Barbara: Cartas à Demência
2 Carta de n° Dois
Notas iniciais
Tenho certeza que não sonhava
A noite linda continuava
E a voz tão doce que me falava
"O mundo pertence a nós"
E hoje a noite não tem luar
E eu estou sem ela
Já não sei onde procurar
Não sei onde ela está
— Hoje a Noite Não Tem Luar (Legião Urbana)
Hoje se completam dois meses desde que tudo acabou, e esses foram, provavelmente, os meses mais lentos de toda a minha vida. Durante os meses que estive com ela o tempo passou tão rápido, que tudo pareceu ser apenas um devaneio da minha mente. E agora o tempo passa tão lentamente como se ele quisesse aumentar meu sofrimento, minha agonia.
Esses foram os dois meses mais difíceis da minha vida. Foram os dois meses onde eu pude, finalmente, ter a certeza absoluta de que todos ao meu redor são hipócritas. Pois todos vieram até mim para perguntar se eu estava bem sem, ao menos, se importar comigo, e eu (Também em um ato hipócrita) respondi à todos eles que sim (Mesmo que a resposta certa fosse não).
Nestes dois meses eu me isolei do mundo, pensando que de alguma forma eu conseguiria esquecer ela. Muito pelo contrário me isolar me levou, quase que, a loucura completa. Pois tudo que eu conseguia pensar era nela..., era naquelas palavras. Palavras essas que até hoje não consegui chegar a uma conclusão de porquê foram ditas... Não consigo chegar a uma conclusão e me decidir se a Barbara realmente existiu ou se não passou de mais uma invenção da minha mente.
Nesses dois meses não dormi direito..., não vivi direito, foi como se para eu poder viver ela precisasse estar ao meu lado (Mentalmente, já que fisicamente estávamos separados por 2.370,22km). Porém ela não estava ao meu lado e nesses dois meses era como se eu estivesse morto.
Eu passei esse tempo lembrando de nossas conversas, tentando, inutilmente, contar quantas vezes ela havia dito que me amava. Lembrei, inúmeras vezes, de um vídeo que ela me enviou (Pelo qual eu sei que ela é real) no qual ela diz que me ama (No entanto seu sentimento por mim...). Aos poucos eu fui me esquecendo de como era sua voz, e temo que com passar do tempo eu vá me esquecendo de como era seu rosto (Já que excluí todas as nossas conversas, juntamente com suas fotos)..., temo de que com o passar do tempo eu me esqueça de sobre o que nós conversávamos. Mas isso seria bom, ou não?, eu, sinceramente, não sei. Não quero esquece-la..., não quero esquecer o formato do rosto dela..., da cor dos olhos dela..., da voz dela. Sinceramente, eu não sei o que quero.
Eu me sinto como um garotinho de sete anos abandonado sozinho em meio à uma multidão, e que não importa o quanto eu grite ninguém consegue me ouvir (Ninguém entede o que eu estou sentindo), e que não importa o quanto eu corra eu nunca saio do mesmo lugar..., e parece que para todos os lados para onde eu olho a alguém me olhando (Sentindo pena de mim). Eu me sinto como um garotinho de sete anos que encontra algo que nunca viu e pouco depois o perde, e tenta desesperadamente encontrar-lo de novo.
Eu estou perdido..., eu não sei o que fazer..., eu preciso de ajuda..., Barbara...
Durante esses dois meses minha mente não parava de criar situações comigo e ela: nós nos divertindo, brigando, ou simplesmente conversando. Acho, eu, que a unica situação que meu cérebro não conseguiu criar (Ou talvez nem tenha tentado) foi uma situação onde eu e ela nos encontramos pessoalmente, onde eu e ela podemos nos tocar fisicamente, nos abraçar. Aos poucos as lembranças dela vão se esvaecendo, e vai ficando cada vez mais impossível de meu cérebro conseguir criar essa situação, mas ao menos o meu sentimento por ela ainda continua intacto e provavelmente mesmo que eu me esqueça de como ela era não vou deixar de ama-lá. Acho que, provavelmente, esse sentimento ficará impregnado em mim até minha morte (Ou talvez superará a minha morte e ficará impregnado por toda a eternidade).
("[...] Disparo contra o sol, sou forte, sou por acaso. Minha metralhadora cheia de mágoas. Eu sou o cara cansado de correr na direção contrária sem pódio de chegada ou beijo de namorada, eu sou mais um cara. Mas se você achar que eu tô derrotado saiba que ainda estão rolando os dados, porque o tempo, o tempo não pára...") O tempo não parou até agora, ele pode estar passando devagar, pode estar aumentando o meu sofrimento, mas ele não parou. Uma hora ou outra eu sei que essa tristeza vai sair de dentro de mim, e nem nesse momento eu vou estar odiando a Barbara pelo que ela fez, eu vou continuar amando-a não importa oque aconteça.
Eu gosto do gosto da agonia, pois, mesmo com essa ânsia de morte, algum lugar do meu corpo diz para mim não desistir.
Acho, eu, que talvez nenhuma palavra seja capaz de expressar o que sinto neste momento. Não sei dizer se é tristeza (Acho que supera isso), não sei dizer se é felicidade (Acho que supera isso)..., não sei dizer se é amor (Acho eu..., eu tenho certeza que supera isso).
Eu sinto que todos os dias são iguais, me desanima, mas eu sou o culpado. Eu a deixei ir ser lutar, sem pedir um porquê para aquelas palavras. A culpa é minha, minha e somente minha, talvez eu não tenha correspondido a altura o que ela esperava de mim. Talvez, ela, assim como eu, se sentisse solitária e não tinha alguém próximo para lhe dar conforto, e por isso ela fez aquilo para acabar de vez com tudo e não se magoar mais adiante. Pois com certeza iria demorar muito tempo até que nós nos encontrasse-mos pessoalmente, e até lá muita coisa poderia acontecer e se não fosse ela a fazer o que ela fez poderia ter sido eu e ela sairia magoada (Não, eu não seria capaz de fazer isso com ela). A culpa é minha.(?)
O amor, no meu ponto de vista, é como um quebra-cabeças: você monta-o, admira-o por um tempo e depois guarda-o em lugar escuro (Juntamente com outros objetos inúteis); algum tempo depois você acha esse quebra-cabeças, e de certa forma você sente uma nostalgia ao monta-lo novamente, mas ao terminar você percebe que perdeu uma peça (Você começa a achar que perdeu ela para sempre); você procura desesperadamente por ela dentro da caixa, não está lá, você olha em meio aos outros objetos do lugar escuro onde encontrou o jogo e a encontra; você tenta coloca-lá em seu devido lugar, mas ela esta rasgada não encaixa mais (Não importa eu dou um jeito de concerta-lá) e mesmo que você a concerte e encaixe-a ele está rasurada, está mostrando uma figura completamente diferente (Um novo amor); mas mesmo assim você coloca a peça no lugar, pois quer ver o quebra-cabeças terminado (Não, não é isso..., eu só quero a Barbara de volta), porém percebe que não é a mesma coisa o quebra-cabeças está totalmente diferente (Não importa, eu desenho uma nova peça) e você, relutante, finalmente desiste e coloca o quebra-cabeças no seu lugar (Não..., eu não vou desistir. Tem que haver um jeito. Nem que seja ao menos para descobrir o porquê da peça ter sido perdida).
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