Bailarina

7 La vie et sa fin


Notas iniciais
Finalmente o último capítulo desta triste saga de uma bailarina abandonada ao desespero e à demencia . Não vou elogiar minha própria história , não por modéstia , mas por não haver nada de belo na dor.

“Toc toc.Batiam à minha porta,não movi um músculo.As coisas continuavam ruins.Mademoiselle Syn mostrara-me seus rascunhos da última vez que nos encontramos.Não suporto mais sua falsa amizade.Dói-me ver que poderíamos ser amigas de verdade,eu a adoraria,não fosse um detalhe sórdido que coloca entre nós um enorme abismo : seu namorado.

-Eleanor?

-Oui?(Sim?)

-C'est bien avec vous?(Está tudo bem com você?)
-Oui, oui.
(Sim,sim.)
-Pourquoi ne pas me regarder dans les yeux plus?(
Porque não me olha nos olhos mais?)
-Eye oui.
(Olho sim.) — Olhei.Eram azuis como sempre.Maravilhosos.
-Non. Ne regardez pas. Hey, attention, je n'aime pas voir son genre
.(Não.Não olha.Ei,preste atenção , não gosto de vê-la assim.)
-Comme quoi?
(Assim como?)
-Où est l'éclat de vos yeux? Où est votre cadence de la danse? Je sais que c'est beaucoup plus que ce qui est présenté. Avant le stade vibrait et le public est devenu fou de sa performance ... não.Simplesmente plus applaudi aujourd'hui une présentation pour laquelle ils ont payé à cause de mon créitica, mais ils ont vu ce que j'ai vu il ya un an. Il est le meilleur danseur que je connais dans toutes les sociétés que j'ai jamais vu une présentation. Faites-moi une faveur et continuent d'être, bénéficiant de son titre. (
Onde está o brilho do seu olhar?Onde está sua cadência na dança?Sei que é muito mais do que tem apresentado. Antes o palco vibrava e o público ia à loucura com a sua performance...Hoje não.Simplesmente aplaudiram mais uma apresentação pela qual pagaram por causa da minha crítica,mas não viram o que vi há um ano. É a melhor bailarina que conheço em todas as companhias a que já assisti uma apresentação .Faça-me o favor de continuar sendo,ostentando seu título.)
« Impossible. Mon coeur fait mal, ça empêche le reste de mon corps à bouger au rythme de la mélodie qui était autrefois si doux »
(Impossível. Meu coração dói,impede o resto do meu corpo de movimentar-se ao rítimo da melodia que um dia foi tão doce.).Pensei.
-Droit.
(Certo.) — Respondi,mas uma lágrima me traiu,preocupado ele me questionou ainda uma vez se estava tudo bem.Não contive meu impulso,não sei se de propósito ou se,já cansada da farsa,entreguei-me de completo à sensação de liberdade(ou será libertinagem?) que aproveitara a brecha da lágrima e dominara-me.

Henri

O que era aquilo?Ela chorou sob meus lábios.Em meus braços.Comigo.Por quê?Ah céus!Como fui tão cego?Magoei uma criatura tão pura como Eleonor e nem sequer importei-me.Mas também...Que podia fazer?Eu não a amava!Não mais que uma amiga

Eleonor

Quando acordei para o que realmente fazia,senti seu olhar frio sobre mim.Era confuso,questionador,mas gélido.Tal qual um médico analisando o paciente hipocondríaco que nada tem de doença,a não ser solidão.E esta é incurável enquanto nela ele persistir em reclamar.Desta vez em diante,realmente nunca mais mirei-o nos olhos.

-S'il vous plaît laissez.(Por favor,saia.)

-El...

-Maintenant(Agora.) — Urrei.Segurava a porta do camarim aberta esperando que ele passasse e fosse embora para sempre...da minha mente,do meu coração,da minha vida.Tentava a todo custo expulsá-lo da minha realidade,mas agora era concreta a minha sede de seus lábios suaves.Havia provado deles e não queria mais que se fossem de mim,mas era necessário recuperar o auto-controle.Antes de ir-se ele fitou-me ainda uma vez,curioso.Não sei se preocupado,feliz ou irônico.Virei-me antes que cruzássemos novamente.Por orgulho,ainda que ferido,não quis dar-lhe mais demonstrações do meu quase desespero,da minha quase morte.Do meu quase sonho.

Felizmente a temporada de apresentações encerrara-se.Havia uma semana Dukè não comparecia mais ao meu camarim para congratular-me pela apresentação.Tecnicamente estávamos de relações cortadas,ao menos era o que pensavam minhas colegas.Eu sabia que cortadas não.Só mais fortes.Agora ele sabia,e tinha o que refletir sobre minhas ações.Dera-lhe de presente esta confirmação daquilo que só estava escrito nos olhos.Daquilo que só transbordava nas palpitações do coração.Daquilo que nem mesmo eu desacreditava mais.''

