Notas iniciais
Oi, menines! Eu falei que ia postar ontem, né? Desculpem! Eu trabalho no domingo e folgo na segunda (vá entender), então acordei cedo ontem e achei que dava tempo de revisar e postar, mas me enganei. Enfim, pensei que quando chegasse em casa dava tempo, mas acabei assistindo ao emmy. To feliz que Game of Thrones ganhou, mas mais ainda, estou muito feliz de ver o Rami Malek sendo reconhecido. Acompanho ele há muito tempo e sei o quanto ele merecia. :3 Enfim, aqui vai! Preparem o coração ♥

A tarde se recolhia para dar lugar a noite. Uma brisa fresca corria pelo acampamento, fazendo os rapazes agradecerem pelo breve refresco. Acabavam de ser liberados para o banho. Estavam cansados e calorentos. Seus músculos pediam descanso e um momento, embaixo da ducha gelada, era o suficiente.

Oliver adentrou a casa de banho e seu olhar percorreu por todos os lugares, procurando o olhar de Maxwell. Estava um pouco receoso em se despir entre os rapazes depois do que aconteceu, mas era a única maneira que tinha de relaxar o corpo. Então, com os olhos atentos a tudo o que acontecia, ele começou a se despir com pressa. Partiu pelas botinas, desamarrando e arrancado-as. Depois, retirou a calça e a blusa. Por último, ele retirou a boxer. Aproveitou que o número de membros havia diminuído e que mais chuveiros estavam livres, se adiantou até um mais ao fundo.

Assim que as primeiras gotas de água fria caíram sobre seu corpo, ele se arrepiou inteiro. Mas quando a ducha atingiu seu rosto, foi como um carinho que o fez esquecer quase tudo. Não lembrou mais de Maxwell e seus olhares, ou das lembranças no fundo de sua mente, mas não foi capaz de esquecer Bruce.

Quando fechava os olhos, a imagem de Bruce beijando a esposa enchia sua mente e feria seu peito. Era inegável o ciumes, mas era sem fundamento. Não adiantava nutrir aquele tipo de sentimento por Bruce, pois jamais seria recíproco. Ele estava construindo uma família, algo que Oliver nunca soube o significado, mas notava a importância. Estava feliz por Bruce, tinha consciência disso. Parte do sentimento que nutria por ele, significava querer vê-lo feliz. E quando ele retornou com aquele sorriso tão grande, Oliver sentiu-se bem por vê-lo feliz, mas também sentiu-se triste, por não ser ele o motivo da alegria de Bruce.

Ele respirou fundo e apoiou a testa na parede. A água escorria por suas costas largas, fazendo um carinho que consolava. Seus olhos permaneciam fechados, tentando se convencer de que aquela cena em sua mente não mudaria e quem deveria mudar, era ele. Oliver tinha noção de que era dever seu abdicar dos sentimentos por Bruce, mas também sabia que não seria tão fácil. Ele não tinha controle sobre a proporção que aquilo tomou em seu interior, afinal era a primeira vez que sentia. Nunca nutriu nenhum tipo de sentimento por outra pessoa que não fosse medo ou desconfiança, mas com Bruce era diferente. Era algo que ele nunca havia experimentado antes e mesmo que não fosse recíproco, Oliver estava feliz por ter sentido amor, ao menos uma vez.

Oliver continuou embaixo do chuveiro, mesmo quando não foi mais necessário. Observou os outros garotos se secarem, se vestirem e saírem. Ele permaneceu. Deixou com que a água continuasse deslizando por seu corpo, relaxando seus músculos cansados. Tentou esvaziar a cabeça e esquecer tudo, até mesmo Bruce, mas não conseguiu. Era como se houvesse uma cola em seus pensamentos sempre constantes em relação a ele. Por fim, sabendo que o dia na Fraternidade Maus Elementos não tinha acabado, ele saiu do banho.

