Baile de Pai e Filha
5 O Baile
Notas iniciais
Então vamos todos nós encontrar no Palena para jantar, combinado? — E com essas palavras Abby intimou todos os presentes.
Um bom baile para vocês e não façam nada que eu não faria! — DiNozzo nos disse.
—Você está tão linda! — Delilah tomou a frente — se divirta bastante! Igual a esse nenhum mais será! — Ela disse. — Depois você vai me contar tudo!
— Muito obrigada, Delilah!! — Liz disse ainda vermelha — E pode deixar que eu te conto sim!!
Ziva passou, deu um beijo na testa da minha menina e disse:
— Quero saber de tudo! Eu não tive um baile desses para ir! Quero saber das músicas até quem foi a grande Rainha do Baile! E depois você me conta se seu pai sabe dançar ou não!! — com uma piscada ela foi a última a se despedir para então se virar para Tony — Acho muito bom você me esperar, Tony. Ou nunca mais você vai ser capaz de dirigir um carro!
Liz olhou em minha direção com os olhos arregalados
— Tem certeza que eles são namorados, papai? Estão sempre brigando!
— Tenho, filha. Por mais estranho que pareça, eles se amam.
Ela nada disse, só ficou olhando na direção do carro onde os dois tinham acabado de subir!
— Esses dois são doidos! — Ela disse enquanto eu a ajudei a entrar no carro. Mas ela não tirava os olhos do carro estacionado no outro lado da rua. — Papai, o senhor já notou naquele carro ali? Não é a primeira vez que eu o vejo. Vira e mexe ele tá aqui na nossa rua. Essa noite mesmo estava. Eu acordei, para ver se o senhor já tinha chegado e quando eu olhei pela janela, vi esse carro, só que estava parado bem em frente da nossa casa.
Olhei para o carro em questão, já sabendo qual era. O Jaguar de Jenny. Dei um sinal para ela ficar mais tempo parada e não nos seguir, pelo bem do disfarce dela, mesmo que o que eu mais quisesse era que a minha garotinha pudesse ter alguém para chamar de mãe.
Antes que Liz me pedisse para ir lá ver se tinha alguém dentro do carro, resolvi mudar o assunto:
— Pronta?
— Sim!!
— Então vamos.
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Como bem foi falado, esse baile em nada era como os do Ensino Médio. Sem ponche, somente com sucos e salgadinhos que deixariam Bishop radiante.
Quando chegamos a música já ia alta e alguns pais se atreviam a dançar no ritmo desconhecido para mim. Para mim. Porque Lizzy parecia saber toda letra da música.
— Não me surpreende você conhecer essa música!
— Não só a música como os passos da coreografia também!! Quer tentar me imitar? — Ela me perguntou
Olhei para os poucos país que se arriscaram a dançar como as filhas e tive a certeza de que essa eu deixava passar. Tenho pena da coluna de um deles.
Mas, não adiantava esperar muito, esse não seria um baile longo, até porque a criança mais velha tinha dez anos, então eu teria que ir para a pista de dança mais cedo ou mais tarde.
De início Liz não fez questão, sentando perto de suas duas melhores amigas ela e as garotas ficaram conversando e dançando perto de nós ao invés de irem para pista, realmente se divertindo sem fazer muita coisa. Até que não tinha mais jeito. Eu teria que dançar. Até agora a única música conhecida que havia tocado era uma música de Michael Jackson que eu só conhecia porque Shannon cantava bastante. As outras, por mais que Liz me dissesse quem cantava e qual era o nome, eu ficava sem entender. Foi então que tocaram uma música mais lenta, mas a voz dos cantores era idêntica a de uma música que já havia tocado hoje.
— Liz, vem aqui!
— Sim papai! – Ela veio saltitante.
— Será que essa vai ser a música mais lenta que tocarão hoje?
— Story Of My Life, do One Direction? Não sei. – Ela deu de ombros. – Mas sabe que eu ouvi que vão chamar todos na pista de dança para poderem eleger quem dança melhor e quem será a Rainha do Baile?
— Sério?
— Sim, só não sei quando...
Ela não terminou a frase, logo a diretora estava convocando os pais e suas filhas para a pista, jurando de pé junto que todos reconheceriam a música que tocaria a seguir.
— Vamos lá?
— Sim! – Ela pegou a minha mão e fomos para a pista.
E, pelo menos a Diretora não mentiu. Essa música era impossível de não ser reconhecida, My Girl do The Temptations, e eu agradeci mentalmente, mas o que mais me impressionou foi Liz saber a letra.
