Bad girl
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Nora avaliou todas as pessoas reunidas para o enterro de Marcie.
Mamãe do lado direito de Hank, e do outro a mãe de Marcie, a única que estava chorando rios. Scott afastado encostado em uma lapide parecendo... Entediado? Algumas pessoas da escola, amigos de Marcie. Vee ao meu lado, não muito diferente de Scott, também afastadas. E o resto das pessoas eu não conhecia, deveriam ser empresários conhecidos de Hank, ou só trabalhavam para ele. Havia também um padre que dizia algumas palavras e orações, antes do corpo de Marcie ser enterrado.
E agora parecia que ele tinha acabado.
–Acho que já vou indo. Vem comigo? –Vee sussurrou, parecia feio durante o minuto de silêncio ficar tagarelando.
–Sim, vai na frente. Vou avisar minha mãe. –Nora cochichou de volta. Vee deu de ombros, saindo sem ninguém ao menos notá-la.
Nora passou por todas as pessoas que nem conhecia, chegando finalmente na sua mãe.
–Vee e eu já vamos indo. –Nora sussurrou, sua mãe assentiu com um movimento com a cabeça.
Nora caminhou sozinha pelo cemitério o céu escurecendo por causa da tempestade que viria. Tudo tão calado e tranqüilo.
Por que as pessoas têm medo desses lugares assim?
Quieto até Patch — que se escondia atrás de uma lapide de um tumulo perto da arvore – aparecer na sua frente. Nora preparou um grito, mas só era Patch.
–Te assustei? –Patch ficou parado, com olhos atentos em todo o cemitério.
–O que você esta fazendo aqui? –Perguntou ela em um tom frio, ainda assustada.
–Me desculpe anjo. Não quis te assustar. –Patch se moveu até Nora, mas ela oscilou se desviando dele. Patch parou avaliando Nora, que não conseguia se desviar do olhar negro e sombrio.
Patch tinha o olhar alarmante, um estranho olhar que eu não conseguiria decifrar nunca.
–Você me olha como se eu fosse intocável para os outros, como se qualquer coisa pudesse me machucar. –Nora terminou a frase em seus próprios pensamentos.
Ele queria e se aproximou, mas seus olhos assustadores me fizeram desviar. Resumiria seu olhar em “Preciso te proteger, por que te amo”. Como se eu fosse a sua “bonequinha de porcelana que não pudesse se quebrar.” Isso parecia bom, mas o seu olhar estragava tudo.
–Anjo... Não tive a intenção. –Patch jogou a cabeça para trás, pondo as mãos atrás da cabeça. –Minha nossa! Eu já sei... Estou querendo te proteger de mais, não é isso? Estou estragando tudo!
–Acertou. –Nora suspirou. –Por favor, só me diga, que veio aqui para responder todas as minhas perguntas.
–Nora... –Patch pronunciou seu nome com uma voz macia como veludo. –Eu estou sempre por perto.
–Esta me seguindo? Considere como a primeira pergunta. –Nora se aproximou de Patch, se sentindo boba por ter desviado dos seus braços.
–Digamos que sim. Sem querer voltar ao assunto de “proteger” mais é bem isso. –Patch sorriu ao ver Nora se acalmando.
–O mesmo motivo que você me segue, era o de Marcie? –Nora se entristeceu, pois isso insistia no tal “segredo” que Patch parecia não querer contar hoje.
–Não. Por motivos que me dão nojo só de pensar. –Patch desviou seu olhar, quase que envergonhado.
Pela causa...
–E um bom começo. –Nora incentivou Patch a continuar.
–Se lembra quando Rixon te disse que eu era odiado por todos? –Patch acendeu a faísca do que parecia ser o começo de toda uma historia sem rumos bons. –Se eu não tivesse conhecido você, talvez o verdadeiro assassino de Marcie tivesse sido eu.
–Esta me dizendo que seguia Marcie para matá-la? –Nora quase não conseguia falar.
–Eu disse que eu não era bom. E que você não me merecia. –Patch parecia sincero.
–Nora! –Os dois se viraram para a direção que a voz poderia vir. Rápido como os segundos são. Scott apareceu na sua frente. Nora se virou para onde ela pensava que Patch estaria, mas ele não estava mais lá. –Ele estava aqui, não é?
–Que saber? Por que não corre para o seu general Hank e conta pra ele, que o “suspeito” está aqui? Você não é o soldadinho dele? –Nora se irritou.
–Não. –Scott disse com toda a calma. Se escorando na arvore. –Não sou não.
–Não é o que parece. Vamos lá corra e conte que Patch esteve aqui! –Nora disparou. –Não se preocupe...
–Não, Nora. –Scott gritou interrompendo. –Não estou sendo pago para isso. –Ele abaixou a voz recuperando a calma.
–E por que não? –Ela suspirou.
–E o que ganho com isso? –Scott balançou a cabeça, como se dissesse o que já estava obvio. –Não estou sendo pago para isso, não para vigiar e denunciar Patch. Hank me paga para proteger você... Mas você parece que não quer ser protegida...
–Como? –Nora o cortou.
–Isso mesmo, agora corra você e conte para ele, que eu contei o nosso segredo. –Scott soltou o ar, quando viu que Nora ainda não entendia. –Hank me paga proteger você. –Ele disse pausadamente.
–Você esta mentindo. Hank não faria isso. Melhor... Por que ele faria isso? –Nora repensou, já que nada mais parecia impossível.
–Não sei. Você deve estar nos planos dele, já que ele te quer viva. –Scott deu de ombros. –Então, por favor, não me ache um chato se eu não sair da “sua cola”.
–“Por favor?” Essa palavra existe no seu vocabulário? –Nora saiu andando rápido, quase pedindo para Scott deixá-la em paz.
–Nora... Da pra facilitar? –Scott tentou alcançá-la, rapidamente já estava ao seu lado, Nora então parou de andar.
–Não dá não. Por que todas as vezes que estou falando com Patch você nos interrompe de propósito, só por que pensa que ele é um assassino. –Disse ela, depois acelerou o passo.
–Não confio nele. –Scott disse andando ao lado de Nora.
–Não preciso de sua proteção. –Em poucos minutos eles já estavam fora do cemitério. Ela então viu Vee a esperando do outro lado da rua com o carro. –Só me deixa em paz. –Ela se virou para ele, e então começou a atravessar a rua. Mais veio um carro com toda velocidade, fazendo Nora pensar só uma coisa: Um atropelamento de propósito.
E então sentiu o baque sobre seu corpo, mas quando abriu os olhos não era o carro que estava em cima dela.
–Tem certeza que não precisa de proteção? –Scott se levantou.
–Foi de propósito! –Nora gritou com raiva, não com Scott, mas com sua própria vida, que não tinha mais segurança.
–Foi... –Scott ofereceu a mão, mas Nora recusou se levantando sozinha. O carro não estava mais lá.
–Nora. –Vee apareceu do seu lado. –Você está bem?
–Sim. –Ela disse se sentindo um pouco zonza, mas fora isso estava tudo bem.
–Se não fosse por Scott... –Vee não terminou a frase.
Que a verdade seja dita.
–Obrigado! –Nora agradeceu.
–Só queremos você viva. –Scott disse, provocando arrepios em Nora, pelo modo que ele disse.
Ou eu estava apenas maluca com essa história dos “protetores e a protegida.”
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