Basket Case
16 Castaway
Notas iniciais
Uma hora depois eles voltam à sala. Eles me abraçam, meu pai e Rogers são os últimos. Meu pai se aproxima e me abraça tão forte que fico sem ar.
– Amo você filha. E eu voltarei logo, não vai dar nem para perceber que eu saí.
– Eu sei pai, eu também te amo.
Seus olhos estão cheios de lagrimas, mas ele é muito forte para isso. Ou pelo menos é o que ele pensa.
– Ok, vou deixar você falar com o Picolé. – Ele se vira para Steve. – Mas nada de beijos e nem abraços muito demorados! Estou de olho em vocês.
– Tá bom Stark. – Diz Rogers se aproximando de mim.
Ele me abraça e eu olho para ele. Steve aproxima sua boca da minha. Fiquei esperando um beijo, mas ele não o fez.
– O que foi? – Pergunto.
– Eu não sei se posso.
– O que?
– Te deixar. Não quero me separar de você.
– Eu vou junto à missão.
– Nem pensar.
– Por quê?
– É muito perigoso.
– Hum.
– Bem, acho que já devemos ir. – Ele diz aos outros, que, então, começam a sair.
Steve estava se soltando de mim. Mas eu segurei seu braço, ele ficou esperando.
– Não tem mais nada para me dizer? – Pergunto.
– Sim, mas é difícil para eu ter que ficar longe de você e...
– Eu acho que você vai se arrepender se não fizer o que eu penso que deveria fazer.
Ele me abraça, um abraço forte e que me levanta do chão. Coloco minhas mãos em seu rosto e o beijo como se fosse a ultima vez que eu fosse vê-lo.
– Eu te amo Emma.
– Também te amo Picolé.
Ele ri e faz uma careta como se estivesse magoado, me dá um selinho e corre até os outros. Mas antes que ele suma do meu campo de visão, ele se vira, me olha por um tempo e então diz:
– Espero que de tudo certo. E espero poder voltar logo. Te amo minha princesa.
Ele some e me sento no sofá. Loki está em pé ao meu lado, não diz nada, apenas fica ali pensando. Eu gostaria de saber no que, mas tenho uma leve impressão de que é sobre essa missão.
– O que foi? – Pergunto.
– Estou pensando se devo lhe contar alguns planos meus ou não.
– E então?
– Ainda não me decidi, mas provavelmente não irei te contar.
– Ok.
Aposto que são de dominação. E ainda não sei se suspeito dele estar tramando algo relacionado à sua tão almejada vingança e essa missão.
– Vai fazer o que minha donzela?
– Ainda não sei. Provavelmente dormir.
– Posso lhe acompanhar?
– Já que, pelo visto eu te amo também. Por que não, não é?
Eu vou à frente em direção ao meu quarto, ele logo está acompanhando meu ritmo. Ele coloca suas mãos ao redor da minha cintura. E seguimos assim até lá. Quando me deito na cama, ele senta no outro lado, mas bem próximo a mim. Ele hesita, eu afirmo com a cabeça que ele pode, então ele me beija. E pela primeira vez sinto seu amor por mim, já que antes isso era mascarado pelo seu desejo de vingança. Fico esperando qualquer sinal de que ele vá além daquele beijo. Um beijo tão intenso quanto apaixonante. Mas ele não o faz.
Quando terminamos, ele solta uma risadinha.
– O que? – Pergunto.
– Você está com uma careta de decepção. O que? Você quer algo mais?
– Na verdade, realmente esperei algo mais.
– Hum... Me perdoe minha donzela, mas lhe causei muito sofrimento ultimamente com esse ato. Não que eu não deseje, mas não quero lhe machucar.
– Ok. – Digo. Ainda com aquela cara. Acho que nunca vou me entender. – Vai dormir aqui comigo? Ou vai simplesmente ficar me olhando?
– Vou ficar refletindo sobre alguns passos que desejo tomar e, é claro, cuidando para que você não tenha nenhum pesadelo. Mas vou me deitar com você.
– Bem perto.
Ele ri.
– Nunca pensei que fosse ouvir isso de você.
