Notas iniciais
Espero que gostem ♥

É uma noite chuvosa. Mas isso não impediria a cidade de Londres perder o seu brilho, principalmente quando um baile de Máscaras está acontecendo.

Pessoas ricas festejam o tempo todo, alguns gostam de se apegar ao passado e comemorar bailes que remetem trajes e decorações do século 19.

Uma época de ouro para Londres, com muitas festividades na Inglaterra.

Mas o baile de máscaras dessa noite era mais que especial, Agatha está acompanhando seu pai, que foi convidado pela empresa qual trabalha.

E desde a morte de sua mãe, como a filha mais velha, era seu trabalho acompanhar seu pai nesses eventos.

Esse era o terceiro baile que Agatha ia um mês, ela se sentia como uma jovem debutante do século 19 nervosa atrás de um marido.

Estava se sentindo bonita e confiante, mas sentia que iria acontecer algo nesse baile.

O que poderia ser? Um assassinato?

Algumas pessoas tem morrido misteriosamente nos bairros mais chiques de Londres...

E todas essas vítimas parecem ter sido pelo mesmo motivo, mas ninguém tem falado sobre isso.

— Querida? Por que está tão calada? — Seu pai perguntou.

— Hum?

— Você ainda está brava por causa do baile? — Ele perguntou novamente.

Agatha respirou fundo antes de sorrir para o seu pai.

— É um baile de máscaras, estou animada. — Resondeu finalmente.

— Mesmo? Pois não parece, até mesmo quando está mentindo se parece com a sua mãe. — Ele sorriu travesso.

Agatha desviou o olhar.

— Eu prometo que está tudo bem, posso ir a uma viagem com meus amigos em outro momento.

— Sorria querida, estamos chegando na mansão do Senhor Montgomery.

Você olha pela janela e se depara com uma gigantesca mansão vitoriana em plena Londres do século 21, algo que era comum na Inglaterra.

— Oh, estou vendo... Tem certeza que ele não pertence a realeza?

— Ouvi dizer que ele tem um parentesco com a rainha, mas nada confirmado.

— Isso seria incrível.

De repente foi ouvido fortes trovões enquanto se direcionavam para o baile de máscaras.

Agatha respirou fundo e tentou falar baixo para seu pai não ouvir.

— Tenho certeza que posso me divertir hoje, só preciso me enturmar com ricos e famosos.

Ela suspirou.

— Vão estar todos de máscaras, identidades preservadas, não será tão difícil.

Seu pai pigarreou.

— Hora de colocar a máscara querida.

— Certo pai.

Agatha colocou sua máscara.

Era uma máscara preta com com algumas rendas e alguns brilhos para ornar com os brilhos do seu vestido.

— Será que irei conhecer um cara legal essa noite?

[...]

Agatha e seu pai entram na mansão, mas seu pai logo vai criar e fortalecer ligações com os colegas de trabalho, deixando ela sozinha em um corredor.

Agatha já imaginava que ficaria sozinha a maior parte do tempo, mas estava preparada para isso.

— Essa mansão é tão grande, nem mesmo o chefe do papai mora em uma casa assim. — Ela olhou ao redor animada. — O senhor Montgomery é um homem chique, parece que tem um grande gosto por quadros.

Ela se senta em um dos sofás que se encontram no saguão e começa a observar a arquitetura do lugar.

Esculturas e quadros tão bem feitos ao ponto de passar inveja decoram o lugar, pareciam tão caras e únicas que você estava sem palavras.

Então Agatha botou seu olhar no quadro de uma mulher vitoriana, a pintura era meio sombria e o olhar da mulher era triste.

— Ela parece tão jovem... O que pode ter acontecido para ela estar tão triste?

— Você gostaria de uma bebida?

Uma voz jovem e rouca perguntou a assustando.

— Hum?!

— O que faz aqui sozinha? Não participará da primeira dança?

Agatha se vira para trás dando de cara um belo rapaz mascarado.

— Oh!

— Então senhorita, gostaria de uma bebida — Ele estava com dois copos em suas mãos.

— Ah... Eu não bebo. — Ela diz, dessa vez olhando direito para o rapaz à sua frente que, pelo estilo do traje, parece ser bem rico.

Agatha até poderia julgar que ele seria da nobreza.

— É, oi...

Ele sorri.

— Posso me sentar ao seu lado?

— Ah...

Agatha estava nervosa, mas seu pai lhe disse para também fortalecer as ligações, e o jovem ao seu lado tinha uma aura de importância o envolvendo.

— Desculpe-me a indelicadeza, mas qual a sua idade?

— Esta perguntando a minha idade?

