Bakumatsu

13 O Novo Zanza


Notas iniciais
No capítulo anterior: "– Saitoh... Como sempre, o lobo está atrasado. Nos veremos novamente Himura... Sayonara, Hitokiri Battousai! Dizendo isso, Aoshi deu as costas aos dois habitantes do templo, e partiu saltando por sobre o muro do templo. A menina correu em direção a Kenshin, que já começava a fraquejar novamente. Com os olhos cheios de lágrimas, a garota comentou com voz baixa e trêmula: – Graças a Deus... Pensei que Aoshi fosse te matar... Não se preocupe Kenshin, você ficará bem... Você ficará bem..."

Os olhos brilhantes e azuis observavam atentamente a paisagem que passava rápido à sua frente. Depois de quase duas horas de caminhada a pé noite afora, e depois de um banho demorado e uma noite de sono relativamente conturbada, Aoshi finalmente voltava à Totomi.

A carruagem negra, que o conduzia pela estrada de terra fofa, corria veloz e uma brisa de intensidade moderada entrava pela fresta da janela entre-aberta que ficava ao lado de Aoshi. O vento balançava os cabelos negros dele, obrigando-o a juntá-los com uma das mãos enquanto com a outra, e de forma apressada e sem capricho, ele amarrava-os com uma fita preta de algodão.

Durante a longa viagem que fazia desde seu ponto de partida, Aoshi pensava em tudo que acontecera nos últimos meses em que esteve viajando por todo o Japão. Já fazia dois meses que ele havia deixado Sanosuke e os outros poucos espadachins que lhe eram leais aos cuidados do mestre Hiko Seijuuro. O velho homem não era um exemplo de dedicação e muito menos de lealdade a ele, mas Aoshi sabia que o antigo mestre do Hiten Mitsurugi seria de extrema importância na hora de dobrar Kenshin, e por isso tentava árduamente fazer com que o velho se tornasse parte do grupo. Pensava também em como Hiko teria se saído na missão que ele lhe deixara antes de partir. Não era uma tarefa muito fácil, mas ele tinha quase certeza de que o velho Seijuuro poderia executá-la, não sendo impedido pela idade.

Foi arrancado de seus pensamentos sobre os amigos de Himura pelo relinchar violento dos cavalos que puxavam a carruagem. Aos poucos, a paisagem foi passando mais lentamente até, finalmente, parar. Aoshi desceu do veículo e cumprimentou o condutor, lhe ordenando que voltasse à mansão Seikuu pois ele teria que seguir a pé a partir daquele ponto. O homem obedeceu sem pestanejar e Aoshi começou sua lenta caminhada, floresta adentro.

Caminhou por alguns minutos, passou por uma ponte feita de troncos velhos e subiu um pequeno monte, parando ao chegar no topo. A sua frente, uma descida em paredão rochoso de uns dez metros levava até um lago de águas cristalinas. Poucos metros a frente do lago um homem treinava em alguns montes de pedra com duas zambattou amedrontadoras. Cada uma das espadas gigantes eram empunhadas por um dos braços do rapaz, que as manejava de maneira aparentemente fácil e em uma velocidade incrível. Com dois golpes, um com o braço esquerdo e outro com o braço direito, o rapaz partiu as enormes rochas ao meio. Depois ele aplicou um golpe lateral violentíssimo em um carvalho muito largo e velho, decepando-o com um único golpe e aplicando mais dois golpes com cada zambattou no mesmo tronco, antes que este pudesse chegar ao chão.

– Duas? — Ingadou, perplexo, Aoshi.

– Duas! — Afirmou uma voz que subia o pequeno monte de terra, e que fez Aoshi voltar as costas ao rapaz que treinava logo abaixo.

– Desde quando ele faz isso, Hiko? — Questionou Aoshi com os olhos fixos no homem que subia o morro calmamente e com um sorriso nos lábios.

– Desde que você saiu... Você deixou para ele duas zambattou, não foi??

– Sim, caso acontecesse algum problema com uma delas...

– Pois bem... Eu acho que ele o interpretou de maneira errada, Aoshi. — Disse Hiko, enquanto passava pelo moreno e pregava os olhos em Sanosuke, que treinava logo abaixo deles.

– A velocidade é impressionante. O rapaz consegue quase se igualar a minha velocidade com espadas daquele tamanho... — Aoshi comentou, com expressão visivelmente impressionada, enquanto se virava para observar o treino do fortíssimo rapaz.

– Ele treina umas 18 horas por dia, todos os dias, nos últimos 2 meses. A vontade que ele tem de se igualar ao nível de luta de Saitoh Hajime transformou-o em um monstro destruidor. Ele não volta a mansão nem mesmo para dormir ou comer, não fala com os outros soldados, não o vemos descansando nem um segundo... É mesmo impressionante a força de vontade dele.

– Impressionante mesmo é sua força física e nível de luta. Ele é mesmo uma figura imprevisível, não é Hiko?

– É sim, Aoshi... Ele com certeza quer muito acertar as contas com o Saitoh.

– Ele cumpriu com a parte dele no trato. Se ele continuar se esforçando assim, nos próximos dias eu cumprirei com a minha e o deixarei dar cabo do assassino de Kenshin Himura. Quanto a você, mestre Hiko, como foram as coisas em Shibahara?

