Barreiras Culturais

5 Capitulo 5 – Resgate


Vesti uma roupa azul escura, peguei um boné também azul na coleção de Sung Yong-hyung, e fui atrás dele de forma cautelosa. Vi quando ele entrou no prédio onde Yoon Sang morava, ele não demorou muito, saiu de lá correndo, foi em direção a um táxi que estava parado. Corri e consegui embarcar em um ônibus que por sorte fez o mesmo caminho do táxi, após poucos quilômetros, o taxi entrou em uma rua bem estreita, desci no ponto próximo e voltei a pé até aquela rua. Andei até o final da rua que dava em uma fábrica abandonada, na hora eu senti medo, pois estava muito escuro, apenas algumas luzes na rua estavam acesas. Com o sentimento de que alguma coisa estava errada, comecei a rodear os muros da fábrica, até que consegui ver uma luz acesa no segundo pavimento da fábrica.

Estava olhando nas falhas que tinham no muro, tentando descobrir quem estaria lá dentro daquele local abandonado. Fui surpreendido com um vulto que passou do outro lado do muro, a luz que vinha de longe traçou a silhueta de um homem magro usando um boné. Mesmo sem ver o rosto eu consegui reconhecer Sung Yong-hyung, ele estava procurando um lugar para entrar na fábrica. Continuei acompanhando seus movimentos até chegar em um portão de ferro que estava muito enferrujado e tenha uma fresta grande o suficiente para uma pessoa passar. Entrei no local e vi que tinham dois carros sedans estacionados perto do protão grande, me assustei quando vi um homem grande se movendo entre os veículos. Tremi de medo, pensei em voltar, mas o sentimento de preocupação e ansiedade misturado com o outro que não sabia exatamente o que era, pois nunca tinha sentido por ninguém, me fizeram tomar coragem e seguir em frente. Consegui entrar em uma porta de madeira que estava fechada por uma corrente, mas uma parte da madeira estava quebrada, com dificuldade e o maior cuidado para não rasgar minhas roupas eu consegui entrar.

De repente ouvi o som de um disparo, na mesma hora eu recuei para o canto daquele local que parecia ter sido um escritório. Meus pensamentos foram extremos, a única coisa que vinha na minha cabeça era que aquela cara grande que estava perto dos carros lá fora encontrou Sung Yong-hyung e atirou nele. Mas não demorou muito para ouvir um grito de dor que vinha do segundo pavimento. Decidi seguir e me aproximei de uma porta que estava entreaberta, abri mais um pouco e olhei dentro de um corredor, ao final existia uma escada larga o suficiente para passar um carro. A luz que vinha do lado de fora passava pelos vidros, foi graças a essa pouca luz que eu vi Sung Yong-hyung andando pelo corredor, indo em direção a escada. Sabia que era ele, reconheceria aquela silhueta magra que usava um boné em qualquer lugar. Ele já não estava com a mochila, ele tinha uma pequena arma na mão direita e algo que parecia uma faca na esquerda.

Ele permaneceu parado perto da escada por um tempo. Eu fiquei escondido atrás da porta. Meus pensamentos foram longe: O que ele fazia às quintas-feiras? Porque tinha uma arma? O que estava acontecendo?

Em um instante uma pessoa passou no corredor oposto, era um cara grande, Sung Yong-hyung não teria como ver esse cara se aproximando lentamente. Me escondi mais um pouco quando o cara passava pela sala onde eu estava escondido. Ele continuou em direção ao final do corredor, Sung Yong-hyung estava de costas e não viu, na hora eu pensei em avisar, mas o pensamento de que estava a poucos segundos de ver Sung Yong-hyung morto, e eu também estaria logo em seguida, me fez hesitar.

O cara grandão aproximou-se de Sung Yong-hyung e apontou uma arma em direção a cabeça. Sung Yong-hyung largou a arma e a faca, que caíram no chão. Eu tremia, meus batimentos cardíacos estavam acelerados, não sabia o que fazer. O grandão falou alguma coisa em coreano e em seguida bateu com a arma na cabeça de Sung Yong-hyung que caiu de joelhos e depois tombou para o lado. Olhei ao redor do local e avistei uma cadeira de madeira com pernas de metal, forcei e consegui arrancar uma das pernas da cadeira. Passei silenciosamente pela porta e com toda coragem que nem sabia que tinha, andei até o final do corredor, antes que o grandão acertasse o quinto chute na barriga do Sung Yong-hyung, eu acertei o grandão com uma pancada no ouvido. Senti a dor do impacto nas minhas mãos e larguei a barra de ferro no chão.