Passou a toalha por toda a pele clara depressa, imaginando o sermão que levaria de Terrence pela demora. Jogou o pano velho para qualquer canto e procurou o armário com uniformes, um tanto desesperado para conseguir se vestir a tempo. Então, quando estava vestindo a cueca boxer preta, ele escutou a porta abrir e fechar. Respirou fundo, já imaginando ser Terrence e seu sermão, mas quando ele olhou a silhueta corpulenta a sua frente, seu coração acelerou.

Maxwell o olhava fixamente, descendo as íris esverdeadas pelo tronco e as coxas de Oliver, que sentia suas mãos suarem frio. Ele se aproximou e Oliver se afastou, simultaneamente. Então, um sorriso malicioso abriu-se nos lábios do rapaz.

— Sabe, eu prefiro mulheres, mas o que me excita não é o que existe no meio das pernas. — ele piscou, aproximando-se lentamente. — É o medo. Os gritos. O pânico. O choro. E você parece um gatinho abandonado dessa maneira... Eu me arrependeria para o resto da vida se não fizesse esse gatinho miar desesperado.

Oliver percebeu que tremia. Estava difícil de respirar. Seu coração batia tão forte em seu peito que machucava. Ele olhava fixamente para Maxwell, cada vez mais próximo. Dava passos para trás, na tentativa de se afastar, mas a parede o impediu de continuar. Nesse momento, sua boca secou.

— Está assustado? Eu gosto, mas se você fingir que está gostando... Talvez eu te dê um beijinho. — ele alargou os lábios em um sorriso que dava nojo.

Oliver respirou fundo e engoliu a seco. Precisava se manter calmo para resistir o máximo que podia. Lembrou-se que Terrence iria logo aplicar as próximas ordens e então, dariam falta dos dois. Tudo o que precisava fazer era fugir o quanto pode. No entanto, quando percebeu, Maxwell já estava perto demais e seu corpo estava paralisado de medo.

Ele tocou seu rosto com as pontas dos dedos e segurou seu queixo. Oliver comprimiu os lábios, segurando a vontade de chorar e resistiu, empurrando-o contra o chão. Maxwell grunhiu de dor pelo tombo e ele aproveitou a brecha para conseguir se desviar, mas o rapaz agarrou seu tornozelo, lhe derrubando de peito no chão.

Oliver tossiu, sentindo uma falta de ar dolorosa por conta do impacto. Seus cabelos foram agarrados com brutalidade e sua cabeça inclinada para trás, a força.

— Eu ia tentar ser romântico, mas como você é uma putinha teimosa... — sussurrou perto do ouvido dele antes de acertar um murro em seu rosto.

Ele fechou os olhos, sentindo a dor latejar em sua cabeça e o gosto de sangue escorrer por sua língua. Escutou a risada de Maxwell e sentiu o peso do corpo dele sobre o seu. Com uma das mãos, ele imprensou seu rosto contra o assoalho. A outra começou a descer sua cueca com habilidade.

— Não! Por favor, não! — suplicou com a voz embolada, por estar com o rosto amassado contra o chão.

— Continue miando gatinho! Quero ouvir esses miados deliciosos até que eu termine!

Oliver tentou forçar contra ele e recebeu outro murro no rosto, que o deixou zonzo. Seu rosto tornou de encontro ao chão com força e seu couro cabeludo doía pela brutalidade com a qual o garoto segurava seus fios. Quando Oliver percebeu que ele abaixava as calças, foi inevitável não chorar. Ele fechou os olhos enquanto as lágrimas mesclavam-se ao sangue de seus lábios.

— Bruce... — chamou bem baixo, sentindo a força que ele fazia contra seu traseiro.

A porta foi escancarada a força por estar travada por dentro e o barulho fez Maxwell se assustar. Decidiu que seria melhor soltar o corpo de Oliver, mas seus cabelos foram agarrados brutalmente. Foi puxado para cima e um antebraço enlaçou em seu pescoço, lhe enforcando brevemente, antes de jogá-lo no chão com raiva. Maxwell fechou os olhos pela dor e quando os abriu novamente, Bruce avançava sobre seu corpo, acertando um murro atrás do outro em seu rosto.

