Barriga de Aluguel
3 Capítulo III
Notas iniciais
“Esse momento é somente seu.
Assinado: John”
Cretino. Isso resume tudo. Ele vai embora e me deixa aqui com dois litros de suco e cinco testes de gravidez. Ainda zomba da situação. Diferente da maioria das pessoas que fazem teste de farmácia e querem que dêem negativo. Eu agradeceria se a palavra positivo aparecesse. Agilizaria grande parte do processo. Já passaram três meses desde o incidente, caso queiram saber eu não perdi a esperança eu vou lembrar, se desse negativo ia demorar mais tempo ainda. Eu realmente destaria fazer inseminação artificial era um processo muito longo.
Pelo menos o suco poderia ser de uva ao invés se abacaxi. Eu não peguei o copo fui no gargalho, abri a porta do banheiro e organizei os teste para o grande momento. Quase no final da segunda garrafa de suco eu começava a sentir minha bexiga protestar. Eu não estava fazendo os testes levianamente eu tinha sintomas de gravidez, os testes só podiam ser 100 por cento confiáveis de três meses em diante. Eu pedi um tempo e o Axl, muito caridoso por sinal, concedeu.
A sensação era de alivio, mas eu não podia me desconcentrar muito tinha que fazer os testes. Cinco minutos para cada um ficar pronto. Eu ate roeria minhas unhas, mas elas já não estavam lá a tempo. Como eu sentia falta de passar um esmalte. Suspirei. Eu nunca tinha sido uma pessoa covarde, mas nesse momento eu senti muito medo.
Positivo.
Positivo.
Positivo.
Positivo.
Positivo.
Eu deixei os testes para que John vesse. Então fui a cidade tinha que dar um jeito de contar ao futuro papai. Eu entrei numa lojinha de roupas de bebê. Uma única coisa me chamou atenção. Um lindo sapatinho de bebê, vermelho. Esse bebê não me pertencia, meu coração se apertou. Uma coisa me consolava. Ele tinha um pai que o amaria muito e cuidaria muito bem dele. Lhe daria uma vida confortável. Um bebê tão pequeno e eu já pensava em tantas coisas. Tinha tanto tempo mesmo que eu tinha descoberto estar grávida? Uma hora no máximo.
- Boa tarde posso ajuda – la? – Uma vendedora simpática me atendeu.
- Aquele sapatinho. Vou leva – lo. – Eu a olhei e sorri. Ela entendeu tudo simplesmente.
Eu saí da loja com os sapatinhos um embrulho. Fui a uma papelaria e comprei um lindo cartão. Passei no prédio e pedi que entregasse no apartamento.
“Parabéns você já é um papai.
Eu fiz o teste hoje de manhã.”
- Você conseguiu. – John não estava sendo muito emotivo comigo. Nós tivemos uma conversa e eu pedi a ele que mecanizasse sua emoções sobre a gravidez. Eu não ia ficar com o bebê. Um parabéns agora não cairia bem.
- Obrigada. – Eu sentei no sofá e olhei para o teto.
- Como esta se sentido? – Ele bebia seu inseparável sei-la-o-que porque eu não identifiquei o que era.
- Confusa. O mundo esta desabando sobre minha cabeça. Eu tenho me perguntado o que estou fazendo. Tenho medo de não ser forte o bastante e... Descumprir o contrato. – As lagrimas caiam do meu rosto sem minha permissão. – Em que roubada eu me meti, hein? – Eu sorri um pouco triste.
- Você vai conseguir. Como sempre consegue. A faculdade que o seu pai não queria deixar e você fez e terminou, morar sozinha também. – Ele me olhou todo cheio de admiração. – Eu não sei se você sabe, mas você é uma pessoa fantástica. Se eu sou tudo isso hoje, tem um dedo seu. Não sei o que faria sem seu apoio. Eu ri fracamente. –Deixa eu te ajudar em tudo. Minha vez de retribuir o favor. Eu vou ajudar com a loja e com a gestação.
- Ok, mas só porque você é demais. Obrigada por ser meu melhor amigo desde sempre. – Eu sorri como uma criança para ele. Eu conhecia John desde o maternal foi amizade a primeira vista. Nunca nos desgrudamos depois disso. Ele era afeminado e sofria bullyng pelos alunos e eu era a estranha que comia cola. Eu o defendia e ele me entendia. Não foi surpresa nenhuma para mim, quando John assumir ser gay. Eu o apoiei, mas achei um desperdício. Loiro, alto, musculoso, olhos azuis profundos e uma personalidade maravilhosa. Mas eu nunca ficaria com ele. John era como um irmão. O sentimento era totalmente fraternal.
Dois meses depois, eu estava com cinco meses. Meus jeans não me cabia mais e minhas camisetas estava esticadas. Eu estava bem gorda, acima da media. Então tinha decidido fazer uma atividade física. Hidroginástica. Axl deu um enorme ataque. Nós tínhamos nos tornados ‘próximos’ por causa do bebê. Eu lembro ate hoje da discussão.
- Não. – Ele gritou e pegou um vaso e tacou no chão. O advogado tentava alçam – lo em vão. Eu respirei calmamente.
- Não vim pedir sua permissão, eu estou anunciando que vou fazer. – Tirei uma mecha teimosa do meu rosto.
- Mas isso pode fazer mal para o bebê. – Ele tentava achar argumentos.
- Então vamos no medico para você ouvir que eu posso fazer hidroginástica. – Eu sorri presunçosa.
Nós tínhamos ido ao medico e foi muitíssimo engraçado vê – lo quebrar a cara. Ele ficou tão sem graça que me pagou um sorvete depois.
- Não é fácil fazer isso acredite.- Ele atropelou as palavras, mas pude entender.- Desculpa. – Ele olhou nos meus olhos e eu me perdi na imensidão verde. Eu mexi a cabeça em concordância. – Eu já perdi um filho antes, todo cuidado é pouco. — Ele me olhava intensamente. Eu fico me perguntando se ele sabe o efeito que esse olhar provoca e mim.
- Não era para ser, ok? Então não fique neurótico porque não aconteceu, eu vou garantir que esse bebê fique bem. – O olhei fundo também e sorri alegremente.
Depois desse episodio Axl, sempre que podia, me levava para jantar ou passear. Quase sempre estávamos juntos. Realmente a atividade física fez muito bem a mim. Eu tinha perdido o excesso de peso. Não ficava tão cansada e nem ficava muito inchada.
Eu tinha resolvido o que ia fazer com a loja. John seria meu sócio e sabe Deus o que ele ia fazer lá. Eu tinha ido ate lá á noite e me sentei no chão. Eu fechei meus olhos e lembrei de uma vida dura.
“Meus pais se conheceram no verão. Eram um belo casal, não demoraram muito para casar. Após três anos de casamento eu nasci, na primavera por sinal. Grace Rodman. Significado do meu nome graça, elegância, encanto, favor, beleza, bondade, mercê, atração agraciar, adornar, honrar, embelezar e muitos outros. Minha mãe dizia que resumia tudo que eles estavam sentindo quando cheguei. Sobrenome nada extraordinário. Minha vida foi alegre e feliz ate os 10 anos. Minha mãe descobriu um câncer e minha vida foi um inferno ate ela morrer. Eu descobri que meu pai a traia e foi fichinha peto de outras coisas que eu ouvi, vi e vivi. Me enganei achando que as coisas melhorariam com a morte da minha mãe, ela estava sofrendo a morte foi um alivio. Eu fui deixada de lado, esquecida. Nunca conseguia fazer atividades de adolescentes normais meu pai me privou de tudo. Aos 17 consegui me libertar um pouco e a faculdade foi um enorme passo.”
Tantas lembranças que eu não queria lembrar. Eu estava chorando. Quando eu sai da loja eu fiz um pedido para o bebê.
- Prometa que não vira aqui bebê. Espero que não sofra. Espero que não sinta falta de mim. – Eu olhei os carros passando rapidamente na rua . – Como nos velhos tempos. – Eu voltei ao presente e fingi estar tudo bem.
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