Bad Medicine
14 Mais um encontro
Notas iniciais
Finalmente a noite do encontro, não seria num motel, mas numa pizzaria. Foda-se, o encontro era com a Sakura e eu estava todo saltitante, parecia até uma menininha apaixonada, credo ! Me recuso a dizer que estou apaixonado, isso é apenas ansiedade, só isso...
Vesti uma calça jeans com uma camisa vermelha de gola pólo, calcei um par de tênis pretos e já estava lindo, maravilhoso e pronto para impressionar a rosada.
Notei que fiquei pronto um pouco cedo demais... Droga, eu estava empolgado. Sentei no sofá da sala, peguei meu celular e fui alimentar meu Pou. Alguma coisa contra ?
Itachi apareceu, usando somente uma bermuda azul, se jogou no sofá e colocou os pés no meu colo. Ah, vai se ferrar !
— Sasuke, faz cócegas no meu pé — Ele não pediu, ele mandou. Ah, tenha dó !
— Itachi, vaza ! — Desviei o olhar do meu Pou, que agora usava uma peruca rosa, e fuzilei meu irmão com o olhar.
— Cosquinha... — Ele balançou o pé. Mereço... Geralmente as pessoas não gostam muito de cócegas, mas o Itachi é estranho.
— Tira os pés de cima de mim — Tentei empurrar as pernas dele para eu poder sair, mas o infeliz não deixou.
— Sasuke, você sabia que em algumas civilizações primitivas os pés eram considerados divindades ? — Ele arqueou a sobrancelha — Portanto, sinta-se privilegiado.
— Privilegiado ?! — Bufei e comecei a rir.
— Isso mesmo — Itachi assentiu — Olha só, seu pé é horroroso e o meu é lindo, você devia se sentir feliz por eu estar deixando você tocar numa beleza esplêndida.
— Eu não ouvi isso... — Revirei os olhos.
— Anda, faz cócegas — Ele começou a mexer os pés de modo que eles bateram no celular que estava na minha mão, fazendo-o quase cair no chão.
— Ai senhor... — Segurei o celular com força, digamos que eu tive um mini ataque cardíaco quando ele quase foi de encontro com o chão — Itachi, se você tivesse quebrado o meu iPhone, juro que eu venderia seu rim pra comprar outro !
— Fazer cócegas que é bom, nada ! — Ele ainda se achava no direito de reclamar. Idiota !
— Itachi, se eu te pedir pra fazer massagem nos meus pés, com certeza você não vai aceitar — Sim, massagem, se fizer cócegas eu morro de rir.
— Óbvio que não ! Mas eu sou seu irmão mais velho, seu amado irmão que te ensinou a tocar violão, andar de bicicleta, jogar xadrez, também ensinei de onde vem os bebês... E você se recusa a fazer cócegas nos meus lindos pés — Ele começou a fazer drama — É muita humilhação com a minha pessoa.
Revirei os olhos. Claro que eu não iria fazer o que o Itachi estava me pedindo. Foi a mamãe quem colocou ele nessa mania feia, desde que eu me entendo por gente que o Itachi pede pra mamãe fazer cócegas nos pés dele, só que agora não moramos mais com nossos pais e a cruz ficou pra eu carregar.
Olhei o horário no celular, ainda faltava um tempinho para o horário que marcamos, mas eu quis sair logo de lá. Empurrei as penas do Itachi com força, ele resmungou algumas coisas, mas eu ignorei.
— Já vou e não tenho horário pra chegar — Falei enquanto abria a porta para sair.
Peguei o carro e fui dirigindo pelas ruas de Konoha, rumo à casa de Sakura. O que será que ela ia achar de eu ter chegado com mais de 40 minutos de antecedência ? Ah, era só eu dizer que o relógio estava adiantado ou sei lá. Só sei dizer que a ansiedade me corroía.
Eu ainda me lembrava de onde ficava a casa de Sakura; Rua das Mangueiras, número 42. Estacionei lá na frente e buzinei... Nada da rosada. Buzinei de novo e nada. Droga !
Desci do carro e toquei a campainha, logo ouvi a voz de Sakura pelo interfone.
— Quem é ?
— Sasuke — Respondi de forma bem direta.
