Bad Romance
24 Mika
Notas iniciais
Alice:
Não acredito que meu pai resolveu aparecer tão cedo aqui em casa e estragar minha manhã com o Merle depois da noite perfeita que tivemos juntos. Isso sim é uma tremenda sacanagem! Por mim eu ficaria na cama com o Merle o dia todo, mas nem isso se pode fazer nessa droga de apocalipse.
–Alice? Meu pai chama de novo.
–Já vou pai! Grito e pulo da cama já me vestindo. Merle faz o mesmo e nos trocamos em tempo recorde! Tudo bem que meu vestido virou um monte de retalhos, mas que foi bom, foi.
Limpo tudo e escondo a bagunça no quarto com o Merle, ele me beija antes que eu corra para abrir a porta. Respiro fundo e abro a porta com a maior cara de sono do mundo, como se tivesse acabado de sair da cama.
–Oi filha! Já estava ficando preocupado. Diz nervoso e me abraça.
–Tá tudo bem pai. O que quer tão cedo?
–Cedo? Alice já é quase meio dia!
Meio dia? Caramba eu dormi demais! Merle aparece na porta do quarto e faz um gesto engraçado, sorte dele que meu pai esta sentado de costas para ele.
–Desculpe pai, fiquei acordada até tarde ontem.
Merle faz uma cara de safado que é impossivel não rir, meu pai olha sem entender o motivo da minha risada.
–O que houve? Você está bem?
–Estou pai, foi a bebida que me deixou assim.
–Tudo bem. Eu vim aqui falar sobre o Merle. Começa e eu fico pálida, nervosa. Será que ele já descobriu que estamos juntos?
–O que tem o Merle? Pergunto tentando esconder meu nervosismo.
–Convidei ele ontem para ser um dos meus homens de confiança e como você o conhece melhor do que eu, queria saber se você acha se ele vai aceitar ou não?
–Ah é isso? Pergunto aliviada.
–Pensou que fosse o quê?
–Nada! Eu não sei se o Merle vai aceitar pai, ele é meio...Olho para o Merle e ele está rindo depois diz: “Lindo, gostoso e bom de cama” sem emitir som. – imprevisivel sabe? Não dá pra saber o que ele pensa. Acho que nem o irmão dele saberia te responder isso.
–Vou falar com ele mais tarde então. Ele sorri e segura minhas mãos. –Estou muito feliz em ter você aqui comigo de novo meu bem. Não sei o que seria de mim sem você! Te amo.
–Também te amo.
–Vou resolver algumas coisas agora, almoçamos juntos?
–Claro!
–Até mais tarde. Ele vai embora e eu tranco a porta.
Assim que faço isso, sou puxada direto para os braços do Merle. Seus lábios estão em meu pescoço, enquanto sou levada para o sofá.
–Essa foi por pouco! Você ficou maluco ou o quê? Ele quase te pega Merle! Reclamo, mas ele não parece me ouvir, está concentrado demais em tirar minha roupa.
–A única pessoa que vai pegar outra nesse apartamento, sou eu pegando você! Agora vamos parar de falar no empata foda do seu pai e aproveitar nosso tempo juntos? Ouvi dizer que fazer amor de manhã faz bem para o corpo.
–Onde viu isso? Pergunto rindo enquanto tiro as roupas dele.
–Não sei e não me importo com isso! Agora vem aqui que eu quero você.
–Sempre cheio de segundas intenções não é Merle? Pergunto enquanto sou envolvida por ele.
–Com você? Eu tenho tão más intenções que você nem pode imaginar.
–Então me mostra.
–Com certeza Barbie! Me beija e pronto, sou levada para aquele mundo de prazer onde só cheguei com ele.
Merle é perfeito em tudo, pelo menos pra mim é perfeito. Sabe ser intenso quando quer, carinhoso e suave também. Ele me faz, me sentir única quando estou em seus braços. Ontem foi perfeito e hoje está sendo melhor ainda. Dessa vez não temos tanta pressa, então aproveitamos cada segundo sem pressa e com calma. O que torna tudo uma tortura, deliciosa e prazeirosa.
Tomamos banho juntos e depois nos vestimos, não tenho mais vergonha de ficar assim na frente dele. Agora Merle me conhece melhor do que ninguém e para melhorar tudo ainda mais, ele me ama! Dá pra acreditar nisso? Eu pensei que ia morrer antes de ouvir ele admitir isso, mas ele admitiu e eu não poderia estar mais feliz.
–Nos vemos mais tarde então? Quero dar uma volta na cidade. Falo abraçada a ele.
–Já está pensando no que fazer mais tarde? Você é uma Barbie muito safada sabia? Mas não se preocupe, tem muito Merle pra você. Passo aqui mais tarde! Vou ver o que o seu pai quer de mim. Nos beijamos e ele sai primeiro para não dar muito na cara.