Oliver ajeitou a cueca depressa e decidiu se erguer, mas ainda estava zonzo pelos socos. Amparou a cabeça com uma das mãos e massageou a testa. Aos poucos, sua sanidade retomou e quando ele olhou para trás, encontrou Bruce esmurrando a face de Maxwell, que já sangrava de todos os lados. Ele admirou a cena por algum momento, mas assim que percebeu que Bruce não iria parar, adiantou-se até ele, agarrando-o por trás e o puxando de cima de Maxwell.

— Bruce, não! Não vale a pena! — disse para ele, prendendo-o contra seu corpo com dificuldade, já que ele lutava contra. — Bruce! Se você o matar, quem se fode é você! — então, Bruce parou.

Sentiu Oliver o soltar aos poucos e fitou o corpo a sua frente. Maxwell estava apagado, seu rosto estava destruído e todo manchado de sangue. Seu nariz estava torto, provavelmente quebrado. Os lábios inchados e retalhados. Havia dentes faltando. A sobrancelha esquerda aberta. As maçãs das bochechas marcadas. Bruce arregalou os olhos diante do estrago que havia feito com as próprias mãos e por isso, as olhou. Estavam manchadas com o sangue dele.

Olhou para Oliver, logo atrás e notou-o assustado, com os avermelhados. Ajeitou-se, ficando sobre os joelhos e segurou o rosto dele.

— Você está bem? Enfim, se vista... Eu vou dar um jeito nisso. — Bruce aconselhou, parecendo tão assustado quanto Oliver.

Deixou o garoto no chão e se levantou. Caminhou até o corpo e tomou-o nos braços de qualquer maneira. Seus olhos voltaram a focar no rosto de Maxwell e, por mais que estivesse espantado com o que fez, não se arrependia. Se tivesse de fazer de novo, Bruce o faria.

Carregou o corpo desfalecido de Maxwell para fora da casa de banho e apareceu no gramado, onde os rapazes não faziam nada, pois esperavam o retorno de Bruce com os atrasados. Quando repararam no que Bruce trazia nos braços, um murmurinho assustado começou. Terrence e Roy se entreolharam e decidiram se aproximar para ver o que acontecia. Quando perto, Bruce despejou Maxwell, sem pena alguma, perante os pés de Terrence, que reagiu com um olhar chocado.

— Dê um jeito de reanimar esse moleque enquanto eu ligo para a delegacia! O lugar dele é na cadeia e por pouco, não é o meu também! — esbravejou e se desviou, sem delongas.

— O que aconteceu, Rogers? — Terrence gritou, observando-o ir em direção a seu gabinete.

— Pergunte ao Oliver! Se ele não estiver traumatizado, ele pode te dar os detalhes! — respondeu sem olhá-lo.

Adentrou afobado no gabinete de Terrence e foi logo até a mesa, retirando todos os papéis sobre ela, procurando pelo telefone. Tomou-o em mãos e discou o número pessoal do delegado Martin. Sequer cogitou a ideia de se sentar. Continuo em pé, esperando a chamada se atendida, sentindo a adrenalina e a raiva percorrerem por seu corpo.

— Martin, eu preciso de uma viatura agora para transferir o Maxwell para a cadeia! — ordenou assim que ele atendeu.

— Rogers? O que aconteceu? — ele questionou confuso.

Bruce suspirou impaciente.

— O filho da puta tentou estuprador um dos garotos, Martin, foi o que aconteceu! Essa sua ideia com o Terrence de trazer um maníaco para cá quase resultou em um estupro, está entendendo a gravidade disso?

— Ei, Rogers, se acalme! Não tem como eu mandar uma viatura para aí agora, estão todas em patrulha!