Não demorou muito para que o portão se abrisse automaticamente, lógico que entrei e depois ele se fechou. Não vi a rosada me esperando, mas fui intrometido e caminhei pelo pequeno jardim, passei pela varanda e abri a porta da frente.
Me deparei com uma sala perfeitamente decorada e organizada, os moveis de cor escura contrastavam com as paredes claras. Logo Sakura apareceu ali, estava enrolada numa toalha rosa, mas não estava nua, uma vez que eu via as alças do sutiã preto.
— Sasuke ?! — Ela me chamou confusa — Porque veio mais cedo ?
— Pois é, acabei me adiantando — Falei todo desconcertado.
Foi quando ouvi alguma coisa rosnar pra mim, olhei para baixo e vi um Pintcher marrom ao lado de Sakura. Ah, eu odeio esses cachorros, um Pintcher é a maldade compactada, o demônio em forma de cachorro !
— Tudo bem — Ela riu — Espera só um pouquinho.
Assenti, ela virou as costas e saiu, provavelmente estava indo para o seu quarto. Mas o pequeno horroroso continuava ali, me encarando como se quisesse me morder, mas é claro que eu jamais me sentiria intimidado por uma criatura minúscula daquelas.
Aproveitei aquele momento sozinho para olhar algumas fotos que estavam expostas na sala, tinha uma da Sakura, aparentemente com uns 15 anos, abraçada com um Pitt Bull branco. Juro que estremeci na hora, cara, ela abraçava o cachorro como se ele fosse um ursinho fofo, será que era seguro me aproximar dela ?
— Sasuke ! — Sakura me chamou e eu me virei para ela — Vem.
Ela estava me chamando pro quarto dela, só pode. Ai que emoção... A rosada vestia uma saia preta com uma blusa amarela, seus cabelos estavam soltos, embaraçados e molhados.
Fui atrás dela, mas, assim que me aproximei, o maldito cachorro começou a latir pra mim e me mordeu.
— Ai cachorro dos infernos ! — Esbravejei ao sentir os dentes na minha perna, se não fosse a calça, com certeza teria ferido.
— Rambo ! — Ela brigou com o cachorro e ele se afastou de mim. Sério que aquela coisa daquele tamanho se chamava "Rambo" ? — Vai pra fora ! Anda, passa !
A rosada colocou moral e a criaturinha foi pra fora. Gente, acho que até o Pitt Bull da foto tinha medo dela.
Entramos no quarto de Sakura, era bem grande, maior que meu. A suíte tinha uma cama de casal, um enorme guarda roupa cuja porta do meio era toda de espelho, também tinha uma escrivaninha, prateleiras com enfeites e bichos de pelúcia, e as paredes eram pintadas de lilás. Realmente era bem bonito.
— Você espera até eu me arrumar, né ?! — Ela falou enquanto fechava a porta, depois pegou o controle da central de ar que estava em cima da cama e a ligou, ajustando a temperatura — Juro que não vou demorar — Sakura largou novamente o controle sobre a cama e caminhou até o banheiro.
— De boa — Respondi.
Sentei-me na cama, eu tinha uma bela visão de Sakura se maquiando, a rosada deixou a porta do banheiro aberta. Ela colocou uma bolsinha vermelha sobre a pia do banheiro e ficava se olhando no espelho enquanto passava sua maquiagem.
— Você quer alguma coisa ? — Ela perguntou enquanto passava um negócio no olho — Água, suco... Quer alguma coisa ?
— Não, tô bem — Respondi enquanto olhava as lindas pernas dela.
— O Rambo te machucou ? — Sakura me encarou enquanto fechava alguma coisa após ter passado no olho. Ah, eu não sou obrigado a saber o nome dessas coisas que as mulheres usam.
— Só doeu na hora, mas não machucou.
— Ah, que bom — Ela sorriu e tirou outra coisa de dentro da bolsinha, abriu e começou a passar no olho. Pra que tanta coisa no olho ? — O Rambo é um cachorrinho bem ciumento.
— É, percebi — Ri baixinho, lembrando daquela criatura valente que não tinha nem tamanho — Você gosta mesmo de bichos, vi uma foto sua com um Pitt Bull.
— Ah, é o Floquinho ! — Sakura parecia estar falando de um bichinho fofo. Oi ? "Floquinho" ? — Ele ficou na casa dos meus pais — Graças a Deus — Eu queria trazê-lo pra me fazer companhia, mas a mamãe achou melhor comprar um cachorro menor. Mas eu morro de saudade do Floquinho.
Espera... Sakura chama aquela miniatura de cachorro de Rambo e chama uma máquina de matar de Floquinho ? Lógica pra que, né ?
— Você é corajosa, Sakura. Muita gente tem medo de Pitt Bull — Eu, por exemplo, quando vejo alguém na rua com um cachorro desses, passo longe. Vai que o bicho se solta.
— Ah, mas ele é um doce... O povo generaliza muito, não é só porque é um Pitt Bull que o cachorro vai ser um assassino — Mas é melhor prevenir e ficar longe — O Floquinho sempre me obedeceu e nunca atacou ninguém.
Fugir ou não fugir ? Eis a questão... Cara, eu estava prestes a sair com uma mulher capaz de intimidar um Pitt Bull ! Não duvido nada que o tal Floquinho tenha medo dela. Onde eu fui me meter ?
— Com uma dona dessas, até eu ficaria com medo... — Murmurei baixinho, ainda bem que ela não ouviu.
Sakura ainda passou mais um milhão de coisas nos olhos, depois passou na pele, nas bochechas e por último passou o batom. Ah, batom eu sei o que é. Pois é, ela ficou linda demais ! A usava uma sombra (esse eu também sei. Chupa!) preta, suas bochechas estavam coradas graças à maquiagem e ela passou aquele batom que nem parece batom... sabe... aqueles que são da cor da boca mesmo, enfim, não sei o nome; só sei que é melhor beijar uma garota que está usando um batom assim do que beijar uma de batom vermelho.
— Gostou ? — Ela indagou sorridente, estava radiantemente linda.
— Ficou ótimo — Respondi apenas isso, claro que eu não iria demonstrar que estava babando.
Ela abriu uma gaveta do guarda roupa e retirou de lá um secador. O aparelho foi ligado na tomada e Sakura secou completamente os cabelos rosados que ainda estavam úmidos. De frente para o espelho, hora ou outra, Sakura me olhava e ria sem graça, já que percebia que eu a analisava dos pés à cabeça; foi constrangedor, mas não pude evitar.
Com os cabelos finalmente secos, Sakura os penteou e deixou soltos mesmo. Ficou linda, extremamente linda...
— Você tá achando um tédio ficar aí me esperando, né ? — Sakura perguntou meio sem graça enquanto guardava o secador na gaveta.
Como eu acharia um tédio vê-la se arrumar ? Sakura caminhava pra lá e pra cá toda hora, me dando a chance de ver suas belas pernas. Sem falar que aquele quarto tinha um cheiro adocicado de cereja, o cheiro do perfume de Sakura. Sinceramente, dá pra ficar entediado ? Claro que não ! Por mim, eu a jogava naquela cama mesmo, arrancava sua roupa, borrava sua maquiagem e bagunçava seus cabelos... Mas, infelizmente isso ficou só na minha imaginação.
— Ainda tá em tempo — Respondi após ver as horas no celular — Eu cheguei mais cedo, o mínimo que posso fazer é te esperar.
Ela abriu o guarda roupa mais uma vez e retirou um par de sapatos pretos que eram monstruosamente altos. Na boa, como é que as mulheres conseguem ficar de pé em saltos altos ? Cara, aquilo não era um salto, era um andaime !
— Vamos ? — Ela chamou após calçar os saltos e pegar uma bolsa vermelha que estava sobre a cama dela (detalhe que eu nem percebi a porra da bolsa lá, do meu lado).
— Vamos sim — Levantei todo alegre e saímos do quarto.
Como Sakura mora sozinha, teve que trancar a porta da frente, enquanto ela fazia isso, um ser maligno me encarava como se quisesse a minha morte.
— Rambo... — Sakura repreendeu o cachorro quando percebeu que ele não estava gostando de mim ali. O pequeno demônio se acalmou e a rosada se abaixou pra fazer carinho nele — Quem é o bebê mais lindo do mundo, quem é ? — Ela fazia uma voz fofa e o Rambo abanava o cotoco de rabo que tinha.
Revirei os olhos enquanto ela adulava aquela coisa do mal. Poxa, custava me tratar assim também ? Após muita melação, Sakura se levantou e pudemos ir para o carro, deixando o maldito cachorro para trás.
Entramos no carro, afivelamos os cintos e eu dei partida. Próxima parada : Pizzaria.
— Música ? — Perguntei e ela assentiu, então liguei o som do carro.
— Bon Jovi ! — Ela comemorou e aumentou o volume — Your love is like a bad medicine...
Sakura definitivamente não canta bem, mas eu não me importava, muito pelo contrário, tanto que a acompanhei.
— Bad medicine is what i need — Eu sim, canto bem.
Não demorou muito para que chegássemos à pizzaria, na verdade, foi só o tempo de "bad medicine" acabar. Cara, agora toda vez que eu ouvir essa música, com certeza me lembrarei da rosada...
Ah, rodízio... Sim, isso é um paraíso e o meu objetivo nele é dar prejuízo. Nossa, tô parecendo o Naruto, acho que é a convivência.
Pegamos uma mesa, sentamos um de frente para o outro e logo os garçons começaram a passar com pizzas de vários sabores. Eu nem escolhia muito, se é comestível, pode mandar !
— Estamos empatados — Disse Sakura. Cada um já tinha comido três pedaços.
— Ah sim, nossa aposta — Putz, eu tinha até esquecido que esse encontro só foi marcado por causa de uma aposta idiota.
Nós começamos a comer como se não houvesse amanhã, à princípio eu deixava as bordas, mas a Sakura falou que aquilo não valia, disse que eu tinha que comer as bordas também.
Após uns dez pedaços ou mais, já estávamos cheios, mas não nos dávamos por vencidos. Passamos a comer mais devagar, foi quando tivemos tempo para conversar.
— Continuamos empatados — Ela riu, estava estampado em nossos rostos que não aguentávamos mais comer.
— Pra quem é magrinha, até que você come bastante.
— Olha quem fala... Não sei como você come tanta massa e consegue continuar com esse corpo perfeito... — Ela paralisou e corou na hora, estava mais vermelha do que o tomate da minha pizza — Err...
Sakura estava toda sem jeito, parecia até que tinha me ofendido, mas foi o contrário, ela me elogiou de uma forma tão natural que, quando se deu conta disso, as palavras já tinham escapulido de sua boca.
Então eu tenho um corpo perfeito, é ? Bom saber...
— Ora essa — Comecei a rir da reação dela — Você me elogiou, porque ficou tão sem graça ?
— Só não quero que você pense besteira — Ela respondeu séria enquanto cortava um pedaço de pizza e depois o levou à boca.
Ela parecia tão encabulada, achei isso engraçado e fofo, não consegui conter o riso e Sakura me olhou confusa e levemente irritada.
— Perdão — Falei e em seguida tomei um pouco de refrigerante para tentar controlar minha pequena crise de risos — É que você mudou bastante desde que nos conhecemos.
Sakura arqueou a sobrancelha, mas logo sua ficha pareceu ter caído e ela se tocou do que se tratava.
— Ah — Ela esboçou um sorriso — Sasuke, quem mudou não fui eu, foi você.
— Eu ? — Indaguei como se aquilo fosse o maior absurdo da face da terra.
-É — Sakura sorriu novamente — Você está se mostrando uma pessoa realmente bacana, acho que você merece uma chance. Podemos ser amigos, certo ?
— Certo ! — Será que ela já sabia que eu ainda estava com o orgulho ferido e pretendia vingar o Sasuke júnior ?
Ela riu e cortou novamente um pedaço de pizza que, em seguida, levou à sua boca.
Sakura é realmente linda, uma beleza diferente que é realçada pelos seus belos cabelos rosados. Ela é autêntica, tem personalidade forte e marcante... Gente, eu tô parecendo um bobo apaixonado, que horror ! Ah, mas só porque eu reconheço as qualidades dela não quer dizer que eu estou louco, perdidamente apaixonado por ela... Claro que não !
Mas nosso sossego foi retirado de nós, massacrado, pisado, esfolado, miseravelmente torturado e jogado pela janela... Porque ? Um casal com três crianças pegou uma mesa ao lado da nossa. Três, três crianças, três ! Eu já estava vendo a hora de voar pizza até no teto !
Abaixei a cabeça, respirei fundo e imaginei um meteoro caindo em cima daquelas três sarnas... Fiquei feliz...
— O que foi, Sasuke ? — Indagou a rosada, vendo que eu fiquei meio irritado. As crianças ainda não tinham feito nada, mas só o fato de serem crianças já era o suficiente para eu saber que elas iriam aprontar.
— Olha pro lado — Falei entre dentes, Sakura olhou e viu três crianças, aparentemente comportadas, na mesa ao lado.
— O que tem ? — Ela arqueou a sobrancelha — São apenas crianças e não estão fazendo nada.
— Olha, no nosso último encontro eu fui parar num hospital por causa de uma criança !
— Deixa de ser bobo — Sakura revirou os olhos e tomou um gole de refrigerante — Eu amo crianças, elas são tão doces, meigas, inocentes...
— Atentadas... — Completei e Sakura bufou.
— Você diz isso mas, tenho certeza de que quando tiver filhos será um pai muito babão — Ela falou risonha.
— Não... Não pretendo colocar uma criaturinha dessas no mundo.
— Sasuke... — Ela pareceu meio decepcionada. Parabéns Sasuke, você fez merda ! — Não devia dizer isso, sabia ? Muitas pessoas sonham em ter filhos e não conseguem, e você simplesmente fala um absurdo desses com tanta naturalidade.
Não consegui entender porque a Sakura ficava toda irritada quando tocávamos nesse assunto, eu queria muito descobrir qual era o motivo, mas ainda não tínhamos intimidade o suficiente para eu perguntar.
— Sakura, isso é uma questão de escolha — Tentei concertar a merda que fiz — Algumas pessoas querem, outras não... É uma opção, ninguém é obrigado a ter filhos.
— Tenho fé de que você vai amadurecer — Ela falou séria, mas não parecia estar irritada. Será que Sakura me via como pai dos seus filhos ? Claro que não, Sasuke ! Deixa de ser idiota, e jamais se esqueça de que ela intimida um Pitt Bull, portanto tenta cautela.
— Vamos esquecer esse assunto, ok ? Só porque eu não quero filhos, não significa que você não possa ter quantos quiser — Foi nesse momento que eu fiz uma merda maior ainda.
— Sasuke... — Sakura ia dizer alguma coisa, mas não conseguiu. Ela simplesmente abaixou a cabeça e ficou triste.
Muito bem, Sasuke ! Quanto mais você tenta concertar a cagada, pior ela fica ! Droga, droga, droga ! Depois dessa, minha vontade foi de sair correndo como se não houvesse amanhã, me trancar no meu quarto e esperar a morte !
O que dizer quando tem uma garota quase chorando na sua frente ? Sinceramente, não sei... As meninas sempre se jogaram aos meus pés, nunca precisei conquistar nenhuma, nunca tive prática com isso. Argh, nunca pensei que isso fosse tão difícil na prática.
— Sakura... — Droga, até eu me entristeci — Perdão se eu falei algo que não devia.
Fui abduzido por alienígenas e fizeram uma lavagem cerebral em mim, só pode ! Eu, Sasuke Uchiha, pedindo perdão para uma garota ?! Juro que nem me reconheci.
— Eu que peço perdão — Sakura esboçou um sorriso amarelo — Um encontro é pra ser divertido, não pra eu me entristecer com os meus problemas.
Seus problemas ? Mas de que diabos ela estava falando ? Lógico que eu não ia ser cara de pau o suficiente para perguntar, até porque isso ia gerar outra merda... Enfim, por mais que a curiosidade me consumisse, eu não ia perguntar.
— Você conhece a filosofia do Timão e do Pumba ?- Arqueei a sobrancelha e Sakura me olhou com uma cara de "Esse rapaz é louco" — Os seus problemas você deve esquecer, isso é viver, é aprender...
— Hakuna Matata ? — A rosada indagou encabulada — Sasuke, quantos anos você tem ? — Sakura riu.
— Depende... Enfim, "Hakuna Matata" nada mais é do que uma forma mais bonitinha de dizer "foda-se" — Expliquei, arrancando risadas de Sakura. Ah, que risada deliciosa.
— Acho que você está certo — