Balto IV: O Retorno da Lenda
3 Ato III
Notas iniciais
Os 4 lobos seguiam já um pouco exaustos, tendo passado por uma série de subidas e inclinações, até se encontrarem em meio aos campos recém cobertos pela neve da manhã. O Sol estava a pino e toda aquela paisagem estava prestes a derreter, não havia nevado direto ou acontecido uma nevasca, como de costume, havia nevado apenas de manhã, para derreter tudo novamente. Balto podia sentir que aquele dia seria um dia quente e exaustivo de caminhada, mas ele não parava de pensar na sua família e o quanto ela poderia estar preocupada, até decepcionada, pela grande reunião no dia anterior, para que no dia seguinte ela se desfizesse mais uma vez. Olhando para trás e pensando na sua decisão, Aleu seguia logo em frente, e se virou para ver seu pai encarar daquela forma e retornou para ficar ao lado dele. Balto suspira fundo quando Aleu chega do lado dele, ela parecendo mais devota a outros assuntos do que a própria reconciliação familiar.
Aleu: Você tomou a decisão certa, pai.
Ela olha para ele após afirmar de maneira concreta.
Balto: Como posso saber, se foi hoje mesmo que eu deixei todo mundo novamente... sem dizer ao menos...
Ele fala arrependido.
Aleu: Pai, não podemos voltar.
Ela afirma decidida, olhando para trás e sinalizando com a cabeça para ele.
Balto: Você, acima de todo mundo, deve saber que deixar os membros da alcatéia para trás não é a melhor escolha de um líder, mesmo que isso signifique protege-los.
Ele se vira para Aleu e ela olha de volta, parecendo sentir certa inquietude e dualidade.
Mica: Aleu? Creio eu que ainda temos muito o que andar.
Ela avisa e Aleu acena com a cabeça.
Aleu: Se recomponha, pai. Já tomamos a nossa decisão.
Diz ela sendo curta com ele e retomando o passo. Balto franze a testa e se vira para elas.
Balto: E como sabemos para onde estamos indo? É um local específico?
Miriam: Digamos que sim. Chegaremos lá sendo guiadas pelo espírito. Não contamos com muitas marcas, nem símbolos pelo caminho.
Balto estranha, mas prossegue.
Balto: E que lugar é esse?
Elas param enquanto olham para o horizonte, para uma cadeia de montanha nevadas, escarpadas.
Mica: Para o Santuário de Aledo.
Balto olha confuso naquela direção.
Miriam: Caso a lenda for verdadeira, é neste santuário que o espírito da Grande Loba Branca reside. Aonde ele retorna para retomar suas forças e da onde ele se extende por todo o Alasca.
Balto: E vocês contam apenas com a sua intuição e com seus sonhos? Ela não se manifesta para vocês?
Ele pergunta bem duvidoso.
Mica: Ela nunca se manifestou de corpo inteiro para a gente, Balto, mas sonhamos com ela e sabemos para onde temos que ir.
Balto franze o cenho, confuso.
Balto: Hmmm, se é respostas que vamos obter indo para lá, então é melhor não ficarmos tanto tempo nesse calor.
Ele retoma o passo adiante, seguido por elas em uma caminhada mais acelerada na direção da cadeia de montanhas.
Em Nome, Muk e Luk vasculham a proa do navio, procurando sinais visuais ou odorísticos.
Jenna: Eu não acredito que eles sumiram. O que deu no Balto e na Aleu para terem partido assim tão depressa!?
Ela pergunta para Boris com raiva.
Boris: Ora, você sabe como o seu marido é com aventuras. Ele e a Aleu tem uma certa queda pelo perigo e coisas somente em família.
Ele fala acanhado e Jenna levanta uma sombrancelha bem séria para ele. Stella pousa e se apoia em Boris, checando as pontas de suas asas.
Stella: Ou ele deve ter ficado rebelde que nem a filha já foi uma vez e ter embarcado nessa com aquelas duas lobas mal-encaradas.
Ela responde sem dar muita bola.
Jenna: Elas pareciam apressadas ontem.
Ela fala pensativa.
Boris: Os dois sabem se cuidar, não é grande coisa.
Jenna: É grande coisa, sim senhor!
Ela se vira para Boris, tomando partido e se aproxima dele.
Jenna: A minha filha e marido, seu filho, estão lá fora com duas desconhecidas, procurando sei-lá o quê espiritual. Se isso tudo não soa nem um pouco esquisito, desconfortante e preocupante para você, então você já perdeu a cabeça, Goosinov!
Ela lhe chama atenção e fala na cara dele. Boris se encolhe nesse momento e quase cai para trás, com Stella segurando ele para que não caísse. Jenna se afasta e se senta, olhando para cima.
