Bartolomeu, o gato idiota!

1 Eu sou o Bartolomeu, o gato idiota!


Notas iniciais
Oiê.. Eu gostei tanto de uma história, de uma amiga minha daqui (Meu nervosinho) Do final da história, do gato Bartolomeu, os cachorrinhos Duque e Binho, Que pedi a autorização a autora ( minha amiga) pra fazer uma One shot de cada um dos bichinhos. Boa leitura!

P.O.V. Bartolomeu: O Gato Terrorista


O Sol da manhã era um insulto. Minha missão primária de dormir sobre a cabeça de Hyoga para sufocá-lo lentamente foi interrompida pelo barulho vulgar de panelas. (Nota do Autor: A casa pertence a mim, Eles são apenas os locatários.)


Eu me espreguicei, esticando meu corpo esbelto e perfeitamente simétrico, e saltei para a cozinha. A arquitetura desta casa é deficiente: os humanos guardam itens comestíveis em recipientes metálicos altos demais (armários), e depois cozinham coisas maravilhosas em panelas que deixam um cheiro delicioso no topo de uma máquina quente e proibida (fogão).


Eu subi na bancada com a discrição de um ninja, e dali, saltei para o fogão. As panelas estavam mornas. Minhas patas habilidosas (e geneticamente superiores) começaram a investigar as tampas. A primeira cedeu com um clank satisfatório. O conteúdo era um caldo marrom sem graça. Desinteresse.


A segunda, entretanto... BINGO!


Molho vermelho. Textura rica. O cheiro era divino. Minha pata empurrou a panela com o toque delicado de um mestre de xadrez derrubando uma peça.


CRASH!


O barulho foi imenso. O molho de tomate se espalhou como uma pintura abstrata no chão.


Shun entrou na cozinha. Ele não gritou. Ele nunca grita, o que torna a humilhação menos satisfatória. Ele apenas balançou a cabeça com aquela tristeza resignada de quem sabe que a criatura mais inteligente da casa não é ele.


Ele me colocou no chão. Eu imediatamente comecei a lamber o restante do molho. Um sabor complexo e salgado. Digno de meu paladar refinado.


— Ah, Bartolomeu, seu gato idiota. — Shun murmurou, limpando a confusão com um pano.


Gato Idiota. Ele diz isso como se fosse um insulto. Não percebe que a verdadeira idiotice é a dele por ainda me amar, apesar de tudo.


Ele nunca soube, por exemplo, do meu maior triunfo de engenharia e manipulação. O Caso do Frango do Aniversário de Hyoga.


Shun, em sua bondade excessiva, havia deixado um frango inteiro descongelando no topo da pia para o jantar de Hyoga. Frango. No topo. Desprotegido. Um convite.


Eu não sou selvagem. Eu aprecio a organização. Mas a carne precisava ser movida. Com um salto preciso e a força das minhas garras, empurrei o frango para a beirada da pia.


THUD!


O frango caiu no chão. Perfeito. E então, eu tive uma ideia brilhante.


Eu chamei os cães.


MIAU! (Tradução: Pessoal, tem um banquete caído! Venham ser acusados no meu lugar!)


Quando Hyoga chegou na cozinha, o frango havia sumido, e lá estavam Duque e Binho, mastigando os ossos restantes da carcaça no chão. Hyoga ficou confuso. Como Duque, um cachorro pequeno, e Binho, com suas três pernas e rodinhas, poderiam ter subido na pia?


Eles não subiram. Eles foram cúmplices. E eu estava no topo do armário, observando tudo, completamente inocente. Minha reputação permaneceu intacta.


A paz retornou à mansão após o Incidente do Molho de Tomate. Tédio. O silêncio é o inimigo da excelência.


Eu observei Hyoga, o loiro ansioso, sentado à mesa, com pilhas de papéis insípidas. Ele as chamava de "documentos da empresa". Eu as chamo de "obstáculos ao lazer". Havia também um pequeno cálice fumegante perto de sua mão: café. Um líquido escuro, quente, e extremamente fácil de espalhar.


