Notas iniciais
No capítulo anterior: "Yamagata queria ajudar o amigo mão não conseguia se livrar dos apertados nós e da mordaça colocada por Aoshi. Se houvesse algo que ele pudesse fazer para salvar Kenshin, obviamente teria feito. Mas ele não parecia querer ser salvo. Ainda delirando, começou a esboçar um sorriso, enquanto dava um último passo a frente antes de perder totalmente a força e deixar seu corpo cair. Os olhos liláses do ruivo esbranquiçaram-se durante o caminho que seu corpo percorria antes de tocar o chão. Suas últimas palavras fizeram Yamagata deixar rolar lágrimas e mais lágrimas de tristeza e amargura: – Me desculpem... Meus amigos..."

As rodas de madeira do veículo que transportava o homem balançavam tortas em seu eixo, certamente fruto dos inúmeros buracos pelas quais as mesmas passaram no caminho, e o barulho estridente somado ao sacolejo da carruagem já estavam começando a o incomodar quando o veículo reduziu a velocidade até parar. Duas batidas secas na parede frontal do carro puderam ser ouvidas antes que a porta lateral se abrisse e o corpulento senhor descesse. Ele crispou o olhar por uns momentos, ajustando sua visão à claridade do sol que banhava aquela bela tarde depois fez um sinal para que o condutor retomasse seu caminho em direção ao norte.

Munido apenas de um pequena bolsa que pendia do ombro esquerdo e de uma katana presa à cintura no lado oposto, o homem desceu ao leste da rua pela qual viajava, em direção a um pequeno e denso bosque. O simples exercício de se manter em pé naquele cenário parecia bastante exaustivo para o homem, de certa idade, que mancava de uma das pernas. Com a passada direita mais fraca que a esquerda, ele adentrou ao bosque sem fazer qualquer cerimônia.

Caminhou por alguns minutos até atingir uma pequena clareira que permitia ao sol, esticar seus raios sobre algumas dezenas de cruzes de madeira podre. O cemitério improvisado, no meio do bosque, na certa não recebia nenhuma visita havia bastante tempo mas o aspecto mal cuidado das cruzes não incomodou o homem. Ele atravessou as fileiras com cuidado para não destruir o que estava construído e parou na outra extremidade da clareira, colocando a bolsa no chão e estendendo a perna esquerda a frente, com o braço esquerda na empunhadura da katana. Como que acometido por uma memória melancólica, o grande homem retornou a sua posição inicial olhando por sobre o ombro.

– Você não é muito fã de álcool, mas acho que a ocasião pede um sakê, não concorda? – sua voz grave ecoava na clareira e, como o silencio foi a única resposta que encontrou, ele continuou. – Espero que você não se importe...

Ainda sorrindo, o homem recorreu à bolsa que trazia consigo, retirando um frasco de sakê com o qual se serviu de uma pequena fração do líquido.

– Ah! Delicioso!

Depois de mais um gole da bebida, o homem voltou à posição de ataque, sacando a espada com a mão canhota e aplicando uma série de golpes para a frente, em direção a escuridão da mata a sua frente. Depois de mais alguns golpes o homem adentrou à mata, retornando com alguns galhos de espessura mediana. Seus braços, largos e cheios de cicatrizes, puseram-se a trabalhar na confecção de algumas cruzes com a madeira recém colhida, enquanto o homem mantinha um semblante um pouco mais sombrio. Ao terminar a amarra do objeto, o homem se sentou com a garrafa de sakê em frente a uma cruz antiga que estava um pouco separada das demais:

– Eu me sinto meio ridículo, sabia? Falando com você... – Ele começou, com o copo na mão. – Eu vim te avisar que deu tudo certo. Já faz uma semana, me desculpe pela demora... Eu só queria te dizer que deu tudo certo. Yamagata está bem, e ainda no poder. Algumas pessoas nem ficaram sabendo de tudo o que aconteceu, sabia? Com a morte do Saitoh, as células do Hebi, espalhadas pelo país, nem chegaram a causar problemas. Nenhum dos generais dele sobrou para dar andamento ao plano, nem o garoto Tokugawa... O rapaz se matou quando os soldados de Yamagata retornaram ao quartel. No final nada mudou no país, eu acho...