— Foda-se! Você vai dar um jeito, se esse moleque continuar na minha frente eu vou terminar de matá-lo e você vai perder seu melhor policial! — urrou, apertando o punho com agressividade, sentindo as juntas dos dedos chiarem.

Martin parou de responder um instante, Bruce conseguia escutar a respiração acelerada dele do outro lado da linha.

— Tudo bem, Rogers! Vou providenciar a viatura, logo estará a caminho! — informou. — É só isso?

— Não! Tenho que lhe dizer mais uma única coisa! — Martin bufou impaciente. — Você vai tomar as atitudes cabíveis para punir o Terrence por infringir a lei! Se você não o fizer, eu vou fazer e seu nome vai estar no meio! Você me entendeu?

— Como quiser, Rogers, como quiser... — concluiu e por fim, desligou.

Bruce apoiou as mãos sobre a madeira e abaixou a cabeça. Um suspiro longo saiu de seus lábios. A cena de Maxwell em cima de Oliver, o violando, piscava em sua mente sem parar. Ele podia sentir a raiva inflando seus músculos novamente e era preciso respirar fundo para tentar se acalmar.

Ele abandonou a sala, destinado a ir atrás de Oliver e verificar como ele estava. O pátio já estava vazio, provavelmente Terrence liberou os rapazes depois que percebeu a situação. Encontrou Roy amparando Maxwell próximo ao refeitório, mantendo-o acordado. E logo mais a frente, avistou Terrence se aproximando.

— Onde ele está? — perguntou ansioso, apoiando as mãos na cintura. Sentia um calor infernal incomodar seu corpo, provavelmente pela adrenalina.

— Acredito que no quarto. — respondeu e quando o viu se afastar, o chamou novamente. — Rogers!

Bruce parou, girando o corpo e encarando Terrence, prestando atenção.

— Acho que te devo desculpas...

— Não, Terrence, não é a mim que você deve desculpas! Não sou eu que quase fui estuprado! — concluiu, dando-lhe as costas.

Bruce esfregou o rosto enquanto caminhava em direção ao dormitório. Não tinha noção de como Oliver estaria e muito menos do que diria a ele. Tudo o que conseguia pensar é que conseguiu poupá-lo de outro sofrimento. Queria tomá-lo em seus braços e dizer que estaria com ele, sempre que precisasse. Queria protegê-lo de tudo, mesmo que isso significasse ficar contra todos e era isso o que ele faria.

Adentrou pelo corredor e fitou a terceira porta aberta, com a luz do lampião refletindo. Bruce diminuiu os passos, chegando aos poucos. Conseguia ver a silhueta dele, estava sentado encostado na parede. Não conseguiu identificar se ele estava chorando, e não o julgaria se estivesse. Porém, quando apontou na porta, notou que ele estava apenas olhando para a claraboia. Não chorava, apenas observava. Chamou-o com um pigarro e quando ele lhe olhou, fez sinal com a cabeça para saírem dali. Oliver se ergueu e o acompanhou.

Bruce o levou para fora do dormitório. Vagaram pelo gramado em silêncio até pararem próximos a cerca, encarando a rua. Bruce tornou a olhá-lo, sem conseguir identificar o que ele estava sentindo, então decidiu perguntar de uma vez por todas.

— Como se sente? — sua voz soou baixa.

Oliver respirou fundo, sentindo um conforto na voz de Bruce.

— Envergonhado. Constrangido. — deu de ombros e meneou. — Não queria que tivesse me visto naquela... situação tão escrota... dominado feito um... gatinho abandonado.

— Ainda bem que vi. Jamais me perdoaria se não o tivesse impedido. — respondeu, passando o olhar pelo rosto dele.

Oliver não falou nada, apenas desviou o rosto para o lado oposto. Sua cabeça estava um pouco conturbada, comparando os acontecimentos. Os de quando tinha apenas quinze anos e os de momentos atrás. Tão semelhantes e tão distintos. Eles se misturavam e às vezes, Oliver não conseguia distinguir os rostos.

