Barriga de Aluguel
12 Um outro lado de Drayco
Notas iniciais
QUANDO DRACO ACORDOU NO OUTRO DIA, a primeira coisa que ele fez foi procurar pelo calor do corpo dela ao seu lado, entretanto, a cama estava vazia e fria. Um pouco decepcionado, ele se abraçou ao travesseiro que ela havia usado e inalou profundamente. O cheiro de baunilha estava presente, então aquela noite não havia sido apenas um sonho.
Era domingo, o que significava que Draco tinha um encontro com uma pessoa muito especial. Apenas isso já era suficiente para deixá-lo com um sorriso fácil no rosto, adicionando a noite quente e cheia de carinho com a garota do quarto, bem, ele provavelmente ficaria com dor no rosto de tanto sorrir.
Draco saiu do quarto apenas para dar de cara com um pequeno bilhete no meio da mesinha que ficava na sala entre quartos. Intrigado, ele andou ainda nu até o bilhete e o leu, com um pequeno sorriso, tacou o bilhete na lareira mais próxima e foipara seu próprio aposento.
“Hugh.” Ele chamou assim que entrou no seu dormitório. Houve um tempo em seu casamento em que ele dormia com Astoria na mesma cama. Hoje, cada um tinha sua própria e elas estavam distanciadas por muitos metros.
“Senhor, Hugh está aqui.” Um elfo com a pele azulada e já enrugada se apresentou, com um pequeno aceno de cabeça.
“Hugh, você pode separar aquelas compras especiais que eu fiz semana passada?” Draco perguntou simpaticamente, o que não passou despercebido pelo pequeno elfo.
“Claro, senhor. Hugh vai separar as sacolas. Mais alguma coisa, senhor?” Draco sorriu, enquanto mexia em alguns robes para usar.
“Sim, compre rosas e uma joia...” Ele pensou por um segundo. “Um colar, ouro branco e com um pingente pequeno, um rubi...”
“Senhora Astoria não gosta de rubis, senhor.” O elfo disse numa voz fraca, temendo um castigo.
“Não é para ela.” Draco franziu o cenho, irritado momentaneamente pela menção da mulher. “Mantenha segredo, Hugh. Astoria não pode nem sonhar sobre a existência dessas rosas e do colar. Fui claro?” Ele perguntou sério, com as mãos na cintura definida. O corpo estava ardido por alguns arranhões e ele tinha marcas de mordidas pelo pescoço e peito.
“Sim, senhor. Hugh é um bom elfo, senhor. Hugh não vai falar para a Antaria...” O elfo levou as pequenas mãos à boca e olhou apavorado para Draco. “Hugh deve se castigar, Hugh é um elfo mal, falando de sua senhora.” O elfo correu em direção à parede e começou a bater a cabeça.
Draco o pegou pelos pequenos ombros e o virou de frente para si.
“Hugh, me escute.” Hugh tentava arranhar o rosto. “Hugh, para! PARA!” Ele parou, respirando pesadamente, com os olhos azuis brilhando de dor. “Eu gostei do apelido. Anta-ria.” Draco riu, e Hugh pareceu relaxar um pouco. “E Hugh, eu sou seu mestre, não Astoria. Você a obedece porque ela é casada comigo, mas seu único mestre sou eu.” Ele disse sério. “Preste atenção: Se Anta-ria nunca pegar você falando dela, por mim pode continuar a chamando assim. Só tome mais cuidado com isso perto dos elfos que vieram com ela para cá. Certo?” Hugh acenou a cabeça positivamente. “Agora faz o que eu te pedi, e lembre-se, Hugh: isso é um segredo.”
APÓS O BANHO, DRACO ENCONTROU VÁRIAS SACOLAS azuis com desenhos de jogadores de Quadribolem cima da cama. Com um sorriso no rosto, ele pegou sua roupa, uma calça de sarja e uma pólo branca. Após ficar pronto, Draco se dirigiu até o escritório que herdou junto com todo o resto quando seu pai faleceu em Azkaban, pegou um pouco de Pó de Flooe jogou nas chamas, dizendo lentamente o endereço de sua tia.
“Drayco” Um menino de quatro anos correu em direção à suas pernas assim que ele pisou no chão da sala de estar de Andrômeda. “Dray, Dray.” Os cabelos castanhos ficaram rapidamente vermelhos, enquanto ele erguia os pequenos bracinhos pedindo por colo.
Draco rapidamente largou as sacolas no chão, e pegou o pequeno em seus braços, beijando cada bochecha rosada com um estalo.
“Draco!” Andrômeda surgiu da cozinha com um avental e biscoitos na mão. “Esperava você mais tarde. Teddy estava vendo um desenho, você se importa de ficar só com ele, enquanto eu termino de cozinhar?” Perguntou sorridente, andando até o sobrinho e lhe dando um beijo carinhoso.
“Biscoito!” Teddy gritou, levando as mãos à fôrma de biscoitos recém-saídos do forno.
“Não mesmo, Teddy. Só depois da janta!” Ela disse sorrindo, afastando a fôrma e voltando para a cozinha.
“Não foi dessa vez.” Draco disse rindo, beijando novamente a bochecha de Teddy. “Como você está?”
“Bem, vovó me levou para brincar com o padrinho. A gente jogou cadribol, e o tio Gerge me deu uma caixa com balinhas que faziam vomitar, e a titia Ginny e a madrinha Pansy ficaram muito brabas. Eu quero biscoitos, você quer biscoitos, Drayco?” Teddy colocou um dedinho na boca e encarou Draco com os olhos castanhos pensativos, os cabelos em um tom azul claro.
