Bad Medicine
23 Por trás da porta
Notas iniciais
Não deu em outra, minha mãe me arrastou para o maldito alergista naquela tarde ainda... Eu insisti para não ir, disse que não era necessário, mas com a dona Mikoto realmente não tem conversa, ou é do jeito dela ou é do jeito dela... Enfim, a situação foi constrangedora.
Quando ainda estávamos na recepção do maldito hospital, um ambiente que eu abomino, tive a impressão de ver uma cabeleira rosada entrar numa salinha... Que merda, será que era a Sakura ? Não seja retardado, Sasuke, agora tudo lembra ela ! E também, a Sakura não é a única criatura na face da terra que teve a brilhante idéia de pintar os cabelos de rosa.
Antes que eu pudesse ir conferir quem era a dona dos longos cabelos rosados que entrou na salinha, a minha mãe praticamente me arrastou para o consultório do maldito alergista... Bem, era uma mulher, realmente gata, não sei se isso tornava a situação melhor ou pior...
E o que aconteceu ? Descobri que não tenho alergia à porra nenhuma, minha mãe achou que eu fosse masoquista e me deu uma bronca na frente da médica... Dá pra piorar o dia da pessoa ? Mas a situação foi contornada, no final, eu me "lembrei" que tinha sentado na grama do jardim da faculdade, então, para todos os efeitos foram formigas taradas que entraram na minha cueca. Claro que foi uma puta de uma mentira, eu nem vou no jardim da faculdade (exceto quando alguma gostosa que eu quero pegar está perambulando por lá), mas a minha mãe acreditou e é isso que importa.
Após tal consulta tão constrangedora, jurei para mim mesmo que jamais colocaria os pés dentro daquele hospital novamente. Mas, quando saímos do consultório, me deparei com Sakura e Sassori. Puta que pariu, esse casal me persegue, só pode !
Sassori parecia um zumbi, estava caminhando com a ajuda de Sakura e tomava soro... Bem feito, maldito ! Osga dos infernos, água de salsicha, demônio ruivo, filho do exu, arrombado... Ainda estava abraçadinho com a rosada que foi a culpada por eu estar naquele hospital e ter sido obrigado a mostrar minha bunda completamente arranhada para uma médica gostosa que deve ter pensado que eu sou masoquista ou algo do tipo... Sério, a situação estava feia, Sakura é realmente sádica.
Eles entraram juntos no banheiro masculino. Caralho, entraram juntos no banheiro, será que a história vai se repetir ? Ah, não, talvez não. Vai ver a Sakura entrou lá com ele só pra segurar o soro e... Foda-se, a curiosidade me corroía naquele momento.
— Mãe, eu vou ao banheiro — Falei enquanto olhava para a porta do banheiro que tinha acabado de ser fechada.
— Sasuke Uchiha, você não anda se cortando, anda ? — Minha mãe me encarou furiosa. Nossa, quanta imaginação.
— Mãe, geralmente as pessoas fazem isso nos braços, sabia ? — Arqueei a sobrancelha e ela pareceu mais furiosa ainda.
— Ah, então você sabe, hã ? — Droga, mamãe ficou desconfiada. Como se eu fosse fazer aquilo comigo mesmo... Até parece.
— Mãe, o fato de eu saber não significa que eu pratico — Expliquei — Agora eu preciso muito ir ao banheiro, a senhora me espera ?
— Hum... Vai lá então. Mas se demorar eu vou te buscar.
Sim, meus caros, para a dona Mikoto eu sou um eterno bebê que não sabe cuidar de si mesmo. Realmente trágico, eu sei, mas eu precisava resolver um assunto mais importante : Sakura e Sassori sozinhos no banheiro masculino.
Infelizmente os malditos trancaram a porta do banheiro, eu até arrombaria, mas precisava me manter discreto e camuflar minha presença. O que eu fiz ? Simplesmente colei o ouvido na porta, já que não tinha uma única mísera brecha por onde eu pudesse espiar discretamente.
— Isso Sassori, isso... — Sakura falou com uma voz doce e logo depois eu pude ouvir um gemido baixo do demônio ruivo.
Minha nossa, até no banheiro do hospital ? Essa rosada tem fogo, viu... Pela voz de quem estava morrendo que o Sassori fazia, Sakura devia estar acabando com ele. Ah que inveja daquele maldito.
Calma Sasuke júnior, calma, ela está dando tratamento especial para outro pau, então se aquieta aí.
