Bastard Dragon
2 Faias Negras
Notas iniciais
Um gincho baixo se ouviu ao lado de Tyrion. Será que a comida havia atraído algum gato selvagem? Gatos selvagens não podia fazer tanto barulho assim contra folhas secas.
— Silêncio — Grunhiu Bronn fazendo sinal de silêncio com uma mão e uma espada outra.
O anão podeira ouvir uma voz fraca e rouquenta sair da escuridão. um chamado de fome e ele fez sinal para Bronn suspender a arma mas não foi uma ordem obedecida;a voz ficou mais nítida e suplicante por comida.
— Aproxime-se, minha Senhora, pois temos comida o bastante pra todos nós.
Da escuridão e das faias, saiu a figura mais assombrosa que a dupla viu. Garras sujas de sangue. Grunhidos da boca crispada. Uma juba escura e crespa que corria até o chão. Asas semiabertas nas costas. Um corpo jovem de donzela com a pele com partes coberta de algo parecido com escamas vermelhas.
Uma besta saída diretamente das história da Amas que grunhia algo como a palavra fome e olhava diretamente pra carne de carneiro na fogueira.
— Temos...carne... — Sussurrou o Lannister atemorizado pela figura rubra.
A besta olhou para ambos pela primeira vez com seus olhos redondos e purpura. Uma besta.Um animal? Bruxaria? Tyrion sabia que isso não existia e Bronn não acreditava em tal loucura mas ver algo desse tipo tão perto era surpresa demais pros olhos dois dois.
Tyrion tinha sido o objeto de observação da estranha por talvez a criatura nunca ter visto um anão; depois do longo encaramento, ele pode perceber o quão grande e doces eram seu olhos e como seu ombro estava ferido que foi interpretado pela mesma como um olhar de cobiça e por isso soltou um grunhido que o assustou ao ponto de cair de bunda no chão.
A majestade de um dragão.
Um doce dragão que riu da trapalhada do Lannister e sorriu amistosamente pra Bronn antes de planar em direção a carne, que mesmo que tirada na hora no fogo pelas mãos avidas da criatura não lhe queimou a pele, e mastigar a carne como um bicho selvagem com direito a barulhos de carne sendo rasgada, gemidos de prazer e grunhidos.
Bronn ainda com a espada na mão olhou pra Tyrion como se esperasse uma ordem ou algo assim, eles não sabiam como agir e só podiam esperar a besta se saciar.
Ela não comeu tudo porém ao terminar não fugiu de volta pra escuridão; olhou pra ambos com um sorriso nos lábios carnudos e ofereceu a carne com um jeito tão cândido que Tyrion confiou naqueles olhos frágeis e inocentes.
— Obrigada — Uma voz melodiosa saiu da criatura de um jeito totalmente submisso e largou a carne no fogo que crepitava forte. A criatura ruiva ergueu-se muito rapidamente e pôs as mãos na cintura, advertindo-os com uma voz de troça — Vocês não deveriam ter acessos a fogueira. Isso é mal. Muito mal, meus senhores.
Bronn teve que rir baixo enquanto olhava o anão com uma cara de ''Eu não disse, seu estúpido''.
— Sou Myr, é um prazer conhece-los. — Ela curvou-se como uma donzela de alto nascimento e eles se esqueceram por segundos que a estranha era uma besta. — E pretendo acompanho-los.
— Não há lugar pra bestas em Porto Real, criatura. — Aquela recusa tão rude pelo mercenário feriu profundamente Myr que fez a careta mais adorável e seus olhos em púrpura ficaram úmidos de lágrimas e então Tyrion soube naquela hora que a estranha era tão quebrada quanto ele. Quis protege-la de ser maltratada como ele foi.
— O que você quer fazer e Porto Real, minha Senhora?
— Servir vocês. — A pequena ruiva era pequena, no máximo um e cinquenta, com o corpo bem distribuído com penugem da mesma cor de vermelho-intenso do cabelo encaracolado nas partes íntimas, um rosto em forma de coração, sardas de verão e olhos...olhos inocentes e puros que conquistaram o anão. Uma boa amiga.
Temendo que Bronn a magoasse mais com algum trocadilho sobre servi-los, o Meio-Homem apenas falou que era ele que a ruiva deveria servir por ser um Lannister, um leão.
— Você é um leão?
— Um pequeno leão, minha senhora.
Então Myr caminhou meio capenga até o anão e ajoelhou pesadamente com o belo rosto virado para o chão fazendo um véu de cabelo escuro e espesso tampar a visão de seu rosto para o anão, que podia sentir o forte calor que emanava das escamas da donzela, e proferiu a profecia que sua mãe lhe disse.
— O que você quer em troca de seus serviços? Os Lannister tem moedas de ouro bastantes pra você viver no luxo.
— Quero em troca a amizade sincera de Meu Senhor. Eu sou dele e ele é meu. Uma família.
Bronn riu daquilo como se fosse a piada mais engraçada do mundo e ela foi-se dormir perto dos cavalos que misteriosamente não ligaram em ficar perto de uma besta ou meio-humana. Dormiu profundamente.
—Devo matá-la enquanto dorme. — Sussurrou o mercenário ao anão que negou veemente.
O anão sentia-se extremamente seguro com Myr ao seu lado.
''Um dragão de guarda'', pensou antes de se enrolar na manta e dormir.
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