Banho
1 Capítulo único
Notas iniciais
Aquilo era estranho. Com toda a certeza do mundo, aquilo era estranho. Ele não entendia por que ou de onde aquela obsessão tinha surgido, só sabia que aquilo era estranho, até mesmo pra ele.
Tudo havia começado em um dia em que uma Grifinória tinha entrado no banheiro dos monitores para tomar banho sem perceber que ele estava por lá. No começo ele pensou em continuar escondido até que ela tivesse totalmente sem roupas, pronta para entrar no banho. Ele então sairia do esconderijo, apenas para ter o prazer de vê-la ficar constrangida e se sentir mal por ter sido pega sem roupas por Draco Malfoy.
Mas algo que ele não soube exatamente o que era o fez ficar onde estava.
Espiando. Escondido.
Até que o banho dela terminasse e ela fosse embora e voltasse de onde tinha saído.
E por que? Por que não havia completado o plano inicial de envergonhar Hermione Granger?
Ele não sabia, e isso o estava deixando louco.
Afinal de contas aquilo não fazia sentido. Ainda mais para ele que nunca viu nenhuma atração em apenas olhar e não tocar.
E era ai que tudo ficava mais estranho ainda, se é que isso era possível. Ele não queria tocar nela, ele queria apenas ver. O que fazia sentido, já que era Hermione Granger, ele podia estar agindo de forma esquisita, mas daí a tocar em uma grifinória, sangue ruim e amiga de Harry Potter era pedir muito.
Não que ele tivesse algum problema com grifinórias, já tinha saído com algumas, mas uma sangue ruim amiga do Potter era demais, até pra ele que apreciava todo tipo de menina.
Então por que essa fixação em ver ela tomar banho? Ele já tinha visto muitas meninas tomando banho, e, a não ser que ele estivesse participando, isso nunca chamou muito a sua atenção.
Já havia tomado inúmeros banhos com Pansy, que aliás, eram muito mais proveitosos do que simplesmente olhar uma sangue ruim tomar banho.
Não tinha nada de especial nela, o corpo era normal, nada muito incrível, não tomava banho de uma forma sensual ou o que quer que fosse que pudesse chamar a atenção de um menino como ele.
Era só um banho. Pura e simplesmente isso. Apenas mais uma etapa na rotina de higiene dela.
Mesmo assim lá estava ele, como em diversas outras vezes desde a primeira, se escondendo como um idiota no banheiro para vê-la tomar banho.
Pensou em conversar com seus amigos pra ver se aquele tipo de atração era normal, pensou em mandar uma carta para o pai perguntando por que aquilo estava acontecendo e como se livrar desse vicio ridículo de espiar uma menina sem graça tomar banho. Mas é lógico que não fez nenhuma das duas coisas, até por que como ele, Draco Malfoy, explicaria essa insanidade para alguém?
Não, era melhor guardar aquilo apenas para si.
Já tinha bolado uma estratégia para se livrar disso, tinha decidido que não iria mais pensar sobre o assunto, iria olha-la tomar banho quantas vezes achasse necessário, até que tivesse uma overdose e enfim se enjoasse desse hábito estranho.
É, esse parecia o melhor caminho a se tomar, uma vez que ele não estava tão desposto assim a parar. Não que ele admitisse isso para si mesmo, jamais.
Mas essa realmente parecia a melhor coisa a fazer, matava a sua vontade de ver a grifinória tomar banho, e, enquanto isso, se divertia com Pansy, a qual podia ver e tocar o quanto quisesse e o quanto sua vontade pedisse.
Enquanto caminhava pelo corredor, a caminho da sua aula de poções, imerso em mais um de seus devaneios, sentiu uma mão o puxar pelas vestes e o arrastar até um dos cantos escuros que existiam a caminho das masmorras.
— O que é isso garota? Você é doida é? – Qual não foi sua surpresa ao perceber que era Hermione Granger, a protagonista dos devaneios que o rondavam a dias.
— Você teria sorte se eu fosse doida, posso ser muito pior se quiser. Anda, pode começar a explicar direitinho o que você fazia me espiando enquanto eu tomava banho ontem no banheiro dos monitores. – Disse a garota visivelmente irritada.