— Sim, por que?

— É a primeira vez que um cara me aborda já perguntando a minha idade.

Ele riu.

— Por isso já pedi desculpas antes, senhorita.

— Ah sim, mas poderia ter começado pelo meu nome. — Agatha falou tímida.

— Estamos em um baile de máscaras, eu não deveria perguntar seu nome. — Disse o rapaz.

— E por que não?

— As máscaras são justamente para manter nossas identidades. — Falou ficando com um sorriso presunçoso. — Se ao fim do baile ainda estivermos juntos e minha presença for de total agrado da dama, podemos nos revelar um para o outro.

Ele sorriu malicioso.

— Se a senhorita desejar, é claro.

Ele oferece a bebida novamente e Agatha pegou sem pensar.

— Tudo bem, um pouquinho não faz mal.

— É apenas por uma noite, minha bela dama.

— Minha bela dama?

O modo de falar dele era bem diferente de outros garotos que Agatha ja conheceu.

Ele parecia um belo romântico do século 19.

— Então... — Ele oferece o braço e você aceita. — Qual é a sua idade senhorita?

— Eu completo 24 em abril. — Ela respondeu tímida.

— Então temos quase a mesma idade.

— E posso saber qual é a sua?

— Eu tenho 22.

— É refrescante encontrar alguém de idade perto da minha por aqui.

— Digo o mesmo.

Vocês riem um pouco.

Mas então ele sorriu malicioso novamente.

— Porém, é um pouco inusual encontrar alguém de sua idade que não beba atualmente.

— Os meus pontos abaixaram com essa informação?

— Em minha opinião, eles aumentaram.

— Acho que fico feliz em ouvir isso.

— Pois deveria ficar, você chamou minha atenção assim que a vi.

— Sério? O senhor tem me observado desde que entrei aqui?

— Sei que acabamos de nos unir, mas não ache isso estranho. — Diz.

— Vou pensar no seu caso.

O jovem leva Agatha para o grande salão de bailes bem a tempo quando a música começa.

[...]

Os casais estavam se juntando e todos eram lindos e misteriosos em seus trajes caríssimos e as máscaras que protegiam suas identidades.

O rapaz misterioso ao lado de Agatha se afasta um pouco e depois estende a mão esquerda para você.

— Gostaria de dançar? — A pergunta vem acompanhada de um charme inegável, levando Agatha a aceitar.

— Acho que viemos aqui pra isso não é mesmo?

— Certo senhorita, você me acompanhou sem ao menos me conhecer.

— Geralmente é o que acontece em um baile de máscaras.

Ele sorri em resposta e a leva pela mão para o centro, onde mais casais dançam ao som do violino acompanhado pelo piano.

Ao passo da música Agatha fica cada vez mais envolvida no charme do seu par e em seus olhos claros que, mesmo atrás da máscara, continuam a envolvê-la.

— Você poderia me dizer qual o seu nome? — Ela pergunta.

— O que? Não aconteceria apenas no final do baile? — Ele perguntou confuso e Agatha sorriu tímida.

— É que... Senti vontade de perguntar agora, sabe, sua companhia me agrada. — Ela respondeu.

— Sua companhia também me agrada, bela dama.

— Não pode dizer se sou bela com uma máscara protegendo minha identidade.

— Eu não preciso ve-la, posso ver que é bela e nem irei me decepcionar quando eu puder vê-la sem a máscara.

As palavras dele deixam ela encantada.

— Você parece saber o que dizer...

— Muito tempo de experiência.

— Então poderia me dizer seu nome?

— Sim.

Ele responde e Agatha ficou ansiosa pela resposta.

— Porém, não lhe direi.

— O que? Sério? — Agatha expressa desaprovação à resposta recebida.

— Apenas no final senhorita. — Ele sorriu. — Não se esqueça... Qual a graça em saber a identidade de alguém em um baile de máscaras?

— O fato de ser um dos únicos a saber a identidade de alguém.

Ele sorri com a resposta.

— Hum, boa resposta.

— Eu sei disso.

Ele aperta um pouco mais sua cintura e ela tenta controlar suas emoções.

— Se quer tanto saber lhe contarei.

Ele sussurrou perto do seu ouvido, arrepiando sua nuca com o tom da sua voz.

Seu nome estava revelado, mas ele pediu segredo.

— É a primeira vez que ouço desse nome. — Agatha falou surpresa.

— Isso não me surpreende. E o seu?

— Eu me chamo Agatha, me chame de Agatha.

— Bom, respeitável e virtuoso. Acredito que combine com você.

— Uau, é a primeira vez que ouço isso a respeito do meu nome.

— Posso elogiá-lo mais vezes, se assim desejar.

— Oh não, elogie meu vestido ou meu penteado, deu trabalho pra fazer.

Eles continuam em silêncio e dançam até o fim da música.

Quando a música termina Agatha percebe olhares curiosos sobre ela e seu parceiro de dança, ele também percebeu e parecia um pouco tenso.

— Algum problema?

— Nenhum, acho que apenas nossa dança foi muito bem apreciada. — Ele não pareceu sincero na resposta.

— É, eu reparei.

Ele toca a mão de Agatha gentilmente.

— Agora que sabemos nome e idade um do outro, eu gostaria de saber mais sobre você. Me acompanha?

— Para onde vamos?

— Apenas me siga.

[...]

Agatha segue seu parceiro de dança até uma sacada vazia, passando por um dos vários quartos da mansão.

A vista que ali tinha da cidade era de tirar o fôlego.

— É permitido ficar aqui?

— Isso realmente importa?

Agatha o olha expressando reprovação e ele solta uma pequena risada.

— Você não precisa se preocupar, contando que esteja comigo. — Disse calmo.

— É que meu pai pode ficar preocupado...

— Seu pai? Você é uma adulta, não deveria se preocupar com o que ele irá achar.

— É complicado, as vezes me importo demais com a opinião dele.

Ele sorri.

— Você pode confiar em mim. Qual mal um rapaz encantado por sua parceira de dança poderia fazer?

— Ah... Certo, você está certo. Me desculpe.

Agatha se deixa levar pelas palavras dele.

— É bom que parou de chover. — Diz tímida, ela havia ficado mais tímida que o normal naquela noite.

—Sim. Assim eu posso ver os seus cabelos se misturarem com a escuridão da noite. — Ele ri com o próprio comentário. — Posso ver o seu rosto?

— Agora? Não estamos no fim do baile.

— Qual o problema? Você exigiu meu nome e eu te disse, agora eu exijo ver você.

— Hum... Mas eu também posso ver o seu?

Sem responder ele tira a máscara.

— O que você acha?

— Você é mais atraente do que imaginava.

— Fico feliz com o elogio. — Ele responde tirando a máscara dela. — Posso dizer o mesmo sobre você... — Estava certo, é maravilhosa.

Ela agradece.

— Obrigada, de verdade.

— Eu não te disse um significado que o teu nome tem: ele também representa a perfeição e, depois dessa noite, acredito que você faz jus ao nome que lhe foi dado.

— Caramba... Acabou de me deixar muito sem graça.

— Eu ainda não terminei.

Ele se aproxima um pouco mais de Agatha.

— Os seus olhos são preciosos como o topázio azul e, depois de tirar a sua máscara, percebo que esse fator é só um enfeite comparado à beleza do seu rosto. E quando toco a sua pele, é como se tocasse seda de tão macia que é.

Agatha não sabia como reagir as palavras dele.

De repente nada mais importa a não ser eles dois na sacada onde estavam.

O rapaz continua se aproximando e finalmente envolve Agatha em um beijo estonteante.

Ela retribuiu com vontade. Agarrou os cabelos dele e ele puxou ela com força contra o corpo dele lhe causando as mais diversas sensações.

Agatha esperava de tudo nesse baile de máscaras, menos isso.

— E se alguém nos vir aqui?

— Eu já tomei providências, ninguém vai nos incomodar.

— Como assim? Não te vi falar com mais ninguém enquanto víamos pra cá.

— Vamos dizer que... Eu conheço bem o dono dessa mansão.

Ele beija os lábios dela novamente e depois lambe o seu pescoço, Agatha estremece de prazer com a sensação.

Mas de repente ela sentiu uma súbita dor em seu pescoço.

A pele da tal região é rasgada pelas presas afiadas do rapaz que agora se encontra com brilhantes olhos vermelhos.

A sua pele já antes clara se torna branca e suas veias ficam visíveis.

Ela se debate, mas não consegue se distanciar dele nem por um centímetro.

A jovem tenta gritar por socorro, mas no momento que abre a boca tem a mesma tampada pela mão do monstro que consome o seu sangue e sua vitalidade.

— Com a música nessa altura, ninguém irá te ouvir. — Ele diz com um tom de voz malicioso e volta a beber do sangue da loira, que vai gradualmente perdendo as suas forças.

Quando a jovem se encontra sem força alguma o rapaz a solta, fazendo com que ela consequentemente caia no chão.

— Você realmente fez jus ao seu nome e foi um fantoche perfeito até o fim... Mas isso não acabou aqui, você é a escolhida.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!