— Põe pra fora, Sassori — O que ? É sério isso ? O que aquela rosada ninfomaníaca queria que ele colocasse pra fora ?
Sassori gemeu de novo... Não. Não. Não. Não consigo nem imaginar a boquinha linda da Sakura fazendo um boquete naquele infeliz. Meu estômago até revirou e uma careta medonha se formou no meu rosto.
Ouvi um barulho, provavelmente eles esbarraram em alguma coisa. Eita, a foda tá tão boa assim ? Tipo, nem eu conseguiria transar confortavelmente com um soro ligado ao meu braço, esses dois são insaciáveis.
— Sakura... — O ruivo falou com uma voz arrastada. Caralho, ele já estava gozando ? O cara não aguenta quase nada e a Sakura ainda me troca por ele ? Esse mundo é realmente injusto com as pessoas.
— Tá acabando, Sassori, tá quase... Aguenta mais um pouquinho — Ai que voz doce... Por que comigo ela foi tão selvagem ? Ah, dane-se, ela parecia estar praticamente implorando para que o cara mantesse o pau duro, enquanto que eu, que aguento bem mais que o triplo daquilo, ela dispensa !
Tipo, aquela rapidinha foi rapidinha mesmo, não demorou muito para que eu escutasse o barulho da água caindo na pia. Sassori tossiu um pouco, acho que estava se recuperando da canseira que a Sakura deu nele.
— Pronto... Pronto... — Sakura falou e eu escutava a respiração ofegante da praga ruiva. Porra, ele não aguentou nem cinco minutos ! Duvido que ele fez a rosada gozar, duvido...
— O que está fazendo ? — A voz da minha mãe quase me fez desmaiar de susto.
Me virei e vi que dona Mikoto estava parada ali, séria, furiosa, como se esperasse uma resposta. Afinal, eu estava com o ouvido colado na porta do banheiro e fazendo uma tremenda cara de nojo.
— Nada não — Falei todo desconcertado e com a voz baixa, na intenção de que o casal ligerinho não me escutasse — Vamos pra casa.
Segurei no braço da minha mãe e saí correndo com ela pelo hospital assim que escutei o barulho da porta sendo destrancada. Acham que eu iria dar para eles o gostinho de saberem que eu ouvia tudo morrendo de ciúmes, raiva, ódio e vontade de cortar o pinto do Sassori ? Óbvio que não !
— Sasuke, o que foi ? — Minha mãe indagou furiosa e eu soltei seu braço, pelo menos já estávamos no estacionamento do hospital.
— Nada não, mãe. Só não gosto de hospitais e a senhora sabe disso... — Tentei parecer o mais indiferente e convincente possível.
— O que você fazia com o ouvido colado na porta do banheiro ? — Ela indagou num tom severo e me olhou com desconfiança.
— É que... — Desviei o olhar para milhões de cantos diferentes enquanto tentava pensar numa desculpa qualquer. Minha mãe é esperta e me conhece muito bem, todo cuidado é pouco — A porta estava trancada e eu ouvi uns barulhos lá dentro... Mãe, acho que tinha alguém trepando no banheiro.
Pois é, precisei ser sincero, afinal, o que eu poderia dizer para alguém que me flagrou com o ouvido colado na porta do banheiro ? Claro que eu omiti certos detalhes desnecessários, afinal, não iria dizer "Mãe, a responsável pelas marcas na minha bunda está marcando outro território", isso realmente não colaria e me renderia uma linda bronca.
— E você estava ouvindo pra que ? — Mamãe ficou incrédula — Eu heim, isso te anima, por acaso ?
— Mãe ! — Corei até os ossos. Qual é, se eu quiser me animar vou pro X vídeos, não ouvir a foda alheia no banheiro do hospital — Eu fiquei curioso...
— Filho, eu sei que você está naquela fase em que as pessoas ficam curiosas, sabe... — O que ? Na boa, eu tenho quantos anos, 12 ?
— Mamãe — Revirei os olhos — Vamos embora, por favor.
— Não, filho, não podemos mais adiar essa conversa — Ela falou convicta.
Na boa, minha mãe vai inventar de conversar sobre sexo comigo quando eu já estou com 19 anos ?! Tá certo isso, produção ? Ela devia ter feito isso quando eu era mais novo e estava naquela fase de curiosidades, ainda me lembro da primeira vez que acordei de manhã com uma ereção, achei aquilo realmente estranho.