O homem voltou-se para a garrafa de sakê, ainda pela metade, e puxou-a pela alça enquanto de se levantava e virava e de costas para o túmulo improvisado com o qual conversava. Ficou em silêncio por alguns minutos e depois se virou, com os olhos cheios de lágrimas:

– Você não deveria ter morrido, seu idiota! Você quebrou uma tradição de milênios no estilo Hiten Mitsurugi! Nunca vão me perdoar sabendo que o décimo quarto morreu antes do décimo terceiro Seijuro Hiko, e você sabia disso!! Você sempre foi a pessoa mais idiota que eu já conheci, Kenshin! – As lágrimas rolavam enquanto Hiko desabafava ao túmulo do ex-discipulo. – Quando te ensinei o caminho da espada, Kenshin... Quando te ensinei a manejar a espada eu sempre imaginei que você morreria por ela, só não esperava que fosse antes de mim.

Um silêncio triste habitou a clareira no bosque enquanto Hiko secava as lágrimas e recolhia as cruzes recém-confeccionadas por ele. Munido das estacas em formato de cruz, Seijuro olhou novamente para o cemitério e se lembrou de quando conhecera Kenshin.

– Você se lembra desse lugar, não lembra? Eu sempre pensei que se você pudesse escolher, escolheria ser enterrado junto da sua família original, não é? Infelizmente não pude recuperar os corpos de nenhum dos seus amados, Kenshin. Eu acho que se você tem alguma coisa dentro dessa cabeça oca... – Seus olhos se encheram novamente de lágrimas enquanto ele forçava um sorriso. – Se você tem alguma coisa na cabeça, a sua alma deve estar por aqui. Kaoru, Yahiko, Sanosuke... Eles estão com você agora, não estão? Se forem espertos, estarão por aqui também. Há muito tempo, neste mesmo lugar, você enterrou Shinta... É hora de voltar, como Kenshin, e ficar por aqui meu filho, meu discípulo... Meu irmão!

Dizendo isso, Hiko estocou com força o local onde a antiga cruz de madeira que representava Shinta estava enterrada. A nova cruz, maior e mais forte, partiu a antiga e cravou-se em seu lugar, representando a substituição que o ex-mestre de Kenshin gostaria de fazer no local. Algumas últimas lágrimas se desprenderam do rosto de Hiko enquanto ele cravava a cruz de Kenshin no local simbólico de seu sepulcro e depois o moreno alto se levantou com a garrafa em riste e um sorriso de pura melancolia apregoado à face.

– Será que a gente ainda vai se vez, meu amigo? – Ele comentou, dando um grande gole na garrafa de sakê. – Eu espero que sim... E espero que possamos nos sentar, calmos, e apreciar um ótimo sakê como este.

Após sua despedida, Hiko apoiou a garrafa quase vazia na cruz de Kenshin, fez uma última saudação ao amigo e deu as costas ao cemitério, caminhando em direção à mata. Antes de deixar a clareira, ainda parou mais uma vez para observar o local. Uma centena de cruzes antigas que resistiam ao tempo contrastava com as novas, que representavam a nova família de seu amado discípulo. Juntando todas as memórias que tinha de todos os amigos reunidos naquele local sagrado, Hiko sentiu-se satisfeito pela primeira vez, desde a notícia do ataque ao dojo Kamiya, com a situação. Seus amigos estavam reunidos novamente e aguardariam, pacientes, enquanto ele não se juntasse a eles...

FIM!

Notas finais
Obrigado a todo mundo que leu a fic. Espero que tenha sido minimamente interessante para vocês caminhar comigo ao longos desses capítulos todos. Como eu disse no começo, nao quis reescrever toda a fic... Eu escrevi uns 90% dela quando era moleque e queria manter isso... O estilo não é tão afiado e relendo ela pra postar eu percebo o quanto eu melhorei nisso. Enfim... Espero que alguém tenha lido a fic e gostaria muito se você pudesse deixar um comentário sobre o que achou... sobre qualquer dúvida ou dica que você tenha pra ajudar nas próximas fanfics... :) Obrigado a todo mundo, aguardo suas opiniões e falows... ja ne!!! ^_^x
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!