— Não sei do que você estava falando. Definitivamente você deve ter algum problema mental, por que nem no melhor dos seus sonhos eu ia querer ver você, em qualquer circunstância, menos ainda tomando banho. Aliás, já estou pensando em formas de esquecer que estou te vendo agora.
— Não se faça de inocente, coisa que nós dois e Hogwarts inteira sabe que você não é. Eu sei que você anda me espiando enquanto tomo banho, e pelo que percebi não foi só uma vez. Qual é o seu problema hein?! Por caso é algum hobbie seu ficar espiando meninas tomarem banho?
— Não, é lógico que não! Eu não vejo outras meninas tomarem banho. – Ele percebeu que não havia mais por que fingir, ele não sabia como, mas aparentemente ela havia o descoberto.
— O QUE? Quer dizer que você só ME espia? Qual é o seu plano, hein, Malfoy? Você é algum tipo de maníaco ou o que?
— Não, não é isso. – Ele não era um maníaco não é mesmo? Afinal se fosse estaria espiando outras meninas e não só aquela. – Eu não sei o porquê estava te espiando, ta legal? Isso nunca aconteceu antes, eu só não consigo parar, tem alguma coisa na situação toda que faz eu querer mais.
— Você é doente! – Falou a menina deixando o asco escorrer por cada palavra. – Olha aqui, você vai parar com essa palhaçada ou eu vou tomar providências, vou fazer um escândalo que vai envergonhar até as próximas cinco gerações dos Malfoy.
Hermione virou as costas, pronta para deixar o menino para trás. Já tinha resolvido o que tinha ido até ali resolver. Acreditava que agora com a ameaça de um escândalo ele tomasse vergonha na cara e deixasse ela em paz. Lógico que não era realmente a intenção dela fazer um escândalo, afinal, não queria que ninguém soubesses que tinha algum menino a vendo nua, menos ainda esse menino sendo Draco Malfoy, a ideia era que ele se assustasse com a ameaça e sumisse de perto dela.
Era um bom plano, e talvez tivesse funcionado, se o vício de Draco não fosse tão maior que os riscos que o envolviam.
— Espera, Granger! – Disse ele pegando no braço dela e a impedindo de deixa-lo ali. – A gente pode dar um jeito nisso de uma forma diferente.
— Se você está pensando que eu vou dormir com você pode esquecendo, Malfoy! – o nojo ainda estava estampado no rosto da menina enquanto ela o olhava com os braços cruzados.
— O que? Obvio que não, Granger! Eu jamais tocaria em você, menos ainda desse jeito que você está pensando. – Agora quem mostrava repulsa na voz era ele. – Proponho algo diferente. Talvez, se você me deixasse continuar vendo...
— Nem pensar, Malfoy! – Já virando as costas novamente. Aquele garoto só podia estar brincando com a cara dela.
— Não, não, não! Espera! Ah qual é, Granger! Eu já vi tudo que você esconde embaixo das vestes, não sei quando você me descobriu, mas posso te afirmar que já vi você tomar banho vezes o suficiente para poder decorar cada detalhe, então o que você perde me deixando continuar a ver você no banho. Eu prometo que não vou tocar em você, eu nem quero. Juro! Apenas olho e você apenas continua a fazer o que faz desde sempre.
— Você tem sérios problemas, sabia?
— Pensa, Granger! Só pensa! Não muda nada pra você, qual a dificuldade em apenas deixar as coisas como estão?
— Não sei, isso é loucura de mais, até pra você. – Hermione via que pensando bem, ele tinha razão, e por mais estranho que isso pudesse parecer, ela até gostava da ideia de ter um menino apreciando olha-la, e esse menino ser um Malfoy, que a odiava, dava um gostinho a mais em tudo.
— Vamos lá, Granger! Pode dar certo, você sabe que pode. – Era isso. Agora ele sentia que era o golpe final, estava colocando em prática toda a fama da sua casa de que sonserinos são astuciosos e bons manipuladores.
— Você jura, que jamais, veja bem, em nenhuma hipótese, vai tocar em mim ou falar algo sobre mim a ninguém? – Ele chegava a tremer por dentro, estava conseguindo, ela estava cedendo.