Bruce o observou quieto. Queria abraçar e mantê-lo protegido entre seus braços. O poupar de qualquer outra coisa que estava por vir. Queria estar por ele o tempo inteiro. Sentia que podia enfrentar tudo e todos por ele. Escutou-o fungar o nariz e sentiu que tinha vontade de chorar. Doía demais imaginar Oliver machucado, mas essa parecia a triste realidade dele. Sempre ferido, tratado como um monstro. Bruce queria mudar aquela realidade, de algum jeito, queria mostrar a ele que se importava e que ele era uma parte sua que ele queria cativar.

— Droga... — praguejou baixo depois de procurar palavras para consolá-lo e não achar. — Eu nem sei o que te dizer, queria tanto poder tirar essa dor de você.

Oliver retornou com o rosto, fitando Bruce. Uma sombra de sorriso manchou seus lábios por segundos e desapareceu.

— Não se preocupe, Bruce. — respondeu, tornando a olhar para frente.

— Não me preocupar? Você foi vítima de um abuso!

Ele ergueu o rosto e inspirou profundamente, depois expirou. Fechou os olhos por segundos e então, abriu-os para Bruce.

— Não é a primeira vez, não há nada de surpreendente na situação... A gente nunca acha que essas coisas vão acontecer, não com a gente. Até que elas acontecem. Acontecem a partir de pessoas que você confia. E, de repente, você está cercado pelo o que deveria ser seu melhor amigo. Ele te enche de porrada, te xinga daqueles nomes que você já está acostumado, mas que doem. Ele imprensa sua cara no chão, te faz crer que seu lugar é ali, abaixo dos pés dele! Então, você escuta ele abrindo o zíper da própria calça. Você sabe o que vai acontecer, mas seu cérebro, de alguma maneira, tenta te manipular para aliviar. Você sabe o que significa tudo aquilo, mas você se recusa a acreditar. Você fecha os olhos e se pergunta... Por quê? E por fim, você se sente imundo. Você vê seus sonhos morrerem. E você não pode fazer nada. — confessou de uma vez, sentindo as lágrimas vazarem de seus olhos e mancharem seu rosto.

Bruce não conseguiu evitar que o choro silencioso viesse à tona ao escutar aquilo. Sentia seu coração rompendo-se aos poucos, quebrando-se. Seus olhos úmidos permaneciam fixos em Oliver enquanto toda a raiva e toda a mágoa explodiam em seu peito. Ele foi capaz de poupar Oliver de só mais um sofrimento. Só mais um entre todos os outros que ele enfrentou sozinho, sem ninguém para ampará-lo.

Ele desviou o rosto e enxugou as lágrimas. Um breve soluço escapou de seus lábios. Bruce percebeu que ele tremia um pouco.

— Eu nunca tive vergonha de assumir o que eu sou. Eu vesti minha condição e a aceitei com orgulho, mas... Me parece tão errado ter feito isso! Eu jurava que estava me tornando alguém que eu me orgulharia de ser e olha tudo o que me aconteceu, no que eu me tornei! Parece que aceitar quem eu sou, foi aceitar um fardo e ter de lidar com suas consequências...

Imediatamente, Bruce adiantou-se e tomou seu rosto em suas mãos. Secou suas lágrimas mais uma vez e olhou dentro dos olhos de Oliver. Sentiu toda a euforia e sentiu todo o sentimento que transpassava de um olhar para o outro, como uma corrente.

Quando olhava para Oliver, via a necessidade que tinha dele. A necessidade de trazer um sorriso para aquela face que já chorou tanto e que permanecia chorando. A necessidade de fazê-lo enxergar a pessoa forte que ele era. E pessoa incrível e amável que ele era e que enxergava isso nele, sempre que o olhava.

