Notas iniciais
Olá amores!!
Primeira parte da história Varchie que eu fiz, obrigado a cada uma de vocês que entraram aqui.
Espero que gostem!!
Beijos!!

ARCHIE

O melhor aluno da turma, o filho perfeito, o amigo ideal, o segundo melhor jogador do time, a melhor voz masculina em Riverdale, o namorado perfeito e o melhor amigo da garota perfeita. Esse sou eu, pelo menos é isso o que dizem que eu sou, mas no fundo eu só queria ter férias dessa minha vidinha perfeita.

Parece que minha vida toda já está planejada e eu não tenho opinião sobre nada, apesar de se tratar da MINHA vida. Faculdade de administração para assumir os negócios do meu pai, ou direito para seguir os passos da minha mãe. Todos esperam que eu assuma um romance perfeito com Betty Cooper, minha melhor amiga para num futuro não muito distante, formarmos a família perfeita. Como eu disse, parecia que tudo já estava planejado e tudo o que eu fizesse ou quisesse que fosse diferente disto é errado. Mas, o que é errado afinal de contas?

As vezes eu vejo Jason Blossom, meu colega de time, indo para festas, se divertindo em finais de semana na casa de campo da namorada ou indo para a praia com a irmã e sua melhor amiga, que por sinal é sua namorada. Eles saem, se divertem e uma vez até foram vistos nadando nus no lago, isso foi dito como errado pela maioria das pessoas da cidade, mas quando ele conta suas aventuras e tudo o que ele faz, a minha vida parece um tédio total.

Eu posso até ter os melhores amigos do mundo, o melhor pai do mundo e as melhores oportunidades, mas então porque eu sinto como se estivesse faltando algo? Será que não há mais coisas pra mim por ai? Eu me faço essa pergunta todos os dias, mas até hoje não sei a resposta.

Mais uma vez acordo atrasado para ir pra escola, Betty me manda mensagem dizendo que vai me esperar na frente da escola porque uma coisa horrível aconteceu. Isso me faz levantar da cama correndo, nem tomo café da manhã, apenas corro o mais depressa possível.

Encontro Betty andando de um lado para o outro no portão da escola, ela parecia aflita e olha que pra Betty perder a calma desse jeito, algo de muito ruim mesmo aconteceu.

—Até que fim você chegou! – diz quando me aproximo ofegante. – Eu não conseguiria falar com aquela vaca sozinha, então você vai comigo.

—De quem você tá falando? Pra onde nós estamos indo com tanta pressa assim? O quê aconteceu?

—Você já vai saber, só cala a boca e vem comigo. – diz me arrastando junto com ela pelos corredores.

—Pra onde vocês vão com tanta pressa assim? – Jughead pergunta quando passamos por ele quase correndo.

—Nem eu sei. – dou de ombros ainda seguindo Betty, ele nos acompanha também.

—Veronica Vadia Lodge! – Betty diz furiosa quando paramos diante dela. Congelo por estar tão perto dela. Veronica se vira e nos encara com todo o poder do seu olhar.

Veronica Lodge chegou ano passado na nossa escola e simplesmente colocou tudo de pernas pro ar! Ela era a garota mais popular da escola, ao lado de Cheryl formavam a dupla do mal e a realeza de Riverdale. A rainha do gelo e a rainha do fogo assim que se conheceram se tornaram as melhores amigas, mas Veronica conseguia ser unanimidade entre todos os alunos. As garotas, até mesmo as que a odiavam, queriam ser ela e todos os caras queriam ficar com ela. Mas Veronica Lodge não era qualquer uma, ela pagava de vadia má, mas apenas um grupo seleto de garotos já conseguiram de fato ficar com ela. O resto era apenas fofoca que ela não fazia questão de desmentir porque ela não se importava com o que os outros pensam dela.

-O que você quer Barbie sem sal? – questiona revirando os olhos entediada.

—Eu quero saber porque o canalha do seu namorado estava nu no quarto da minha irmã ontem? – pergunta Betty ficando vermelha de raiva.

—Deve ser porque eles estavam tranzando e você empatou tudo. Que péssima irmã você é! Não é porque você é uma droga de virgem frigida que a coitada da sua irmã tem que ser também Betty. – ela ri sarcástica.

—Como você pode falar isso assim? Não se importa de ser uma chifruda? – nesse momento toda a escola já estava observando a discussão.

—Betty fofinha, eu não estou mais namorando o Jason faz uns mil anos! Se atualiza baranga! – ela empurra o ombro de Betty com o dedo enquanto sorri irônica.

Eu estou paralisado depois de ouvir isso, Veronica e Jason eram o casal mais Hot da escola, eles eram perfeitos juntos. Os dois faziam o que queriam, onde queriam sem se importar com nada. Eram os reis da escola e se tinha um casal que tínhamos certeza de que nunca iria se separar era eles, mesmo com todos os boatos de traição de ambas as partes e da relação aberta que eles tinham, eles se completavam.

—Vocês terminaram? – balbucia Betty em choque.

—Ela é surda por acaso? – pergunta pra mim, depois balança a mão em sinal de desinteresse. – Enfim, não me importo com os seus dramas familiares. Se a chatinha da sua irmã está dando pro Jason é problema dela e não seu. Supere!

—Isso tudo é culpa sua! Aposto que o Jason descobriu todos os casos que você já teve e por isso te largou sua vadia! – grita tentando partir pra cima da Veronica, mas eu a seguro antes disto.

—Já chega Betty! Isso já está ridículo! – digo em seu ouvido.

—Isso mesmo, escute o seu namorado bonitinho e deixa de ser ridícula. – diz Veronica fechando seu armário e depois ela encara Betty com seu olhar congelante. – Eu posso ser uma vadia má, uma vaca odiosa, mas pelo menos eu não finjo ser quem eu não sou, pode dizer o mesmo Betty? – ela não responde, apenas começa a chorar. – Ah por favor, guarde suas lágrimas de garotinha da mamãe e saiba que eu estou pouco me fodendo pra com quem o Jason transa ou deixa de transar, se ele tá com a sua irmã agora é porque todos nós sabemos que EU cansei dele e que agora ele tem um péssimo gosto pra mulheres. – ela sorri de forma sexy. – Claro que todo mundo sabe que eu sou muito melhor que a sua irmã e se eu não quero mais o Jason eu apenas jogo fora, igual um chiclete que perde o sabor.

—Ele é irmão da sua melhor amiga! Como pode ser tão má?

—Não vou deixar de ser a melhor amiga da Cheryl só porque terminei com o Jason, isso é muito infantil. – revira os olhos, mas depois sorri. – E pra ser má é preciso ter talento, mas pra você, o que é ser má? Acha que eu sou má?

—Acho.

—Você não sabe o que é maldade e não sabe metade de quem eu sou. – ela diz e simplesmente se vai, nos deixando com cara de bobos.

—Uau! Nós acabamos de ser massacrados pela rainha de gelo, acho que podemos colocar isso como legenda da nossa foto no anuário.

—Cala a boca Jughead! – mando antes de arrastar Betty para uma das salas vazias. – O que deu em você pra enfrentar a Veronica assim na frente de todo mundo? Perdeu a noção do perigo? Lembra da Ethyl? Lembra do que a Veronica e a turma dela fizeram com ela com a ajuda do Chuck?

—Lembro sim, fui eu que ajudei a Ethyl a superar o trauma, mas eu não podia ficar calada depois do que ela fez!

—E o que ela fez Betty? Terminou com o namorado e mandou ele ir ficar com a sua irmã? Todo mundo sabe que a Polly sempre amou o Jason, isso não é culpa da Veronica e não me venha dizer que é por causa da disputa dos Blooson com os Cooper porque isso de verdade não tem nada haver com a Veronica!

—Você está do lado dela agora? Pensei que tinha superado a sua paixonite pela Veronica! – ela diz furiosa.

—Eu não sinto nada pela Veronica há muito tempo! Aquilo foi coisa do momento e não tem nada haver com o que tá acontecendo aqui e agora. – suspiro frustrado. – Olha Betty, eu sou o primeiro a ficar do seu lado para o que for, porque eu sei que você tá certa na maioria das vezes, mas agora é uma daquelas vezes que você não tá.

