Bad Romance
22 A Estrada...
Notas iniciais
Alex:
–Vocês não entendem? Nós temos que voltar lá! É a minha irmã! Digo desesperado.
–É a segunda vez que deixam o Merle para trás e eu não vou permitir isso! Temos que encontrá-los. Daryl diz me apoiando.
–Não podemos voltar lá, seria suícidio! Nem sabemos se eles estão vivos, para quê arriscar a vidas de outros por isso?
–Eu os vi sendo cercados. A louca da Carol diz chorando. –Quando quase me perdi de vocês, eu os vi sendo totalmente cercados e a Alice sendo mordida. Eles não sobreviveram, não depois do que eu vi.
–Não! Isso é impossivel! Grito andando de um lado para o outro, sentindo que estou prestes a enlouquecer.
–Esta dizendo que meu irmão está morto? Daryl pergunta furioso.
–Sim, assim como a Andrea, a Michonne e a Alice. Eu acho que eles não conseguiram sobreviver.
Eu não escuto mais nada, afundando em minha dor. Apesar de ter nossas diferenças, a Alice era minha irmã e eu a amava. Não acredito que ela tenha se deixado vencer, ela parecia tão decidida a vencer essa droga de apocalipse. O pior é que ela morreu pensando que eu a odeio e isso é uma grande merda!
–O que faremos agora? Lori pergunta enquanto a maioria chora, inclusive eu.
–Vamos seguir em frente. Rick responde e eu abraço a Beth.
Agora ela é tudo o que me restou e farei de tudo para protegê-la e não acabar perdendo-a como aconteceu com a Alice, minha irmã que eu tanto amei mas que fui um idiota com ela na maior parte do tempo.
E eu nunca vou me perdoar por isso...
Tempos depois...
Merle:
A estrada é dura, fria, cruel e aterrorizante. Ela não perdoa nada e nem ninguém, é perigosa e traisoeira. E tudo isso parece triplicar quando se tem uma Alice Blake por perto, quando eu disse que ela era um imã para perigos eu não estava exagerando.
Tudo é perigoso demais ou assustador demais para ela, tenho medo e pena da nossa situação. Coisas que eu jamais imaginei sentir na minha vida, mas quando foi que eu me imaginei apaixonado por uma patricinha? Nunca! Então só me resta se conformar e manter a Barbie em segurança.
Isso é uma tarefa muito dificil, os perigos aparecem de todos os lugares e eu ainda tenho que ouvir ela falando a cada cinco segundos, acabando com a minha paciência. Mas ela só tem a mim e eu só tenho ela agora, somos uma dupla e vamos vencer isso juntos. Eu sei que meu irmão ainda está por aí com o resto da nossa familia, apesar de ser um maricas as vezes, ele também consegue ser homem e manter sua familia em segurança. Já o resto do grupo, eu não sei o que aconteceu e nem quero saber.
Parece que a queda da fazenda aconteceu há meses, eu já não sou mais o mesmo cara e nem a Barbie é a mesma garota. Agora esta mais forte e esperta, mas continua mimada e teimosa, não estou reclamando pois é isso que me faz gostar tanto dela. Somos tão diferentes que chega a ser engraçado a nossa relação “amorosa”, não que tenhamos tempo de dar uns pegas ou coisas do tipo, mas continuamos nos gostando do mesmo jeito. Pelo menos é isso o que eu acho.
–A gasolina acabou, vamos ter que continuar andando. Aviso à Barbie que sai do carro batendo a porta com força.
–Isso é uma grande droga sabia? Me pergunta enquanto saio do carro. –Essa droga de apocalipse está acabando comigo! Não tem mais roupas de marca e nem perfumes importados, me diz se um mundo pode seguir sem isso?
–Acostume-se Barbie pois a única marca que você vai encontrar nas roupas agora é de mordida de zumbi, o que não faz muito o seu estilo não é? Digo e acabo rindo dela.
–Vai rindo Merle! Se isso foi para me animar sinto muito mas não funcionou. Fala toda irritadinha caminhando até um zumbi que se aproximava. Era um homem com a barriga toda aberta, bem estilo Dale mesmo. –Tá querendo me morder é? Pois já vou avisando que hoje não estou com paciência para você, seu zumbi mal vestido do inferno!
–Eu acho que quando se é zumbi não se tem um senso de moda, não é Barbie? Assim você estaria pedindo demais a esses cabeças ocas.
