Bakuque. Zion a jornada de um escravo
1 Derrocada
"O coração de um guerreiro é a sua principal arma, a espada dos sábios é a ruina dos tolos, já o caminho para o perdido é a destruição. ” A história a ser retratada é a prova que os sonhos de um cavaleiro só podem ser contidos pela morte, e sua principal arma é seu coração não necessariamente puro, pois essa história não é um conto de fadas e sim a vida de um escravo. Mas tal relato não se inicia assim...
As lagrimas desciam do céu que se escureceu, trazendo um ar de incertezas que se escondiam pela noite fria. O vento batia em sua janela com muita intensidade, os cavalos pareciam assustados no estabulo, então correu para o quarto dos seus pais desesperado, de tal modo que tropeçou em uma pedra e caiu. Ao ouvir o barulho seu pai correu em sua direção, em quanto sua mãe cansada se assustou em sua cama, avistando o garoto indefeso caído com um ferimento no lado direito da testa e com os joelhos feridos exclamou friamente:
-A vida é assim meu filho, sempre tentará te derrubar!
— Não permaneça no chão, um cavaleiro nunca se rende!
Então sorriu dizendo:
— Venha! Irei cuidar deste ferimento.
O garoto chorava devido a dor que sentia, enquanto as palavras de seu pai não saiam de seu pensamento nem se quer por um simples instante, o deixando marcado como uma cicatriz. O pai preocupado carregou seu filho o levando em direção a cama, sua mãe se assustou com a terrível cena do garoto ferido, e mesmo estando bastante cansada, levantou-se rapidamente e foi a cozinha onde pegou uma vasilha com água e pano que se encontravam próximos a dispensa, chegando perto do menino, seu pai o segurou em seu colo enquanto sua mãe passava o pano molhado em sua testa com bastante carinho e leveza. O garoto sentia dores, então sua mãe correu até o quintal de sua casa onde haviam diversas plantas e trouxe uma palma de uma delas. Tirando a superfície espinhosa saiu um líquido gosmento, no qual derramou sobre a ferida, sendo respondido por gritos de dor de seu filho. O menino se acalmou enquanto a ferida começava a cicatrizar, aos poucos o garoto foi adormecendo enquanto seus pais o observavam atentamente preocupados com o bem-estar do pequeno, até que de súbito dormiu.
— Que susto! Exclamou a mãe. Mesmo assim vamos continuar o observando. O seu marido balançou a cabeça concordando com a afirmativa. A noite se delongou enquanto o garoto dormia o sono dos justos, seguido de olhares atentos de seus pais que acabaram dormindo.
Na manhã seguinte...
—Levanta meu filho! Disse a mãe. Olhando atentamente para o menino, que logo se levantou.
— Está na hora do seu treinamento. Falou sua mãe.
Havia passado dois dias do incidente. O garoto levantou-se e foi para o banheiro onde lavou seu rosto em uma bacia grande com água, que encontrava se sobre uma estrutura de madeira na qual a água era trocada todos os dias pelos servos da casa do centurião no caso seu pai. Na casa todos os servos eram muito bem tratados, como se fossem membros da família, totalmente respeitados, era uma honra servi as casas dos soldados do rei que os libertou. As lâminas se tocavam enquanto eu observava os movimentos.
-Venha aqui Zion, segure a espada. — Disse Dario seu mestre.
— Flexione os joelhos, uma perna na frente da outra, esta é a primeira posição de combate, a espada deve estar na mão que você tem mais força, no seu caso a direita. Segure com calma, atacar em diagonal para a esquerda. — Muito bem! Exclamou seu mestre.
Enquanto o garoto era treinado para a guerra como um cavalo bruto a ser adestrado, o rei de sua terra Juan, foi surpreendido por um de seus mensageiros enquanto caminhava pelo pátio do seu palácio, encontrava se acompanhado por dois guardas.
— Majestade, tenho uma notícia trazida de um dos vilarejos — Exclamou ajoelhado e ofegante.
— Levante-se e diga. O que aconteceu?
— Um estrangeiro foi encontrado observando o vilarejo de Áspero senhor, não se sabe ao certo, mas ele parecia ser um cavaleiro.
— Ele foi capturado? — Porque você acha que era um cavaleiro? Perguntou o rei demonstrando um ar de tensão.
-Acreditamos que ele era um cavaleiro, porque ele trazia uma espada consigo.