Passo a manhã toda ignorando Betty e seus pedidos de desculpas, não era pra mim que ela tinha que se desculpar, mas sim com a Veronica, apesar de saber que ela mandaria a Betty se foder.

Quando Veronica chegou na cidade, eu como a maioria dos caras da cidade, ficamos apaixonados por ela, mas logo ela se tornou a grande vadia má com a pior reputação e sendo a melhor amiga da grande vilã da escola. Veronica já fez muita gente chorar, querer se matar e dizem que ela já bateu num cara até ele desmaiar só porque ele não quis ficar com ela. Mas muita coisa que dizem nos corredores nem sempre são verdades, muita gente acha que ela não tem coração, mas eu vejo coisas que a maioria não vê.

Sua dedicação e foco quando está dançando ou ensaiando com as lideres, seu sorriso de menina quando termina um desenho de um vestido no meio de uma aula chata, ou a forma como seus olhos brilham quando ela tira a melhor nota em química mostrando a todos que ela não é só um rostinho bonito.

Eu sei que por debaixo de toda aquela camada de vadia fria e sem coração, tem a verdadeira Veronica, aquela que poucas pessoas ou ninguém realmente conhece.

Antes do almoço, passo no ginásio onde são realizados os ensaios das lideres de torcida, encontro Veronica se alongando na barra e seus movimentos são precisos e graciosos. Sinto meu sangue pulsar com mais força quando decido ir até ela, afinal, eu nunca tive coragem para trocar mais de três palavras com ela.

Ela para seus movimentos quando me vê, ela abre um sorriso frio cheio de ironia.

—Olha se não é o menino de ouro de Riverdale! A que devo a honra de vossa presença? Seu pai sabe que você está falando com a vadia má da escola?

—Não dou satisfações para meu pai sobre tudo o que faço. – digo firme e ela me olha surpresa. – Vim aqui por causa da Betty.

—Veio até aqui defender a sua namoradinha sem sal? – ela dá uma volta ao meu redor, me observando dos pés a cabeça, isso me deixa tenso, mas ao mesmo tempo eu gosto de ter seu olhar em mim. – Você é mesmo a droga de um herói não é? Pode ficar tranquilo Archiekings, eu já não ia fazer nada contra a loirinha sem graça, já pode voltar pro seu mundinho cor de rosa agora.

—Você é assim com todo mundo?

—Assim como? Uma vaca sem sentimentos? – pergunta mordendo um dedo de forma provocante. – Me desculpe Archiekings, mas eu não tenho tempo pra ficar enrolando como sua namoradinha faz. Eu sou direta, pronto. Já resolvemos tudo, se eu ficasse enrolando você teria que pedir desculpas como um bom garoto pelo erro da sua namoradinha e isso seria um saco!

—Ela não é minha namorada.

—Eu sei. – ela ri.

—Então porque fica dizendo que é?

—Porque não é isso o quê todo mundo pensa? Não é isso o que importa nessa escola? Não importa o que você realmente é, o que importa é a sua reputação diante dos outros e essa meu querido, é a sua. – ela toca meu rosto com um dedo, fazendo minha pele arder onde ela toca.

—Eu não acredito no que todos falam. – digo e isso a faz me olhar ainda mais surpresa.

—Não?

—Não.

Nos encaramos tão intensamente que sinto o ginásio ficar tão pequeno que estamos quase nos fundindo um no outro, minha respiração fica pesada e tudo o que eu sinto é o perfume dela.

—Você é ainda mais interessante do que eu imaginei. – diz com um pequeno sorriso, o primeiro verdadeiro que eu vejo direcionado a mim. – Tem alguma coisa em você Archiekings, alguma chama brilhando em seus olhos querendo ser livre, mas tem alguma coisa impedindo. – ela coloca as duas mãos no meu rosto e o segura perto do dela por uns segundos. – Porque não mostra do que você é capaz Archie boy? Me surpreenda! – pisca e se afasta pegando suas coisas e me deixando sozinho mais uma vez.

...

Depois do meu “encontro” com a Veronica no ginásio eu fui almoçar com o Jughead e contei tudo pra ele enquanto esperávamos na fila, eu precisava desabafar porque nem eu estava entendendo o que aconteceu, até agora parece que tudo foi um sonho maluco.

—Então quer dizer que o pequeno Archie finalmente virou um homem de verdade e falou com a Veronica? Cara, eu estou orgulhoso de você, mas não faço a menor ideia do que ela quis dizer. As garotas são malucas e a Veronica parece ser a mais pirada de todas. – ele diz enquanto caminhamos para a nossa mesa. – O que pretende fazer agora?

—Não sei, só sinto que não posso deixar minha vida seguir o fluxo como um barco a deriva. Eu ainda não sei quem eu realmente sou ou quem eu quero ser e eu preciso descobrir isso. Só não conta pra Betty que eu falei com a Veronica, se não ela surta.

—Não se preocupa, minha boca é um tumulo.

Sentamos em nossa mesa de costume com nossos amigos, Betty, Kevin e Polly. Da nossa mesa dava pra ver onde a realeza costumava ficar. Vejo Veronica e Cheryl rindo de alguma coisa no celular enquanto Reggie e Josie se pegavam do outro lado da mesa. Desvio o olhar quando vejo Jason se aproximando.

—Ei gata, o que tá fazendo aqui? Nós temos que sentar juntos agora. – diz ele depois de dar um selinho na Polly.

—A Polly sempre sentou com a gente, porque não vai sentar com a sua namorada vadia?

—Calada irmã do mal. – ele coloca um dedo na boca de Betty fazendo-a calar a boca.

—Acha que é mesmo uma boa ideia nos sentarmos na mesma mesa que a sua ex e a sua irmã? Cheryl me odeia.

—Veronica não se importa, na verdade foi ideia dela. – ele dá de ombros. – E a Cheryl odeia todo mundo, até mesmo eu. Então não se preocupe, vamos?

—Sim. – ela diz e levanta-se abraçada à Jason.

—Polly! – Betty diz horrorizada.

—Calma irmãzinha, eu não estou me mudando do país só vou sentar com meu namorado.

—Ah, já ia esquecendo! – ele diz dando um tapa na testa. – Eu vou dar uma festinha hoje à noite e você tá convidado Andrews.

—O quê? – falamos todos juntos.

—É isso mesmo o que você ouviu e eu não quero ouvir um não! Eu sei que você faz a linha certinho e tal, mas tem que se divertir também. Então você vai ou não?

Todos ficam me encarando chocados, Jughead está sorrindo em desafio, essa seria a minha chance de fazer algo diferente.

—Eu vou. – respondo e surpreendo todos.

—Você vai? – Betty pergunta chocada. – Você odeia essas festas Archie!

—Boa escolha Andrews! Nos vemos à noite. – Jason aperta minha mão sorrindo. – E só para que saiba, a Veronica vai estar lá. – ele pisca e sai junto com a Polly.

—Veronica? O que ela tem haver com isso Archie? – Betty pergunta furiosa.

—Nada, a rainha má não tem nada haver com isso Betty. – Jughead diz rindo. – É só o nosso pequeno Archie crescendo e tomando decisões. Vai com tudo amigo!

—Isso só pode ser brincadeira! – diz Betty chocada.

—Isso é o que eu chamo de mudança! – comenta Kevin com um olhar sonhador pra mesa da realeza.

Olho para lá e vejo Jason falando algo que deixa Veronica surpresa e de repente ela olha na minha direção com um olhar chocado, mas então ela sorri e eu sorrio de volta não entendendo bem o que estava acontecendo.

...

Passo horas pra escolher uma roupa pra festa, me sinto uma garota boba, mas também não quero parecer o cara certinho hoje. Escolho um suéter verde escuro e uma jaqueta de couro preta, com calça jeans escura e tênis eu me olho no espelho decidido de que aquela seria a ultima roupa que eu iria vestir.

—Vai sair filho? – meu pai pergunta parado na porta do meu quarto.

