Basket Case
19 Stay The Night
Notas iniciais
Mil anos depois...
Os últimos dias não têm sido dos melhores. Loki está tendo alguns sinais de fraqueza, o que indica que sua morte pode estar perto. Ele se sente ótimo, lamentavelmente toda noite eu choro pelo medo de perdê-lo.
Ele já deu a posse do trono para Thomas, pois ele desejava estar vivo para vê-lo governar. Mesmo que ele não possa ver por muito tempo. E eu passo todo meu tempo com ele. Ele há vários anos atrás me disse que eu não envelheceria. E é estranho vê-lo velho e eu do mesmo jeito. Mas ele nunca me explicou o porquê, já que pela lógica eu morreria quando ele morresse.
– Minha donzela... Que pena que eu não viva por muito mais tempo. Eu adoro ficar lhe admirando.
– Não diga uma coisa dessas. Até parece uma despedida, o que nós sabemos que não será o caso.
– Você tem que se acostumar com essa idéia. Mas saiba que eu te amo e muito mais do que você pode imaginar.
– Na verdade eu tenho uma idéia sim.
Ele ri. Mas geme com uma dor que sente no peito.
– Tudo bem?
– É claro meu amor. Eu preciso lhe contar uma coisa.
– Fale...
– Eles estão vivos...
– Eles quem?
– Os heróis. Mas estão congelados, como uma vez Rogers esteve. E é por isso que você não envelheceu, Rogers ainda está vivo e com a aparência jovem.
– Tudo bem. Já não penso em procurá-los há muito tempo.
– Mas quando eu morrer quero que você vá procurá-los. Ou melhor, fale para nosso filho levar você até eles.
– Como desejar meu amor. Posso lhe fazer uma pergunta?
– Não sei por que ainda me pergunta, mas... É claro.
– Por que não os matou?
– Por você, eu acho.
– Que amor. Muito obrigada... Por fazer isso. E por me ensinar os feitiços.
– Você tem um grande dom, você nasceu para isso. Ser uma grande feiticeira. Que bom que eu pude lhe ensinar.
– Obrigada. Mas você está me assustando Loki. Até parece que vai morrer hoje.
– É claro...
Ele me beija e eu correspondo seu beijo. Ficamos assim por algum tempo.
– Bem, vou dormir um pouco. Me acorde para o almoço, tudo bem?
– Claro meu amor.
Quando chega à hora tento acordar Loki. Entro em pânico, pois ele não responde o meu chamado. Grito para que alguém me ouça. Meu filho entra no quarto.
– O que foi mãe?
– Seu pai... Chame as curandeiras! Agora!
Ele sai correndo e em questão de minutos elas chegam. A notícia é, infelizmente, a que eu mais desejava não ouvir. Ele morreu e sabia que hoje era o dia. Mais uma vez perco alguém que amo, e mesmo com a ótima noticia sobre os heróis, sinto como se meu mundo tivesse acabado. Mais uma vez.
O funeral é feito a noite. Não consigo conter o choro desde que falaram que ele morreu. Quando termina meu choro também acaba o funeral. Agora são só lembranças.
– Quer que eu durma com você mãe? Durmo em um dos sofás do seu quarto.
– Não meu amor. Se fosse para dormir comigo seria na cama, como quando você era pequeno.
– E com você me contando as histórias daqui de Asgard e também as de Midgard.
– Sim, tenho saudades daqueles tempos.
Contenho outras lágrimas que se formam.
– Mamãe, não precisa conter o choro. Chore!
– Não. Eu não quero.
Parece que cada vez que eu começo a amar alguém o universo dá um jeito de tirá-la de mim. Basta com essa choradeira. Por isso não sei se quero voltar a Terra.
– Mãe... Vamos te levo para o quarto.
Thomas e eu entramos em meus aposentos. Ele fecha a porta. Ficamos em silencio por algum tempo.
– Você vai realizar o ultimo desejo de meu pai ou não? Sei o que está pensando.
– Eu vou realizá-lo. Mas tenho muito receio se devo fazê-lo.
– Então... Vamos quando a Midgard?
– Logo.
– Por que não amanhã?
– Eu preciso de um tempo.
– Tudo bem. E vou passar a noite aqui com a senhora.
– Ótimo.
Sento na cama e ele deita no meu colo.
– Sabe o que é engraçado e que seu pai me falava sempre?
– O que?
– Que ao mesmo tempo em que você se parece com ele fisicamente, você também se parece com seu tio Thor, também fisicamente.
– E eles não eram irmão de sangue, não é?
– Isso.
– Que estranho. Mamãe...
– Sim?
– Me conte de novo as histórias de Midgard, faz tanto tempo que não as ouço. Como são chamadas mesmo?
– Contos de fadas.
