Barriga de Aluguel
10 Proximidade
Notas iniciais
Capítulo 9: Proximidade
OS OLHOS CASTANHOS DELA NÃO DESGRUDAVAM DA JANELA. Draco não entendia o que Granger estava vendo demais através do vidro; estava chovendo! Mas ele agradeceu o fato, muito sobrenatural, da castanha estar tão perdida em seus pensamentos, que não percebeu a falta de entusiasmo dele com o trabalho.
Draco Malfoy amava o trabalho dele, era uma das poucas coisas que ele amava. Na verdade, lista delas era possível contabilizar em uma mão. Sua mãe, sua tia Andrômeda, Teddy e seu trabalho. Pelo menos era o que ele tinha consciência de amar. Ele sabia que a mulher misteriosa estava ocupando um espaço cada vez maior em sua vida. Não pelo fato de que às vezes ele ficava pensando nas conversas sobre política e economia que ele tinha com ela na cama, ou como o corpo pequeno e curvilíneo dela se encaixava perfeitamente no dele. Simplesmente, pelo fato de que parecia que ela o entendia. Entendia os motivos que o transformaram em um Comensal da Morte, entedia as razões por detrás de cada ato dele e não o julgava.
Eram as risadas gostosas que ela dava das piadas idiotas que ele contava, ou como às vezes eles ficavam abraçados na cama, ela ouvindo palavra por palavra do que ele dizia. Ela o ouvia de verdade, e Draco nunca teve ninguém que fizesse isso por ele, tirando Narcissa.
Ele deu um soco na mesa e se ergueu rapidamente, ignorando o olhar indagador da colega de trabalho, ele apenas pegou sua pasta e partiu da sala, sua mente estava sendo consumida pela falta de informações sobre a mulher misteriosa, parecia que todos os investigadores que ele colocou atrás dela não encontravam nada de útil. Era como se ela virasse pó depois que saía da casa dele.
Draco adorava Astoria, de verdade. O casamento foi forçado e eles estavam sendo obrigados a gerar um herdeiro, mas depois que isso fosse feito, bem, talvez ele pudesse perguntar sobre a identidade da mulher que ia gerar o filho dele, certo? Ele fechou os olhos e apertou com força a ponte do nariz. Astoria nunca contaria quem a mulher era. E ele não deveria se enganar com isso.
Ele estava perto do elevador quando ouviu seu nome ser chamado. Revirou os olhos e se virou lentamente, com cara de poucos amigos.
Granger vinha correndo do final do corredor, onde ficava a sala deles, outros funcionários olhavam a garota com seus cabelos cheios, irritados com tanta baderna. Aquele corredor não era famoso pelo seu bom humor.
“O que é, Granger?” Ele perguntou quando ela se aproximou, respirando lentamente e segurando a lateral do corpo.
“Meu divórcio... semana que vem... trabalhar... processo.” Ela disse entre uma respiração e outra. “Você... não pode ir... embora.” Ela ergueu o rosto, os olhos castanhos vermelhos como se tivesse chorado recentemente, Draco inclinou a cabeça para o lado.
“Eu sei que ter casado com o Cabeça-de-Cenoura foi um erro, mas não imaginei que você quisesse tanto o divórcio que estaria chorando por aí.” Ele comentou, colocando um dedo em cima dos lábios de Hermione. “Lambe o dedo.” Ele ordenou, e Hermione obedeceu sem perceber. Ele passou o dedo pelo rosto dela, limpando um rastro seco de uma lágrima.
“Isso foi... nojento.” Ela comentou, limpando o rosto com a manga da camiseta. “E não era sobre isso que eu estava chorando, foi só uma irritação nos olhos.”
Draco revirou os olhos. “Claro.” Ele respirou fundo e olhou novamente para o elevador. “Eu estou meio inútil hoje.”
“Por quê? Problemas no paraíso?” A castanha, abraçou o próprio corpo.
“Pode se dizer que sim.” Draco riu baixo. Ele encarou Granger e resmungou. “Com certeza é o paraíso.”
“O que você disse?” Hermione perguntou, apertando os braços ao redor do corpo dela.
“Eu vou cuidar disso,” Ele rebateu, erguendo o rosto. “em casa. O seu divórcio.” Draco se virou e sem olhar para trás, continuou dizendo. “Eu te mando uma coruja com as atualizações. Até amanhã, Granger.”
Hermione o encarou enquanto o corpo dele entrava no elevador e sumia entre as pessoas espremidas no cubículo de metal. Ela levou a mão ao lado da bochecha onde Draco havia limpado, enquanto o cheiro típico dele sumia no ar. Ela deu um suspiro.
“Eu estou ficando louca.” Hermione murmurou, virando-se em direção à sala que dividia com o loiro.
Ela sentou-se na cadeira em frente a sua mesa, e encarou a segunda gaveta. Sentiu aquela sensação estranha em seu estômago e uma vontade de vomitar que a acompanhava desde o dia anterior, quando ela saiu da Mansão Malfoy direto para a farmácia trouxa perto da casa dos pais dela.