Safada, eu? Merle inventa cada uma!
–Ele vai acabar me enlouqucendo desse jeito. Suspiro e saio de casa.
A cidade é bem organizada e as pessoas até que são simpáticas, não sei se me tratam assim porque sou filha do Governador ou se são assim mesmo, mas não me importo. Temos um lugar seguro para ficar agora, só tenho que encontrar meu irmão e os outros, saber se estão bem e trazer todos para cá.
Estou voltando para casa quando noto uma garotinha olhando para mim. Ela é simplesmente linda, deve ter menos de 10 anos, parece uma bonequinha. Ela continua olhando para mim sem sequer piscar, acabo sorrindo para ela que retribue com um lindo sorriso.
–Oi! Falo mas ela continua calada. –Eu me chamo Alice, e você como se chama?
–Mika! Nosso pai está nos chamando! Outra garota a chama e ela sai correndo. Antes de ir ela me olha com certo pavor, como se não quizesse ir, mas mesmo assim ela vai.
–Ok, isso foi bem estranho. Comento comigo mesma antes de entrar em casa.
Não sei se foi o olhar de pavor da garota ou o jeito inocente dela que me faz sentir como se quizesse protegê-la, sou mesmo uma coração mole. Por isso mesmo vou tentar me aproximar dela e descobrir do que tanto ela tem medo, ou eu não me chamo Alice Blake.
Um mês depois....
Merle:
Minha vida mudou muito nesse último mês, já me acostumei com a rotina da cidade, mas a parte mais divertida é sair por ai nas missões do Governador. A Barbie não sabe metade das coisas que o pai faz, pra ela, ele é um homem bom que ajuda todos os sobreviventes. Quando na verdade, ele é um tremendo filho da puta que faz as coisas mais terriveis do mundo.
Virei um dos homens de confiança dele, com isso ganhei muitos previlégios e sou respeitado por todos. Ele ainda não sabe que a Barbie é minha mulher, acho que ele pensa que eu sou apenas o segurança dela. Idiota! Mal sabe ele tudo o que a filha dele e eu já fizemos naquele apartamento.
Por falar em Barbie, agora ela deu para ficar explorando seu lado maternal cuidando de uma garotinha idiota que ela conheceu outro dia. A garota, Mika, é um grude com a gente. Ela passa mais tempo com a gente do que com o pai e a irmã, isso já está me deixando assustado.
Não sou bom com crianças e nem de dar o que elas precisam, por isso me mantenho longe dela, o que é quase impossivel já que ela me segue pra tudo quanto é lado. Isso tudo é culpa da Barbie que fica dando corda para a garotinha. Tudo bem que ela me faz lembrar da Monstrinha, sinto falta da minha sobrinha, mas isso não quer dizer que eu vá gostar e tratar a Mika bem.
–Tá pensando em quê? A Barbie pergunta se aconchegando mais em meus braços.
Estamos deitados no chão da sala depois de mais uma dose diária de “MerLice” como a Barbie chama, ela é maluca eu sei. Gosto de ficar assim com ela, mas nunca vou admitir isso pra ela porque ela costuma usar o que eu digo contra mim e isso é uma puta sacanagem.
–Estava pensando que agora é oficial, estamos virando dois coelhos tarados! Brinco e ela ri, me beija e fica me olhando. –E você, o que passa nessa sua cabeçinha de vento?
–Estou pensando que nunca vou gostar de alguém como eu gosto de você.Fala me desarmando completamente.
–Você sabe o que sinto por você e isso não vai mudar, só vai crescer mais e mais. Porque você é minha Barbie!
–Sim, sou sua Barbie. A beijo, mas depois me afasto. –Vai sair de novo?
–Seu pai quer ter uma reuniãozinha antes do jantar, sabe como ele é paranóico.
–Sei sim, mas vai vir para o jantar?
–Vai fazer torta de maçã? Pergunto animado e ela ri.
–Vou sim, todinha pra você.
–Então já que vou ganhar torta de maçã e vou ter minha linda mulher esperando por mim, eu venho jantar em casa. Falo, visto minha roupa e a beijo antes de sair de casa.
–Merle! Alguém me chama assim que saio do prédio. Me viro pra ver quem é, dando de cara com a garotinha. –Vai sair?
–Não, estou tomando banho não está vendo? Pergunto irônico e ela fica triste. –O que quer?
–Nada. Responde e continua alí parada me olhando.
–Ok, então vá brincar! Saio andando e ela vem atrás de mim. –Não tem nada pra fazer não?
–Não quero ficar sozinha. Posso ir com você?
–Não! Olha, eu não sou a Barbie. Sou um cara mal que não gosta de crianças.
–Isso não é verdade!
