Barreiras Culturais
2 Capítulo 2 – Conhecendo a cidade.
Na manhã seguinte, me preparei para sair e conhecer alguns pontos turísticos de Seoul. Sung Yong-hyung estava dormindo, enrolado no cobertor. Fui até a cozinha preparar um suco de laranja, para tomar antes de sair na minha aventura pela cidade. Levei um pequeno susto quando Sung Yong-hyung apareceu do meu lado, procurando um copo para beber água, ele estava sem camisa, usava apenas um short e um boné cinza.
Após cumprimentá-lo, não pude deixar de reparar seu corpo, era magro, mais ainda assim apresentava alguns músculos bem distribuídos, notei que seus braços eram mais fortes e tinham aquela cor mais escura, típico de quem andava no sol de camisa de manga curta. Fiquei um pouco envergonhado, não tinha o costume de encontrar um rapaz sem camisa, eu mesmo não tinha o costume de ficar assim, na minha família as mulheres são maioria. Talvez ele tenha percebido meu desconforto, porque assim que terminou de lavar o copo que tinha usado, ele foi em direção ao canto da sala, lugar onde ele deixava as roupas empilhadas, pegou uma camisa marrom e vestiu.
Peguei a mochila no quarto, e antes de sair avisei a Sung Yong-hyung que estava de saída para conhecer a cidade.
— Você precisa de ajuda? (Ele perguntou).
Respondi que não, tinha um pequeno mapa e o aplicativo no smartphone para me ajudar. Liguei o smartphone e atualizei a localização da função “meu local” para o apartamento, saí para conhecer aquele lugar novo.
Enquanto caminhava na rua, percebi que boa parte dos homens e até algumas mulheres usavam boné, talvez por não terem tido tempo de arrumar o cabelo, as pessoas naquele país são muito preocupadas com a aparência, alguns usam tanta maquiagem que mudam completamente. Depois de andar muito, passar por dificuldades para comprar uma garrafa de água, e até para pagar por algumas lembranças que comprei nas lojas, cheguei ao ponto de abrir a carteira para a moça do caixa escolhesse qual a melhor nota para pagar pelos produtos. Já estava na hora do almoço e decidi voltar para comer em um restaurante pelo qual tinha passado pouco tempo atrás, este restaurante me chamou a atenção por ter algumas coisas escritas em inglês no cardápio de comidas que eram anunciadas na entrada. Escolhi algo que tinha churrasco escrito e comi o suficiente.
Andei por mais alguns lugares, tirei fotos e ao final do dia retornei para o apartamento, só consegui retornar porque tinha atualizado o smartphone antes de sair, se não tivesse feito isso, o aparelho me mostraria o percurso para voltar para minha casa no Brasil. Já passara das 18 horas quando retornei. Sung Yong-hyung estava organizando algumas coisas em uma pequena mochila, vestido com uma calça jeans preta, a camisa e o boné também eram da cor preta, ele vestiu um casaco cinza que aparentava ser de couro, e disse:
— Vou sair. Só voltarei amanhã.
Sung Yong-hyung saiu e fechou a porta sem olhar para trás.
Fui me deitar, não consegui parar de pensar em o que Sung Yong-hyung estaria fazendo, ele já tinha trabalhado naquela semana, as gravações só acontecem uma vez por semana. Na manhã seguinte estava no banheiro quando ouvi a melodia que indicava que a porta tinha sido aberta. Momentos depois vi que a porta do banheiro estava sendo forçada a abrir. Sung Yong-hyung tinha chegado e queria usar o banheiro. Quando saí, ele já estava enrolado no cobertor e a TV estava ligada, e um programa musical estava passando. A banda feminina AOA estava fazendo algum tipo de especial, elas cantaram e dançaram três músicas diferentes. Os fãs gritavam tão alto que abafava a voz das garotas.
A Coreia do Sul é um país de extremos, durante o dia faz muito calor, e as noites tendem a ser frias. Em apenas alguns dias já tinha acumulado bastante roupas sujas, resolvi que deveria lavar algumas peças que gostava mais. Estava colocando as roupas na lavadora quando lembrei que Sung Yong-hyung tinha uma pilha de roupas sujas acumulada no canto da sala. Para alcançar as roupas teria que pular o hyung que estava dormindo, enrolado dos pés à cabeça, apenas o nariz aparecia, ri da situação em que ele se encontrava. Estava pegando as roupas, quando vi que a camisa que estava por cima era a preta que ele tinha acabado de usar, ela estava muito amaçada e apresentava um forte cheiro de perfume, mas não era masculino, era um perfume feminino. Na hora pensei que ele teria ido em alguma festa ou balada e lá encontrou alguma garota, mas algo estava faltando, não existe festa sem álcool, mas a camisa não tinha cheiro típico de bebidas, nem o ambiente apresentava o odor. Ignorei esse pensamento e levei as roupas para a lavanderia, que era uma parte pequena da cozinha. Coloquei o máximo de roupas para lavar e secar, retirei da máquina e dobrei, levei até o local que ele deixava as roupas limpas, dobrei de forma estranha e coloquei junto das outras. Hyung não demorou muito para acordar. Desta vez estava usando uma camisa branca e não tinha tirado a calça jeans preta, estava apenas desabotoada. Ele passou por mim e foi direto para o banheiro, depois de alguns minutos, ele saiu e foi até a cozinha, encheu um copo de água, pegou alguns comprimidos dentro do armário e tomou. Caminhando de volta para a sala ele viu que a montanha de roupas sujas não estava lá.
— Onde estão minhas roupas? (Ele falou de forma agressiva e com a voz um pouco rouca).
— Eu lavei. (Respondi e apontei para as roupas limpas).
— Você não pode sair lavando minhas roupas sem perguntar. (Ele falou).
Não tive tempo de argumentar, ele vestiu uma camisa, pegou o smartphone e saiu batendo a porta. Nessa hora eu soube que tinha feito besteira, afinal de contas não sou a mãe dele. Meia hora depois ele voltou trazendo comida, era algo comum no dia a dia. Ele pegou uma das sacolas e foi se sentar de frente para a TV, que agora passava um jogo de Baseball. Os coreanos curtem bastante esportes em geral.
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