Ela abriu lentamente a gaveta e o pacotinho pardo a encarou como se ela fosse uma criminosa que estivesse cometendo o próprio assassinato de Harry Potter.Com as mãos trêmulas, tirou de dentro do pacotinho a caixa do exame trouxa de gravidez.
Você consegue, Hermione. Se você estiver grávida, isso vai acabar logo... depois que você tiver um filho que não vai ser seu. A ideia de ter um filho com Draco que não a chamaria de mãe atingiu Hermione como um trem bala. Isso não deveria ser tão doloroso... Mas, talvez, fosse somente à perspectiva de ter um filho que nunca saberia sobre ela. Não tinha nada a ver com o fato que o filho seria do loiro. Nada.
Respirando fundo, ela trouxe o exame até o peito e o apertou. Ela faria aquilo ali? No escritório que ela dividia com ele? Aquilo parecia tão errado.
Hermione juntou suas coisas e colocou o exame cuidadosamente dentro da bolsa. Andando lentamente em direção à saída. Pelo jeito ninguém iria trabalhar hoje por ali.
A CANECA BRANCA COM OS DIZERES ‘ESPOSA 1#’, estava em cima da pia do banheiro, o palitinho do exame mergulhado na urina dentro dela.
Hermione encarou o presente do seu ex-marido, pensando que finalmente aquela caneca tivera alguma utilidade, já que ela nunca bebera nada, nem mesmo água nela. Ronald não tinha tato para presentes, bem, Ronald não tinha tato para nada.
Ela olhou o relógio, os vinte minutos de espera já tinham cessado, então ela respirou fundo e ergueu a mão para pegar o palitinho, quando alguém bateu na porta. Hermione deu um salto e saiu correndo do banheiro, batendo a porta atrás de si.
“JÁ VAI.” Ela gritou, passando a mão pelos cabelos. “Droga!” Hermione arrumou as roupas e encarou os olhos no espelho da sala, nenhuma trilha de lágrimas.
Ela abriu a porta apenas para encontrar Ginny Zabini sorrindo e com uma sacola enorme em uma mão.
“Oi, ‘Mione.” A ruiva passou pela castanha e se dirigiu até a sala, Hermione a seguiu e sentou-se ao lado da amiga, sem entender o motivo da visita. “Então, eu aumentei dois números.” A ruiva disse fazendo um biquinho. “Parece que o filho do Blaise está querendo me transformar numa orca.” Hermione sorriu e encarou o pequeno volume na barriga de Gina, ela não parecia ter aumentado dois números. “Enfim, eu trouxe minhas roupas que não servem mais para você, elas são novinhas e eu não posso mais usar, então espero que faça bom proveito.” Gina tacou, literalmente, o saco de roupas em Hermione, que o abriu rapidamente e percebeu que a maioria das roupas ‘usadas’ estava com as etiquetas da loja.
“Obrigada, Gin, eu tinha que comprar vestidos mesmo.” Hermione comentou, largando a sacola ao seu lado do sofá. Quer um chá?”A castanha perguntou já se pondo em pé.
“Claro.” A ruiva sorriu, alisando o pequeno volume por debaixo do seu vestido.
Hermione pegou uma chaleira e colocou água, ligando o fogão no processo. Ela preferia cozinhar do modo trouxa, era mais relaxante e só Merlin sabia como ela precisava relaxar.
Em alguns minutos a água ficou quente o suficiente para o chá, Hermione colocou dois saquinhos de chá dentro de duas xícaras e voltou para a sala, apenas para encontrá-la vazia.
“Gin?” Hermione chamou, largando as xícaras e se dirigindo em direção ao seu quarto, foi quando a luz vinda banheiro chamou sua atenção. Eu achei que tinha fechado a porta... GINNY! Hermione correu e escancarou a porta, apenas para encontrar a ruiva encarando a caneca branca.
“V-você está grávida?” A ruiva perguntou, apontando para a caneca.
Hermione gaguejou algo incoerente e encarou os olhos verdes de Gina, então ela se debulhou em lágrimas e escorregou para o chão.
“Hermione... Hermione não fique assim, por Merlin.” A ruiva se abaixou e abraçou a amiga como uma mãe, acariciando os cabelos volumosos dela.
“Eu... Eu não sei, eu não vi o resultado.” Hermione despejou entre lágrimas. “Eu estou tão fodida se eu estiver grávida Gin, tão fodida.”
“Como assim Hermione, é do Ronald?” Gin perguntou assustada.
“O QUÊ? Claro que não.” Ela respondeu, limpando o rosto. “Ele me deixou porque eu não queria filhos.” Ela comentou, ainda abraçada à amiga.
“O pai do bebê é ruim? Ele deixou você? Ele foi mal com você?” Gin perguntou, ainda mais preocupada.
“Isso não vai fazer bem pro seu filho, e não, o pai do bebê, se é que existe um bebê, não é nada disso.”