— É lógico! Eu quero tanto quanto você que isso fique só entre nós. Imagina se alguém descobre que eu, Draco Malfoy, ando espiando alguém como você nua? Não, não valeria a pena passar por isso, nem mesmo sabendo que a recompensa seria ver você em maus lençóis com seus amiguinhos. – Tentou passar o máximo de segurança na voz. Tinha certeza que se ela cedesse ali ele conseguiria o que queria.
Hermione deu um suspiro alto.
Aquilo poderia dar muito errado, ela podia sentir isso. Mas a tentação e o poder de saber que tinha tirado a razão de Draco Malfoy estava falando mais alto.
— Ta bom! Mas sob as seguintes condições: Você jamais vai tocar em mim ou falar qualquer coisa a quem quer se seja. E se acontecer qualquer coisa que eu não concorde, a gente acaba com essa insanidade na mesma hora. Fui clara? – A garota ainda o olhava de forma desconfiada. Como se procurasse em cada detalhe de suas feições algo que confirmasse a sua desconfiança. Mas aparentemente não achou nada.
Ele poderia dar pulos de alegria. Tinha conseguido.
Realmente, ser sonserino era estar no topo da cadeia alimentar. Ser o rei que manipula as peças do jogo era um dos maiores prazeres de Draco.
— Tão clara quanto água. Você não vai se arrepender dessa aliança comigo, Granger, posso te assegurar disso.
*-*-*-*-*-*-*
A situação toda era estranha e isso ninguém poderia negar. Para alguém como Hermione Granger, uma pessoa baseada principalmente na lógica e na razão, a irracionalidade daquilo chegava a ser gritante.
Sim, ela já sabia que o menino andava espiando seus banhos, mas presenciar o ato, totalmente ciente dos acontecimentos e com os olhos dele pregados em si, era totalmente diferente.
Draco estava sentado em uma cadeira posicionada a frente da banheira a qual Hermione tomaria seu banho rotineiro. Ela não entendia como ele conseguia agir de forma tão natural, estava sentado como se estivesse pronto para assistir a uma peça de teatro, não parecia nem um pouco incomodado com a situação. Já não era o mesmo que acontecia com ela.
Hermione pressionava seu roupão, pijama e seus utensílios de higiene contra o peito. Era quase palpável seu constrangimento.
— Bom... er... acho que vou até um dos boxes para tirar a minha roupa, já volto. – a menina evitava a todo momento olhar para o garoto.
— Ah qual é, Granger! Eu já te vi nua, lembra? Mais de uma vez. Pode ir tirando a roupa ai mesmo. – disso o menino fazendo um gesto de pouco caso com as mãos. – Poupamos tempo assim.
Ela teve raiva. Teve vontade de dar uma boa resposta a ele. Será que ele não percebia que ela não estava confortável com aquela situação. Ele que inventou todo aquele circo e nem se prestava a ser pelo menos um pouco compreensivo.
Por mais uma vez Hermione pensava que ter aceitado a proposta do sonserino tinha sido uma péssima ideia.
Mas já estava lá. Ele já estava lá. E como ele mesmo dissera, e tinha razão, ele já tinha visto tudo que tinha para ver.
Ela então colocou as coisas que estavam em sua mão, cuidadosamente próximo a banheira, virou de costas para o loiro e começou a tirar a roupa.
Peça por peça. Primeiro a blusa do uniforme que usava, se demorando mais que o habitual em cada botão. Depois a saia. Em seguida tirou a meia calça escura que fazia parte do uniforme de inverno de Hogwarts. Agora vinha a parte mais difícil, tirar a roupa íntima. Pensou que talvez se tirasse o mais rápido possível e entrasse na banheira não sentiria tanto constrangimento, e foi isso que fez.
Depois de já completamente nua e dentro da banheira, o constrangimento era tanto, que se negava a olhar na direção em que o garoto estava, mal conseguia se mexer para fazer o que deveria ser feito em um banho.
Até que Draco pareceu não aguentar.
— Granger, se você vai ficar aí imóvel como uma estátua vamos ficar aqui até amanhã e duvido que você queira perder as aulas unicamente por que não conseguiu terminar um simples banho, não é?
— Malfoy, caso não tenha passado por esse seu cérebro minúsculo de galinha, isso que estamos fazendo não é normal e eu não estou nem um pouco confortável em tomar meu banho com você ai de plateia, na verdade, não deveria, em hipótese nenhuma, existir plateia para um banho.