— Como você conhece a letra dessa música?
— Mamãe costumava cantar... e eu aprendi.
— Tem mais alguma que eu deva saber?
— O senhor quer dizer, alguma música velha?
— Mais ou menos!
— Serve The Beatles? E Elvis?
— Serve sim. – E a girei na pista no ritmo da música. E daí até o final, não paramos de dançar.
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— Pode ir parando aí! Eu não acredito!! – Ellie foi a primeira nos ver. – Abby, meninas, corram aqui!
— O que foi? Ah meu Deus!!! – As outras quatro exclamaram ao mesmo tempo. – RAINHA DO BAILE!!!!!! Agora podemos te abraçar de verdade – e foi o que fizeram.
— Rainha do Baile, Chefe?
— E melhores dançarinos. – Ela retrucou ainda rodeada pelas meninas.
— Nada mal para um primeiro baile, Pimentinha!
— Não é, Tony? – Ela tinha o maior dos sorrisos.
Estávamos a meio caminho da entrada, quando notamos um outro carro estacionar bem perto de nós.
— Esse carro de novo! – Lizzie reclamou
— De novo? Como assim? – Ziva disse já levando a mão à cintura.
— Seja lá o que vocês estão falando, é um tremendo de um carro! – DiNozzo continuou.
— Estava parado do lado de fora de nossa casa. Até parece que está nos seguindo.
E estava, nos últimos dias principalmente.
— Vamos entrar, andem logo – pedi, antes que o que eu mais temia acontecesse do lado de fora do mais caro restaurante da área de DC.
Mas não tive tempo de fechar a boca.
Tim, Delilah, Jimmy, Breena e Ellie já haviam entrado, restando nós seis. Abby e Ducky estavam a meio caminho da porta e não viram quando a porta do carro foi aberta para revelar quem era a motorista.
Tony e Ziva olharam incrédulos na direção do carro, e tenho certeza que DiNozzo disse algo como “A Jenny tinha outra irmã?”, Ziva sibilou algo inteligível, pelo menos para mim, em hebraico. E Liz, bem ela olhou direto para a personificação de uma das suas fotos preferidas e saiu correndo em direção à tia.
— Eu sabia que não tinha sido um sonho! Eu sabia que você não era um fantasma! Você tá viva! — E abraçou a tia como se elas tivessem ficado separadas apenas por alguns meses e não por toda a vida da mais nova. – Papai! Papai! Ela tá viva. – e era impossível resistir a tamanha felicidade.
— Oi minha Ruivinha! É muito bom finalmente poder te encontrar também! – Jenny disse abaixando para ficar da altura da sobrinha e poder abraçá-la melhor.
— Eu também estou muito feliz, tia! Muito mesmo!! – e apertou o abraço. – Nem acredito!
— Mas, me conte uma coisa...
— Eu tenho um monte de coisas para contar!
— Eu sei, querida. Mas eu quero saber desse vestido lindo...
— Fui a um baile!
— Um baile? Mas você não é muito nova para isso não? Como Jethro deixou você ir?
— O papai foi comigo. E não acabou muito tarde. – O sorriso imenso no rosto de Liz desarmava qualquer reação negativa que qualquer um poderia ter.
— Depois você vai me contar o que aconteceu com detalhes, está bem?
— Tia Jen, por que você não janta com a gente? Eu tenho que contar para as meninas o que aconteceu e você pode ouvir também! O que você acha?
Jen olhou para nós três e, como ninguém ali ousaria acabar com o momento de felicidade de Elizabeth, disse.
— Está bem, se ninguém se importar — e ela levantou a sobrinha no colo – eu fico.
— Eu tenho certeza que ninguém vai se importar!
— Tem certeza?!
— Sim. Eles não vão falar nada.
— Se você está dizendo. – e Jenny beijou a têmpora de Liz com um carinho que eu nunca a vi ter...
Foi nesse momento que as fichas de Tony e Ziva caíram. Eles se olharam e depois e direção à Jenny. A ex oficial do Mossad foi a primeira a falar.
— Isso não era esperado, mas não fico surpresa. Você sempre teve seus truques! Seja bem vinda de volta. – Ela até tentou abraçar a amiga, mas quem disse que Lizzie a soltava?
— Eu não tô entendendo mais nada? Mas acho que aqui não é lugar para explicações... –DiNozzo olhou para a sua ex-chefe – Você vai voltar para o NCIS?
