Bara No Mirai
21 Capítulo 20
Notas iniciais
“A culpa é feita por suas próprias decisões e falta de coragem, os sentimentos são traiçoeiros e por isso muitas vezes os vemos de formas erradas, o entender de seu próprio eu... Você acha-se mesmo capaz disso? É errado querer fazer o que esta fora de seu alcance, mas você é cego e mesmo que esteja estampado na cara de todos voltados a você que é impossível, você continua, e não estou falando de algo que se você se esforçar conseguirá, mas sim, daquilo que no momento, lhe é inviável. Então, pare de ser impulsivo e comece a olhar aquilo para o qual você fecha os olhos.”.
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Abrir aquela porta mais uma vez, era algo muito importante para mim, mas... O que viria depois? Tudo iria ser jogado na minha cara por meio de lágrimas? Talvez, ele nunca mais me aceite, eu estou preparado para isso...
-O que foi? –Taka me olhava curioso, eu enrolei demais na frete da porta...
-Não é nada... –Abri.
A sala estava escura, procurei o interruptor, e me surpreendi ao ver que Ruki ainda se lembrava aonde era, mas ele parecia mais assustado por saber isso do que eu.
-Eu... Já vim aqui... ?
-Sim...
-...
Mesmo sabendo que o Yuu costumava ter um sono profundo demais, não hesitei em bater na porta de seu quarto quando me deparei com ela fechada... Ele não respondeu, devia mesmo estar dormindo, então, parei... Comecei a me afastar, o que realmente eu ia dizer a ele?? Ao perceber a minha reação, o loirinho foi até a porta e a abriu, entrando no quarto e acendendo a luz!!
-Ruki, o que você...!!!!
-YUU!!!! SEU MALDITO!!! LEVANTA LOGO DESSA PORCARIA DE CAMA!!!!!! –Mas o que?! Até concordo que essa poderia ser chamada de uma cena normal até um ano atrás, mas... Há alguns minutos ele nem se lembrava do nome do Yuu!!
Só fui capaz de ver um ser moreno cair da cama de cara no chão.
-Ai... –Ouvi aquele “ai” cínico enquanto ele se levantava lentamente. –MALDITO!!! MAS QUE PO... –Quando se virou, parou de gritar ao se deparar com o loirinho... Vi algumas lágrimas brotarem de seus olhos... –Ruki...
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Ruki’s Pov
Por que eu fiz isso? Entrar naquele quarto e gritar, foi algo praticamente altomático, como se eu o fizesse sempre...
Os olhos cheios de lágrimas, eu conhecia aquele olhar...
“Shiroyama Yuu... Meu melhor amigo...”.
Algumas lágrimas minhas também rolaram.
“Meu peito dói...”.
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Yuu’s Pov
Ver o rosto do Takanori, me surpreendeu muito naquele momento, mas quando me levantei do chão para me aproximar e ter certeza de que aquilo era real, me deparei com Ko- digo, Uruha encostado na porta...
Por mais que estivesse chorando por rever o Taka, não pude me aproximar mais, o outro me olhava com um olhar forte que me passou um pouco de medo. Mas... Por que ele também parecia que estava a ponto de chorar?
-D-desculpe a intromissão... –O maior saiu em direção a sala, o que ele estava fazendo ali?
Abracei Takanori sem hesitar, meus braços envolvendo aquele pequeno corpo novamente após tanto tempo, ele também me abraçou, alcançou minha orelha ficando nas pontas dos pés e sussurrou:
-Yuu... Como eu pude me esquecer de você...?! –Sua voz era baixa.
-Isso não importa... O principal é que você esta aqui agora...
-... –Ele ficou em silencio um pouco e afrouxou seu abraço... E depois... Me empurrou fazendo solta-lo. –Desculpa Yuu... Mas isso esta errado...
-Eh?!
-Yuu, eu não tinha a intenção de vir aqui hoje e nem nada do tipo...
-...
-Vim acompanhando o Uruha... –Um olhar triste e choroso em minha direção. –Eu o vi hoje pela primeira vez desde que fui com Reita...
Eu não havia reparado até agora, com toda a felicidade que senti fiquei cego para ver aquilo que estava na minha frente, ele estava cheio de marcas... Era visível nas partes de seu corpo que a roupa não cobria...
-Você veio acompanhando ele? Mas, por que? Depois do que ele fez... A ultima coisa que eu queria era vê-lo... –Sentei-me na cama, meu olhar triste mirado em Matsumoto, ele mudou muito.
-Sabe... –Ele fechou os olhos e suspirou tristemente. –As pessoas fazem coisas em prol dos outros sem medir as consequências... Pensando que seria melhor, sem entender a visão dos afetados...
-Está tentando e dizer que o que o Uruha fez foi por mim ou pelos outros? Não brinque comigo!! –Acabei me exaltando.... –Você também foi embora... Sumiu sem avisar, deixando para trás a casa de Kai feita uma poça de sangue!!
“Não quero ouvir o que você tem a dizer...”.
-... –Ele ficou quieto... Falei demais...
-Des... desculpa Taka, eu não quis...
-Você está certo... Eu fui com Reita por conta própria e agora... –Ele fez uma pausa, vacilou ao dizer... –Acho que .... Provavelmente... Goste dele...
-Taka...
-Mesmo ele tendo matado minha família! Matado a pessoa que eu amava!! –Sua vo subia e ele chorava grosso. –Ele machucou a todos... E machucou você também, Yuu... Mas ainda assim...!!
-Você não consegue parar de pensar nele, não é? –Amparei o baixinho puxando-o para mais um abraço e afagando lhe os cabelos.
