Notas iniciais
E se nós fossemos imortais?

Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda — assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi
— Índios (Legião Urbana)

Ah, a morte. Como será que é a morte; como será que é depois da morte? Como será que ficaria uma corda em volta do meu pescoço?(!)

Será que a morte resolveria as coisas?, eu não sei. Acho, que, talvez, se uma corda fosse posta em volta do meu pescoço e fosse apertada, eu não morreria. Simplesmente o último vigor de vida sairia de mim e eu cairia no chão, sem vida, não morto. Pois morte é quando você aumenta o salário de pessoas em 100%, aponta uma arma para o seu próprio peito e dispara; morte é quando você fica entre uma pessoa e um atirador e leva o tiro para proteger aquela pessoa, seja ela o amor da sua vida, seja ela uma pessoa que você nunca viu antes; morte é você adoecer e lutar até o último milésimo pela sua vida; morte é você morrer em prol de uma causa, seja ela boa ou má, contanto que você acredite nela; morte é você ter coragem de jogar sua vida fora, seja, por uma pessoa, pelo melhor dos motivos ou pelo mais fútil que exista; morte é você matar alguém (..., mesmo que apenas por dentro).

Eu não morreria, porque já se passaram quatro meses e até agora eu não tive coragem (Em nenhum momento nesses quatro meses eu tive coragem). Talvez o tempo tenha ficado mais lento para me dar essa coragem, mas eu não consegui. Eu fui fraco no instante que li a ultima mensagem da Barbara e continuo sendo fraco agora depois de todo esse tempo.

Quem sabe uma arma apontada para a minha cabeça, uma faca em direção ao meu coração, ou talvez uma lâmina rasgando verticalmente a pele do meu pulso? Não. Nada disso funcionaria. Eu não teria coragem suficiente para puxar o gatilho, não teria força suficiente para que a faca chegasse ao meu coração, e também não teria coragem de me cortar com uma lâmina. Eu não teria coragem de fazer nenhuma dessas coisas, como também não tive coragem de responder a Barbara naquela última mensagem.

Eu sempre fui uma criança "infeliz". Eu me prendi a um sonho, mas deixei ele escapar. Eu sei que não deveria comparar ela com um sonho, ela é uma garota, ela é livre, mas mesmo assim ela para mim foi como um sonho em que você acorda na melhor parte e fecha os olhos para voltar a dormir e continuar o sonho. Eu, infelizmente, não consegui continuar esse sonho, mas espero que outra pessoa continue em meu lugar, espero que a Barbara esteja feliz.

("[...] É tão estranho, os bons morrem jovens assim parece ser quando me lembro de você que acabou indo embora cedo demais...") Ela foi embora a quatro meses e por algum motivo eu continuo a amando, mesmo depois daquelas palavras eu continuo amando ela. Talvez aquelas palavras tenham sido usadas para isso, talvez ela achasse que aquelas palavras fariam eu esquecer ela mais rapido. Mas não deu certo, eu ainda amo ela. Por algum motivo que eu não sei explicar eu não consigo sentir raiva daquelas palavras.

Quem sabe uma ponte resolveria meu problema, não seria questão de coragem e sim de equilíbrio. Seria fácil e eu acabaria de vez com esse sofrimento. Que pena... não há ponte alguma, com altura suficiente para eu pular, onde eu moro.

Quem sabe talvez me deitar nos trilhos do trem, ou quem sabe entrar em briga fútil e deixar outra pessoa me bater até a morte, talvez me jogar na frente de um carro. Acho que nada funcionaria. E se a outra pessoa não me espancasse até a morte, e se o carro conseguir freiar a tempo, e se eu esperar o dia todo e nem um trem passar, e se na hora que eu sair dos trilhos passar um.

Todas essas coisas são só possibilidades. E eu preciso de uma certeza, pois se eu não morrer as pessoas só vão sentir mais pena de mim (Mas quem liga? Não eu)... Todas essas coisas são míseras possibilidades, como também há a possibilidade de a Barbara ainda gostar de mim, e isso é apenas mais um motivo para eu não morrer. Afinal de contas, eu não tenho motivos para morrer.

Eu nunca tive motivos para viver, porém também nunca tive motivos para tirar minha vida. A Barbara veio e me deu um motivo para viver. E esse único motivo e suficiente para eu continuar vivo. Ela talvez já não me ame mais, mas eu ainda amo ela e é somente esse amor que vai me manter vivo.

Notas finais
Eu espero que estejam gostando dessa "historia"! Comentem o que estão achando