Jenna: Só Deus sabe aonde eles foram. Eu sinto que eles vão precisar de mais do que a confiança em duas lobas... não sei por que, mas só sinto...
Ela explica chateada com a decisão de Balto e Aleu.
Kodi: Ei, espera!
Diz ele logo do lado do navio encalhado, sentindo um cheiro leve no ar, seguindo ao lado da costa, em direção a um morro ali perto.
Kodi: Eu senti o cheiro da Aleu. Hahah!
Jenna lati de felicidade para ele, de cima do navio. Boris levanta a asa e comemora.
Boris: Viva! A Jenna não vai me matar por não me preocupar tanto, hehe!
Luk: Ele foi por onde?
Ele fica confuso com a conversa paralela e a comemoração e Muk acaba trombando de frente com ele logo atrás de Boris.
Jenna: Não vou matar você... por enquanto.
Ela fala para Boris e dá uma piscadela para ele, descendo a prancha do navio até o solo recém-umidificado pela neve derretida.
Stella: Você tem que aprender a ser mais pai de família, Boris, meu amor.
Ela põe as asas nos ombros dele e massageia.
Boris: Oh, sim...
Ele fecha os olhos, caindo na tentação das imaginações férteis e acaloradas de sua mente. Jenna chega ao lado de seu filho, que matinha um olhar confiante naquela direção. Muk e Luk olham um pouco confusos.
Jenna: É para lá que eu vou...
Ela dá um passo em frente e Kodi lateraliza.
Kodi: Não, eu vou. Mãe, você mal sai de Nome, o ambiente lá fora é muito perigoso e sabe que somente os cães puxadores conseguem atravessar os bosques e florestas sem trombar com algum perigo iminente.
Luk: Ele fala da capacidade de cães puxadores correrem sem olhar para trás.
Ele cruza os braços, se achando e Kodi revira os olhos.
Jenna: Eu sou sua mãe, Kodi. Eu estou dizendo que não vou ficar.
Ela afirma decidida e relutante, afinal tudo podia indicar aquela ser de fato a última vez que via Aleu, mesmo sabendo que ela sabe se cuidar, Jenna estava mais uma vez disposta a sair de casa, para ir mais longe do que jamais foi. Kodi olha de volta, percebendo a sua decisão justa como mãe e olha diretamente para a casa em que ela viveu desde pequena, aonde ela costuma encontrar abrigo e conforto com Rosy. Ela olhava preocupada, naquela mesma direção, conforme os vento mornos começavam a soprar novamente em Nome.
Boris: Que climão é esse!?
Ele fala olhando de cima do barco, chamando atenção dos dois. Kodi respira fundo.
Jenna: Ela vai entender.
Ela afirma, confiante de que voltará em breve.
Kodi: Eu estava disposto a reunir um pequeno grupo de busca, mas creio que eu não vá precisar, né Muk e Luk?
Eles arregalam os olhos quando este se recorre à eles.
Luk: Er... então, acho que já dei a cota na minha vida de urso de aventuras épicas.
Ele começa a dar passos finos para trás, mas Muk o impede e o segura, sinalizando concordância com Kodi.
Stella: Vamos viajar, meu amor.
Ela fala emocionada, segurando na asa direita dele.
Boris: Oh... claro.
Ele fala um pouco cansado e deita a cabeça na beirada do barco, para o seu infortúnio ter que sair do conforto de sua casa.
Prontos e unidos, o grupo se despede às vistas de sua cidade natal e segue viagem pelas encostas da praia em frente a Nome, guiados por Kodi. Este, mais ou menos após duas horas de caminhada sobre o Sol forte de verão em meio a uma floresta cuja maioria das árvores estavam de folhas caídas. Luk e Muk se arrastavam de exaustão em comparação com o passo dos outros.
Kodi: Não vão ficar muito para trás.
Ele avisa com o resto estando há 6 metros de distância dos outros. Kodi sobe um pequeno morro e rapidamente para ao se virar, paralisa e foca em uma direção. Jenna sobe ao lado dele e olha ingênua.
Jenna: Kodi? O que há?
Kodi dá um passo a frente e cheira o tronco da árvore à sua direita.
Kodi: Urso...
Jenna trepida e olha ao redor rapidamente, Kodi procura farejar melhor. Jenna retorna para o resto do grupo.
Jenna: Gente, acho que estamos sendo caçados.
Stella: Eu que o diga.
Ela olha para um tronco e vê uma enorme marcação e garras, que haviam perfurado a casca com vontade. Boris se afasta e encosta sua lateral na de Stella, engolindo seco com um susto silencioso. Muk ouve um som de estalo forte, parecendo rocha batendo contra o chão atrás dele, mas não havia nada.
Jenna: Kodi...
Ela o chama pelo nome para que ele se apressasse com alguma decisão. Stella resolve alçar vôo em silêncio e seguir voando em espiral para o alto das árvores. Ela pousa em um galho e põe a asa sobre a testa. Jenna procura por pegadas no chão, mas não haviam.
Luk: É território de urso-pardo, não podemos ficar muito tempo.
Ele se segura em Muk, esperando qualquer coisa que o assustasse. Kodi anda alguns passos e chega a uma conclusão.
Kodi: Mãe, eu tenho um plano, mas vocês tem que continuar até o fim do território dele.
Jenna: O que? O que pensa em fazer?
Ele desce.
Kodi: Não sei aonde está o urso e creio que a esta altura ele esteja-
Jenna: Nos caçando, eu sei. E você não vai sair correndo por aí para atrair ele! Stella, como estão as coisas aí em cima?
Stella: Seguras, até demais... não vejo nenhum sinal dele!
Ela fala do alto.
Jenna: Continue de olho. Venham, por aqui!
Ela parte em uma direção, Kodi, Boris, Muk e Luk seguem ela correndo. Stella continua observando do alto, vendo que então um urso enorme cruzou exatamente aonde eles estavam, este farejava o cheiro de cada um e segue andando na direção em que eles foram correndo. Jenna e Kodi estavam escondidos em um mato alto do lado de um rochedo, aonde Boris, Muk e Luk permaneciam em silêncio. Boris se corroía por dentro, com as asas tremendo, Luk pressionava as patas contra a boca para não deixar o pânico exalar. O urso seguia vagarosamente até a frente do rochedo, examinando o redor e deixando o trio mais inquieto ainda. Kodi olha para sua mãe, um pouco inquieto também e se controlando para não fazer alguma coisa, percebendo a determinação dela. O urso passa então as garras na rocha e Kodi se lança para fora dos arbustos.
Jenna: Kodi!
O urso se vira, mostrando sua arcada dentária para o husky siberiano. Kodi sorri para ele de uma forma corajosa e anda lentamente para a direita, encarando o urso determinado a se lançar na direção contra ele. Jenna percebe essa provocação por parte de seu filho e se lança também para fora do arbusto, se lançando contra o urso e atingindo com força sua lateral no ombro dele e o fazendo perder o equilíbrio, Jenna aterrissa com força e desvia da queda do urso, dividindo outra posição.
Kodi: Mãe, eu tinha isso sobre controle!
Jenna: Não, estava tudo indo conforme o planejado!
O urso se levanta e tenta dar uma patada em Jenna, ela pula para o lado e desvia do pulo dele enquanto este se recupera do tombo.
Kodi: Eu posso cansar ele, vocês tem que ir!
Ele adverte.
Jenna: Não é hora para isso!
O urso se levanta sobre as duas patas e solta um rugido ameaçador para todos eles, e desce já em disparado contra Jenna e Kodi. Ambos se separam em direções opostas e este segue Jenna, ela corre zigue-zagueando entre as árvores conforme o urso acerta patadas no chão e nos troncos, até que trava em um movimento e para, observando Jenna seguir para a direita com tudo. Ele a persegue. Kodi corre com os outros em frente, cortando pelo caminho que Jenna seguiu quando fugiu do urso, até que percebe sua mãe desviando do urso quase a acertando, mais uma vez usando as árvores como defesa.
Jenna: Vai!
Kodi continua e Stella desce dando um rasante no focinho do urso e retorna em alta velocidade, repetindo duas vezes. Quando este recupera sua visão, não avista mais Jenna e ao se virar, nem mesmo o próprio grupo, rugindo em frustração para que ao menos o ouvissem em temor. Kodi e os outros terminam de correr, Boris se inclina e ergue as asas, cansado, os irmãos param para descansar e Kodi olha para trás confiante, nem ao menos parecendo cansado. Jenna e Stella surgem de trás de um corredor de árvores.
Luk: Eu preciso maratonar mais sem que a minha vida esteja em perigo.
Ele fala convalescendo.
Kodi: Viu? Era somente um distrair enquanto os outros corriam.
Ele fala confiante.
Jenna: Isso não é tão fácil assim quanto pensa, foi preciso mais de um para conseguir passar dessa.
Ela adverte.
Kodi: Mãe, ele ia descobrir a gente.
Ele refuta.
Boris: Oh!
Ele corta a conversa dos dois, Stella o ajuda a ficar de pé e ele recupera o fôlego.
Boris: A jogada dos dois foi perfeita... não importa se um estaria mais correto que o outro, haviam riscos a serem tomados e a situação já foi resolvida. Belo trabalho em equipe. Vamos em frente.
Ele respira fundo e segue adiante, Jenna encolhe um pouco as orelhas e olha para trás antes de retomar o passo com os outros.
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