— Ai Granger é sério isso? Você vai continuar dando voltas nessa mesma questão? – ele revirava ou olhos agora. — Quantas vezes precisa que eu lhe diga que já vi isso antes? Mais de uma vez, lembre-se. – O garoto dizia isso como se estivesse explicando a uma criança o feitiço mais simples de todos.
— Da próxima vez vou pensar em exigir que você tome o banho e eu observe como a um show particular, vamos ver como vai se sentir.
— Para falar a verdade eu não ia me importar, se quiser posso tomar meu banho logo após o seu, realmente não me incomodo. Inclusive, sou capaz de afirmar que você pode gostar muito do que vê. – disse ele com um sorriso convencido estampado no rosto.
— Hunf! Por favor! Como você consegue conservar essa quantidade tão excessiva de vaidade nesse corpo?
— O que você chama de vaidade eu chamo de realidade, querida, basta abrir os olhos para constatar.
Hermione não conseguiu aguentar, precisou soltar uma risada. Aparentemente, ele tomava como verdade tudo que achava sobre si mesmo. Ficou pensando em como podia existir pessoas que o aturavam. A ele e todo seu ego.
— Você consegue convencer alguma menina a sair com você com essa conversa, Malfoy?
— É lógico! Elas me adoram. Não acredito que você nunca ouvir nenhum rumor das meninas sobre mim.
Agora ela precisou soltar uma grande gargalhada.
— É, Malfoy, já ouvi. Mas achei que como diversas outras lendas de Hogwarts, esses rumores fossem apenas mais uma.
— Não, não, querida. Eles são totalmente reais.
— Você é uma piada, Malfoy. – disse a garota com um resquício de sorriso ainda no rosto.
Por incrível que pareça, o constrangimento de antes agora não estava mais tão presente. Já podia se esquecer que tinha um menino, que sequer era algo dela, sentado a alguns passos a assistindo enquanto tomava banho.
Daquela conversa inicial se engataram outras. E assim foram até o banho terminar, ela sair da banheira, ele lhe alcançar a toalha.
Hermione terminou de vestir seu pijama, colocou seu roupão por cima, ajeitou cuidadosamente cada uma das coisas que tinha levado até o banheiro para poder levar de volta ao quarto com ela.
— Bom, acho que é isso! Até que não foi tão horrível como pensei que fosse.
— Eu não te falei? Você pode falar o que for de nós sonserinos, mas precisa saber que sempre cumprimos nossas promessas, levamos isso muito a sério.
— É, vou passar a me lembrar disso. – disse ela sorrindo. – Então... nos vemos aqui amanhã?
— Nos vemos amanhã. – respondeu ele apertando a mão da garota. – Até mais, Granger.
— Até, Malfoy.
Dali, cada um foi para seu dormitório. Hermione não pensou mais sobre o certo ou errado do que estava fazendo, e pela primeira vez, desde o começo daquilo tudo, Draco não tinha ido dormir com Hermione na cabeça, pelo contrário, foi a noite mais calma do sonserino desde que tudo havia começado.
Depois de um tempo, aquilo havia se tornado tão rotineiro na vida dos dois, que eles conversavam sobre qualquer coisa enquanto ela tomava banho. Conversavam como se estivessem sentados em um parque, com ela totalmente vestida.
Conversavam sobre as aulas, sobre livros interessantes que estavam lendo, sobre coisas engraçadas que os colegas de casa faziam, sobre brincadeiras da infância e o que quer mais que lhes viesse a mente no momento.
Algumas vezes ele levava livros para ler para ela as partes a qual tinha lhe chamado mais a atenção. Sabia do amor da garota por livros, e sabia que na opinião dela os dias em que ele lia para ela eram os dias dos melhores banhos.
Agiam como se aquela situação fosse completamente normal, como se não houvesse nada de estranho na situação toda, e talvez não houvesse nada de errado mesmo, ao menos para eles não havia. Afinal, já era algo comum ao dois, para ela banho sem ele a observando já nem era um banho verdadeiro, e para ele o dia sem vê-la tomar banho, não era um dia realmente proveitoso.
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