Draco riu, Teddy tinha essa mania infantil de despejar várias noticias ao mesmo tempo. Mas Draco não se importava, costumava se perder na metade do falatório, então apenas acenava a cabeça.
“Vamos esperar a vovó voltar, ok?” O menino acenou a cabeça. Draco o colocou no chão, onde ele correu até o tapete e voltou a assistir o desenho da televisão, juntamente com seus bonecos de ação.
Draco andou até a cozinha, onde encontrou Andrômeda, com mais uma fornada de biscoitos.
“Oi, tia.” Ele disse, sentando-se à mesa e roubando um dos biscoitos postos ali. Andrômeda virou-se e deu um tapa na sua mão, Draco fez um biquinho e alisou a parte dolorida.
“Se Teddy não tem direito a um, você também não.” Ela disse, explicando sua atitude. “Como você está?” Ela perguntou, secando as mãos no avental e sentando-se de frente para ele.
“Cansado.” Draco suspirou, desviando seus olhos para a toalha verde da mesa. “Mamãe quer um neto, Astoria quer um bebê... Eu não sei o que fazer, titia.” Os olhos cinza dele encontraram os azuis dela. Após a guerra, Andrômeda havia se tornado como uma mãe para Draco. Ele havia encarado seu passado e a prisão do pai, decidiu que as decisões de Lucius não mais reinariam em sua vida. A primeira delas foi o preconceito sem sentido contra nascidos-trouxas, a segunda foi o ‘banimento’ de Andrômeda de sua vida.
Tonks, sua prima, havia morrido na batalha de Hogwarts, e Draco não conseguia se lembrar de nenhum momento em que havia conversado com a garota. Como, ele se perguntou, você pode perder alguém que divide uma parte do seu sangue, da sua família, sem nem a conhecer? Logo que se estabeleceu como o dono da fortuna Malfoy, Draco procurou por Andrômeda e pediu perdão.
Narcisa também se dispôs a procurar a irmã, mas algumas coisas são mais difíceis de mudar, e a mãe não aceitou tão bem nascido-trouxas. Hoje em dia, Narcisa viajava muito e parava pouco tempo em casa, um dos motivos foi a morte do marido que abalou completamente tudo que ela conhecia na vida, a segunda, era o fato de que ela não suportava a nora.
“E você, querido, o que você quer?” Ela perguntou calmamente, apertando sua mão entre as pequenas e macias dela.
“Eu não sei... Paz... Fugir e deixar tudo para trás. Esse cargo pesado que é ser um Malfoy. Minha esposa horrível... Talvez...Talvez levá-la comigo.” Ele disse baixo.
“Sua esposa?” Andrômeda perguntou confusa.
“O quê?“ Ele rebateu.
“Levá-la, sua esposa?”
“Ah... Não...” Draco corou, e encarou suas unhas bem feitas. A tia ficou em silêncio, sabia que pressioná-lo não adiantaria. “Tia Andy... Eu acho que...apaixonei-me por outra mulher.”
Andrômeda nem conseguiu digerir a noticia, quem dirá responder, Teddy entrou correndo na cozinha, arrastando consigo as sacolas que Draco havia trazido.
Grato pela distração, e já arrependido por ter confessado algo que ele nem tinha se dado conta até o momento, Draco pegou Teddy no colo, e levitou as sacolas até a sala.
“Você me trouxe presentes?” Ele perguntou excitado, apertando o pescoço de Draco.
“Quando eu não te trago presentes? Você é meu primo favorito.” O loiro disse rindo.
“Como você é bobo.” Teddy respondeu, com risadinhas infantis. “Eu sou seu único primo.”
Draco riu, e apesar do comentário ser melancólico, não o deixou para baixo. Teddy era seu único parente, tirando Andy, mas para ele, isso era o suficiente.
“Vamos lá, garotão, abra os pacotes.” Ambos sentaram-se sobre o tapete, e animadamente Teddy desembrulhou pacote por pacote.
“Vovó, olha o que Drayco me deu:” Ele disse admirado, segurando a vassoura nas mãos gorduchas. “Uma Firebolt!” Andrômeda encarou Draco, balançando a cabeça.
“Não tem perigo, ela mal sai do chão, é uma versão infantil, titia. Mas, eu adicionei um feitiço que só a faz voar quando tiver um bruxo maior de idade por perto.” O loiro advertiu, piscando para sua tia.
“Você é o meu mais favorito primo!” Teddy berrou, lançando-se no colo de Draco. “Vamos voar, vamos, vamos, vamos!” Ele pulou em circulo pela sala, fazendo ambos os adultos rirem.
“Vocês têm meia hora antes do almoço, e não façam muita bagunça.” Andrômeda avisou, enquanto ambos os garotos corriam em direção ao quintal, os cabelos de Teddy no mesmo tom platinado que os de Draco.
Andrômeda respirou fundo. O quanto Draco ainda terá que sofrer para ter o final feliz? Merlin sabe que ele merece isso, mais que tudo. Ela pensou tristemente, enquanto voltava sua atenção para a cozinha.
HERMIONE ENCARAVA O PERGAMINHO NA SUA FRENTE com o coração na mão, finalmente. Finalmente ela se livraria de Ronald. O comunicado do Ministério continha a data do julgamento de seu divórcio. Ela sorriu, aquilo era um pouco de felicidade, em um momento de tormento.
As coisas estavam começando a dar certo... Ela encarou o exame de gravidez trouxa, ao lado de sua escova de dentes. Ou não.
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