–Além de mal vestidos, eles fedem e querem me devorar. É uma porra de apocalipse mesmo!
–Boquinha suja a sua não?
–Digamos que a convivência com você me deixa assim, pois você não é a pessoa mais certinha do mundo. Estilo Merle Dixon! Diz enquanto seguimos para a floresta, é mais seguro ficar lá do que na estrada.
–Quando encontrarmos um lugar seguro eu vou te mostrar o que o estilo Merle Dixon tem de melhor a oferecer. Digo sorrindo e pisco para ela.
–E eu mal posso esperar por isso. Sorri do jeito Alice que me diexa completamente confuso sobre meus sentimentos, o que me faz querer beijá-la. Mas aqui não é a hora e nem o lugar certo para isso.
A floresta esta realmente muito silênciosa, sem animais e sem sobreviventes. Mas todo cuidado é pouco, então me mantenho atento a qualquer movimento. Também preciso caçar, pois estamos há muito tempo sem comer e ficar com os reflexos lentos no meio de um apocalipse não é uma boa ideia.
–Preciso de roupas e nós precisamos de comida também.
–Eu sei disso Barbie e é por isso que eu estou tentando caçar, então cale essa sua boquinha gostosa por favor. Peço e ela suspira irritada, mas segue andando ao meu lado.
–Você acha que vamos encontrar os outros algum dia? Será que eles estão vivos ainda? Lá vem ela com essas perguntas de novo.
–Eu não pedi para você ficar calada Barbie?
–Você é um grosso sabia? Não sei como te aguento! Fala e fecha a cara, sei que a magoei e isso é uma grande merda.
Desde quando virei esse mané que não pode ver a maldita Barbie triste? Pois é, eu não sei, só sei que virei um idiota por ela. Que grande merda Merle Dixon!
–Não sei se vamos encontrar eles um dia, mas acho que estão vivos. Respondo de má vontade e ela sorri pra mim, acho que ela sabe que sempre vai conseguir o que quizer comigo. Sou um banana mesmo!
A casa que encontramos assim que conseguimos sair da fazenda, foi tomada no dia seguinte por uma horda. Tivemos que sair correndo e por um segundo pensei que não iríamos conseguir, a nossa sorte foi a porta dos fundos estar aberta. Foi nesse dia que eu me dei conta que essa porra toda de apocalipse não estava mesmo para brincadeiras, que não era como nos filmes. Aqui não vai ter fim, ou créditos subindo pela tela no final. O único fim certo que temos aqui é que vamos morrer, de uma forma ou de outra, vamos acabar todos mortos.
–Pra onde vai? Pergunto quando ela muda de rumo.
–Vi uma cabana naquele lado, quero ir lá ver se tem suprimentos.
–E porque não disse?
–Você disse que era para eu ficar calada, foi o que eu fiz. Agora decida se me quer calada ou quer que eu fale o que vejo. Diz com o nariz impinado.
–É um capeta em forma de Barbie mesmo! Vamos logo sua coisinha irritante. Chamo e seguimos juntos para a cabana no meio da floresta.
A pricipio, a cabana parece abandonada mas nunca se sabe o que se pode achar alí dentro. O apocalipse pegou todos, por isso entro na frente. A sala é pequena e está vázia, tem um corredor que vai até a cozinha e um armário de casacos logo na entrada. Sigo para a cozinha deixando a Barbie tomando conta da entrada, apesar de não achar isso muito certo, mas ela tem que começar a se defender sozinha.
A cozinha está igualmente vázia só que toda revirada, mas consegui achar alguns mantimentos no armário. Estava voltando para a sala quando escuto um barulho de cabeça sendo cortada e sei que a Barbie está em apuros. Quando chego na sala a encontro no chão com um zumbi já sem cabeça por cima dela, o armário aberto, parece que o infeliz estava escondido lá.
–Tudo bem? Pergunto tirando o corpo decapitado de cima dela.
–Não! Essa era a minha única blusa de marca. Reclama se levantando.
–Ela continua sendo de marca, só que agora com marca de zumbi. Essa deve ser a nova moda, então você está na moda! Falo rindo e ela me olha irritada.
–Muito engraçado! Até parece que dormiu com o Bozo para ser tão idiota. Diz sarcástica.
–Você é muito irritante garota! Além de irritante é um imã para perigos, não posso te deixar sozinha por um segundo que você já sai deitando e rolando com o primeiro zumbi que aparece.