O grandão caiu de lado, por cima de Sung Yong-hyung. Com muito esforço consegui tirar o grandão de cima dele. Levou algum tempo para que conseguisse acordar Sung Yong-hyung, o sangue escorria pelo rosto, provavelmente a pancada que ele levou da arma fez algum corte na cabeça. Mas ele reclamou da dor que sentia na barriga, lugar onde ele tinha recebido quatro chutes daquele monstro. Apertando a barriga e gemendo um pouco ele me perguntou com dificuldades o que eu estava fazendo ali.

— Eu te segui. Você saiu com muita pressa, isso me deixou preocupado. (Respondi em voz baixa).

Comecei a encher ele de perguntas:

— O que está acontecendo? Porque você veio para este lugar? Onde você conseguiu essa arma?

— Yoon Sang... ele está aqui. Alguém deve ter pego ele. (Sung Yong-hyung falou entre gemidos e engasgos).

— Quem pegou ele?

Ainda com dificuldade ele tentou me explicar.

— Yoon Sang e eu fazemos alguns serviços a parte do trabalho de VJ. Nós servimos a duas esposas de chefes de gangues, elas nos procuram para satisfazer suas necessidades sexuais e também assassinar mulheres que estão tendo casos com seus maridos e filhos, para evitar bastardos na família. Yoon Sang deve ter sido descoberto por alguém, filho ou marido da Sra. Gyuri. Ele é o amante e assassino particular dela. Eu sirvo a Sra. Tah In, sempre consegui evitar ser descoberto pelo filho e marido dela, mas Yoon Sang foi descoberto quando assassinou uma garota que o filho da Sra. Gyuri engravidou. Eu ajudei Yoon Sang a se livrar dos perseguidores mandados pelo filho dela, mas aparentemente não funcionou, eles conseguiram apanhá-lo.

— Então o disparo que eu ouvi acertou o Yoon Sang, por isso tive a sensação de que conhecia a voz.

Mesmo a mente cheia de questões, tentei entender o máximo com o pouco que Sung Yong-hyung me contou. Sugeri que deveríamos sair dali e chamar a polícia.

— Não! A polícia não deixa ninguém que se envolve com gangues vivo. Temos que ajudá-lo, não posso deixar Yoon Sang morrer aqui... Min Ah... ela vai me odiar para o resto da vida. (Sung Yong-hyung disse com os olhos marejados).

Ele se levantou, pegou a arma e a faca, começou a caminhar com dificuldades em direção a escada. Sem nenhum pingo de receio peguei a arma do grandão que estava caída no chão ao lado do seu corpo imenso, segui ajudando Sung Yong-hyung a subir os lances de escada.

Chegamos na porta de onde vinha a luz e o som de gemidos e pessoas falando. Tinha certeza que os gemidos vinham de Yoon Sang.

— Tem alguém atrás da porta, vou entrar com um empurrão, assim já consigo derrubar um. Você fica aqui perto da escada, caso eu não retorne em alguns minutos você deve correr para o apartamento, pegar suas coisas e voltar para o seu país o mais rápido possível. (Sung Yong-hyung falou em um tom melancólico).

Me afastei e ele deu o empurrão na porta, ela acertou algo, pois voltou com força. Sung Yong-hyung entrou e eu só ouvia os disparos. Fez-se silêncio que permaneceu por um tempo, fui até a porta para ver o que tinha acontecido, abri a porta vagarosamente e vi Sung Yong-hyung caído com a mão apoiando a perna esquerda, um cara magro usando um terno preto estava apontando uma arma para ele, que gemia de dor. Mais ao fundo do grande salão, dois homens de ternos pretos estavam caídos, e bem no meio do salão estava Yoon Sang, praticamente nu, apenas com retalhos que em algum momento foram suas roupas, ele estava amarrado a uma pilastra de ferro.

Um jovem de cabelos compridos estava com uma arma e uma espada japonesa nas mãos, os cortes que Yoon Sang tinha espalhados pelo corpo foram feitos com aquela arma, ele estava sendo torturado pelo rapaz de cabelos compridos. O cara magro de terno preto começou a pisar na cabeça de Sung Yong-hyung que gritava de dor. Apontei a arma para o cara de terno, ouvi o som de um disparo e o cara magro parou de pisar a cabeça de Sung Yong-hyung, caindo de lado em seguida. Não fui eu quem atirou, o tiro veio de trás de mim, duas mulheres de vestido, uma usando um vestido vermelho e a outra com um vestido verde escuro, entraram no salão com dois caras tão grandes quanto o que acertei no corredor.