–Porque pensa assim tampinha?
–Você namora a Alice e também não tem cara de mal. Eu não tenho medo de você! Diz sorrindo.
–Eu devo ter feito algo de muito ruim pra merecer algo assim! Estou perdendo a mão, as crianças não tem mais medo de mim.
–Gosto de ficar com você e com a Alice, vocês são lindos juntos!
–Sei que sou lindo e que minha mulher é linda também, mas é melhor ficar de boca fechada porque...
–Porque isso é um segredo?
–Isso mesmo! Garotinha esperta. Agora vá procurar alguém do seu tamanho, porque eu tenho coisa muito mais importante pra fazer do que ficar conversando com você pirralha. Volto a caminhar e ela vem junto de novo. Parece grudada com cola em mim!
–Eu queria ser uma Barbie também, eu posso? Pergunta pulando ao meu lado.
–Você não tem tamanho para ser Barbie, no máximo é uma Mini Barbie.
–Gostei disso! Vou ser Mini Barbie então! Me pega no colo?
–Não! Garota você não entendeu que estou ocupado?
–Desculpe. Diz e sai correndo, acho que magoei a Mini...a garotinha. Mais que se dane! Ela não é minha responsabilidade, já tenho uma Barbie que dá trabalho por 1.000 garotas.
Entro na casa do Governador sem bater, mais um dos previlégios de saber de tudo. Vou para o “quarto das cabeças” como costumo chamar e o encontro sentado tomando algum tipo de bebida.
–Como estão seus bichinhos hoje? Pergunto sorrindo irônico.
–Estão bem, e minha filha?
–Não se preocupe, ela nem desconfia de suas cabeças em conserva.
–Então não preciso relembrar que, tudo o que acontece lá fora fica lá fora não é? Minha filha é boa demais para entender algo assim.
–Eu já entendi isso, não falei nada pra ela sobre isso.
–Que bom Merle! A cada dia anda se mostrando ser um homem de minha inteira confiança, você é um dos poucos que podem entrar aqui e confesso que ando muito sastifeito com seu trabalho.
–Você me deu um lugar seguro, comida e água. Isso é o minimo que posso fazer.
–Pena que todos não pensem como você! Essa cidade está precisando de homens leais e fortes como você, por isso te chamei aqui. Quero que além de meu primeiro comandante, você treine meus homens.
–Isso é algum tipo de promoção? Pergunto com um sorriso debochado.
–Merle, com isso você vai se tornar o segundo homem mais importante dessa cidade. Quero uma pessoa em que eu confie plenamente nesse cargo, e essa pessoa é você. O que me diz?
“É melhor servir ao diabo do que ficar contra ele quando se esta no fim do mundo.” Penso.
–Esta mais que aceito Governador. Pode contar comigo!
–Ótimo! Isso é o inicio de uma longa parceria. Diz e aperta minha mão selando nosso acordo.
Passo o resto da tarde organizando tudo com o Governador, não vai ser fácil transformar esse bando de viadinhos idiotas em homens de verdade, mas vai ser um ótimo desafio. Só me livro do capeta do Governador quando já anoiteceu, saio de lá e encontro com a Barbie que passava por perto.
–Reuniãozinha longa heim? Pergunto quando me aproximo dela sem dar muita bandeira de que estamos juntos.
–Quando seu pai começa a falar não para mais, e você é igualzinha a ele nesse sentido.
–Estava demorando pra você me criticar não é? Você também não é nenhum botão de rosa Dixon. Na verdade é um grosso idiota!
–Esta precisando melhorar o seu vocabulário de xingamentos, esses estão ficando chatos já.
–Idiota! Resmunga e me bate.
Eu até ia mandar ela ir se ferrar, mas sou interrompido por um grito. Por incrivel que pareça, eu sei exatamente de quem é esse gritinho irritante. Corro com a Barbie até a pequena casa da esquina, arrombo a porta e encontro o corpo da irmã da Mika totalmente devorado.
–Merda! Praguejo e corro para dentro da casa, na cozinha a Mini Barbie esta debaixo da mesa enquanto o cadáver do que um dia foi o pai bebado dela tenta pegá-la.
A Barbie acerta a cabeça dele com uma faca enquanto eu tiro a garota de debaixo da mesa, ela se joga em meus braços e eu a pego no colo. A Barbie se aproxima depois de se livrar do zumbi e abraça a garotinha que ainda esta agarrada a mim.
–Calma, já passou! A Barbie pede e me olha. Sei exatamente o que ela vai pedir e sei que não tenho alternativa a não ser aceitar.
–Vamos, nós vamos te levar pra casa. Digo e ganho um beijo da Barbie e a Mini Barbie aperta mais seu abraço.
Não sei o que isso significa, mas estamos juntos. Os três. E é isso o que importa!
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