Bala, nicotina e revolta.
1 Capítulo 1 - OneShot!
Lembro de ter entrado em casa correndo e fechado a porta atrás de mim. Não ia adiantar mesmo. Conseguia ouvir o barulho deles subindo a montanha bem devagar até o caminho de minha casa. Então, se era assim que eles queriam, eu ia jogar o joguinho deles.
Meu dia estava ótimo, tinha acabado de me mudar para uma cidade no interior do Texas. Tinha um emprego garantido já, eles precisavam de um xerife. Ora, porque não? Perfeito, tinha acabado de sair do esquadrão da polícia da outra cidade. Eu era um homem solteiro afinal, não tinha filhos nem mulheres por aí. Era melhor assim.
Chegando na cidade eu tinha notado um ar notoriamente estranho, sabe aquela sensação maravilhosa de quando você chega na escola e não é bem recebido por ninguém? Então, agora pensa numa escola de uns mil habitantes. Passava pelas ruas, as pessoas fuzilavam seus olhares em mim, olhando como se eu fosse uma presa fraca.
Apenas presumi que eram caipiras e iriam demorar para se acostumar ao novo xerife.
Como eu queria estar enganado...
Abri uma garrafa de Whisky, Jack Daniel's,nem coloquei no copo, virei a garrafa e fui engolindo. A bebida descia rasgando minha garganta e me deu um certo calor corporal para manter a cabeça um pouco mais dentro do que podemos chamar de sanidade...
Pro diabos isso tudo.
Peguei a arma do coldre e contei quantas balas. Só duas. Respirei fundo e olhei pro relógio, notei que era quase meia-noite. Certo. Fui até a sala e coloquei algumas cadeiras enfrente a porta de entrada e achei meu maço de cigarros abaixo da mesa. Enquanto segurava o cigarros voltei novamente no tempo...
Tinha chegado na minha base policial a tarde, após andar pela pequena cidadela. Mal tinha sentado na cadeira e recebi uma ligação estranha, uma senhora estava alegando de que um homem havia invadido uma casa e estava fazendo uma mulher e uma garota de refém. Peguei a chave mergulhei no carro e voei pra lá.
Não demorei muito, afinal, como eu disse antes, cidade pequena.
Maldita cidade.
Estranhamente era uma casa mais afastada das outras, quase na parte deserta. Era uma casa pequena, feita de madeira branca já gasta pelo tempo. Engraçado era que a única casa perto era um pouco longe dali, mas tudo bem.
Sai do carro com a mão no coldre, cheguei a porta e bati três vezes na porta, chamei por alguém e nenhuma resposta.
Quando eu cogitei mover meu pé para sair dali, eu ouvi um choro de lamento, depois um soluço e um grito de arrepiar os cabelos. Sem pensar ou avisar, tirei a arma do coldre e chutei a porta derrubando ela e entrando na residência.
Quase desmaio com o cheiro que veio junto da minha entrada magnifica... O lugar estava podre. Muito podre. Tive que segurar com todas as minhas forças para não vomitar. Aquele cheiro... Era indescritível. Não tem como explicar.
Abri os olhos devagar, uma mão tapando a boca e o nariz tentando amenizar o fedor, dei uma olhada em volta com os olhos lacrimejando e estava tudo escuro. Antes de entrar mais ainda, voltei a porta, respirei bem fundo e devagar e amarrei um lenço ao redor do nariz e boca. Peguei minha lanterna e com uma mão segurei ela abaixo e a arma acima, usando a mão da lanterna como apoio.
O pano ajudou demais, me perdoem a palavra mas sério, ajudou pra caralho.
Apontando a lanterna ao redor da sala eu percebi porque fedia. TODAS as paredes estavam manchadas de algo marrom e seco e eu queria e muito que fossem fezes, mas eu percebi que era sangue seco. Fui entrando e chamando por alguém, ouvi mais uma vez o choro. Era uma criança. Veio do cômodo a frente que aparentava ser a cozinha. Corri para lá e virando a esquina, quase cai no chão, escorregando em algo e tomando um susto enorme com o que estava no teto.
Meu Deus do céu... O que era aquilo...
Olhei pra baixo primeiramente para pegar minha lanterna e apontar no chão e ver no que escorreguei... Eu tinha escorregado em uma tripa, longa, rosa e espalhando sangue pra todos os cantos. Me levantei na hora e bati a cabeça em algo duro, primeiramente achando que bati na mesa. Eu queria que fosse uma mesa. Mirei a lanterna e percebi que era um corpo de cabeça pra baixo, dei um grito quando percebi que não era só um corpo, e sim que a cozinha estava lotada de corpos pendurados de cabeça para baixo do teto, amarrados com ataduras sujas de sangue.
Eu ia correr, dar meia volta e ir embora daquela cidade. Buscar ajuda, isso! Foi quando tive que parar. Olhei para a porta e tinha uma figura humana parada nela, escura demais para perceber. Eu tremia, tremia muito. Apontei a lanterna no exato momento em que a forma urrou e voou na minha direção, me protegi com os braços mas não senti o impacto. Ao contrário, senti o urro ecoar na minha cabeça e imagens de mutilação, gente sendo morta e dilacerada passando na minha mente numa velocidade incrivelmente rápida, senti meu nariz começar a sangrar e eu achei que minha cabeça ia explodir. Deixei a lanterna cair no chão e corri pra porta a tropeços.
Quando senti o sol e o ar puro, quase comecei a relaxar quando senti algo me puxando a calça e sem pensar, dei um tiro às cegas. Oh merda...
Era uma criança.
Uma garotinha agora, estava com o crânio aberto e espalhando sangue por toda a calçada. Meu peito subia e descia e eu queria gritar, urrar, chorar, vomitar. Olhei pra frente e vi pessoas se aglomerando na rua e olhando pra mim com uma fúria ainda maior. Algumas pegaram enxadas, picaretas e começaram a andar pra cima de mim. Antes delas sequer darem o primeiro passo, eu estava dentro do carro girando as chaves e sem pensar, pisei no acelerador virei o carro e atropelei uns dois que estavam em meu caminho.
Eu estava pingando suor e desesperado. Corri com tudo pra minha casa.
E aqui estamos nós, essa vila maldita está vindo pra cá, por algum motivo querendo minha cabeça. Já anoiteceu faz um tempo, consigo ouvir os gritos e uma canção maldita, alguma espécie de música ritualística. Era alguma merda satânica, eu tenho certeza. Coloquei duas cadeiras na porta, sei que não vai adiantar de porra nenhuma.
Andei até a janela e vi a primeira tocha aparecendo e o primeiro molotov passando por cima e caindo no telhado da casa.
Andei até o meio da sala, sentei na poltrona mais confortável, acendi um cigarro e tomei um ultimo gole da garrafa de Whisky. Vi quantas balas ainda me sobraram. Uma bala.
Lembrei que atirei em um merda que pulou pela minha janela enquanto eu colocava as cadeiras na porta. Parece que ele quis ser o primeiro. Ele estava vestindo uma roupa branca com um pentagrama feito a sangue no meio.
De qualquer maneira, terminei meu cigarro e vi o machado quebrando minha porta. Assim que vi um dos primeiros olhos me observar e aquele grito ensurdecer ecoar mais uma vez, seguindo dessa canção maldita ao fundo, coloquei a arma na boca e ri. Comecei a rir igual a um louco.
Quero ver eles me buscarem no inferno.
Puxei o gatilho.
Notas finais
...
Ficou uma bela bosta D:
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