Respondeu o guarda. — Convoque o conselho imediatamente. Falou Juan olhando para um de seus guardas que o acompanhava.
—Sim, meu rei. Respondeu o guarda com convicção.
Todos foram convocados, e em menos de uma hora já estavam no templo dentro do palácio onde era discutido todas as atividades do reino. O conselho de Bakuque era formado por oito integrantes nos quais três eram das principais casas: Tiperiu, Mirais e Império. Três cadeiras eram para os anciões, uma era para um conselheiro pessoal do rei e a última cadeira era destinado para o melhor estrategista do reino, que tinha como auxiliares quatro estrategistas, se encontravam também de pé cerca de dez cavaleiros das casas, cinco guardas do rei e dois copeiros.
— A reunião começou — Calem-se! Gritou Juan
— Eu mandei chamar vocês aqui, pois fiquei sabendo de um estrangeiro que estava observando nossas terras, vocês têm algo para falar sobre? Perguntou o rei.
— Senhor ele foi encontrado em minhas terras — Estava distante quando foi visualizado, se encontrava armado, mas sozinho e com um cavalo muito veloz, alguns homens foram atrás, mas não o alcançaram. Dissertou o Conde de Mirais.
— Todos vocês com certeza já foram informados do ocorrido – Alguém tem alguma ideia, de onde é esse estrangeiro? Falou o Rei Juan. — Pelo que foi falado sobre suas vestes, ele é da casa Farus — Disse um dos anciões. — Tempora? — Vocês acreditam que eles se voltariam contra nós? – Dialogou, o Conde de Império duvidando.
— Também não acredito — Disse Juan e complementou — O Rei Nicolas é jovem e covarde de mais para isso. — Um ancião comentou -Eu sendo o senhor meu Rei, enviaria diversos espiões imediatamente para cada vilarejo de Tempora, e se houvesse qualquer movimentação estranha dizimaria todos sem exceção. — Juan sorriu — Vocês não querem que eu comprometa uma aliança sólida com Nicolas, por causa de uma desconfiança — Foram anos matando e morrendo, para agora destruir tal privilegio por causa de uma simples desconfiança, nós assinamos um tratado de paz.
— E o que o senhor fara, meu rei?
Disse um dos anciões que estava tenso. — Se me permite senhor? Falou o Mestre estrategista. — Fale! — Nós temos uma ótima fortaleza em perfeitas condições, e soldados preparados para qualquer eventual surpresa, caso o senhor esteja com dúvida quanto a isso, afirmo que podem dar conta. — Eu sei, confio em meus homens – Está definido! – Iremos aguardar! Mas solicito as devidas casas que reforcem às defesas da cidade central.
—Mas senhor! — Senhor cuidado com suas atitudes — Senhor reveja sua atitude por favor suplicamos- Diziam os sábios e eram respondidos por Juan.
— Está definido! — Minha palavra é lei e não voltarei atrás! Juan falou com um tom de ira.
Todos se levantaram e seguiram para suas devidas atividades. Zion já estava em sua casa, pois era noite. Seu pai assim como os outros soldados foram convocados para receberem as instruções passadas pelo rei, na qual Foi incumbida por cada líder das casas.
Todos ouviram as ordens do rei e ficaram preocupados, pôs aumentando a defesa do Centro, as vilas ficariam menos protegidas e suas famílias vulneráveis, então algumas pessoas gritavam na multidão: — E nossas famílias — Eles irão nos atacar?
Perguntavam euforicamente. — Ficaram seguros! — Não seremos atacados! — Fiquem calmos! -Está tudo sobre controle! Respondiam os líderes, acalmando assim a multidão ávida.
— E porque uma parte dos soldados das casas vai defender o centro? Perguntou um homem sentado ao lado de um barril de vinho — Simples porque o rei pediu — Vocês não acham nosso rei abandonaria nossa vila? — Algum motivo ele tem! Dizia Eros o líder dos soldados de Mirais. Todos se dispersaram e seguiram para seus postos. Seu pai chegou em casa cansado depois de um dia extremamente exaustivo. O cansaço era tanto que não percebeu que o garoto o observava, até que olhou para o lado e ao ver seu filho deu um sorriso puro e sincero como se aquele momento tivesse apagado todo cansaço, e disse sorrindo: — Como foi seu dia Zion – O que aprendeu hoje? — Aprendi a me defender usando a espada. Disse o garoto demonstrando imensa felicidade por ter sido notado por seu pai – Me mostra fiquei muito interessado, você pode me mostrar?