—Vou, o Jason me chamou pra ir numa festa na casa dele hoje. Eu posso ir né?

—Claro que pode, fico feliz em te ver saindo com outros amigos, conhecendo gente nova e fazendo coisas que os jovens da sua idade fazem. Aproveite a noite filho, mas não exagere.

—Pode deixar pai. Obrigado!

Pego o carro do meu pai emprestado e sigo para a casa do Jason, ao chegar noto o caos que aquela festa era. Tinha gente por todos os lados, muita gente jogada no chão bêbada e outras usando drogas, a musica era extremamente alta e muita gente estava dançando dentro da casa.

—Me belisca Toni que eu acho que eu estou tendo uma visão! – ouço a voz de Cheryl e a vejo se aproximando vestida em seu vestido justo e pequeno vermelho, abraçada com a namorada. – Archie Andrews no inferninho na minha casa?

—Oi pra você também Cheryl. – reviro os olhos sem paciência para as provocações da Cheryl.

—O inferno vai congelar! Avisem a Lúcifer! – ela gargalha. – Você tá um gato heim? Se eu não tivesse uma namorada, juro que te pegava.

—Para de infernizar o meu convidado ruiva! – Jason empurra Cheryl pro lado e me entrega um copo com bebida. – Que bom que veio Andrews! Seja bem vindo a mansão Blossom!

—Onde estão os seus pais? – pergunto dando um gole na bebida que desce queimando minha garganta.

—Eles viajaram e a vovó Rosie tá dormindo no ultimo andar, não dá pra ouvir nada de lá. A casa tá liberada! – grita e todos festejam.

A maioria do pessoal da escola tá aqui e muita gente das cidades vizinhas também, converso com algumas pessoas e danço com uma garota que nem sei o nome, mas não me importo, pois pela primeira vez eu me sinto livre, sem pressão e estou me divertindo. Fico na pista dançando até cansar, uma garota louca me beijou antes do meu celular tocar, vejo no visor o nome da Betty e procuro um lugar para atender, mas parece que todos os quartos tem gente se pegando, até que encontro um banheiro vazio.

—Oi Betty.

—Onde você tá? E não me diz que tá na casa do Jason!

—Tudo bem, eu não estou na casa do Jason.

—E onde você tá então?

—Em um dos milhares de banheiros da casa do Jason.

—O quê? Você não fez isso Archie! – ela começa a gritar e eu afasto o celular do ouvido no momento em que a porta do banheiro é aberta e uma Veronica ofegante e corada entra nele.

—Archie?

—Veronica?

—Veronica? Você tá fazendo o quê com a Veronica no banheiro Archie Andrews?!

—É a Betty? Ela parece uma mãe falando assim. – ela diz e tranca a porta do banheiro.

—Ela tá...

—Surtando? Eu posso ouvir. – ela ri e tira o celular da minha mão. – Olá, o senhor Andrews no momento está muito ocupado e não poderá atende-la, seu celular estará desligado pelas próximas horas então sugiro que você não ligue mais hoje. Obrigado! – ela desliga e me entrega o celular. – De nada Andrews!

—Obrigado. – sorrio pra ela e guardo o celular no bolso enquanto ela molha o pescoço na pia. – Você tá incrível. – digo sem conseguir me conter.

Veronica é linda todos os dias, com suas roupas chiques e em tons fortes que acentuam sua personalidade, mas quando ela decide se vestir como uma deusa, ela se veste para matar e era como ela estava agora. Blusa de brilhos curta que deixava uma pequena parte de sua barriga perfeita à mostra, saia curta preta e uma bota preta que ia até o meio de suas cochas.

—Você também não está nada mal. – diz sorrindo de forma perigosa, que faria qualquer homem largar tudo para ser a razão daquele sorriso. – Confesso que não acreditei quando o Jason disse que você tinha aceitado o convite, mas foi uma surpresa boa te encontrar aqui.

—Porque está aqui dentro ao invés de estar arrasando na pista? Ouvi dizer que você é a melhor nisso. – ela senta no chão encostada na parede e de olhos fechados.

—Eu sou a melhor em muitas coisas Archiekings e adoraria te mostrar algumas, mas nesse momento estou fugindo de um idiota que tentou me agarrar outro dia e está tentando hoje de novo, mas como estou sem paciência pra socar a cara dele agora, então vou ficar trancada aqui por um tempo até ele desistir. Se quiser ir embora, pode ir, eu tranco a porta quando você sair.

—Acho que vou ficar por aqui um pouco. – digo sentando me ao lado dela. – A festa tá muito caótica pra mim.

—Sabe que não precisa bancar o herói comigo não é?

—Eu sei que você odeia isso, mas eu estou falando a verdade quando digo que preciso ficar um tempo longe daquele caos.

—Você não sabe mentir não é? – pergunta me olhando.

—E você não mente o tempo inteiro.

—Essa foi boa. – ela ri.

—Já que vamos ficar aqui por um tempo, porque não jogamos algo?

—Se for strip poker esqueça! Não vai conseguir tirar minha roupa tão fácil assim.

—Que tal um jogo de perguntas e respostas? Cada um faz uma pergunta sobre qualquer coisa e o outro tem que responder o mais sincero possível.

—Você é esperto demais Archiekings, mas eu vou fingir que não conheço esse seu papinho e entrar nesse jogo idiota. Pode começar porque eu sei que você tem muitas perguntas. – ela revira os olhos e passa a mão no cabelo irritada.

—Qual a sua cor favorita? – pergunto e ela gargalha alto.

—Tá falando sério? Vai gastar uma pergunta pra saber a minha cor preferida quando você pode perguntar sobre qualquer coisa?

—Você não me respondeu.

—Roxo. – responde ainda sorrindo.

—Diferente. Juro que pensei que você ia dizer preto.

—Não é porque uso todos os dias que é minha cor favorita.

—Sua vez.

—Futebol ou música?

—Música.

—Eu sabia! Apesar de ver você jogando muito bem, sempre que te vejo cantar eu vejo como aquilo te faz feliz. – ela diz me surpreendendo. Eu não sabia que ela já tinha me visto tocar, isso me deixa surpreso. – Sua vez.

—Seus pais não moram com você?

—Não. – responde ficando séria. – Eles me emanciparam ano passado quando me mudei para Riverdale. O apartamento é meu e eu recebo uma mesada deles até eu conseguir me formar e começar a trabalhar.

—Você nunca os vê?

—É a minha vez Archiekings. – ela dá um meio sorriso. – Porque terminou com a Valerie?

—Porque erámos parecidos em muitas coisas e ela não aceitava que eu não me dedicava 100% à música, tinha o futebol também e ela achava que não dava pra conciliar. – respondo sinceramente, ela não comenta, apenas me observa. – E você, porque terminou com o Jason?

—Eu não o amava. – responde simplesmente e isso me deixa surpreso. – Quem é o seu melhor amigo?

—Jughead. – respondo sem precisar pensar. – Como é ser a melhor amiga da Cheryl maluca? – pergunto e rimos juntos.

—É uma loucura diária, uma montanha russa de tragédias épicas! – ela ri seu riso de menina que me encanta. – Posso dizer uma coisa?

—Pode.

—Eu sei uma coisa sobre você que mais ninguém sabe, eu vi você com a Geraldine na sala de música antes das férias de verão. – diz e eu congelo em pânico.

—Você viu? – gaguejo de medo.

—Sim e confesso que me senti num daqueles pornôs ruins sabe? Onde a professora gostosa pega o aluno novinho.

—Você disse pra alguém?

—Claro que não! Não é algo meu pra eu contar a alguém e eu não faria isso, seu segredo tá bem guardado comigo. – ela sorri e encosta a cabeça no meu ombro. – Eu achei que você tinha terminado com a Valerie por causa dela.

—Não estamos mais juntos, há muito tempo não falo com ela. Olha Veronica, eu...

—Relaxa Archie! Todos nós temos segredos e já cometemos erros, ninguém é perfeito, você é tão humano quanto eu. Não estou dizendo que é igual à mim, porque eu já fiz muita merda nessa vida, só estou dizendo que você não precisa se preocupar com a minha opinião sobre você. Ela não diminuiu quando eu vi e não vai diminuir agora.