— Bom te ver também, Tony. Shalom Ziva. Não, não vou voltar para o NCIS, não posso.
Foi quando Abby saiu para nos chamar e, simplesmente paralisou.
— Você?
— Abby! Liz gritou ainda no colo a tia — Lembra do a gente conversou?
— Você. Tá. Realmente. Viva! – Ela gritou. – Lizzie deu certo!!
— Eu sei! – E Abby correu em direção as duas para um abraço coletivo.
Eu estava parado, resolvi só observar a cena. Ducky parou do meu lado e me disse:
— Finalmente me vejo livre de mais um segredo. Esse foi um dos mais difíceis de guardar. – Ele me confidenciou.
— Nem me diga, Ducky. Nem me diga.
— Então, vamos entrar? Porque Ellie já está lá e aposto que ela é capaz de comer toda a comida desse restaurante de uma única vez. – Tony disse. – E Jenny, acho que posso te chamar assim, depois conte como voltou dos mortos.
— Simples DiNozzo. Eu nunca estive lá.
— Mas como?
— Coisas da CIA. Com o tempo conto. Mas será que podemos entrar, estou congelando e alguém aqui – ela cutucou a sobrinha – tem que me contar como foi o baile.
Quando entramos e rumamos para a mesa, que agora tinha mais uma adição, McGee e Jimmy quase morreram de susto.
— Eu nem sei o que dizer...Diretora...
— Jenny, McGee. Apenas Jenny. Não sou mais diretora de nada. Olá, Jimmy!
— Diretora... er... Jenny. Bom saber que você... voltou!
— Obrigada! – e ela começou a se apresentar para as três mulheres que não estavam entendendo nada do que acontecia ali.
Depois de um tempo de conversa, ou sobre atualizações, onde o restante da equipe descobriu de onde as informações do Caso Rhodes vinham, e, com a promessa de que contaria como ainda estava viva em um local mais apropriado, a conversa mudou de foco.
— Acho que alguém tem que nos contar como foi o baile. Já sei que foi Rainha... – Ziva disse. – E eu quero detalhes.
— Rainha?! Disso eu não fiquei sabendo? Onde está a coroa? – Jenny perguntou.
— Parece que você tem concorrência agora. – Sussurrei no ouvido dela.
— Essa aqui eu não me importo. — Ela me repondeu baixinho enquanto fazia um carinho nos cabelos da sobrinha.
— Mas conta logo, Lizzy! Como foi! – Ellie implorou.
— Então....
E ela contou, com mais detalhes que eu imaginei ser possível. Quando algo não ficava muito claro, ou se alguém queria um detalhe a mais ela dava. Sempre com um sorriso no rosto.
A noite passou rápida. E mesmo depois de Bishop comer quase todo o cardápio. E Liz o cardápio de sobremesas, diga-se de passagem, resolvemos que era hora de ir.
Nos despedimos com a promessa de que almoçaríamos juntos na casa de Ducky, ainda tinha muita coisa para ser conversada. Mas, no geral, ninguém pareceu surpreso com a volta da Jenny. No fundo, acho que todos sempre desconfiaram que ela estava viva.
Quanto à Liz, essa não largou da tia, o que acabou rendendo algumas piadas sobre meu ciúmes.
— Admita Chefe. Essa você perdeu. Ela não vai largar a tia tão cedo!
— Tony! Para com isso! Eu não estou trocando o papai!
— Parece que alguém tem uma advogada! O que acontece com a Regra 13?
— Tony, boa noite!! Tchauzinho! Ziva, leva ele embora!
— Seu desejo é uma ordem, Majestade. – Ziva fez uma reverência em direção à Lizzie e depois saiu puxando DiNozzo pelo braço.
— Será que a gente pode ir para casa agora?
— Mas é claro que sim, Lizzie. E mantive a porta aberta para ela. Vi quando ela olhou apreensiva para Jenny que seguia para o seu carro. Mas ela também notou o medo nos olhos da afilhada e disse:
— Quer apostar que chego primeiro que vocês?
Liz me olhou e depois comparou ou dois carros, e sussurrando disse?
— O senhor tem certeza que esse Dogde é mais rápido que aquele Jaguar, não tem?
— Tenho. – respondi. Mas eu também tinha uma carta na manga.
— Então tá apostado! – E ela pulou para o banco do carona já desesperada em não deixar Jen ganhar.