— Tae Hun, largue as armas! (Gritou a mulher de verde escuro).

A mulher de vermelho passou na minha frente e foi em direção a Sung Yong-hyung.

— Sabia que esse dia chegaria. É uma pena desperdiçar esse pedaço de carne que me satisfez por tanto tempo. Vocês são sempre descartáveis, mesmo sabendo disso, criei um sentimento por você que vai além de desejo e tesão. (A mulher de vermelho falou enquanto apontava a arma para Sung Yong-hyung).

Sem pensar, eu disparei, a mulher de vermelho caiu. Sung Yong-hyung pegou a arma dela e disparou na minha direção, mas os tiros eram destinados aos dois grandões de terno marrom que vieram com as duas mulheres. Apenas um deles caiu, o outro já se preparava para nos matar quando o jovem de cabelos compridos disparou na cabeça do último grandão que sobrou.

Em um acesso de raiva o jovem Tae Hun enfiou a espada na perna de Yoon Sang, ele berrou de dor. Enquanto ajudava Sung Yong-hyung a se levantar, outro tiro correu. A mulher de vestido verde escuro acabou de acertar o filho, ele caiu.

Ela foi em direção a Yoon Sang, retirou a espada que estava presa na perna dele.

— Yoon Sang, olha a que ponto cheguei por você. Atirei em meu próprio filho.

Enfurecida ela apontou a arma para Yoon Sang, que ainda estava amarrado.

— Fiz isso para não perder seu corpo, não perder o prazer que você me proporciona.

Eu estava apoiando Sung Yong-hyung para que ele conseguisse ficar de pé. Em um movimento leve, ele pegou a arma que estava na minha mão e acertou a mulher de verde.

— Yoon Sang-aaahh! (Sung Yong-hyung gritou e caiu em um choro melancólico).

As lágrimas corriam em meu rosto. Minha convivência com Yoon Sang não foi tão extensa quanto com Sung Yong-hyung, mas o fato de ver que ele estava vivo e ver seu amigo chorar de uma maneira tão emocionante me levou as lágrimas. Fui em direção a Yoon Sang para soltá-lo das cordas. Enquanto soltava ele, sem nenhuma intensão sexual reparei que seu físico era bom, ele era mais encorpado que Sung Yong-hyung, e era tão bonito quanto.

Assim que ficou livre Yoon Sang, arrancou a calça do jovem Tae Hun e vestiu, ainda sem camisa e com vários cortes sangrando, ele veio em direção a porta, com dificuldades saímos do prédio e embarcamos em um dos sedans que estavam lá fora. Sung Yong-hyung sentou no motorista, eu estava ajudando Yoon Sang a entrar no banco de trás.

— Precisamos levá-lo a um hospital, ele está sangrando muito. (Falei com um tom preocupado).

— Não. Nós vamos para casa, eu tenho agulhas e linhas de sutura. (Sung Yong-hyung falou).

Ele partiu com o carro. Não demorou muito e estávamos na frente do apartamento.

—Fábio, suba e traga roupas limpas. Não podemos entrar assim, vão desconfiar e ligar para a polícia. (Sung Yong-hyung falou).

Subi, peguei as roupas que estavam na minha frente, desci correndo. Sung Yong-hyung começou a trocar de roupas ali mesmo, quando tirou a camisa eu pude ver o seu belo corpo, mas desta vez estava cheio de hematomas dos chutes que o cara tinha lhe dado. Mesmo naquela situação eu fiquei excitado com a cena. Sung Yong-hyung logo que terminou saiu do carro e foi abrindo a porta de trás.

— Yoon Sang precisamos trocar suas roupas, elas estão muito sujas de sangue, não podemos entrar no prédio assim. (Sung Yong-hyung disse enquanto retirava as calças de Yoon Sang).

Sung Yong-hyung usou um pedaço da calça que tinha acabado de tirar de Yoon Sang e usou para ajudar a estancar o sangramento. Conseguimos chegar no apartamento, Yoon Sang não estava com uma aparência muito boa. Entramos no apartamento e ele se jogou no sofá.