—Obrigado, eu acho. – digo ainda surpreso com tudo o que estava acontecendo.

—De nada. – ficamos em silencio por um tempo. – Ande, me pergunte algo que você sabe sobre mim, mas não sabe se é verdade que eu vou te responder sinceramente, assim você também vai saber um segredo meu e estaremos quites.

—É verdade que você espancou um cara até ele desmaiar só porque ele não queria ficar com você? – pergunto a primeira coisa que me vem a cabeça.

—O que você acha? – devolve arqueando uma de sua sobrancelhas perfeitas.

—Eu acho que você seria capaz de espancar qualquer um, mas acho que há mais nessa história do que só o cara não ter ficado com você.

—Adoro como pensa Archiekings. – ela sorri, mas é sorriso triste. – Nick é um ex namorado meu, ele veio passar o feriado com a gente no final do ano. Ele deu uma festa no hotel dele e todas nós fomos, depois de um tempo o pessoal foi indo embora, eu já estava um pouco bêbada, mas ainda estava consciente quando ele tentou me agarrar.

—Ele o quê? – pergunto sentindo meu sangue gelar.

—Calma Archie, eu consegui bater nele e fugi. – diz me fazendo respirar novamente. – No dia seguinte, Cheryl que não sabia de nada, convidou ele pra o jantar de Natal na casa dela, eu não poderia dizer nada a ela com ele ali e eu só soube que ele iria quando cheguei. No meio da festa sentimos a falta da Cheryl e saímos pra procurar por ela, a encontramos trancada num quarto com Nick desacordada. Ele a havia drogado e iria abusar dela. Josie, as gatinhas e eu conseguimos entrar no quarto dele e tiramos a Cheryl de lá depois de dar a ele o que ele merecia. No final ele ficou com as duas pernas quebradas e sem a possibilidade de ser pai algum dia.

Fico em silencio encarando a garota ao meu lado, seu olhar triste, mas ao mesmo tempo demonstrando tanta força. Essa era um pedaço da verdadeira Veronica, a que se importava com a melhor amiga, que salvava as pessoas que ela amava sem pensar duas vezes.

—Porque não disse isso pra ninguém? Porque deixou essa versão idiota circular pela escola?

—Porque não era da conta daquelas pessoas e também a Cheryl estava muito envergonhada e não merecia passar por aquilo também, então eu deixei que pensassem o que quisessem. No final não faz diferença. – ela dá de ombros.

—Faz diferença sim! As pessoas finalmente iam conhecer essa Veronica e iriam...

—Não quero fazer as coisas para que as pessoas gostem de mim, as pessoas que importam merecem saber e as que julgam não precisam que eu fique provando que sou uma boa pessoa, até porque eu não sou. Eu sei o que as pessoas pensam de mim, sei dos boatos e sei que elas preferem acreditar naquilo do que perguntar a verdade, então eu dou aquilo que elas querem e que merecem.

Ficamos em silencio olhando um para o outro porque nenhum dos dois precisava falar, tudo o que precisava ser dito, já foi e isso só me fez perceber que eu sempre estive certo sobre a Veronica e que eu era um tolo por me importar tanto com a imagem que os outros tinham de mim. Veronica era livre, sempre foi e era isso o que eu queria ser também.

—Então, você arrasa na pista de dança, verdadeiro ou falso? – pergunto quebrando o silêncio.

—Verdadeiro. – ela ri e levanta-se, me oferece a mão que eu pego prontamente. – Vem Archiekings, eu vou te mostrar quem é a rainha da festa aqui. – ela abre a porta e se aproxima de mim para sussurrar em meu ouvido. – Se prepare que eu vou te dar a melhor noite da sua vida!

E assim caminhamos juntos para a pista de dança onde dançamos como se não houvesse amanhã. Nós rimos, nos divertimos, pulamos na piscina no final da festa e bebemos todos os drinks coloridos que haviam na festa. No final eu estava exausto, mas eu também nunca tinha me sentido tão vivo antes.

...

No dia seguinte eu mal conseguia dar dois passos sem gemer de dor e querer vomitar meus órgãos, cheguei na escola com a maior cara de ressaca, de óculos escuros e tudo. A minha sorte é que meu pai não estava em casa quando sai, se não eu ficaria de castigo pelo resto da minha vida. Não me lembro de muita coisa, mas me lembro da sensação de liberdade e de me divertir como nunca, também tenho flash de memorias de momentos específicos, como pular na piscina de roupa e tudo junto com a Veronica.

—Bom dia Archiekings! – ouço Veronica sussurrar em meu ouvido quando fecho o meu armário, viro-me para vê-la que está com um sorriso enorme debochado e a cara de quem aprontou a noite inteira, mas não ficou de ressaca. – Nossa você tá acabado!

—Obrigado. – digo irônico. – Porque você tá com essa cara de quem dormiu a noite toda e não bebeu uma gota ontem?

—Isso é maquiagem baby e anos de prática nas baladas da vida, já estou acostumada e tiro de letra tudo isso. E é por ser tão experiente que eu resolvi fazer uma boa ação hoje e te trouxe isso. – me entrega um copo com algo quente dentro. – Não me pergunta o quê é, apenas beba e ignore o gosto. Garanto que você vai se sentir novinho depois disso.

—Obrigado Ronnie, você é incrível. – falo sorrindo.

—Eu sei disso Archiekings. – ela sorri e faz um carinho no meu rosto. – Não posso perder meu parceiro de balada logo agora que o encontrei não é mesmo? Nos vemos no almoço?

—Se o mundo parar de rodar até lá...

—Rei do drama! – revira os olhos e sai andando com seu andar de dona do mundo.

—Indo pra festas malucas do Jason, amiguinho da Veronica, qual o seu próximo passo Archie? Abandonar seus amigos? Usar drogas? Transar com a Veronica? – Betty pergunta ao meu lado.

—Eu vou ignorar o que você tá dizendo porque estou morrendo de dor de cabeça e minha noite foi ótima e seu ódio pela Ronnie não vai estragar nossa amizade.

—Ronnie? Já estão trocando apelidos?

—Até mais tarde Betty. – digo lhe dando as costas e a deixando falando sozinha.

—E ai cara, como foi a festa ontem? – Jughead pergunta na aula de matemática.

—Foi incrível. Você tinha que ter ido também, eu nunca me diverti tanto.

—Nossa, quem diria que andar com o lado negro da escola fosse te fazer tão bem assim não é? Você sabe que já tá todo mundo comentando que você vai começar a ser considerado da realeza, a maioria dos alunos já estão te tratando como se você já fosse um. Me diz, precisa vender algum órgão ou fazer um pacto de sangue para entrar no seleto grupo dos populares?

—Não é nada disso, eu só fui convidado para uma festa. Não é como se agora eu me tornasse melhor amigo deles, ou me tornasse um deles.

—Não foi isso o que me falaram hoje, disseram que a Veronica te trouxe café e que vocês pareciam bem íntimos. Você dormiu com ela?

—Não! Claro que não! A Veronica não é assim cara, nem tudo o que dizem sobre ela é verdade e você sabe disso.

—Eu sei, eu sei, mas não rolou nenhum beijinho?

—Já disse que não.

—Mais bem que você queria...

—Se eu não quisesse eu seria um louco não seria?

—Com certeza. – concorda quando o professor entra na sala.

...

No almoço, Jughead estava tentando convencer o pessoal de ir ver um filme no Drive In hoje à noite, mas o pessoal não parecia muito animado, pois cada um queria um tipo de filme diferente do outro, então começaram uma discussão. Não me meto, pois não me importo com qual vai ser o gênero do filme, eu só queria que eles calassem a boca. Quando penso que meu desejo foi realizado, pois todos ficaram em silêncio, vejo que eles só pararam de falar porque Veronica estava parada ao lado da nossa mesa com sua bandeja na mão e uma caixa de confeitaria na outra.

—Atrapalho?

—Claro que não. – respondo sorrindo.

—Quer sentar com a gente? – Jughead pergunta, o encaro como se ele tivesse ficado louco.