Continuei em minha busca implacável pela história de minha benfeitora,da qual ''herdei'' o diário por anos a fio.Incrívelmente em ponto algum do caderno havia o nome de sua companhia de dança.E Henri fizera muitas críticas a muitas companhias de dança no jornal recentemente.Como poderia eu saber qual delas era a que Eleonor dançara?Pesquisei,fui à sede de quase todas,procurei por cadastros nos cartórios...nada achei.Parecia que Eleonor Cygneblanc não existia...então sua história não seria real?Seria apenas a história de alguma escritora anônima no mundo,cuja obra fora plagiada por Alícia Syn?Pois esta existia.Eu tenho o livro!Brilhante por sinal,mereceu o prêmio Pulitzer que ganhou,mas terá sido plágio?Se sim,quem seria a garota do banco da praça ?

-Cygneblanc...?Cygneblanc...hum...?Monsieur, vous êtes sûr de ce nom?(Senhor,tem certeza deste nome?)

-Oui.Voir ici.(Sim,veja aqui.)- E mostrei à atendente da companhia de dança de Mademoiselle Vardin,uma das companhias recentemente criticadas por Dukè.Havia ficado em obscuro por alguns anos e agora o nome voltava à palavra do crítico,enchovalhada pela falta de glamour dos áureos tempos em que estava nas toplists cults da bela Paris.A companhia tinha mais de 100 anos de tradição,pertencia à família Vardin & Cheval,mas,segundo a cidade,faltava-lhe um quê de perfeição do corpo de baile dos cinco,seis anos anteriores.

-Peut-être dans les anciens dossiers.(Talvez esteja em registros mais antigos.)

-Comment âgées?(Quanto mais antigos?) — Respondeu-me mal humorada a atendente.

-Dans cette dernière décennie.(Desta última década).

-Oui. — Ela acessou outro histórico da companhia e lá estava !

-Cygneblanc.Eleonor P. Cygneblanc ?

-Oui oui ! -Estava exultante com minha descoberta,,a jovem recepcionista não compreendeu-me!Mas permitiu que eu tirasse um xerox do dossiê.Era o perfil da bailarina mais prestigiada na escola nos últimos vinte anos!Mas havia ''aposentado-se'' por assim dizer há uns quatro anos e meio.A data exata do tempo percorrido desde que recolhi o diário na praça do bairro,com um dia de diferença.Ela pedira férias da companhia no dia anterior ao nosso encontro.

Quando cheguei em casa abri o xerox e delliciei-me em comparar o perfil descrito no dossiê com as confissões do diário.

Nome da aluna:

Eleonor Pittman Cygneblanc

Idade:

25 anos

Tempo de permanência na instituição:

15 anos

Histórico:

Apresentações remuneradas pela companhia

Observações:

Recebeu Críticas benfasejas de Henri Dukè

Obviamente minha busca não terminoou aí.Esta descoberta apenas calou-me os questionamentos sobre a existência da jovem no mesmo mundo que eu.

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Ding dong

-Oui ? — Era um homem forte aquele Dukè,não fosse gentil teria medo de dirigir-me a ele,logo eu,Paule!que sabia da sua vida pessoal tão bem quanto ele,graças á sua amiga desaparecida,Eleonor,alto e bem apessoado,mas parecia extressado.Talvez fossem os tablóides que anunciavam insistentemente o término de seu romance/noivado com a escritora americana A.Syn.

-Pardonnez-moi de vous déranger, monsieur, mais je fais une étude de l'histoire de la danse à Paris e. .. comme un des principaux critiques de ces présentations, et a personnellement connu a. .. coulisses récemment, Eleanor Cygneblanc...(Perdão perturbá-lo,senhor ,mas estou fazendo uma pesquisa da história do balé em Paris e... como é um dos maiores críticos sobre tais apresentações,além de ter conhecido pessoalmente a...recentemente fora dos palcos,Eleonor Cygneblanc...)

-Cygneblanc?Des nouvelles à ce sujet?(Alguma novidade sobre ela?)

-Non monsieur...

-Qu'est-ce que tu fais ici?(Que faz aqui?)

Decidi então,á partir daquele tom desconfiado,explicar-lhe melhor toda a situação.Contei-lhe que há mais ou menos cinco anos antes conheci uma jovem que deixara no banco da praça um diário escrito com tinta invisível e que nele retratava a vida de Eleonor.Ele perguntou-me como era o diário e descrevi-lhe.Abismado confirmou que a moça era mesmo Eleonor,mas que há quatro anos não a via mais.Contou-me mais coisas sobre aquele tempo.Eleonor gostava de lírios e balas de criança.Lia e escutava música,enquanto cozinhava algo saboroso e respondia à altura uma conversa intelectualizada .Era fascinante.Muito mais que o que demonstrava na agenda.