“Kouyou”.
O que eu estava pensando? Por que Kou veio a minha mente quando respondi a Matsumoto?
-Takanori... Obrigado...
-Eh? –Ele levantou a cabeça e me olhou nos olhos, para depois entender... –Vai atrás dele...
-Sim... Mas só se você prometer não sumir mais...
-Eu... –Vi seu sorriso tímido sumir. –Tenho algo mais para resolver ainda, mas vou tentar...
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Depois daquela conversa me ofereci para acompanhar Takanori, já era bem tarde da noite, e eu ainda queria encontrar o Takashima que já não se encontrava mais em meu apartamento, Matsumoto recusou minha companhia e me falou para ir logo atrás de Uruha. Mesmo preocupado, fiz o que ele disse, mas...
“Onde eu deveria ir?”.
Haviam vários lugares onde ele poderia estar, mas pensando bem, eu já sabia onde ele estava desde o começo...
“The Gazette”, era o que se lia na placa que ainda se manterá, mesmo que um pouco desbotada, sobre a porta daquele café... A porta estava aberta.
“Ele estava mesmo aqui.”.
-Kou! –Ignorei o apelido “Uruha” , as luzes estavam apagadas, mas ao parecer, Takashima continuava a manter o lugar arrumado e limpo, não havia pó nem sujeira mesmo após um ano.
“Foi aqui que nos conhecemos.”.
Se me lembro bem, fazem quase 3 anos que eu e Taka acabamos por acidente nesse café... E foi um dia incrivelmente divertido... Eu corei na primeira vez que vi o Kou e ele sorriu...
“Como acabamos assim?”
-Kou...
-Pare de chamar “Kou, Kou...” Isso já esta me irritando... –Ele simplesmente abriu a porta que dava para a sala como vestiário... –Afinal, o que veio fazer aqui? Me espancar ou algo assim? –O sorriso sarcástico em seus lábios.
-Eu... Vim te ouvir... –Não posso perder a cabeça agora e sair batendo boca...
-Eh... Do que... Você ta falando...? –Ele estava tão nervoso que já não conseguia mentir, seus olhos foram ao chão, estava escuro mas eu podia ver sua cabaça abaixada...
-... –Bufei... Segui em sua direção e peguei seu ombro com força o fazendo levantar a cabeça, e olhar diretamente para mim. –Eu vim aqui escutar o porquê de você ter fugido!
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Teru’s Pov
-Então... O que trouxe até aqui Teru? –Eu estava sozinho na cozinha com Reita. Por mais que todos sempre dissessem que ele não era um pessoa confiável, era perigoso, e coisas do tipo, nunca foi assim comigo... Sempre foi como agora, uma voz calma e tranquila, desde sempre foi assim...
-O Ruki, parece triste... aconteceu algo? –Não o conheço direito mas ele estava bastante estranho.
-Ele matou o Satoshi... –Ah... Então o Satoshi... Nunc a fui bom em esconder o que estava sentindo e sinceramente nunca quis de verdade esconder...
-Rei... Por que você... Esse garoto... Se não fosse por tudo isso, nunca teria feito algo assim...
-Eu não sei o que levou ele a fazer isso, mas eu não vou me separar dele... –Mesmo com um rosto inexpressivo, sua voz mostrava determinação.
-Não quero te separa de ninguém, seu idiota... Pare de entender o que eu digo errado... Só queria saber... Eu nem preciso te perguntar coisas como “por que ele”, ou “o que te levou a querer uma criança”, pois, eu já sei sua resposta. Mas, se você gosta tanto dele, tome mais cuidado com essa criança... A mente dele está desconexa... Ele não parecia estar muito bem quando o vi hoje...
-Eu sei, a culpa é minha... Mas... Eu não consigo me controlar... Quando vejo aqueles olhos suplicantes que misturam curiosidade e medo, eu acabo me lembrando do Yomi... Naquela noite... Tenho medo de perder esse garoto se ele ficar ao meu lado... Mas eu vou convencê-lo eu mesmo...
-Ah~ Você não percebeu ainda não é? Ficou tão preso querer força-lo a entender, que não percebeu que ele já é seu há algum tempo não é?
-Como? –A expressão infantil no rosto do loiro mostrava apenas que ele estava realmente muito perdido...
-Você acha mesmo que uma pessoa normal suportaria ter seu corpo cortado todas as noites sem nem ao menos reclamar?? Reita! –Acabei subindo meu tom de voz... Mas a abaixei para continuar. –Você o deixa solto com a liberdade de ir e vir, e ele nunca nem ao menos se queixou sobre você, pelo contrario, ele sempre volta não é? Continua aqui nesse lugar a te esperar...
-Sim... Isso é verdade...
-Por que não conta para ele? Tenho certeza que ele quer saber... –Seu olhar perdido, parecia já não ver mais muita coisa... –Rei... Eu vou embora agora, me desculpe te incomodar tão tarde...
Me levantei da cadeira sabendo que ele não iria mais me escutar, estava pensando longe. Quando sai da cozinha, dei de cara com o Ruki encolhido na parede do lado a porta, eu fechei-a...
-Você deveria falar com ele depois... –Seus olhos estavam inchados... ele devia ter chorado... Me agachei em sua frente. –Não tenha medo, ele pode não parecer, mas nem sempre foi como é hoje, sempre foi gentil, tenho certeza que logo você poderá ver isso...
-É sério? –Sua sinceridade se mostrava maior a cada segundo.
-É sim... –Sorri para aquele garoto, que me sorriu de volta de forma alegre...
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