Meu pai vivia sem tempo e, quando o assunto era sexo e minhas dúvidas naturais para um garoto que estava entrando na puberdade, minha mãe sempre fugia. A minha única solução foi apelar para o meu irmão, o que não foi uma coisa muito boa, uma vez que usava expressões e gestos obscenos e ridículos.
— Dona Mikoto, o seu "bebê" — Fiz os sinais das aspas com os dedos — já tem 19 anos e sabe muito bem que não foi trazido pela cegonha.
— Nossa, você é muito radical — Ela resmungou enquanto destravava o carro.
Assim que chegamos em casa, minha mãe foi para a cozinha preparar algo para o filho "dodói" comer (dizendo ela que eu estava muito magro e com cara de anêmico), enquanto isso eu me joguei no sofá da sala e abracei uma almofada, completamente transtornado.
— E aí, irmãozinho — Itachi apareceu do além, me dando um susto do caramba, e se jogou no outro sofá — Levou uma dedada do médico ?
— Idiota — Bufei — Eu estava com "alergia" — Simbolizei as aspas com os dedos.
— Mamãe falou, Sasuke. Tu é todo bichado, moleque !
— Mano — Me aproximei dele após olhar para todos os lados, me certificando de que a dona Mikoto não estivesse por perto — Quem deixou as marcas de arranhões foi a Sakura — Sussurrei e meu irmão arregalou os olhos — A gente transou lá na festa.
— Aquela menina é uma onça ! — Itachi colocou a mão sobre a boca, como se segurasse uma gargalhada — Cara, tu se mete em cada uma.
— Mas... Eu gosto dela — Falei cabisbaixo.
— Vem cá, zé buceta... Se você trepou com a mina que gosta, pra que diabos tá com essa cara de cachorrinho abandonado na chuva ? Um cachorrinho pirento, vale ressaltar.
— Porque ela tá trepando com o Sassori — Expliquei e notei que o meu irmão ficou até mais interessado no assunto — Eu vi os dois saindo do banheiro ontem, pareceu suspeito. E hoje, no hospital, eles estavam — fiz um gesto obsceno — no banheiro !
— Mano Sassori ganhou o meu respeito ! — Itachi começou a rir feito um retardado. Quanta consideração com o irmãozinho, viu... — Caralho, mano, a espoca ovo tá com o espírito da pombagíria, heim !
— Cara, eu não sei o que eu faço — Murmurei.
— Você anda muito gay ultimamente, credo... Por isso é que eu sou contra esse negócio de se apaixonar !
— A Sakura estava transando com aquela tripa escorrida, eu não posso crer nisso — Comecei a balançar a cabeça em sinal negativo, parecia um perturbado — Eu gosto da Sakura, não me conformo com o fato de que ela tá dando pro Sassori... Eu quero que o pinto dele apodreça e caia !
— Quanto ódio no coração — Meu irmão fez uma careta — Mano, sinceramente, eu conheço o Sassori e, se ele tivesse pegando alguém, eu saberia. Vai por mim, eu saberia.
— Não importa — Bufei — Eu tenho certeza de que a Sakura tá dando pra ele.
— Foda-se, vocês não são namorados — Itachi deu de ombros — E você já comeu ela, então não precisa mais correr atrás.
— Itachi, eu gosto dela, você ainda não entendeu, seu animal ?
— Sasuke — Ele soltou um suspiro alto — Você lembra do quico ? Lembra do que eu disse sobre não se apegar com o que vai comer ? — Itachi arqueou a sobrancelha, estava com uma expressão séria — Você fez com a Sakura a mesma coisa que fez com o quico. A história se repetiu, você caduca e não aprende !
— O quico era um peru ! O destino dele era virar prato principal !
— Não interessa, é apenas uma metáfora ! — Itachi jogou uma almofada na minha cabeça — Esquece a espoca ovo e vai passar a rola numas gostosas lá da faculdade... Tem uma ruiva lá que tá doida pra te dar de novo.
— Tô cagando pra ela — Dei de ombros — Eu quero a Sakura.
— Então vai tomar no cu ! — Ele levantou puto de raiva e me largou sozinho lá na sala.
O que eu posso fazer ? Nenhuma garota chega aos pés da Sakura, seja na cama ou fora dela. Mas aquela maldita prefere o água de salsicha.
E agora, o que fazer ?
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