-Sabe,ela era brilhante.Viva.Quando a conheci,no camarim,era sua primeira apresentação pela companhia como trabalho,não mais como aluna,mas parte do corpo de baile.E tão...segura de si.Enquanto na platéia,eu observava criticamente todos os outros bailarinos no palco,fazia minhas anotações sobre a qualidade da coreografia e o desempenho de cada um,mas então ela entrou em cena e expressou-se tão bem,encarnou tão forte o papel...que apaixonei-me!Fui ao seu camarim cumprimentá-la e gostei de sua conversa.Paracia seguir várias linhas de pensamento ao mesmo tempo e,magicamente tudo parecia fazer sentido.

Ele continou,tarde àfora,a desfiar-me o carácter de nossa personagem,mas parecia não falarmos da mesma mulher.Eram iguais naquilo que era visível,mas,apesar da extensão de conhecimento sobre ela,eu a conhecia melhor que ele.Ele sabia ler-lhe a alma,eu a sabia interpretar.Era tarde da noite quando cheguei em minha casa.Enquanto preparava um sanduíche de baguete assistia à televisão.Num canal pseudo-cult passava uma entrevista com a autora romancista

Alicia Syn Spinell,recentemente casada com o herdeiro das empresas Spinell,algo relacionado ao marketing.Nesta entrevista,sendo falsamente discreta,respondera à uma pergunta pessoal,sobre seu ex-noivado com o famoso crítico Henri Dukè da seguinte forma :

''Il est le français.''(Ele é francês.).Como se isto fosse uma característica muito irritante em um ser humano.a qual ela aplicava em todos os franceses que pensou haver conhecido em sua estadia na França.

Já à pergunta sobre o livro,respondeu que a história não era baseada em fatos,apenas na imaginação a que a bela cidade despertava e que não haveria mais a continuação,como havia sido previsto.

Desliguei a televisão e fui para a janela tomar o ar fresco da noite,enquanto comia de pé,o resto do sanduíche e tomava meu vinho barato do supermercado.Lá na praça avistei uma mulher,aparentava uns trinta anos.Bonita,mas triste.Parecia-se com uma jovem que costumava sentar-se naquele mesmo banco de praça há cinco,seis,sete e oito anos atrás,porém,á luz do sol.Repentinamente ela virou a face em minha direção e manteve meu olhar,sem desviar.Só uma idéia correu-me pela mente.

-Je vous remercie, Paule(Obrigada,Paule.)

-Rien, mademoiselle Cygneblanc..(De nada Senhorita Cygneblanc)

-Oui.Tu me fais est utile dans ces dernières années(Você me foi útil nestes anos passados.)

-Où étiez-vous?(Onde estava?)

-Où toute âme doit être.(Onde alma alguma deveria estar.)

-Et James ?

-Aussi.(Também.)

-Et maintenant, où vont-ils?(E agora,para onde vão?)

-Je ne sais pas. Peut-être que là-bas, loin dans l'Est où se lève le soleil et la lune meurt.(Não sei. Talvez para lá,ao longe,no leste,onde nasce o sol e morre a lua.)

-Est-ce bientôt?(Vai cedo?)

-Non.

-Bon débarras?(Vai tarde?)

-Non, juste à temps pour aller au bon endroit.(Não,só no tempo certo de ir ao lugar certo.)

Levantou-se e foi-se,como uma brisa leviana,em passos delicados,quase uma dança.Sua última apresentação.

No dia seguinte o jornal noticiava a morte da ex-bailarina mor do corpo de baile principal da,novamente áurea,Académie de Danse Classique Vardin & Cheval,Eleonor P. Cygneblanc em um acidente de carro,acompanhada pelo amigo James Jojolieur,que falescera algumas horas depois do resgate,no hospital.

E assim termino a triste saga de uma exímia bailarina,não só no palco,mas também na vida.Sinto muito se não lhes agrado a todos,caros leitores,mas só pude narrar aquilo de que tomei conhecimento e pude reverter o equívoco cometido pela romancista A.S.Spinell,completando-lhe as lacunas de sua história imaginada nas belezas de Paris,e também dando-lhe um tom da realidade.

Notas finais
Decepcionei-os?Estive pensando , tvz escreva mais um cap. Um extra,contando o que aconteceu a Eleonor e as demais personagens nos cinco anos passados entre a descoberta do diário e a morte de sua confidente. Mas isso vai depender do meu ânimo e do tempo que tiver disponível.Enfim, já me despeço aqui com um grande a braço.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.