disse, olhando pros pezinhos calçados com um sapatinho rosa.
– Oi... – falei, a examinando, e então percebi que ela vestia uma camiseta que mais parecia um vestido nela, escrita em tinta vermelha “The Snakes”.
Meu Deus, nós tínhamos uma fã de menos de quinze anos. Acho que vou ter uma overdose de fofura.
– O que você tá fazendo aqui, pequena? – Remus a perguntou, e ela enxugou as lágrimas. Antes que ela pudesse falar algo, Sirius, James, Marlene e Tonks entraram, assustando a pequena. Tonks foi logo a pegando no colo.
– Ah, meu Deus, que coisa mais fofa desse mundo! Como você se chama, linda? – falou. Tonks estava com o cabelo mais rosa que os sapatinhos da criança, dessa vez.
– Emily. – a loirinha falou baixinho.
– Ela tava lá na recepção procurando pela “Tia Lily”. – Marlene anunciou, sorrindo.
– Ei, Emily. Cadê seus pais? – James perguntou, apertando de leve a bochecha da menininha.
– Estão lá embaixo, eu só queria entregar meus desenhos. – e então Tonks a pôs no chão, Emily correu até mim, me abraçou bem apertado e meu deu um beijo na bochecha. Fez o mesmo com todo mundo, e depois foi embora.
Um coro de “Awn” se seguiu. Abri o envelope que ela tinha me entregado. Tinham muitos desenhos ali, feitos de giz de cera e canetinha.
No primeiro, tinha quatro bonecos de palitinho, e todos eles tinham algo nas mãos, que depois eu identifiquei como cigarros, por que tinham a ponta vermelha. Um dos bonequinhos tinha cabelos bem compridos e vermelhos, então eu deduzi que fosse eu.
– Ela desenhou a gente... Com um cigarro na mão! – anunciei, e todos vieram ver.
– Olha, sou eu! – Remus apontou pra um dos bonequinhos, o mais alto, com os dois pingos azuis onde deveriam ser os olhos.
– Esqueceu de colocar os olhinhos vermelhos em volta! – Sirius gargalhou. Remus quase matou o coitado.
Gargalhei, mas meus pensamentos ainda estavam no assunto das drogas. Merda, eu não vou conseguir. Eu mal consigo me agüentar agora sem um cigarro, imagine agüentar pro resto da vida.
Frank entrou sorridente – estranho demais – no quarto, cantando “We Are The Champions” e assustando todo mundo.
– Tá, o que eu perdi? – fui logo perguntando. Geralmente Frank ficava uma onça quando eu ficava mais de um dia no hospital e ele tinha que cancelar shows. Ele sempre vinha com aquele sermão do tipo “Você precisa parar com isso! Nem o Remus visita tanto o hospital como você, Lily!”.
– Eu consegui! – Frank anunciou, e enquanto todo mundo comemorava eu os olhava com curiosidade.
– Mas que caralho tá acontecendo, merda? – gritei. Desculpa se eu sou curiosa e escandalosa.
– Consegui uma turnê... MUNDIAL! – Frank abriu os braços.
Puta.
Que.
Pariu.
– Mundial? Tipo... Mundo? – fiz um circulo com as mãos, tentando indicar o mundo.
– Mundo! – Frank comprovou.
Ele estava mais animado que eu.
Se eu pudesse – ou conseguisse – estaria virando estrelas por esse hospital.
– O.k, o.k! – Frank fez parar todo o barulho que nós fizemos.
A noticia fez isso conosco. Fazer o que, somos jovens.
– Vai ser uma turnê curta... Nem tanto – corrigiu –, já tenho a relação de todas as cidades em que passaremos, são alguns países mais importantes e famosos de cada continente e uma ou duas cidades em cada país. – Frank explicou e eu – pelo menos eu – ouvi tudo atentamente.
– E quais são as cidades? – perguntei com extrema curiosidade.
– Calma! – pediu e começou a ler a lista: – Roma e Veneza, na Itália; Paris, na França; Dublin, Irlanda; Moscou, na Rússia, Pequim e Hong Kong, na China; Tókio, no Japão; Mumbai, Índia; Sydney e Camberra, na Austrália; São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil; Santiago, no Chile; La Paz, na Bolívia; – nessa parte Remus comemorou, mas depois parou, percebendo meu olhar fulminante – Cidade do México, no México, é obvio; Toronto, no Canadá e finalizamos no Madson Square Garden, em Nova Iorque. Em ordem. – Frank tomou fôlego pra depois continuar a falar. – Partimos em um mês, depois de finalizarmos e lançarmos o disco.
Merda. O disco.
Graças a Deus a maioria das músicas que incluímos já estavam gravadas. Apenas precisava finalizar, e então tudo estaria pronto para o lançamento.
Meu estomago deu uma cambalhota dentro de mim.
Joguei-me pra trás, caindo no travesseiro duro e fechei os olhos.
Parece que eles entenderam o recado, por que saíram rapidamente.
Tentei me entregar a inconsciência, dormir, esquecer um pouco o mundo. Mas, como sempre, eu não consegui.
Raramente consigo dormir logo que deito. Às vezes fico umas duas horas pensando, pra depois conseguir dormir. Não era assim antes. Antes de tudo isso. Antes dos fãs, dos flashes, da pressão. Mas nada continuou como era antes. Tudo mudou. Algumas coisas, pra melhor, e outras, pra pior. Mas eu gosto disso. Gosto do que faço, e por isso o faço. A insônia é apenas uma conseqüência.
Quando consegui dormir, sonhei com alguém que pensei ter esquecido.
Sonhei com Severus.
Sirius havia me contado que ele estivera ali.
Levantei-me e abri os olhos rapidamente, ignorando a claridade excessiva daquele quarto. Porque mesmo as paredes brancas têm que serem tão... Brancas?
Eu definitivamente precisava de um cigarro. Urgentemente.
– Olha quem acordou! – me assustei com a saudação de James.
Revirei os olhos.
– Eu preciso de um cigarro. – reclamei.
– Você não pode, lembra? Nenhum tipo de droga.
– Ok, pai. – ironizei.
Voltei a me jogar pra trás, bater no travesseiro e encarar o teto.
Que teto lindo.
– Esse é um belo teto. – James falou, me fazendo rir.
E então ele simplesmente deitou-se ao meu lado.
– Hey! – briguei, mas ele me olhou com aquela carinha de cachorrinho sem dono.
Ele pôs as mãos atrás da cabeça.
– Eu entendo como você se sente. – James quebrou o silêncio.
O olhei confusa.
– O doutor também nos proibiu. – explicou e eu tomei conta que ele estava falando sobre aquele assunto.
– Eba. – falei ironicamente.
Fiquei em silêncio novamente.
Eu preciso ocupar minha mente.
Com o que? Ok, vamos lá:
Temos uma turnê mundial em algumas semanas, o que me lembra shows, bastidores, camarins e... Drogas, bebidas e cigarros.
Vamos começar de novo.
Temos um disco pra finalizar, o que me lembra estúdios, discussões e “reconciliações” com uma boa garrafa de... Jack Daniels.
Porque raios tudo que eu penso, involuntariamente, me faz pensar no que eu não posso nem mais ouvir falarem?
Ah, sim, porque eu tenho certa queda por coisas e pessoas proibidas.
Que grande merda, hein.
– Ei! – falei alto demais, quando a idéia me atingiu.
– Que foi? – James perguntou, preocupado. Quase ri da cara dele, os olhos arregalados.
– Calma! – ri pelo nariz. – Me... Ensina a tocar piano? – pedi um pouco relutante, mordendo o lábio inferior.
– Piano? Mas... Precisa de muito tempo, anos até e... – começou, falando muito rápido até.
Revirei os olhos.
– Por favor! – pedi.
Eu preciso de algo pra ocupar a mente. Nada melhor que aprender a tocar piano, certo? Certo.
James revirou os olhos, suspirou e concordou.
Alguém bateu duas vezes na porta e entrou. Era aquele médico de mais cedo.
Ele olhou os aparelhos, anotou algumas coisas e depois tossiu.
– Vou te dar alta agora. – falou finalmente. Quase pulei de alegria (cá entre nós, hospitais não são os lugares mais legais, certo?) se não estivesse ligada a tantos aparelhos e recebendo soro diretamente na veia.
– Aleluia! –falei, sorrindo tanto que minhas bochechas poderiam rasgar.
James se levantou e ficou se balançando pra frente e pra trás, em pé ao lado da cama, enquanto o doutor tirava as coisas da minha pele. Ele arrancou os fios que me ligavam ao aparelho que monitorava meus batimentos cardíacos e eu senti como se estivesse arrancando minha pele.
Vesti-me decentemente e finalmente sai daquele quarto – que estava se tornando entediante demais – seguida por James. Descemos até o primeiro andar, e assim que nós saímos, uma onda de flashes nos atingiu, nos cegando. Abaixei a cabeça e coloquei as mãos na frente dos olhos.
De longe vi meu – velho e barulhento mas amado – carro. Corri – agradeci por ter colocado meus coturnos militares – até onde ele estava e abri a porta do lado esquerdo, entrando afobada. Bati no volante e ajustei o espelho – eu mato o filho da puta que mexeu nele – e ouvi o ranger da porta do lado direito – fazer o que, a porta menos usada sempre range – e James entrou.
Quando eu disse que tudo me lembrava drogas, bebidas e cigarros, eu realmente estava falando tudo. Até o carro cheira a menta e cigarros, no chão, embaixo dos bancos, tem muitas garrafas de bebidas e no porta luvas tem – eu tenho certeza – um ou dois baseados.
Dei a partida no carro e acelerei em direção ao meu apartamento, sem dizer nem uma palavra. Meus pensamentos estavam única e exclusivamente em como seria minha vida daqui pra frente.
Subi as escadas até meu apartamento sozinha – James havia ido pra casa, seu carro estava por aqui – e chutei a porta, que se escancarou.
Com certeza o veado do James havia deixado minha porta aberta. Se ele não tivesse salvado a minha vida, – essa expressão soa tão estranha – eu o mataria.
Encarei a sala. A estante e minha coleção de discos. Passei os dedos pelos discos até achar meu preferido – “A Night at the Opera”, do Queen – e coloquei pra tocar. Deitei no chão, com os pés pra cima apoiados na parede e fechei os olhos.
Sorri involuntariamente quando “You’re My Best Friend” começou. Além de ser uma – ou talvez a mais – das que eu mais gosto do Queen, me lembra alguns momentos da minha pré-adolescência. Lembro quando eu tinha uns doze anos, e eu estava no meio da aula, quando um papelzinho chegou na minha mesa, era uma folha meio rasgada com a letra da música rabiscada, com a assinatura de Severus. Talvez aquele fora um dos momentos mais importantes da minha vida.
Sem querer, adormeci ao som de “’39”.
Notas finais
World tour, bitch. Só pra quem pode. *joga o cabelo*
E o próximo capítulo é totalmente fora do contexto, ok? É tipo um "bônus".
Agora eu vou lá ver SPN (finalmente consegui baixar, há)
Deixem reviews (e recomendações se acharem que eu mereço) :D
Beijos (:
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