– Isso... A senhora conta novamente?
– Claro meu amor...
Passo o resto da noite lhe contando histórias da Terra e até sobre os super-heróis que existiram lá. Contei-lhe fatos históricos e também os contos de fadas. Era engraçado ver as reações que meu filho tinha.
– Você vai amanhã não é? – Ele me pergunta.
– Vou sim.
– Ok.
Ele senta na cama e faz com que eu me deite nela.
– É bom a senhora dormir. Eu vou ficar mais um pouco acordado.
– Não fique muito tempo. Boa noite meu filho.
– Boa noite mamãe.
Durmo tão rápido que se pudesse me impressionar com certeza eu estaria.
No outro dia...
– Está pronta mãe?
– Sempre.
Chegamos a Terra. Ela está muito diferente, mas o melhor é saber que não é mais controlada por Asgard. Eles retomaram alguns procedimentos antigos, mas posso dizer que só mudou em aparência mesmo. O que faz com que eu me sinta em casa novamente. Estar aqui me alivia. Asgard é um lugar maravilhoso, mas não é o lugar onde eu nasci.
Meu filho me disse que os heróis foram descongelados há dois anos e que não sabem que eu estou viva. Eles foram informados dos acontecimentos e de quanto tempo se passou. Mas ainda não se acostumaram com todas as mudanças. Eles vivem meio contrariados, mas vivem bem.
A torre Stark foi mantida e meu pai ainda é uma pessoa brilhante, mesmo fora do seu tempo. Banner também. A terra envelheceu e ainda sim continua a mesma.
– Bem, os avisei que eu viria fazer uma visita e dar-lhes algumas explicações. Vamos entrando? – Meu filho diz.
– Claro.
Subimos até o último andar. O que me faz sorrir. É tão bom reviver esses momentos aqui. E é melhor saber que vou vê-los novamente. Eles estão todos na sala, rindo. Eu quase choro e tanta felicidade, mas qual será a reação deles ao me verem?
– Olá Avengers! – Diz meu filho.
Todos se viram e se aproximam rindo para cumprimentá-lo. Até então eles não me notaram.
– E aí grandão? Como está Asgard? E o doido do Loki? – Pergunta meu pai.
– Bem, Asgard vai bem como sempre. Já meu pai... Bem, não posso dizer o mesmo.
– O que aconteceu ao meu irmão Thomas? – Pergunta Thor preocupado.
– Bom... Meu pai... Faleceu.
O silencio se instala por alguns instantes.
– Sentimos muito. – Eles dizem em uníssono.
– Muito obrigado.
– E então, quais são as explicações que você quer nos dar? – Diz Steve sorrindo.
Meu coração bate mais rápido, tão rápido que parece querer sair pela minha boca. Meu estomago revira. Que bom que ainda não me viram.
– Bem... Como já sabem meu pai fez vocês caírem no local mais gelado que ele pode encontrar...
– Isso. – Eles dizem novamente em uníssono.
– E como... Bem, Emma não os encontrou ele teve que partir com ele.
– E? – Eles perguntam juntos.
– Então... Antes de continuar com as explicações... Vocês sempre quiseram conhecer minha mãe, não é?
– Isso. Ela veio? – Diz Barton.
– Sim.
Thomas sai da minha frente, até agora eu só pude ouvir e ver de relance eles, mas quando os vi realmente todos estavam pálidos.
– Oi... – Digo, segurando o choro. É claro.
– Emma... O que... – Meu pai diz. Ele para com o que ia dizer e me abraça. – Meu Deus que saudade do seu abraço. Filha... Que bom te ver!
Nós dois estávamos chorando.
– Achei que por Loki estar morto você também estaria... Espera...
– Você disse que ela é sua mãe? – Pergunta Steve.
– Sim minha mãe e Loki meu pai. Vocês deviam esperar isso.
– Hum. – Steve murmura. E fica me olhando.
– O que importa? Ela está viva! – Meu pai diz. Me abraça mais forte, me levanta do chão e me gira.
Nós começamos a rir. Ele me solta e os outro vem me abraçar, menos o Capitão. Thomas e os outros heróis vão até a sala para conversarem. Eu vou até o Capitão, que não tinha saído do lugar.
– Eu... – Começo, mas não faço a mínima idéia de como continuar.
Ele caminha até mim e para mais longe do que eu desejo.
– Eu morri de saudades de você meu amor... – Ele diz.
Eu abro o maior sorriso que posso e diminuo o espaço entre nós com um abraço, assim esse espaço deixa de existir. Ficamos assim por muito tempo, mas o tempo não parecia passar.
– Mãe?
– Sim? – Digo ainda abraçada com Steve.
– Precisamos resolver só uma coisinha, tudo bem?
– Claro.
O que será que é? Não sei o que esperar...
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