— Claro meu pai. – O garoto foi ao seu quarto pegou sua espada que se encontrará ao lado de sua cama, no canto direito junto a parede, pegou-a e voltou para a sala.
— Me mostre! O garoto pôs a perna esquerda à frente da direita, agachou um pouco o corpo e posicionou a espada centralizada. — Muito bem! Sorriu sarcasticamente, mas sendo um bom pai disse:
— Realmente muito bom, mas levanta um pouco o braço direito, ponha a sua perna esquerda um pouco para o lado e traga a espada para mais perto a sua mão direita — Agora sim perfeito — Imagine a espada como uma extensão do seu braço. — E agora pai, o que faço? — Depende onde você quer que seu braço alcance. — Sorriu demonstrando a imensa felicidade que Sentia. O garoto se divertia com seu pai enquanto a noite ia se delongando. Todos dormiam enquanto a cidade estava sendo regida pela lua que brilhava linda no céu, até que tochas começaram a se acender na calada da noite. Eram muitas tochas, que começaram a acender em Mirais, justamente onde estávamos. Os soldados que faziam a segurança noturna tentaram informar através das trombetas, mas foram surpreendidos com flechadas, sem chance nem ao menos de se defender, acabaram sendo abatidos, o primeiro passo para a invasão. Eles eram muito velozes, sem hesitar entravam e deixavam marcas de sangue, matando todos os homens na cidade. Os cavalos se assustaram no estabulo, então todos na casa se levantaram, inclusive os pais de Zion. O pai desceu às escadas correndo com a espada em punho, enquanto isso a sua esposa veio atrás perguntando.
— O que está havendo? — Não sei, mas pegue Zion imediatamente e vá ao estábulo, separe dois cavalos e fujam. — Mas e você? — Não se preocupe comigo — Ela hesitou, ao mesmo instante em que seu marido aumentou o tom da voz gritando: — Vá agora! Sorriu falsamente e disse: — Não se preocupe! — Eu te amo! Ela veio correndo e pulou em seus braços o beijando — Agora vá! Disse tendo a certeza de que nunca mais a veria. Sua esposa seguiu o que foi pedido. Ela corria para o quarto de Zion, enquanto em seu rosto corriam lágrimas, antes de adentrar o quarto ela respirou fundo, enxugou as lágrimas em seu rosto
e abriu a porta se assustando com o seu filho, que se encontrava com a espada em mãos e perguntou-lhe: — Mãe o que está havendo? Perplexa, ela olhou para o garoto e em seu pensamento passava a trajetória de vida do pequeno, que era apenas um bebê a pouco tempo atrás, fez uma leitura dele sorrindo em sua mente e naquele exato momento a sua seriedade. Pensou ela: — Meu pequeno já é um homenzinho! E completou falando: — Vamos temos que sair imediatamente daqui! — O garoto perguntou o porquê e ela respondeu: — Não sei, mas seu pai disse que éramos para sairmos imediatamente — Então venha!
Eles seguiram, encontravam-se na porta do estabulo quando foram surpreendidos por um dos cavaleiros inimigos, o garoto levantou a espada e o atacou, mais foi defendido, O inimigo girou sua espada arremessando a arma do garoto para longe, ao realizar esse feito seguiu em direção ao garoto, o acertando com o cabo da espada na direita de sua testa, o garoto caiu ao chão e a ferida que estava cicatrizando se abriu jorrando sangue, seus olhos estavam quase se fechando. A mãe desesperada correu em direção ao agressor e foi golpeada no lado esquerdo do pescoço, indo assim ao chão a poucos metros do seu filho. O garoto viu toda aquela cena e não podia fazer nada, estava imóvel mal conseguia abrir seus olhos, sua mãe estava morta em sua frente, as lágrimas desciam, mas ele não tinha forças nem para gritar, queria levantar, mas seu corpo estava preso ao chão, desesperado sufocava-se em seu soluço. A dor em seu peito parecia um buraco fundo e obscuro, que ia afundando em dor e sofrimento, enquanto isso o seu agressor agora assassino seguia em direção ao garoto com a espada em punho, ele ia se aproximando e a tenção do garoto ia aumentando a cada passo, seu coração palpitante parecia estar correndo uma maratona, até que se súbito desmaiou. As luzes se apagaram, será que a esperança morreu?
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