Bad ending
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Notas iniciais
Chegava a ser irônico como apenas no final Tenma percebeu que havia feito a decisão errada. A verdade que era tão óbvia agora, na época estava encoberta pela visão inocente que tinha do seu melhor amigo e parecia a coisa certa a se fazer.
Alone, com seus olhos e sorriso gentis, nunca na sua vida faria mal a alguém. O cavaleiro de pégaso escutava Yato vagamente de algum ponto distante, no entanto não conseguia entender o que ele dizia, o loiro à sua frente era alguém bem mais importante no final das contas. Os inúmeros avisos que lhe foram dados previamente para ter cuidado com aquela pessoa pareciam flutuar para fora de sua mente conforme o via se aproximar com uma graça nunca antes vista nele — Alone sempre fora desengonçado, atrapalhado e, normalmente, queimava a comida quando tentava cozinhar, então quem era aquele que via agora?
Justo quando suas dúvidas começavam a aflorar e seus pensamentos pareciam se tornar mais claros, o castanho sentiu as mãos do outro segurarem seu rosto, aproximando-se dele e encostando suas testas e, sinceramente, por que os outros tinham medo de Alone? Suas íris azuis continuavam bondosas como sempre, seu toque o lembrava de quando ele o puxava para sabe-se lá onde no intuito de lhe mostrar alguma paisagem que havia achado bonita e sua voz o colocou em um estado de transe que não tinha certeza se queria sair. Tenma estava perdido e envolto em tudo que era Alone e não conseguia achar forças para se livrar daquilo.
No momento, não parecia errado deixar com que o outro arrancasse a pulseira de flores que Sasha havia feito de seu pulso. Nem que ele pusesse fogo na aldeia na qual os três haviam morado, ou que não hesitasse em ordenar os outros a aniquilarem os cavaleiros de Atena que o contrariavam. Aquele era Alone, então com certeza ele estava certo porque Alone não iria querer machucar alguém.
Seu amigo sussurrou alguma pergunta que não havia conseguido entender direito ao seu ouvido e tudo o que conseguiu fazer em seguida foi concordar com o que quer que fosse. Não lembrava muito do que ocorrera depois, talvez ele houvesse dormido durante um bom tempo pois a única coisa que lhe vinha à memória era um borrão preto, como se tivesse deixado de existir por um período indeterminado que certamente havia passado, caso contrário o céu não estaria coberto com pinturas de anjos que escondiam totalmente as estrelas.
Quando havia questionado Alone sobre aquilo, fora respondido com o mesmo sorriso de sempre. É a salvação, ele lhe dissera e Tenma não tinha motivos para duvidar dele.
Agora, enquanto encarava o rosto de Sasha e escutava suas fracas palavras lhe dizendo Não foi sua culpa, o ex-cavaleiro de pégaso pareceu finalmente acordar do sonho mentiroso com o qual havia coberto os próprios olhos, mas era tarde demais.
Era sua culpa, sim.
Observou o céu mais uma vez, apenas a parte acima do Santuário não havia sido coberta pela pintura ainda, algo que não duraria por muito tempo. Sentiu dedos serem entrelaçados com os seus e não precisou desviar o olhar para saber de quem se tratava.
Vai ficar tudo bem agora.
A voz familiar murmurava ao seu ouvido, mas não era capaz de dispensar o pavor que parecia percorrer todo o seu corpo.
Não tenha medo, Tenma.
A última imagem se formava finalmente, e o castanho sentiu um certo alívio, afinal não teria que lidar com a sentimento de culpa por muito tempo. Foi capaz de escutar mais uma última coisa antes que tudo ficasse escuro.
Agora nós ficaremos juntos para sempre.
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