—Até parece. – ouço Betty sussurrar irônica.

—Claro, obrigado. – diz sentando-se ao meu lado. – Combinamos de nos encontrarmos no almoço lembra? Espero que não se importe. – ela morde o lábio parecendo insegura por um segundo. – E eu trouxe a sobremesa. Cupcake!

—Tá brincando? Você trouxe cupcake? – Jughead questiona pasmo, de queixo caído.

—Sim, o Archie tá de ressaca e segundo meu manual de sobrevivência da ressaca, nada melhor que um bom doce pra repor as energias. – ela abre a caixa rosa em cima da mesa e uma dúzia de cupcake coloridos e de todos os sabores são apresentados aos olhares famintos dos meus amigos. – Eu trouxe um pra cada, podem pegar qual quiserem.

—Verdade? – Kevin pergunta quase babando.

—Sim, pode pegar. – ela sorri pra ele. – Só não garanto que não estejam envenenados.

—Por essas belezinhas vale até a pena morrer. – diz Jughead pegando um e mordendo.

—Claro que valem, isso aqui são cupcake magnólia! Só tem em New York! – comenta Kevin segurando o cupcake como se ele fosse uma joia.

—Eu liguei e pedi que fizessem uma entrega aqui na escola.

—É assim que você faz amigos? Os compra com cupcakes? – Betty pergunta venenosa.

—Não, na verdade os compro com sexo selvagem, mas hoje decidi ser mais sutil sabe? Afinal não quero ofender a sua “pureza”. – Veronica diz acidamente.

Jughead engasga com o cupcake e Kevin tenta sufocar a risada fingindo uma tosse repentina, Betty se cala vendo que ninguém iria defender e que ela estava errada.

—Obrigado pelos cupcakes Ronnie, eles são lindos e estão ótimos. – digo antes de dar uma mordida em um.

—Eles são os meus preferidos. – revela com seu sorriso de menina. – Então, acho que todos sabem da festa na piscina anual da Cheryl não é?

—Claro que sim! A festa mais esperada do ano, cheia de modelos famosos, jogadores de futebol e apenas os amigos mais íntimos dos gêmeos. Todo mundo sabe disso e venderia um rim pra conseguir entrar lá. – Kevin diz suspirando sonhador.

—A festa que nós mortais não somos convidados. – Betty diz com um sorriso cheio de mágoa.

Ronnie mexe na sua bolsa procurando algo, até que eu vejo o vermelho brilhante dos convites mais desejados de Riverdale brilhar em suas mãos.

—Todo ano a Cheryl me dá convites para eu convidar quem eu quiser, eu ainda tenho três, então pensei se vocês não queriam ir?

—A gente? – Jughead pergunta apontando para si.

—Ah meu deus! Acho que eu vou desmaiar! – Kevin fala começando a surtar.

—Sim, vocês. Eu já ia convidar o Archiekings, então pensei que ele poderia querer ir com os melhores amigos, claro que o Jason vai convidar a Betty, ele deu o convite pra Polly na aula hoje.

—Quem disse que eu quero ir nessa festa? Eu nem gosto da Cheryl!

—Mais eu quero ir! – Kevin fala e pega o convite com Veronica. – Obrigado Veronica! Você é demais!

—De nada, eu sei que sou. – ela sorri pra ele. – E você Jug, não quer ir também? Ouvi dizer que um escritor famoso vai dar uma passada lá pra autografar uns livros que a Cheryl vai doar para o festival e como eu sempre te vejo por ai escrevendo no seu livro, pensei que você poderia conhece-lo.

—Tá falando sério? Comida de graça, garotas de biquíni e eu ainda vou ter a chance de conhecer um escritor de verdade?

—Isso mesmo.

—Me considere lá. – ele pega o outro convite fazendo Betty resmungar de raiva.

—E você Archiekings, vai ou não? – pergunta parecendo ansiosa.

—Talvez. – faço suspense. – Isso vai te deixar feliz, verdadeiro ou falso?

—Verdadeiro. – responde sorrindo.

—Então eu vou. – confirmo e ganho um sorriso perfeito que faz seus olhos brilharem e eu não conseguir desviar o olhar dela.

—Veronica Lodge. – ouço Ethyl dizer, ela esta ao lado de Veronica com um copo de milk-shake na mão. – Por todos os crimes do seu pai e por todas as maldades que você é capaz de fazer, eu te declaro culpada por todos os crimes.

Antes que Ethyl pudesse jogar o milk-shake na cabeça dela, Ronnie apertou a parte de baixo do copo, fazendo com que todo o conteúdo do copo voasse na cara da Ethyl. A escola toda estava rindo agora, Veronica levanta-se e encara ela.

—Olha aqui minha querida, eu não tenho culpa pelos erros do meu pai, eu não tenho nada haver com os negócios dele e muito menos com os negócios dele com o bundão do seu pai! Eu não tenho culpa se o covarde do seu pai perdeu tudo pro meu e ao invés de ficar aqui e lutar pela família dele, ele preferiu tomar metade de um vidro de remédio! Você pode me acusar de muitas coisas, mas eu nunca fui uma covarde! Eu assumo meus erros e pago as consequências! Agora você? – ela ri da cara chorosa da Ethyl. – Que ideia idiota foi essa de tentar jogar milk-shake em mim? Quantos anos você tem? 3? Me poupe!

Ethyl sai chorando e todos estamos espantados demais para falar alguma coisa, Veronica joga o cabelo para o lado e senta-se novamente como se nada tivesse acontecido.

—Você precisava ter pegado tão pesado com ela?

—Desculpe Betty querida, mas você viu que foi ELA que tentou me agredir não é mesmo? Eu não tenho sangue de barata. E eu não sigo as regras, eu as faço e se necessário eu as quebro, entendeu?

—Ronnie você tá bem? – uma Cheryl toda preocupada pergunta praticamente sentando em cima de mim, para ficar ao lado de Veronica. – Eu estava na sala do diretor falando sobre o festival da cidade por isso não vim antes.

—Tá tudo bem, ela teve o que mereceu. Eu não chuto cachorro morto.

—Vamos pra nossa mesa, você não pode se sentar com esses plebeus! – ela sai arrastando Veronica até a mesa delas. – Não acredito que aquela vagabunda tentou te sujar! Quem ela pensa que é? Juro que rasgo a pele da cara dela com as minhas unhas da próxima vez. – a ouço dizer enquanto caminham pra mesa, Veronica ri e diz algo que não escuto.

—Olha só as suas novas amizades Archie, é isso mesmo que você quer pra sua vida?

Betty sai indignada e Jughead também levanta-se saindo atrás dela com a caixa de cupcakes.

—Eu sou uma pessoa ruim por gostar da Veronica? Não consigo odiar ela. – Kevin diz tristemente.

—Não sei, acho que a visão do que é ruim ou não depende muito de quem está olhando.

—Quando ficou tão sábio?

—Não faço a menor ideia.

...

Depois do treino de futebol, encontro Veronica saindo da escola, ela parecia abalada com alguma coisa e sua cara piorou quando me viu. Ela me deu as costas e seguiu por outro caminho, claramente me evitando.

—Ronnie! – chamo, mas ela continua me ignorando. – Ei, o que aconteceu? Por que tá me evitando?

—Porque não quero ouvir o que você vai dizer e nem estou com paciência pra brigar hoje. – responde irritada sem olhar pra mim.

—E como sabe o que eu vou dizer?

—Não sei é? Então me surpreenda Archiekings. – ela cruza os braços e espera me encarando.

—Olha, eu entendo que você precisou ser grossa com a Ethel e tudo mais, porque foi ela que começou e te disse coisas horríveis. Eu só queria que você soubesse que eu não penso como a Betty com relação a isso e...

—Eu sabia. – ela ri sem humor e parece ainda mais chateada. – Eu sabia que você ia dizer isso. Não vê o que tá fazendo? Você tá buscando uma justificativa para o meu comportamento com a porquinha!

—Não é uma justificativa, é a verdade! Não entendo porque tá tão irritada assim?