“Quem ele é?” Gin perguntou, erguendo o rosto molhado da castanha.
“D-desculpa.” Ela começou a chorar novamente, ainda mais desesperada. “Eu não posso contar...”
“Hermione, ele é casado?” Hermione apenas acenou que sim, e Gin mordeu os lábios, surpresa pela amiga estar metida em um caso sórdido.
“Shiu, acalme-se, ‘Mione.” Ela ergueu a castanha e andou lentamente até o sofá, deitando a mesma no seu colo e mexendo em seu cabelo. “No que você se meteu...” A ruiva comentou com um sorriso triste.
“Ah, Gin...” Hermione fechou os olhos, sentindo as lágrimas escorrerem pela lateral de seu rosto agora.
PARECEU HORAS ATÉ A CASTANHA FICAR MAIS CALMA. Agora ambas estavam deitadas na cama da mesma, encarando o teto e abraçadas uma na outra como duas adolescentes.
“Como ele é?” A ruiva perguntou, e sentiu Hermione soltar um suspiro.
“Teimoso, arrogante, convencido...” Ela riu triste. “Mas ele é lindo, Gin, por dentro e por fora. Ele me faz sentir uma deusa na cama, ele escuta o que eu digo, ele me trata com respeito. Ele sabe onde me tocar e o que dizer... Eu amo o sorriso dele. O cabelo dele caindo nos olhos. Quando ele está de mau humor e fica rangendo os dentes. Como ele se concentra quando lê...” Hermione suspirou.
“Você está apaixonada por ele...” Gina comentou baixo, agora desviando a atenção para a castanha.
“Não. Eu não estou...” Mas, Hermione sentiu o coração falhar uma batida. “E mesmo que estivesse, ele é casado e não vai largar a mulher.”
“Por que não? Você é melhor do que qualquer mulher que ele possa ter.” Ginny comentou se pondo em pé. “E você pode estar grávida, não é? Vamos.” A ruiva puxou Hermione para fora da cama.
“Aonde?” A castanha perguntou, confusa.
“Ao banheiro, se você estiver grávida você vai contar para ele agora!” Hermione queria voltar para debaixo da coberta, porém, já estava na hora de encarar o que o resultado traria para ela.
Gin pegou a caneca e despejou o liquido na pia, o palitinho caiu com o resultado virado para baixo. Respirando fundo, a ruiva pegou o palitinho e o virou.
“Ok, como eu sei que você está grávida?” Ela perguntou, encarando o palito com o rosto franzido.
“Um palitinho azul, negativo, dois palitinhos rosa, positivo.” A ruiva encarou Hermione e entregou o palitinho para ela.
Hermione virou o palitinho correndo e encarou o resultado.
“Eu sinto muito, amiga...” A ruiva começou, enquanto Hermione sentiu o coração apertar. “Não foi dessa vez... Mas, pelo menos você pode resolver as coisas com ele antes de tentar de novo.” Ela acrescentou rapidamente.
Hermione encarou a ruiva e acenou com a cabeça, largando o palitinho com o pauzinho azul em cima da pia e lavando a mão.
“É claro, eu posso tentar novamente.” Ela encarou a ruiva pelo reflexo e deu um sorriso triste. “Eu posso mesmo tentar novamente.”
GINNY JÁ TINHA IDO EMBORA HÁ MEIA HORA, prometendo voltar no dia seguinte. Hermione ainda tinha duas horas antes do encontro com Draco, então ela aproveitou para tentar entender como ela estava se sentindo. Ela havia mandando uma coruja para Astoria com a palavra negativo escrito.
Ela se sentia vazia. Era isso. Mas ao mesmo tempo aliviada. Por muitos motivos. Primeiro porque ela não teria que dar um filho dela para alguém, segundo, e por mais que ela odiasse admitir, porque significava mais encontros com Draco. Ela também estava triste. Triste porque que essa mentira ainda não tinha terminado, e que ela percebera que os sentimentos dela por Draco estavam crescendo fora do quarto de encontros, e isso era perigoso, muito perigoso.
Decidida a esquecer esses pensamentos e se focar em outra coisa, ela andou em direção ao banheiro para tomar um banho, a caneca de ESPOSA 1# estava no lixo ao lado do palitinho do exame, Hermione colocou para encher a banheira e lentamente tirou peça por peça da roupa, quando um patrono em formato de coruja irrompeu pela parede e parou na frente dela.
“O Draco cancelou o encontro de hoje,” A voz etérea de Astoria saiu pela coruja. Hermione ergueu as sobrancelhas, surpresa, mas relaxada. “E os das próximas duas semanas. DUAS SEMANAS. O que você fez, sangue-ruim? Porque o Drakie não quer nem ver você, quando você não parece você?! Você me deve explicações.” Dizendo isso, o patrono se dissolveu no ar, deixando Hermione sozinha com sua banheira e seus pensamentos atormentadores.
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