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Não posso dizer que sinto ciúmes da forma como Jen e Liz são unidas. Por que vou reclamar disso se tenho as duas do meu lado? Logicamente tem horas que é demais ter duas Shepards falando na minha cabeça e defendendo uma a outra. Nessas horas não me resta nada a não ser declarar que elas estão certas e me dar vencido, já que levar qualquer discussão adiante é uma declaração aberta de guerra.
Como Jen bem disse, ela não voltou a trabalhar no NCIS, apesar de que, com o tempo e o fato de toda a equipe – principalmente DiNozzo — ser apegada a Liz, ela acabou por explicar o realmente aconteceu há anos atrás. Foi difícil fazer com que todos aceitassem a sua versão e seu pedido de desculpas, mas não havia nada que eles não fizessem por Elizabeth, e quando a pequena notou o clima estranho que envolvia alguns da equipe e a sua, agora, mãe, ela tratou de ser a intermediadora e diplomata da situação.
Demorou, mas em um jantar de Natal, todos se acertaram, e a nossa vida continuou, eu no NCIS e Jen trabalhando para CIA, não mais infiltrada, é claro, mas como uma agente de ligação entre a Agência de Inteligência e demais agências, e depois, com o tempo, foi cogitada para o cargo de diretora. Mais uma vez ela chegava a um patamar maior que o meu.
Aniversários, Natais, Halloweens, Quatro de Julho, cada feriado era importante e com eles uma reunião da equipe era marcada. Equipe hoje, um pouco maior com a chegada dos bebês Victoria, Tali, John e Morgan.
E hoje, dez anos depois de sua chegada, me vejo na mesma situação daquele dia. Tenho um baile para ir.
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— Hei, mãe! Tem certeza que não quer ajuda? O papai já está pronto!
— Não, eu não preciso de ajuda!
— Mas por que a senhora está toda hora entrando no meu quarto?
— Mas que mania é essa? Aprendeu com seu pai – Ela gritou indignada do alto das escadas.
— Pelo que eu tô vendo, a senhora não está nem um pouco pronta! O que tanto procura?
— Sapatos!
— Sapatos?! Mas a senhora comprou três pares só para esse baile. – Para o desespero de papai, que, repetindo o que ele fez comigo há dez anos, caiu na besteira de falar que levaria mamãe às compras para esse baile. Se comigo ele reclama até hoje das seis horas de compras, depois das oito andando atrás da esposa, tenho certeza que falará disso até na próxima vida!
— Jen, por favor! Estamos quase na hora!
— Leroy Jethro Gibbs, sua esposa não pode aparecer de qualquer jeito em um baile presidencial no qual você irá receber uma medalha de honra. Tente entender isso! E você, mocinha, já está pronta?
— Mas Jen, você sempre vai ser a mulher mais bonita da festa. – Eu resisti ao impulso de rolar meus olhos, mas mamãe não comprou o elogio.
— Está dizendo para me apressar, e não ouse fazer isso de novo! – Ela lançou aquele olhar Gibbs que ela aprendeu a fazer tão bem, diretamente para Gibbs, o dono da olhada mortal.
— Pai, é melhor deixar ela se arrumar sem apressá-la. Vai por mim... Eu vou lá ajudá-la e o senhor fica aqui esperando o pessoal chegar.
É claro que toda a equipe iria a esse baile. Evento do século para o NCIS e, dessa vez, as meninas poderiam concluir se papai sabia ou não dançar.
— Elizabeth Shepard-Gibbs – Meu nome depois da minha adoção oficial pelo casal Shepard-Gibbs – se a mocinha não subir no meu quarto agora, pode ir esquecendo as férias de verão.
— É a minha deixa. – Falei beijando a bochecha de papai – Volto daqui a pouco.
E antes que eu subisse as escadas em um átimo, ele me fez a pergunta que tinha me feito há dez anos:
— Hei, Liz, tem certeza que não quer ir no baile da sua escola?
— E perder meu pai ser agraciado com uma medalha pelo Presidente em pessoa? É claro que não! E tem outro motivo, sabe qual é?
— Não. – ele me olhou curioso.
— O melhor dançarino não vai estar lá. – Pisquei pra ele e subi as escadas, não antes de mamãe tornar me ameaçar:
— Elizabeth, você perdeu o medo da morte?
— Tô indo, mãe!
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Não demorou muito tempo e campainha começou a tocar insistentemente. Alguém da equipe chegara, quando abri, era a equipe inteira. Cada um com seus pares, felizes, por terem uma noite de folga do trabalho e, alguns, até mesmo um descanso dos bebês.
— A coisa tá feia lá em cima, Chefe?
