Bailarina da caixa de música
1 Poesia
Notas iniciais
Dança; assim como a última apresentação de sua vida
Baila; assim como sempre fizestes
Um salto, um giro, um suspiro
Preparas-te e então começas
Uma bela flor a dançar sobre o luar
Cantarolando, fazes a trilha sonora
Baixa e quase inaudível, presa em sua vil memória
Gire, sorria, encante
Por toda sua vida, não foi isso que fizestes?
Por que dessa vez, então, tanto te emocionas?
Não é como uma habilidade? Aquela que adquirimos com o tempo?
Por acaso, o desespero de teu peito, não passará essa noite?
Por que para tu essa noite é tão bela?
O que a luz da lua cheia sobre esse pátio leva de especial?
Oh, quão hipócrita
Como se não eu não soubesse
Como se eu não conhecesse
Como se esta lua não fosse tão mais bela a meus olhos
Oh, esta noite
Vou parar aqui do outro lado, enquanto espero-te terminar
Será o desespero para que tudo saia perfeito?
Ou seria por acaso a fragilidade de seu ego?
Já não tem esperanças?
Vejo-te errar, levantar e recomeçar tantas vezes
Fúnebre é a palavra
Corres contra o tempo, tempo que não há de te esperar
Aquele cujo está acabar
Por isso, meu pequeno cisne, não se fruste
Não dispondes de tempo para tal luxo
Se a tristeza de acalentar Se sentires o doce abraço da morte
Oh, se não suportares as lágrimas em seus olhos
Dance, mostre através dessa mais bela expressão, a dor que carregas
Esse segredo mordaz tão antigo
Olhe, a areia já vai se esgotar
Ampulheta da vida vai se esgotar
Vá! Pequeno cisnei, dance sua última música
Sobre seu lago gigante de mármore
Suspire, inspire e demonstre
E quando a corda da caixinha se acabar
Já terás ido;
como uma linda pomba branca
O mais longe que possa alcançar
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