– Eu estou carente. É só por isso.
Ele ri novamente e beija minha bochecha.
– Creio que deva descansar. Eu vou estar aqui, sempre.
Eu me viro e ele se encaixa em mim, me abraçando por trás. Demoro um pouco para cair no sono, mas Loki começa a me contar algumas histórias de sua infância, o que me ajuda a dormir tranquila e sem pensar no que pode acontecer às pessoas que amo e que estão naquela maldita missão.
Um mês depois...
Todas as manhãs eu tinha recebido boas notícias deles, assim como nas tardes e nas noites. Mas nessa manhã não, recebi o pior recado que eu poderia ouvir. A nave perdeu o controle, eu não pude falar com meu pai nem com o Capitão. Só disseram que eu deveria ir para Asgard e quando iam me dizer aproximadamente onde iam pousar, a conexão caiu. E senti aquela dor.
Perguntei a Loki se ele teria alguma coisa a ver com isso, ele disse que não. Mas pude ver que sua resposta foi sincera. O choro não veio, assim como não conseguia acreditar que isso tinha acontecido. Eu pensei que estava tudo bem, que eles não sofriam nenhuma ameaça, assim como eles tinham me dito. Pelo visto mentiram para mim, mas espero que eles estivessem apenas enganados.
Loki me pegou no colo e tentou me reconfortar. Mas tudo parecia estranho, era como se o mundo tivesse mudado e eu soubesse que não me adaptaria mais. Não conseguia admitir que isso tivesse acontecido.
– Vamos procurá-los por uma semana. Se não os encontrarmos, vou com você para Asgard sem nenhuma objeção. Combinado? – Digo.
– Sim.
– Você por um acaso não sabe onde eles caíram, ou sabe?
– Não, mas posso lhe dizer que é em algum lugar muito gelado.
– Ok, isso já ajuda.
Uma semana depois...
Minhas coisas já estão prontas, e meu animo não melhorou. A partida para Asgard sempre me pareceu ilusória. O meu desejo de encontrá-los ainda vencia a amarga realidade. Despeço-me de Pepper e Chase. Choro ao me despedir do meu irmão, ele foi muito importante na semana anterior, já que só ele conseguia me acalmar. Loki me chama e dou um último abraço nos dois.
Alguns instantes depois estamos lá. Asgard. É encantador o lugar. Mas ainda não é minha casa, o lugar onde eu nasci. Mas terei que me acostumar.
– Você se acostuma meu amor.
– Eu sei.
– Não fique assim, você tentou.
– Eu sei. E não se preocupe isso que eu sinto e como estou agora logo passa.
– Sei que passa. Não vou apressar-lhe.
Seguimos em direção ao castelo, nos cavalos que já nos esperavam. Logo que entramos Loki me mostrou nossos aposentos. Fiquei lá por algum tempo e arrumei meus poucos pertences. Coloquei um vestido que Loki escolheu para mim e fui ao seu encontro.
– Linda! Linda! Ficou perfeito! – Ele falava, mais alto do que era necessário.
Ele me apresentou a Volstagg, Frandal e Sif. Os três não foram só obrigados, pelo novo rei, a me conhecer, mas também para me ensinarem a lutar. Com espadas, machados, entre outras armas. Eles saíram e me disseram que meu treinamento começava amanhã.
– Quero lhe fazer uma proposta.
– Fale. – Digo.
– O que acha de se casar comigo?
– Não vai me apressar, né? – Zombo.
– Ah é. Mas pense no assunto e me responda.
– Claro.
– O que?
– Eu caso. Vou ter que fazer isso um dia mesmo.
– Quando?
– Isso eu ainda não sei. Mas não precisamos ter pressa.
– Claro.
Vou até o quarto, fico lá pensando nos heróis e onde eles podiam estar. Penso que posso um dia sair ou fugir de Asgard. Mas acho que devo respeitar o que eles me pediram e continuar aqui, pois eles confiavam que Loki pode e vai cuidar de mim. Então descarto essa possibilidade. Eu durmo, até Loki me acordar e me dizer que quer conversar.
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