— Tire a roupa dele. Vou pegar os materiais para fazer a sutura. (Ordenou Sung Yong-hyung).

Essa foi a primeira vez que despi um homem, mesmo naquela situação ele continuava sendo um belo homem. Sung Yong-hyung voltou com um recipiente com água e começou a lavar os ferimentos, depois pegou a agulha e começou a suturar, Yoon Sang gemia enquanto mordia uma almofada. Sung Yong-hyung terminou a sutura, foi até a pia e lavou as mãos.

—Vou precisar me livrar do carro. (Sung Yong-hyung).

Ele saiu. Decidi que deveria tomar um banho para depois pensar no que faria. Se continuaria ali ou voltava para meu país e me livrava de qualquer problema. Yoon Sang parecia estar dormindo no sofá, peguei uma toalha e uma muda de roupas.

Estava tomando banho quando ouvi a melodia da porta. A próxima coisa que vi foi Sung Yong-hyung, ele estava dentro do banheiro e começou a tirar a roupa, em seguida entrou no chuveiro junto comigo, fiquei paralisado, sem ação, até minha respiração parou. Sung Yong-hyung se aproximou de mim, passou a mão no meu pescoço molhado e me puxou para perto dele, em seguida me beijou na boca.

Ainda me beijando ele começou a passar a mão pelo meu corpo, e eu ainda estava sem reação, meio assustado, mas aproveitando aquele beijo. Ele alisou meu pênis, tomei coragem e comecei a alisar seu corpo enquanto a água caia. Sem falar nada ele se abaixou em direção a meu membro, só senti quando o ar quente de sua boca foi de encontro ao meu pênis. Era uma sensação inexplicável, ele lambia e sugava meu membro, não demorou muito e cheguei no orgasmo, ejaculei dentro de sua boca. Ele engoliu todo meu sêmen. Ele se levantou, olhou nos meus olhos e disse:

— Vamos para o quarto?

— Sim, vamos.

Já estávamos nus quanto entramos no quarto. Sung Yong-hyung deitou na cama acariciando seu pênis e disse:

— Agora é a sua vez.

Fui em direção ao membro, coloquei na boca sem nenhum arrependimento. Com o membro de Sung Yong-hyung dentro da minha boca, eu acariciava seu corpo, passando a mão pelo abdômen e chegando até seu peitoral, descia a mão pelos braços fortes e definidos até chegar nas suas mãos. Ele me segurou e puxou para cima dele. Em um movimento brusco ele me virou e agora estava por cima de mim, beijou minha boca. Enquanto nos beijávamos ele acariciava meu pênis. Eu continuava a passar a mão por seus braços e peitoral. Sung Yong-hyung começou a descer para se posicionar, ele começou a acariciar meu ânus, logo depois senti a pressão de algo tentando me penetrar, relaxei e deixei ele fazer o que queria. Ele introduziu, a dor era intensa, mas o desejo de estar com ele era maior. A sensação de ter aquele cara que tinha admirado desde o primeiro momento que conheci, a vontade de estar com ele, o tesão que sentia em seu corpo, seu olhar carinhoso e a respiração ofegante por causa dos movimentos intensos. Não conseguia parar de admirar aquele corpo, os cabelos pretos, pele branca seus movimentos e gemidos enquanto me penetrava. A sensação de ter ele dentro de mim era tão boa, parecia preencher um grande espaço vazio no meu ser. Após alguns minutos ele chegou ao orgasmo, gemeu alto e assim que tirou o membro de dentro de mim ejaculou.

Ele se jogou por cima de mim, cansado, deitou ao meu lado e entrelaçou os braços definidos em mim, me apertando no peito. Pude sentir seus batimentos cardíacos acelerados e respiração ofegante. Ficamos assim sem falar nada por alguns minutos.

Sung Yong-hyung decidiu que deveríamos ver como Yoon Sang estava. Se enrolou na toalha e saiu do quarto deixando a porta aberta. Yoon Sang estava indo em direção ao banheiro quando viu Sung Yong-hyung sair do meu quarto.

— O que você estava fazendo de toalha no quarto do Fábio? (Yoon Sang perguntou).

— Nada que nós dois já não tenhamos feito. (Sung Yong-hyung disse de forma ríspida).

Fiquei em choque e confuso quando esta frase chegou aos meus ouvidos.

Esses foram os primeiros 45 dias do intercâmbio.

Continua no volume 2...

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