— Tirando o fato de que Jenny já ameaçou a Liz duas vezes nos últimos cinco minutos, tudo está bem, Tony.
— Sabe o que eu estava pensando?
— Não Abbs, o que?
— Que a vida é um ciclo mesmo, há dez anos todos nós estávamos no pé desta mesma casa, esperando a Liz descê-la para ir ao seu primeiro baile... e hoje, estamos todos reunidos, de novo, para um outro baile, mas dessa vez, é você, Gibbs, quem será nossa estrela! Engraçado, né?
— Nem me fale Abbs, nem me fale.
— A única diferença é que hoje não transformamos a Liz em nossa boneca particular, ela é quem foi nos ajudar! O mundo da voltas!
— Com certeza, Ellie! Muitas voltas.
Ouvimos passos, e finalmente Jen havia escolhido o vestido e estava pronta para o baile. Assim como Liz que descia atrás dela. Dessa vez não teve apresentações ou fotos, deixamos tudo para quando todos estivessem devidamente juntos.
E, repetindo o mesmo gesto que fiz com Liz, peguei a mão de Jenny e a guiei até o andar. Todas as garotas riram quando ela sussurrou “Chauvinista” para mim e Liz replicou com o seu já famoso: “Já deveria saber que ele faria isso, mamãe!” e aproveitei e dei a mão do mesmo jeito para a minha filha.
— Todos prontos? Temos um baile para ir e mostrar a todos que somos a equipe mais elegante de todas.
— Sua autoestima me assusta, Tony.
— A McTímido, não fique assim, somos os melhores e até o Presidente sabe disso.
— Só para ter certeza – Abby cortou os dois – Lizzie, tem certeza que quer ir com a gente ao invés do seu baile de despedida da Escola?
— E você acha que eu vou trocar essa companhia e a comida boa da Casa Branca, por um bando de gente bêbada, ponche batizado e uma horda de líderes de torcida que ficam se achando as últimas modelos de passarela? É claro que não!! Vamos indo?
Todos se olharam, e respondera em uníssono?
— Por que não?
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Como bem disse Abby, a vida é realmente um ciclo. Se há dez anos meu pai ficou me olhando admirado enquanto eu descia as escadas de nossa casa, toda arrumadinha igual a uma boneca, pronta para o meu primeiro baile, hoje quem está com a sensação de admiração e orgulho sou eu. Foi indescritível o que senti quando o nome dele foi anunciado pelo Presidente e ele foi agraciado com a Medalha Presidencial da Liberdade, juro que não contive as lágrimas, aliás, nenhum de nós que estávamos naquela mesa, conseguimos segurá-las.
É lógico que papai já tem o Coração Púrpura que ganhou quando ainda era militar, bem como a Estrela de Prata e a Medalha de Honra do Congresso, esta também teve um baile, mas neste eu não fui. Porém, esta era diferente, era a consagração de todo serviço que ele prestou em nome do país, seja como Marine, ou como Agente Federal, e fechava o ciclo dele como agente. Pois é, Leroy Jethro Gibbs, depois de quase trinta anos como Agente Federal estava entregando o distintivo e se aposentado. Para o alívio de mamãe, pois no último ano, em um caso um tanto quanto complicado, quase o perdemos de vez.
Bem, mas o hoje, o agora, era o momento de comemorar. Comemorar com nossa família essa honra. Comemorar que todos estávamos aqui, apesar de todos os percalços e acidente do caminho. E vendo-os dançar na enorme pista deste salão me fez ver o quão sortuda eu sou. Apesar de ter perdido meus pais biológicos ainda tão nova, eu ganhei uma segunda chance, ganhei uma nova família. Louca na verdade, às vezes, chego a pensar se não deveríamos estar todos em um manicômio, mas, quer saber, não os trocaria por nada nesse mundo. Nada, eles são tudo o que eu amo!
Epa, acabou a música que meus pais estavam dançando – tão bem que as pessoas pararam de dançar para observá-los, o sincronismo destes dois é incrível, e falo com orgulho mesmo, são o casal mais lindo do mundo! – e papai vem vindo à minha direção. E pelo visto eu sei o motivo. Os primeiros acordes da primeira música que dançamos no Baile de Pai e Filha está começando a tocar. Bem, como ele cansou de falar nos últimos anos, é a nossa música, e não tem maneira melhor de terminar esse baile do que dançando com a melhor companhia possível. My Girl está tocando, e é a nossa deixa de ir para pista, assim como foi há dez anos!
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