–Babaca! Cafajeste! Eu não saío deitando e rolando com esses mal vestidos fedorentos tá?
–Não, imagina! Estão quase se comendo, Literalmente! Ela me bate e começamos a rir da situação.
–Você é o maior idiota desse mundo e eu sou uma idiota sem tamanho por estar amando você.
–Eu sei que você ama me amar, não precisa ficar com vergonha.
–Idiota! Diz rindo, mas meu sorriso morre quando vejo dois homens na porta da cabana.
–Mais olha só o que encontramos aqui! O Martinez vai adorar ver isso. Um deles diz olhando diretamente para a Barbie com um olhar que me fez ter vontade de arrancar os olhos dele.
Me coloco na frente da Barbie para protegê-la, e encaro os dois homens com um sorriso irônico no rosto. Mesmo estando nervoso eu não vou deixar que ninguém perceba como me sinto, encarar a morte de frente sempre foi a melhor coisa que eu sei fazer.
–Entreguem as armas agora mesmo. Um cara alto diz, aumento ainda mais o meu sorriso.
–E se eu não quizer? Pergunto ainda sorrindo.
–Vamos ter que matá-los. Vocês estão no nosso território e o nosso chefe não gosta de visitantes!
–Diga ao bundão do seu chefe para ir pastar, pois as nossas armas vocês não vão ter!
–Merle! A Barbie sussurra e sei que esta com medo.
Eu sei muito bem o que caras como esses querem de mulheres bonitas como a Barbie e não pretendo deixar que isso aconteça com ela, por isso vou fazer de tudo para tirar ela daqui sem se machucar.
–Você não deveria ter dito isso! Um dos caras diz e parte para cima de mim.
Empurro a Barbie para a cozinha e acerto um soco na cara do idiota, o outro tenta atirar mas acabo chutando sua arma e ela vai parar longe.
–Corra Alice! Mando e sou atingido por um soco, acabo dando outro no cara e nesse momento mais dois entram na cabana.
–Eu mandei você ir! Anda Alice! Grito e ela sai correndo pela porta da cozinha chorando.
Me concentro em bater nos homens e tentar sair vivo dessa para encontrar a Barbie, uma briga violenta começa. O barulho atraí zumbis, então jogo um dos homens em cima de um zumbi que acabava de entrar na cabana. Ele é mordido e logo mais zumbis entram atraidos pelos gritos do idiota, enquanto eu continuo em desvantagem.
São três contra um, mas além disso tem os zumbis que começam a surgir do nada. Acerto minha faca no pescoço de um enquanto outro era cercado pelos zumbis.
–Menos dois! Falo empurrando o morto para longe.
Só sobrou o cara que eu queria arrancar os olhos, ele parece apavorado por causa dos zumbis, mas não me importo. Derrubo um zumbi pelo caminho e quando ele derruba um zumbi eu furo um de seus olhos, ele cai gritando e me afasto quando os zumbis se aproximam dele.
Corro pela porta da cozinha, entrando para a floresta e tentando encontrar a Barbie. Acabo esbarrando em algo durante a corrida e respiro aliviado quando vejo que é a minha Barbie, então a abraço e ela chora.
–Eu mandei você correr, o que ainda está fazendo aqui?
–Eu estava voltando para te buscar, vi os zumbis entrarem na cabana e fiquei com medo. Não posso continuar sem você Merle, nunca mais me peça isso! Diz emocionada e eu a beijo, mesmo sabendo que esse não é o momento certo.
É nesse momento que eu tenho certeza que a amo e entendo que não posso mais viver sem essa Barbie mimada, essa nova realidade me assusta. Eu nunca amei ninguém, pelo menos não do jeito que amo a Barbie. É um sentimento forte , poderoso e intenso que me faz ter medo, medo de tudo e de perder a Barbie. Não sei se suportaria, essa droga de amor me pegou mesmo! Porra eu amo a Barbie! Dá para acreditar nisso?
–Barbie eu...Começo a dizer quando paramos o beijo mas sou interrompido.
–Achei eles chefe! Um cara diz apontando uma arma para mim. Jogo a Barbie no chão bem na hora que ele atira e atinge meu braço, acabo caindo ao lado dela.
–Fim de jogo para vocês! Eu conheço essa voz...
–Pai? A Barbie diz atordoada.
–Alice?
Caralho! Agora sim a porra ficou séria.
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