— Você é um homem corajoso, Oliver. Você é mais corajoso do que eu jamais vou ser, ou qualquer um aqui. Você não aceitou um fardo, porque isso não é um fardo e você não deveria lidar com tais consequências. Você se tornou você, foram as pessoas que transformaram isso em um fardo e te causaram consequências que sequer deveriam existir. E, apesar de tudo, você sabe o que você é e não nega isso. Tem que ter muita, muita coragem para passar por tudo isso e continuar sendo quem é. Não é para qualquer um vestir a própria face e não tirá-la, mesmo que essa face receba agressões.

Oliver tornou a fechar os olhos, deixando as lágrimas mancharem seu belo rosto de novo. Segurava os braços de Bruce com força, escutando-o. Queria acreditar nele. Confiava nele, mas era difícil acreditar naquelas palavras quando todo mundo lhe disse o contrário.

Ele tocou seus cabelos com carinho e balançou seu rosto, puxando sua atenção. Oliver o olhou novamente. Seu coração estava acelerado por estar tão perto do rosto dele, sentindo a respiração dele escorregar por seus lábios. Oliver olhou para cada traço do rosto de Bruce. Os olhos acinzentados, a barba que se tornava um pouco espessa, o nariz levemente arrebitado, os lábios delineados. E, nesse momento, Oliver percebeu que o amava.

— Não é todo rosto que permanece erguido depois dos tapas... — continuou, abrindo um sorriso para ele. — Isso é coisa de um certo Cherry Bomb mesmo.

Oliver engoliu o pranto diante daquela frase e daquele sorriso. Aquele sorriso tão único e tão dele. O sorriso de Bruce. Então, repentinamente, os braços fortes dele o puxaram até perto e o receberam em um abraço.

Sem delongas, retribuiu, envolvendo os braços no tronco dele. Oliver afundou o rosto no pescoço dele e respirou fundo, captando o cheiro que ele tinha. Suas mãos agarravam as costas, apertando a pele dele. Sentiu sua respiração ofegar e uma euforia em seu baixo ventre.

Bruce estava de olhos fechados, sentindo as mãos dele percorrerem por seu dorso e causando-lhe um arrepio incomum. Conseguia sentir o cheiro dos cabelos lavados dele e os tocava com as pontas dos dedos esquerdos, afagando-os. A respiração ofegante dele fazia cócegas em seu pescoço e causava reações diversas em si. Estava gostando de sentir o corpo dele encaixado ao seu e não queria soltá-lo. As mãos dele permaneciam lhe agarrando, demonstrando que também não queria abandonar seus braços.

De repente, Bruce sentiu os lábios de Oliver roçaram em seu pescoço e seu corpo reagiu imediatamente com excitação. Deslizou uma das mãos até o rosto dele e o segurou. Aos poucos, foi afastando as faces que estavam próximas a ponto de fazer as bochechas se roçarem. Bruce vislumbrou o olhar que Oliver lhe dava e conseguiu decifrar a mensagem nele. Fitou seus lábios entreabertos e respirou fundo, aproximando-os cada vez mais. No entanto, como um espasmo, a imagem de Margot brotou nos pensamentos de Bruce, o fazendo afastar Oliver subitamente.

O rapaz o olhou confuso, por um momento estavam quase se beijando e no próximo, ele era quase empurrado. Observou apático o homem se afastando, aparentando tanta confusão quanto ele. Não sabia como reagir. Apenas continuou observando.

Oliver suspirou, imaginando que poderia ter dito a ele que estava amando-o, ou pelo menos achava isso. Pensou que talvez pudesse mudar alguma coisa. Entretanto, havia o medo. Não o medo de ser rejeitado, afinal ele já havia sido. Era o medo de admitir que, pela primeira vez, sentia algo além do próprio medo.

Notas finais
Cara, que coisa dolorosa... Se eu tivesse que escolher uma música para definir o Oliver, com certeza seria The Greatest da Sia. Pior de tudo é saber que o Oliver já passou por isso antes! Tadinho do nosso Cherry Bomb... Espero que tenham gostado. Até o próximo ♥