– Tudo conforme o planejado. — Hiko se virou para Aoshi, que fez o mesmo. — Shao, Tien e Abaraki ficaram por lá, para nos enviar notícias. O resto dos homens estão prontos, eu também estou.

– E quanto às tropas de Anji e Soujiro? — Perguntou Aoshi, apoiando o braço esquerdo no ombro de Hiko.

– Não tenho notícias de Anji desde o negócio em Hokkaido. Só sei que os senhores feudais que eram contra nossas idéias já não podem mais manifestar suas opiniões sobre o assunto. Ouvi dizer que foi uma verdadeira carnificina... — Hiko parou, com as feições um pouco mais sérias. Depois continuou, um pouco mais descontraído. — Bom, já sabíamos que isso poderia acontecer por aqueles lados, né? E você, como foi em Sugayra? Encontrou Saitoh por lá?

– Não... — Aoshi abaixou a cabeça e balaçou-a em sinal de reprovação, depois reergueu-a e encarou Hiko, continuando. — Mas encontrei um velho amigo que não via há muito tempo... Akira estava lá, belíssima como sempre... Já que não pude encontrar o lobo, deixei um recado. Espero que ele o entenda.

Dizendo isso Aoshi abriu um enorme sorriso e fechou os olhos. Hiko acompanhou o sorriso do homem com uma gargalhada seca que foi logo interrompida pelo som do metal cortando o ar.

Aoshi abriu os olhos rapidamente, depois bandeou-os para a esquerda e, com um movimento extremamente veloz, saltou alguns metros para trás. Hiko girou o corpo e fixou violentamente as duas pernas ao chão, sacando sua katana em uma velocidade ainda maior que a da esquiva de Aoshi. Enquanto sacava a katana, abriu os olhos e observou o que iria enfrentar, depois abriu um pequeno sorriso, rangendo os dentes logo em seguida.

Com um violento golpe para cima, o mestre Hiko Seijuuro desviou a trajetória da zambattou que voava na direção dele e que foi parar atravessada em uma árvore alguns metros mais atrás. O mestre piscou lentamente e quando abriu os olhos se deparou com Sanosuke, que de braços cruzados balançava a cabeça negativamente.

– É uma tremenda falta de educação observar o treino dos outros sem se identificar, vocês sabiam? — Disse ele, parando de balançar a cabeça e alternando o olhar entre Aoshi e Hiko.

Aoshi abriu um sorriso discreto ao ver Sanosuke mais de perto. O rapaz havia passado por uma transformação enorme. O corte de cabelo espetado e curto ainda era o mesmo, assim como os olhos e a expressão debochada. A fita vermelha ainda estava presa à testa do lutador, o resto era completamente novo para Aoshi. Os braços longos haviam ganho muita massa muscular, assim como as pernas. Os ombros haviam ficado muito mais largos e os músculos do abdome e do tórax haviam sido trabalhados de maneira exaustiva. Sano vestia uma calça larga e preta, e as faixas que sempre cobriam seus membros e torso haviam desaparecido, deixando à mostra todas as cicatrizes e marcas que ele carregava de suas batalhas e treinos passados.

Aoshi ficou completamente transtornado com aquele cenário. Sanosuke havia ganho uns quinze, talvez vinte quilos de massa muscular. No entanto, estava inexplicavelmente mais veloz e habilidoso em seus movimentos. Em um único segundo de distração dele e de Hiko, Sano havia lançado a zambattou de forma muito vigorosa e precisa , além de se movimentar da base até o topo do monte carregando a outra zambattou, que agora estava cravada no chão à direita dele. E fizera isso com uma velocidade impressionante.

Hiko interrompeu o raciocínio de Aoshi com o som de vigorosas palmas que ele lançava à Sanosuke. Depois deitou sua espada com o fio para cima e, apontando um enorme buraco na lâmina impecável da mesma, ralhou com o rapaz:

– Como pretende pagar pelo dano que fez à minha katana? hein, Sanosuke Sagara?

Aoshi interrompeu antes que Sanosuke pudesse responder:

– Foi uma excelente defesa ao poderosíssimo golpe de Sanosuke, mestre Hiko... Um homem como você deveria estar aliviado em saber quer sua espada ainda aguenta um golpe tão vigoroso da "espada de cortar cavalos". Não acha??

Dizendo isso, Aoshi largou um inesperada gargalhada. Depois voltou à postura séria e, virando-se para Sanosuke, falou:

– Sanosuke... O treino acabou. Partiremos depois de amanhã. Espero que você esteja preparado para ter sua conversa com o senhor Hajime, quando a oportunidade se fizer presente.

Dizendo isso, Aoshi virou-se e começou a caminhar na direção da estrada novamente. A expressão alegre de Hiko também havia desaparecido, e o espadachim começou a seguir o mesmo caminho que fora trilhado por Aoshi. Sanosuke, à exemplo dos outros dois, também franziu a testa e desmanchou o sorriso que lhe brotara à face. Depois retirou a zambattou atravessada na árvore e seguiu pelo mesmo caminho, em direção à estrada que levava à mansão Seikuu.

CONTINUA!!!

Notas finais
Não percam o próximo capítulo: O Plano Secreto