—Jura que não sabe? Archie eu sei que você é o bom moço e que defende as pessoas sempre que elas precisam, mas eu não preciso que fique arranjando uma boa desculpa ou justificativa pra tudo que eu faço que você ou um de seus amigos pode considerar que seja algo ruim. Hoje eu tinha razão, mas se eu não tivesse? E se eu tivesse contornado aquela situação como uma boa garota? Você não precisaria sair me justificando para seus amigos e nem pra ninguém, porque é assim que as pessoas querem que eu seja, só que eu não sou assim. Eu não uma garota boazinha e não é porque você acha que me conhece mais que os outros que tem o direito de sair me defendendo. Deixe que as pessoas falem! Eu não ligo! Só não fique procurando justificativas pra mim, se você entendeu a situação, ótimo! Se não gostou, então venha e fale comigo. Não fique procurando bondade em tudo Archie, as pessoas tem um lado ruim, todas tem. – ela vai embora.

Eu sempre soube que Veronica era uma pessoa difícil, mas hoje eu entendi que tudo o que ela quer é que não a fiquem julgando ou procurando justificativas para o que ela faz ou deixa de fazer. Ela é humana, tem seus defeitos e suas qualidades como todo mundo. Ela dá as pessoas o que ela acha que elas merecem, ela não finge, se ela gosta de alguém ela se aproxima, se não gosta ela apenas ignora. Veronica é verdadeira e não espera que todos a amem, apenas que gostem dela como ela é.

Agora acho que estraguei tudo com ela, nunca a tinha visto tão magoada com algo, nem mesmo com o incidente do milk-shake. Mais que merda! Eu sou um idiota mesmo!

...

O resto da semana foi uma droga! Betty estava me ignorando, Veronica nem olhava na minha cara e eu estava péssimo no futebol. Ou seja, minha vida estava uma merda e eu já não sabia como fazer tudo voltar ao normal. O sábado chegou e com ele a festa na piscina da Cheryl, o convite vermelho parecia me queimar toda vez que eu o olhava jogado em cima da minha mesa no quarto.

—Então Archie, você vai me dizer o que está acontecendo agora ou eu vou ter que ligar pro Jughead?

—Acho que fiz merda pai. – digo, pois sei que ele não vai me deixar em paz enquanto não souber o que tá acontecendo.

—E porque acha isso? – ele senta ao meu lado na cama.

—Eu magoei uma garota que é simplesmente incrível e agora ela esta me ignorando, sem falar que a Betty também está furiosa comigo.

—Essa garota é a garota misteriosa que você se apaixonou ano passado?

—Não. – ele estava falando da Geraldine. – Mas eu gosto da Veronica, ela me faz sentir que tudo vai ficar bem, ela é divertida e muito legal.

—Se ela é isso tudo, então peça desculpas e rasteje aos pés dela até ela aceitar.

—Rastejar? Que tipo de concelho é esse pai? – começo a rir ao me imaginar rastejando aos pés da Ronnie.

—Eu fiz isso com a sua mãe.

—A Veronica me daria um soco se eu pedisse desculpas.

—Então só lhe resta rastejar e torcer para que essa garota mereça o seu amor.

—O quê? Pai eu não...

—Não ainda, mas está quase. – ele me abraça e levanta-se. – Se essa garota for mesmo tão especial quanto diz, não a deixe escapar filho. Essa pode ser a melhor coisa que pode acontecer com você. Amar é muito bom, mas amar junto com a paixão é ainda melhor. Eu sei disso, pois senti isso uma vez.

—Obrigado pai. – sorrio sem graça pra ele.

—E ai Andrews? O que tá fazendo ai deitado? – Jughead entra no meu quarto usando uma camisa e uma bermuda, óculos escuros e sua toca inseparável. – Nós temos uma festa pra ir lembra?

—Eu não sei se eu quero ir nessa festa, nem se eu ainda sou convidado. – cubro meu rosto com o travesseiro frustrado.

—Como assim não vai? Senhor Andrews diga ao seu filho que ele não pode deixar de ir nessa festa! Cara tem gente vendendo um órgão pra ir nessa droga de festa, eu nem queria ir, mas fui convidado e veja só? Estou usando roupas de banho idiotas, mas vou.

—Archie, se você foi convidado pra algo tão importante, vá e se divirta! Não perca essa oportunidade e saia desse quarto, porque você já está fedendo! – meu pai tira travesseiro do meu rosto.

—A Veronica vai estar lá.

—Não importa Jughead! Ela provavelmente vai mandar o time de futebol inteiro me colocar pra fora de lá. Eu não vou.

—Okay, então eu também não vou. – ele se joga na cama ao lado.

—O quê? Você vai sim! Você tem que conhecer aquele escritor lembra?

—Eu não vou sem o meu melhor amigo, fim de papo!

—Eu te odeio! – falo irritado e levanto da cama, indo me trocar e vestir roupas de banho.

Meu pai nos empresta o carro, passamos na casa do Kevin para pega-lo e então seguimos para a casa dos Blooson.

—Uau! Isso parece casa de filme de terror. – Jug diz quando entramos na casa.

—Andrews! Que bom que veio, estão todos na piscina, vamos? – Jason aparece do nada e nos leva pra o jardim onde a enorme piscina aquecida dos Blooson estava cheia de gente.

—Eu estou no paraíso! – Kevin diz de queixo caído.

—Bem vindos à grande festa dos Blooson! Divirtam-se! – Jason vai para a piscina onde a Polly estava esperando.

—Isso foi uma péssima ideia! – digo desejando ter ficado em casa.

—Não surta, mas a Veronica tá vindo na nossa direção. – Jughead sussurra.

—Que ótimo! Pode ficar com a minha coleção de quadrinhos quando eu morrer e...

Não consigo dizer mais nada depois de olhar para a visão mais bela e sexy que eu já tive a chance de olhar. Eu sabia que Veronica era muito gostosa, a garota mais bonita da escola, mas nada se com a visão de Veronica usando um biquíni preto sexy e seu colar de perolas a deixando ainda mais gostosa, chamando a atenção para seu colo perfeito. Eu deveria estar babando, mas não me importava. Já tinha ficado com outras garotas e já tinha ido pra cama com a Geraldine, mas nenhuma delas chegavam aos pés de Veronica.

—Limpa a baba cara, já tá escorrendo. – ouço Kevin dizer, mas não me importo.

—Acho que agora entendo porque todos babam por ela. Puta que pariu! – Jughead comenta dando um gole grande em sua bebida no momento que ela chega na minha frente.

—Você veio. – diz me olhando por baixo de seus óculos de sol.

—Não sabia se você ainda queria me ver aqui, mas liguei o foda-se e vim assim mesmo.

—Me surpreendeu Archiekings, pensei que fosse se acovardar e ficar em casa trancado no quarto. – ela sorri de forma sexy e provocativa.

Jughead ri alto e acaba chamando a atenção da Veronica.

—Que bom que também conseguiram vir. Vamos nos divertir agora! Sem bebida Archiekings? Eu preparo uma pra você. – ela segura minha mão e me arrasta por entre as pessoas até o bar.

Depois de me servir um drink, Veronica some com o Jughead e me deixa sozinho já que o Kevin sumiu com um rapaz pra algum canto escuro. Mas não fico sozinho por muito tempo, logo ela está de volta.

—Você não vai passar a festa toda ai sentado né? Vem, vamos pra piscina. – ela me puxa na direção da piscina e para na borda, olhando de forma significativa para minha camiseta. Um pouco envergonhado, a tiro e jogo numa das cadeiras de sol. – Uau Archiekings, você deve ser uma delicia. – diz me olhando dos pés a cabeça, dou um sorriso e a ajudo a entrar na água.

—Todos estão babando no seu acompanhante Ronnie, meus parabéns! Terminou com o bobo do meu irmão, mas não perdeu o bom gosto. – Cheryl diz ao se aproximar de onde estávamos.

—Claro que não perdi, ainda somos amigas. – ela pisca pra amiga. – E onde está a Toni?

