- Pára, Bruno! Eu não quero ouvir nada. — dizia Blair com uma voz chorosa, amargurada.

- Mas, eu preciso te explicar o que houve, não foi o que você tá pensando, B — Bruno tentava explicar a todo custo para a garota o que havia acontecido há minutos antes. — foi um descontrole, um descuido, não foi por mal.

- Um descuido? Um descontrole? Te liga, Bruno! Se você tá comigo, já tem eu e não precisa de qualquer outra. — Blair continuava, indignada e quase chorando, mas quase.

- B, eu nunca faria isso por mal, me dá mais uma chance, por favor? — Bruno envolveu com uma das mãos a cintura de Blair e com a outra acariciava seu rosto — Mais uma chance, B. Só mais uma, eu prometo não falhar novamente!

Blair estava á ponto de dizer que sim, dizer que perdoava ele por tudo e que estava tudo bem, mas essa não era a primeira vez — Não, Bruno — enquanto falava a palavra não uma lágrima começou a cair e quando ela terminou de dizer Bruno, seu rosto inteiro já estava vermelho e caíam várias lágrimas de uma vez só que escorriam por todo ele, Bruno beijou o rosto dela, passando sua boca sobre suas lágrimas, tentando seca-las, pensou que talvez assim Blair parasse de chorar e desse a outra chance que ele tanto queria.

Só faziam três meses que se conheciam e até então, ele nunca havia pensado em implorar para uma garota que ela voltasse pra ele ou para que alguma garota quisesse ficar com ele. — Bruno, desculpa. Mas você errou muito, você não tem noção da dor que eu tô sentindo, pra você pode parecer a maior infantilidade, a gente nem tinha nada mesmo. Mas e daí? Você sempre enchia a boca para falar que queria ficar comigo, ir no cinema, chamar meu irmão de cunhado e olha o que você faz! — Blair falou isso em prantos. Ela chorava, tremia, sua cabeça estava á mil.

Tá, realmente faziam apenas três meses que eles se conheciam, mas ela sempre se apaixonou muito rápido e ele não foi apenas mais um, ele foi AQUELE. Aquele que conseguiu fazer ela esquecer seu fake, esquecer seu marido fake e viver experiências reais, foi aquele que a fez sentir as emoções mais diversas por alguém de verdade e não através de um computador.

Bruno a fitou por um momento, pensou e enquanto pensava percebeu que a garota ainda não havia se afastado de seus braços, mas ainda chorava. Ele realmente não sentia o mesmo que ela e confessava para si mesmo que tinha certeza que aquele episódio lamentável se repetiria várias e várias vezes. Finalmente disse:

- Tudo bem, B. Quer ir? Então vá, eu realmente não sou a melhor coisa pra você e tenho certeza que isso vai se repetir muitas vezes — ele a olhava, esperando que ela imploraria agora, ao invés dele mesmo, mas isso não aconteceu. Blair se afastou de seus braços com a maior facilidade, aquilo doía nela por dentro, as lágrimas saíam mais rápido e em maior quantidade, mas ela se afastou, ele não tentou a segurar e ela saiu, caminhando e ele nem foi atrás dela, o que ela esperava, é claro.

Bruno ficou ali, sentou-se no cordão da calçada do estacionamento do shopping e ficou pensando no que acabara de fazer, ele havia deixado sua B. ir embora e tinha quase certeza que ela não voltaria, mas orgulhoso do jeito que era, nem pensou em ir atrás, só pensou em ser o grande pegador que era antes de conhece-la.

Não que ele tenha deixado de ser depois que conheceu ela, mas apenas ficou um pouco enferrujado.

Blair colocou os fones no ouvido enquanto caminhava em direção ao ponto de táxi, a música que tocava era Deliver Us From Evil da banda Bullet For My Valentine, ela adorava essa música e havia uns gritos, justamente o que ela tinha vontade de fazer naquela hora. Entrou no primeiro táxi vazio e após dizer para o motorista o endereço da casa de Benny, sua amiga — não era a melhor, mas com certeza saberia o que dizer para ela — colocou o fone no ouvido novamente e se concentrou na música que já havia mudado, começou a tentar limpar suas unhas, mas não conseguia, se concentrou nisso e esqueceu um pouco do que havia acontecido.

Apenas quando o táxi parou em frente á casa de Benny, Blair saiu de seus pensamentos sobre como ela podia limpar suas unhas com suas outras unhas e percebeu que ainda tremia, pagou o motorista e desceu do carro. Apertou o interfone e Benny atendeu, estava sozinha em casa e não hesitou em abrir a porta para Blair. Enquanto esperava Benny, ela sentiu mais uma chuva de lágrimas escorrerem por seu rosto. Benny abriu a porta e Blair se jogou no pescoço da amiga, abraçando-a forte e chorando em seu ombro.

Benny afagou as costas dela e as duas caminharam para o seu quarto em silêncio. Benny já imaginava o que estava acontecendo. E então antes de qualquer coisa, avisou a mãe de Blair que ela dormiria em sua casa naquela noite, seus pais estavam viajando. Logo após isso, disse:

- Blair, eu já imagino o que houve e não vou dizer \"eu te avisei\" porque não vai adiantar, eu quero que você me conte tudo, mas tudo mesmo desde o começo, você acha que pode fazer isso?

- Tudo bem, foi assim... — Blair começou entre lágrimas, suspiros, tremedeiras passageiras...