Oh, se eu pudesse voltar no tempo
Quando você só me segurou em minha mente
Apenas um desejo que desaparece sem deixar rastros
Oh, eu queria que eu nunca jamais tivesse visto o seu rosto
Eu queria que você tivesse sido
Queria que você tivesse sido aquele que foi embora

– The One That Got Away — The Civil Wars

X

Quando a manhã chegou junto com a sensação de tudo ter sido apenas um sonho, ou talvez pesadelo, Hermione notou que estava sozinha na cama. Se levantou alarmada, puxando o lençol para cobrir seu corpo. Gemeu quando sentiu dores em toda parte, principalmente entre as pernas.

– Não me diga que era virgem — uma voz fria lhe disse.

Levantou o olhar e viu que Malfoy estava olhando pela grande janela do quarto. Estava sem camisa, apenas com uma calça preta. Também, estava descalço. A morena corou quando lembrou do que fizeram na noite passada. Por medo, desejo e é claro, um plano de Imogen. Havia se sentido tão certo, mas tudo porque era tão errado.

– Não, não sou — respondeu, apertando ainda mais o lençol contra si — Se fosse, eu não deixaria o que aconteceu... acontecer, basicamente.

Ele virou o rosto para a encarar. Hermione notou que ele sorria pelo canto dos lábios, mas sem nenhuma arrogância. Pensou que estava tendo uma miragem, mas era puramente verdade.

– Eu me senti vivo na noite passada — Draco falou, a voz rouca de sono — Foi como se você estivesse aqui o tempo todo durante esses últimos dois anos. Creio esse lugar que me fez sentir isso.

– Você deve se odiar — foi tudo o que conseguiu falar.

– Acho que sim. Minha mente está confusa, Granger — ele desviou o olhar novamente — Ficava gritando para mim mesmo, dizendo que não me importo com mais nada. Que tudo que eu conhecia estava morto e que havia chegado no ponto final de alguma coisa. Então você aparece. Droga, Granger, eu a odiava tanto.

Obviamente, ela percebeu que ele falou no passado. Foi então que compreendeu. Havia se tornado tudo o que ele tinha, seu único ponto de conforto em uma solidão que parecia não ter fim. Draco Malfoy tinha o sentimento de possessão por ela. Haviam passado da barreira do ódio e chegado na barreira do companheirismo, para logo depois, a quebrarem e chegarem na seleção dos... amantes? Era isso o que eram?

– Eu preciso ler um livro — falou, suspirando. Gostava de ler quando se sentia frustrada, e era exatamente isso o que ia fazer. Não iria dizer que ele era tudo o que tinha, porque não era verdade, e Hermione Granger não gostava de mentir. Ao contrário dele, tinha algo que a fazia querer voltar. Ele não era sua primeira escolha.

– Ótimo — ele zombou — Isso nos ajuda muito.

– Não há nada que precise de ajuda, Malfoy — ela deu em ombros, saindo da cama com os lençóis em volta do corpo. Caminhou até a prateleira de livros — Você tem que aceitar isso de uma vez só, dói menos.

– Está me dizendo que preciso aceitar, o que, tudo isso? — ele ergueu os braços, passando as mãos pelos cabelos — Aceitar o que eu sinto por você, mesmo não fazendo ideia do que seja?

– Bem, claramente você não sabe o que é. Mas acho que é assim que funciona com todos os sentimentos, não há exatamente uma definição — Hermione deu em ombros, ainda não o encarando. Fingia que estava mais interessada nos livros — Só... deixe acontecer.

Ouviu seus passos e sentiu sua mão em seu braço, a virando para o encarar. Ele, como sempre, não mostrava emoção alguma. Era até mesmo um pouco ameaçador.

– Não se arrependa depois — foi o que disse. Ergueu a mão, pegando algo atrás e acima dela. Puxou um livro com a capa azul clara — Ainda não li esse.

– Obrigada — murmurou, girando o livro em mãos. As mãos dele seguravam o lençol contra seu corpo — Nunca ouvi falar desse livro antes.

– Não espera que tenha lido todos os livros do mundo, não é mesmo, Granger? — Draco desdenhou, a puxando para a poltrona á frente de uma janela lateral. Dava pra ver a floresta e, durante a manhã, era quase pacifica — Venha.

Ele se sentou na poltrona, a fazendo se sentar entre suas pernas. Claramente não queria que se sentasse em seu colo usando apenas um lençol. Provavelmente por medo que as atividades da noite anterior se repetissem. Não o culpava, também sentia medo.

Abriu o livro e começaram a ler em silêncio. Era quase confortável demais, os fazendo se sentir desconfortáveis. Era tão irônico. Hermione tentou colocar todos os sentimentos na mocinha do livro, que buscava entender o homem que morava a casa ao lado. Era um romance simples, de literatura baixa, nada para esquentar a cabeça. Exatamente o que precisavam agora.

– Granger — ele a chamou.

– Uh?

– Você ainda não virou a página.

Ela revirou os olhos.

– Isso porque eu não terminei de ler, Malfoy — suspirou, fechando o livro com um baque — E o final é totalmente previsível.

– Oh, não me diga — Draco zombou, pegando o livro de suas mãos — Ela vive feliz para sempre?

– Sim, e escolhe ficar com o chato. As mocinhas sempre escolhem ficar com o cara chato — Hermione disse, dando em ombros. Viu ele abrir o livro, o apoiando em seu ombro — Está lendo o Epílogo?

– O que você acha?

– Ah — falou, estupidamente — E...?

Malfoy bufou, jogando o livro longe.

– Ela fica com o chato — disse, em um tom aborrecido.

– Não consigo entender porque os escritores tem essa ideia de... história. Não funciona assim. Bem, na maioria dos casos não funciona assim. São sempre ideias tão estúpidas — Hermione reclamou, como sempre fazia quando um livro não lhe agradava — É exatamente por isso que a literatura trouxa é melhor. Vou aguardar um escritor bruxo chegar aos pés de Sheaskespeare.

– Não gosto dos livros dele. Tão previsíveis quanto esse pedaço de lixo — Draco falou, apontando com a cabeça para o livro no chão — Romances em geral não me... agradam.

– Sheakespeare não escrevia romances, para começo de conversa, Malfoy — Hermione ralhou, e viu ele retrucando um olhar de raiva — Você precisa aprender mais sobre autores antes de comentar sobre eles.

– Não. Não preciso. O velho Abraxas Malfoy costumava dizer que a escrita de alguém fala tudo sobre uma pessoa — Draco disse, dando em ombros — Então, esse velho provavelmente era alguém solitário, com certo gostinho para mortes e queda para pessoas sem cérebro.

– Seu avô escreveu um livro sobre magia negra, acho que isso diz muito sobre ele... não consigo levar nada o que você diz a sério — Hermione disse entre dentes, dando em ombros — Não xingue Sheakespeare. Meu nome foi dado por causa de uma das histórias que ele escreveu.

– Que brega.

– Malfoy! — Hermione gritou, pulando para longe.

– É um nome estranho — disse, dando em ombros.

– E Draco é um nome lindo — a morena zombou, cruzando os braços.

– É um nome de uma estrela, seguimos a tradição dos Black — ele explicou, a puxando de volta. O lençol ainda estava enrolado em seu corpo — Pode dizer que meu nome é extremamente sexy, não vou culpa-lá.

– Narcisa não é uma estrela — Hermione percebeu e viu que Draco fechou a cara quando ela citou sua mãe — Veio de narciso, não? A flor. Porque sua mãe sempre foi muito, ahn, bonita.

– Não consigo me lembrar do rosto dela. Não muito bem — ele deu em ombros — Muito menos do rosto do meu pai. Mas... foi, mais ou menos. Veio do conto de Narciso, o mito grego. Druella achou que a filha era tão bela que iria se apaixonar por si mesma, assim como Narciso fez. Por isso a chamou de Narcisa.

– E eles lhe deram o nome de Draco por que? — perguntou, não conseguindo conter a curiosidade — Você cuspia fogo quando era pequeno?

– Engraçada quanto uma maçaneta. Não. Nunca perguntei para eles — Draco deu em ombros — Não me parecia de grande importância.

E então caíram em silêncio. Hermione voltou a se sentar entre suas pernas e se escorou contra o peito. Era tão estranho ter uma conversa normal. "Não se arrependa depois", fora o que ele disse. Era isso o que ele queria? Uma conversa normal, com alguém, sem as brigas que tiveram? Mas ela não estava o julgando, se sentia bem ali. Ela estava se sentindo bem.

– Ainda preciso de um livro — disse em voz alta.

– Cale a boca. Nem todas as histórias estão nos livros, sang... — ela endureceu em seus braços — Granger — disse finalmente, mudando o que ia falar — Posso lhe contar uma história, se quiser.

– Não quero romances — falou rapidamente.

– Não sei nenhum romance, agora cale a boca– ele ralhou — Odeio essa sua dificuldade de ficar com a boca fechada. Enfim, há muito tempo, havia um vilarejo de bruxos. Nesse vilarejo, morava uma moça chamada Vall. Ela era tão bela que os pássaros voavam em seu encontro, achando que ela era a luz em forma carnal. Todos a desejavam, queriam seu corpo, sua alma. Inclusive, o Sol.

"Um dia, ela estava vagando e encontrou uma árvore. A árvore havia sido colocada ali pelo Mal. Vall estava com tanta sede que bebeu a água que brotava de suas raízes e assim, morreu"

"Mas o Sol ficou com pena de sua amada. Ele então tirou suas roupas e a beijou, a enchendo de vida. A possuiu ali mesmo e então, partiu, deixando a moça com algo em seu ventre. Porém ela acordou fraca, sem vontade de viver. A energia do Deus era demais para seu corpo. Mas Vall sabia que esperava um filho e por isso, fez de tudo para viver até que ele nascesse".

"A Deus do Sol, percebendo o quanto ela colocou a fé em seu filho, não apareceu mais, deixando o mundo em repleta escuridão para que a virtude da moça não fosse questionada. Para eles ficarem em paz. Seu filho então nasceu, e naquele dia o mundo voltou a ter seus dias, e seu filho foi transformado em estrelas. Vall, triste pela despedida, morreu em solidão, porém, seu amado deu-lhe um beijo, fazendo a luz entrar em seu corpo. Ela então se transformou em bilhões de pequenos seres cheios de luz, que surgem a noite para ficar mais perto das estrelas, ou filho. Os deuses chamaram o romance do sol de queda. Acho que você sabe no que ela foi transformada".

– Vagalumes — Hermione completou, mas então franziu a testa — Isso é um romance. O Sol a amava.

– Mas ela não o amava de volta — ele completou — E ela morreu. É uma tragédia.

– Você disse algo sobre queda — a morena disse, franzindo a testa — O que é a queda, Malfoy?

Ele não sorriu.

– Nós somos a queda, Granger — ele sussurrou em seu ouvido.

Para quem escutava em terceiro, ele parecia louco. Mas ela entendeu. Ela entendeu.

X

Quando Gina desceu para a cozinha, onde todos os jovens estavam reunidos antes da missão começar, percebeu que os ex-sonserinos estavam sentados, conversando entre si. Percebeu também Harry — quem queria enganar, foi a primeira coisa que viu quando desceu na sala — sentado ao lado de Ron.

– Você não vai lutar, vai? — perguntou para o moreno, se aproximando da mesa e se sentando ao seu lado.

– Não — ele deu em ombros — Lupin não deixou. Disse que se eu for junto tudo pode, você sabe, se perder.

– É melhor que saiba que ele está certo, Harry — Gina disse rapidamente, e corou quando viu o olhar de Zabini, que escutava a conversa — Sabe, eu amo sua coragem, é bastante sexy, mas as vezes você é muito burro.

– Hermione me disse a mesma coisa uma vez — ele riu e Gina ergueu uma sobrancelha — Ah, sem a parte do "sexy".

– Bom, porque quando eu voltar a ver minha melhor amiga, quero lhe dar um abraço e não um tapa — a ruiva riu, e viu ele sorrir. Deuses, como sentia vontade de momentos como esse — Ahn, e você, Ron? Está melhor? Não tem mais nada doendo?

– Não — o irmão deu em ombros — Estou totalmente inteiro. Posso muito bem ir na missão, não sou um brinquedo quebrado.

Daphne Greengrass bufou do outro lado da mesa e sua irmã lhe deu um olhar cortante.

– Se serve de consolo... — Astória começou, olhando a irmã para prevenir que ela faça algum comentário desnecessário — Eu também não vou, nem Pansy. Parece que como é no St.Mungus não vai ter necessidade de pessoas com experiência em feitiços de cura.

Ron abriu a boca para falar alguma coisa, mas foi interrompido quando Theo entrou na sala. O garoto olhou para todos com um sorriso arrogante e se escorou na porta.

– Ora, vejam só, eu poderia tirar uma foto dessa cena. Sonserinos e Grifinórios juntos, lamentando a falta de ação e... — ele se interrompeu, quando seus olhos encontraram alguma coisa do outro lado da cozinha — AH NÃO! Quem deixou a Parkinson cozinhar?!

Pansy, que estava mexendo uma colher em uma enorme panela no fogão, se virou com as mãos nos quadris. Estava usando o avental da Sra.Weasley, e é claro, estava com saltos altos vermelhos berrantes. Porém, seu olhar não era para brincadeira. Até mesmo Blaise afundou em seu acento quando viu a garota de cabelos pretos.

– Minha culinária é divina, Nott, não ouse falar mal! — ela gritou. Bufando, serviu a sopa em vários pratos e entregou para cada um na mesa — Bom apetite.

Todos olharam para a sopa.

– Isso não é comida — Ron finalmente falou.

– É claro que é — Pansy rosnou.

– Não, não é. Olha, eu de todas as pessoas aqui sei o que é comida — o ruivo disse, cutucando com a colher algo que boiava na sopa — E isso aqui está longe de ser comestível.