—Foi buscar uma bebida pra gente, estava entediada até que senti toda a tensão sexual vinda desse lado da piscina. – ela aponta para nós dois me fazendo engasgar com a bebida. – Não se faça de bobo Archie, todo mundo viu você comendo a Ronnie desde que chegou e a Ronnie está praticamente te devorando agora.

—Cheryl! Já chega não é? O Archiekings não tá acostumado ainda com esse seu humor ácido e sexual. – Veronica pede lançando um olhar de alerta pra amiga.

—Não se faça de santa Ronnie! Francamente, vocês dois são muito lerdos! Estão esperando a minha benção? Você está me decepcionando Ronnie, você já foi mais rápida! Não acredito que está deixando o pobre Archie na espera e sem nenhum beijinho. Andem! Se beijem logo e acabem com isso. – manda nos olhando em expectativa.

Olho para Ronnie um pouco constrangido e confuso, ela está rindo e balançando a cabeça como se não acreditasse no que a amiga estava fazendo.

—Estou esperando... E o Archie também. – provoca.

Ronnie olha pra mim e se aproxima, colocando a mão na minha nuca e aproximando nossos rostos.

—Relaxa e confia em mim. – diz e então me beija.

No começo é só um selinho, um encostar de lábios inocente, mas que aquece todo o meu corpo. Ela se afasta, nos encaramos por um segundo e então voltamos a nos beijar, dessa vez de verdade. O sabor de sua boca é viciante, doce, quente e sensual, sem falar no seu corpo macio que se moldava perfeitamente ao meu. O beijo se torna mais urgente, mais forte, nossas línguas conhecendo a boca um do outro, travando uma batalha quente e deliciosa. Veronica enrosca seus dedos em meu cabelo, me trazendo para mais perto, coloco minhas mãos em sua cintura a apertando junto a mim e sentindo um gemido de prazer sair por entre nosso beijo e acertando em cheio certas partes do meu corpo. Só nos afastamos quando escutamos os gritos e aplausos de Cheryl.

—Uau! Isso sim é o que eu chamo de beijo. – ela diz fingindo se abanar quando nos separamos. Não deixo Veronica ir pra muito longe, a mantenho em meus braços, suas costas pressionadas contra meu peito e meus braços ao redor da sua cintura. – Me deu até um calor!

—Você está deixando eles constrangidos baby. Vamos deixar o novo casal aproveitar a festa? – a namorada da Cheryl diz sorrindo maliciosa.

—Vamos, mas não façam nada que eu não faria! Meu quarto está à disposição. – pisca saindo da piscina com a namorada.

—Ela é sempre assim? – pergunto observando as duas se beijando.

—Piora com o nível de amizade. – responde sorrindo. Ela vira-se em meus braços ficando de frente pra mim e colocando os braços ao redor do meu pescoço, fazendo um carinho na minha nuca com os dedos. – Tá tudo bem?

—Não poderia estar melhor. – respondo sorrindo. Ela se aproxima e me beija lentamente, eu não consigo imaginar como eu pude aguentar tanto tempo sem beijá-la.

Passamos um tempo nos beijando na piscina e bebendo, o gosto da boca dela junto com a bebida estava me enlouquecendo. Saímos da piscina pra procurar algo pra comer, sentamos no bar, Veronica pediu uma salada de frutas e eu estava comendo algum tipo de salgado, ela sentou no meu colo enquanto comíamos.

—Vocês não vão acreditar em como o escritor era foda! Ele me disse pra passar no escritório dele na segunda e levar meu manuscrito que ele iria ler! Eu estou no céu!

—Parabéns Jughead! – digo feliz pelo meu amigo.

—Obrigado por me convidar Veronica e por me ajudar a conversar com ele.

—Não foi nada de mais. – ela diz dando de ombros e colocando um morango na boca.

—E isso? É novo? – pergunta enfim notando onde a Veronica estava sentada. – Estão juntos?

—Não sei, seu amigo não me pediu em namoro ainda, está só me usando. – ela faz biquinho triste e isso me faz rir. – Estou brincando. Nós estamos...

—Curtindo o momento? – falo ela sorri concordando.

—Isso mesmo.

—Okay, vocês são doidos e eu não quero entender. – ele rouba um morango de Veronica. – Eu não sabia que os Serpentes eram bem vindos aqui.

—Não somos preconceituosos, aqui tem lugar pra todo mundo. – beijo o ombro dela.

—Realmente eu fiquei surpreso quando vi o pessoal do sul aqui.

—Cheryl namora a Toni e somos amigos da maioria do pessoal de lá, até o seu pai já apareceu em algumas das nossas festas.

—Meu pai?

—É, ele é um homem incrível e muito legal.

—Não estamos falando da mesma pessoa então.

—Olha, eu não sei o que rolou entre vocês, mas como uma garota que tem um pai descuidado e bandido, eu te digo que o seu pai nunca seria capaz de fazer metade do que o meu pai é, e olha que isso é muito. O seu pai te ama e sente sua falta, ele disse uma vez quando ficou bêbado, ele parecia arrependido e disposto a tentar. Por que não dar uma segunda chance pra ele? Pelo menos tente.

—Vou pensar. – ele finalmente diz e levanta-se. – Agora vou beber e deixar o casal em paz.

—Isso foi incrível! FP foi um idiota com o Jughead, mas continua sendo o pai dele, merece uma segunda chance.

—Foi o que eu disse.

—Por acaso isso foi algum surto de bondade sua?

—O quê? Deus me livre! Conforme-se com a vadia má.

—Não está mais aqui quem falou. – ergo minhas mãos em sinal de rendição, ela gira em meu colo e me beija.

E foi assim que começou o melhor fim de semana da minha vida!

...

Na segunda foi que eu percebi o quanto minha vida tinha mudado em relação a semana passada, não digo isso somente por finalmente estar namorando a garota que eu sempre quis, mas também por todas as pessoas novas que eu conheci, as novas possibilidades já que eu falei pro meu pai que talvez quisesse fazer musica e ele aceitou, eu tenho amigos incríveis, uma namorada linda e me sinto livre para fazer o que eu quiser.

Estou guardando o meu livro de história no armário, quando sinto mãos suaves me puxar pela camisa e lábios quentes tocarem os meus num beijo profundo.

—Oi Archiekings! – diz ofegante e corada.

—Oi Ronnie. Tá animada hoje?

—Sim! Hoje tem jogo e eu mal posso esperar pra ver o meu Archiekings acabar com eles.

—Sanguinária você heim?

—Você ainda não viu nada.

—E o Jason?

—O que tem ele? – ela limpa o batom do meu rosto que ficou por conta do beijo.

—Ele não disse nada por nos ver juntos?

—Jason e eu somos bem resolvidos, não tem com que se preocupar. Ele está bem com a Polly chatinha e nós estamos bem, não estamos?

—Muito bem.

—Ótimo! Nos vemos depois Archiekings! – ela me dá um selinho antes de ir.

Um mês depois...

Minha vida mudou muito, eu nunca me senti tão vivo como agora. Jughead conseguiu um estagio no escritório do escritor que ele conheceu e estava se dando super bem por lá, Betty e eu voltamos a nos falar, apesar de que agora passamos menos tempo juntos. Por ser namorado da Veronica, acabei me aproximando mais da Cheryl e a conhecendo melhor, ela não era a vadia fria e má que todos conheciam, ela era isso também, mas não era assim o tempo todo. A amizade dela com a Ronnie era sincera e elas eram leais uma com a outra, Jason também era um bom amigo e parecia não se importar com o fato da sua ex namorada, namorar seu amigo.

Passei mais tempo me dedicando à música, meu pai até fez um mini estúdio na garagem pra mim, onde eu ensaio todos os dias com a Ronnie. Sim, ela canta e muito bem por sinal. Falando nela, Veronica e eu não poderíamos estar melhor. Cada dia que passa tenho certeza de que devemos ficar juntos, ela tem me mostrado sensações novas, ela me apoia, me ajuda, sem falar que seus beijos são enlouquecedores. Ainda não fizemos sexo, não por falta de vontade, mas sim de oportunidade. Sempre tinha alguém pra atrapalhar, ligar na hora errada, chegar na hora errada, nem mesmo no apartamento dela nós conseguimos ter paz. Essa situação toda só tem servido para aumentar o fogo e o desejo, nos deixando frustrados depois de outra tentativa que não dá certo.