Eu usei meu método de aproximação furtiva: fingir que estava dormindo sobre a mesa de centro. Quando Hyoga relaxou, concentrado nos rabiscos, eu saltei. Não na mesa principal (muito óbvio), mas na mesa de café lateral, ganhando impulso.


Com uma pata cirúrgica, acertei a base da xícara.


SPLASH!


O som de Hyoga gritando meu nome


— "BARTOLOMEU!" — é música para meus ouvidos. O café espalhou-se pela mesa e, gloriosamente, pela pilha de papelada.


Hyoga se levantou, a fúria em seu rosto era um deleite. Ele estava usando aquelas calças azul-marinho, feitas de um tecido liso e satisfatório. Enquanto ele estava distraído com a tragédia líquida, eu vi minha chance.


Eu me joguei no sofá, esticando-me. Aquele sofá é um insulto de mau gosto, na minha opinião, mas o material de estofamento oferece uma resistência notável às garras. É um bom desafio. Eu comecei a afiar minhas unhas. Riiiiip! Riiiip! A cada arranhão, um pequeno pedaço de tecido voava.


Hyoga se virou e me viu. O grito dele foi histérico.


— Bartolomeu! Aquele sofá era novo!


Eu o ignorei, focando na destruição têxtil. Ele avançou para me pegar. Grande erro, humano.


Enquanto ele se inclinava, eu me enrolei ao redor de suas pernas. Não como um ato de carinho, mas como um obstáculo tático. Minhas unhas apenas roçaram o tecido da sua calça, e Rizzzzzzzz... um rasgo vertical, da coxa ao joelho. Perfeito.


Ele ficou parado, observando o rasgo. O olhar era de pura derrota. Eu venci.


Depois ele sorriu, coisa que sempre fazia. Os humanos eram estranhos.


(...)


A noite, veio o teste final da minha genialidade: O Banquete.


Shun e Hyoga haviam preparado uma mesa de jantar, e o cheiro era espetacular. Entre os pratos, havia um peixe. Um belo filé de salmão, grelhado e brilhante. Minha principal fonte de nutrição (ração Premium) é, na verdade, apenas um lanche. A comida humana é o verdadeiro prêmio.


Eles estavam rindo e conversando, distraídos. Eu me aproximei da mesa com a marcha lenta e deliberada de quem tem toda a certeza do mundo.


Eu subi na cadeira de Shun (ele está sempre distraído), depois na mesa, andando sobre os talheres. Eles me viram, mas, estranhamente, ficaram paralisados, como se estivessem assistindo a um reality show de suspense.


Hyoga tentou dizer:


—'Não... o....


Tarde demais.


Eu agarrei o salmão com a boca, puxando o filé inteiro para fora do prato. O óleo escorreu, pingando no guardanapo de linho. Saltei da mesa, escorregando levemente na cadeira e a derrubando no processo.


Eu não corri para esconder. Eu me sentei no meio do tapete (ignorei as pegadas de lama de duque, no tapete ) mastigando o peixe com uma satisfação obscena.


Shun e Hyoga se encararam, e depois olharam para o caos: a cadeira caída, o prato vazio, o tapete com as marcas de lama de Duque, e eu, Bartolomeu, consumindo a prova do crime.


Shun suspirou e, novamente, aquele sorriso resignado surgiu em seu rosto.


— Gato idiota. — Ele murmurou, mas parecia amor.


Eu não sou idiota. Eu sou a razão pela qual a vida deles tem propósito. Se eu não destruísse as coisas, Hyoga não teria nada para reconstruir, e Shun não teria nada para rir.

Agora, onde estão as pantufas? Elas precisam ser desmembradas antes da hora do cochilo.

Enquanto Shun me repreendia, ele sorria. Porque, no fundo, ele sabe. Eu sou o motor do caos, e sem mim, a vida deles seria apenas o tédio de um ex-CEO e um ex-mecânico.

Eu sou Bartolomeu. Eu sou um terrorista. E eles me amam por isso.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!