– Ah, sinceramente. Ninguém aqui tem o luxo de desperdiçar nada. Apenas cala a boca e só a abra se for pra comer — Daphne disse, tomando uma colher da sopa. Foi então que fez uma careta e cuspiu tudo fora, totalmente sem classe — Esquece o que eu disse.

– Acho que ninguém vai comer hoje, Parkinson — Blaise falou, escondendo uma risada.

– Então, quando forem lá lutar e sentirem o estômago roncar, não coloquem a culpa em mim. Façam a própria comida da próxima vez! — ela exclamou, tirando o avental e o jogando em cima da mesa — Me dão licença. Preciso achar onde meu noivo se meteu.

E então ela saiu, o som dos saltos enchendo a sala.

– Sinceramente, eu não sei vocês, mas prefiro lutar com Comensais da Morte do que comer isso — foi tudo o que Theo disse, antes de se retirar.

Embora a frase tenha sido para zombar, "lutar com Comensais da Morte" ficou na mente de todos, porque era exatamente isso o que iam fazer. Arriscar a vida mais uma vez.

X

– Está na hora.

Ele assentiu com a cabeça e pegou seu braço. O sentimento de aparição voltou e logo estavam, em um piscar de olhos, no mesmo beco. Draco viu como Granger olhou em volta, vestida nas roupas ridículas de Lovegood.

– Vamos, precisamos ir — ele tentou a puxar pelo braço. Mas Granger teimou, e não andou.

– Espera, não está ouvindo isso? — a morena o perguntou em um sussurro. Ele negou com a cabeça e revirou os olhos, não era hora de ficarem no aberto. Precisavam ir para uma travessa onde poderiam aparatar. Não era de noite como na última vez, qualquer um poderia passar e os ver — Parece um ataque...

– Mais um motivo para sairmos daqui, Granger — ele rosnou, mas ela saiu do seu aperto.

– Eles não atacam uns aos outros. Deve haver algum motivo — ela murmurava para si mesma, andando de um lado para outro — A Ordem — disse, em voz alta, quando percebeu do que se tratava — Oh meu Merlim! A Ordem!

E então, ela saiu correndo do beco. Mas não para um lugar mais seguro e sim, para o som dos feitiços explosões. Draco sentiu uma dor enorme em seu quadril e foi obrigado a correr atrás dela, achando palavrões e xingamentos em sua mente. Havia muitas pessoas na rua. Correndo. E ele estava correndo contra elas. Havia muitos lugares explodindo, vidraças de lojas caindo em cacos contra as pedras do chão. Gritos de pessoas sendo torturadas. E o medo de ser indentificado por muitos dos que passavam com máscaras e vestes pretas, ou alguma pessoa da Ordem, aumentava a cada segundo.

Foi então que ele a viu. Parada no meio da rua, olhando para outro caminho a sua frente. Parecia congelada.

– Granger! — e a puxou para perto de si. Ela estava tremendo, o rosto vermelho, mas não pelo frio que fazia no Beco Diagonal.

– Eu vi ela, Draco — ela sussurrou para ele, o olhando assustada. Nem havia percebido que usou seu nome — Eu vi sua mãe.

Notas finais
Cheguei, depois de muitos dias! Estou finalmente de férias e consegui postar no meio da semana, vejam só. Bem, eu sei que certas coisas desse capítulo muitos não vão gostar mas espero que entendam que: eles estão cansados de ficarem "sozinhos". O relacionamento precisa andar, mas eu vou tentar fazer o mais natural, então, esse capitulo não mostra como vai ser daqui para frente. Apenas, uma parte. E esse último pedaço vai mostrar isso (MUHAHAHAHAHAHA). Muito obrigada pelos comentários! Amo receber essas criticas de vocês, sejam boas, sejam ruims. Criticas são criticas e sempre fazem bem para a história ♥ MUITO OBRIGADA CUPCAKE TAMBÉM PELOS PARABÉNS! Como prometido, mandei torta para todos vocês. (espero que tenha chegado) Também gostaria de comentar sobre uma história maravilhosa (e Dramione) da minha melhor amiga, cupcake e amora bugada (ou jujuba, foda-se) que é escrita, obviamente, pela Sincere Tears. The Darkness Returns é ótima! Então, vão correndo ler antes que eu seja obrigada a tirar minha varinha das vestes. Depois de eu anunciar essa belezura, agradecer os comentários maravilhosos como sempre, estou agradecendo o apoio. MUITO OBRIGADA ♥ E acho que é isso. Espero que tenham gostado e quem não gostou, sinto muito por decepcionar, mas espero que confiem em mim ;) tenho tantas coisas em mente que me sinto até meio perdida. Leve um bolinho *u* Beeeeeeeeeeeeeeeeeijos sabor Icey :*