Temos aproveitado muito bem o nosso tempo juntos, entre as aulas nos escondemos nos armários do zelador, entre os treinos de futebol e das lideres, nos encontramos em baixo das arquibancadas ou no vestiário. Quase rolou na minha garagem, mas acabamos desistindo quando ouvimos o barulho do carro do meu pai chegando em casa. Já tivemos preliminares no carro dela, depois de uma noitada no bar dos Serpentes, mas Jughead passou mal e tivemos que levar ele para o hospital. Enfim, isso está deixando a Ronnie irritada e eu cada vez mais frustrado com a vida. Quando eu finalmente começo a namorar com a garota mais gostosa da cidade, eu nem posso aproveitar isso. Sem falar que o pessoal acha que nós sempre que podemos estamos transando e isso é irritante, pois não posso falar a verdade e ainda tenho que escutar os caras dizendo que eu tenho muita sorte.

Agora estou aproveitando dos beijos quentes e profundos da minha namorada, em um canto do corredor. Agarro suas coxas, me mantendo entre suas pernas, Ronnie está sentada no balcão da sala de ciências, as pessoas passavam por nós nos observando, mas não nos importávamos.

—Archie, eu quero você. – ela sussurra entre beijos e morde meu lábio inferior.

—Eu também te quero Ronnie, muito! – aperto suas coxas e ela solta um pequeno gemido me enlouquecendo. – Eu sou louco por você Ronnie.

—Esse jejum sexual é um saco! Eu espero que depois do festival a gente tenha paz.

—Vamos ter, eu prometo. – distribuo beijos por seu pescoço perfumado.

—Qualquer coisa, temos a casa do lago da minha família. Podemos fugir pra lá depois do festival de fim de ano. – sugere sorrindo maliciosa. – Vamos ter a casa só pra gente.

—Isso seria incrível! – sorrio pra ela e a beijo. – Por falar em festival, vou tocar a música que estou fazendo pra você.

—Aquela música que eu não posso ouvir?

—Sim. Vai ser como um presente de Natal, então eu espero que goste. – digo sem graça.

—Eu vou amar. – ela diz me acalmando, fazendo carinho em meus cabelos. – Por falar em presentes, eu tenho um presente pra você.

—Mesmo? Não precisa me dar nada Ronnie.

—Preciso sim! Que tipo de namorada eu seria se não te desse um presente?

—Você já é a melhor namorada do mundo. – dou-lhe um selinho. – E onde está? Posso ver?

—Não, só vou lhe dar mais tarde. Antes do festival.

—Isso é maldade Ronnie!

—Eu nunca lhe disse que eu era boa. – pisca e me afasta descendo do balcão. – Tenho que ir agora, tenho reunião das lideres e como chefe, eu tenho que estar presente.

—Nos vemos mais tarde então. – nos despedimos com um beijo leve.

...

Eu estava mais nervoso que o normal, além de cantar em publico, eu vou cantar pela primeira vez a música que fiz para a Veronica, fico com medo de que ela não goste ou que isso acabe estragando as coisas entre nós.

—Você me parece muito nervoso filho. Isso é porque sua mãe vai vir vê-lo tocar?

—Isso também pai, mas tem uma sensação ruim. Como se algo de muito ruim fosse acontecer hoje.

—Calma filho, esse é o nervosismo falando por você. – ele me abraça me reconfortando.

O lugar do festival parecia estar mais lotado que o normal, eu já estava ficando preocupado por não ver a Ronnie, quando a vejo vindo na minha direção com um sorriso enorme e carregando algo que não presto atenção pra saber o que é.

—Olá Archiekings! – ela me beija e isso me acalma. – Trouxe o seu presente!

—Você está linda! – pego seu rosto com as mãos e a trago para mais um beijo.

—Obrigado. – fala ofegante.

—Não vai me apresentar sua namorada Archie?

—Claro pai. – eu tinha esquecido que ele estava ali também. – Pai essa é a Veronica Lodge, minha namorada. E Ronnie, esse é o meu pai Fred Andrews.

—É um prazer conhece-lo senhor Andrews. – ela sorri e aperta a mão do meu pai.

—O prazer é meu de finalmente conhecer a namorada do meu filho. – ele sorri também em aprovação. – Você é ainda mais bonita do que o Archie falou, não me surpreendo já que meu filho parece ser louco por você.

—Pai! – reclamo vendo os dois rindo.

—É mesmo senhor Andrews? Acho que temos muita coisa pra conversar.

—Pode apostar que temos.

—Okay, chega de complô! Onde está meu presente? – pergunto irritado e constrangido com a situação.

—Você é tão chato as vezes Archie. – ela revira os olhos e me entrega a caixa.

Abro meu presente e fico paralisado ao ver a linda guitarra que eu passei anos babando por ela, brilhando diante dos meus olhos.

—Essa é...?

—A guitarra que você queria? Sim é! Eu pedi para trazerem de New York já que as daqui já tinham acabado e você ama essa cor. Não gostou? – pergunta mordendo o lábio nervosa.

—Não gostei? Eu amei! É o melhor presente de todos! – a abraço, tirando-a do chão e girando, enquanto a encho de beijos. – Você é a melhor namorada do mundo!

—Esse presente é incrível mesmo Veronica. – meu pai diz admirando meu mais novo mimo.

—Nada que meu amor não mereça. – ela diz me deixando orgulhoso.

Eu queria muito dizer a ela que eu a amo, aquele parecia ser o momento ideal, mas meu pai estava presente e estávamos no meio de muitas pessoas, eu queria que fosse um momento só nosso, por isso guardei as palavras para mim por enquanto.

—É a sua vez Archie. – a prefeita diz, interrompendo meu momento com as pessoas que eu amo.

—Vamos Veronica?

—Vamos sim, estaremos te esperando Archie. – ela me beija e sai com meu pai.

Respiro fundo antes de subir no palco, as pessoas aplaudem. Consigo ver Veronica e meu pai perto do palco, Betty e Jughead por perto também e ao longe vejo o cabelo ruivo de minha mãe que acena animada e eufórica pra mim. Esqueço o medo e o nervosismo e começo a música.

“Ela tem uma má reputação

Ela toma o caminho longo para casa

Todos os meus amigos já a viram nua

Ou é assim que vai a história.”


“Erros, todos nós cometemos

Mas eles não vão deixar para lá

Porque ela tem uma má reputação

Mas eu sei o que eles não sabem.”


“Eu não ligo para o que eles dizem sobre você, baby

Eles não sabem pelo o que você passou

Confie em mim

Eu poderia ser aquele que te trata como uma dama

Deixe-me ver o que está por baixo

Tudo que eu preciso é você.”

“Ela tem uma má reputação

Ninguém se aproxima muito

A visão de uma alma quando se está quebrando

Fazendo meu coração crescer frio.”


“E quanto mais fundo ela está afundando,

Eu estou implorando-lhe

Por favor, não se deixe ir

Ela tem uma má reputação

Ela é tudo

Tudo o que eu quero, entretanto...”


“E eu não me importo com o que dizem sobre você, baby

Eles não sabem pelo o que você passou

Confie em mim

Eu poderia ser aquele que te trata como uma dama

E deixe-me ver o que está por baixo

Tudo que eu preciso é você.”


“Ninguém sabe a maneira como eu notei isso

Ninguém sabe a maneira como o tempo tem nos mostrado isso

Ninguém sabe a maneira como eu notei isso

Ela está mal

Ela está mal...”


“E eu não me importo com o que dizem sobre você, baby

Mas eles não sabem pelo o que você passou

Confie em mim

Eu poderia ser aquele que te trata como uma dama

Então vamos ver o que está por baixo

Tudo que eu preciso é você.”


“Ela tem uma má reputação

Ela toma o caminho longo para casa.” (Bad Reputation — Shawn Mendes)

Notas finais
O que acharam?? Em breve postarei a ultima parte!!
Até breve!!!
Beijos!!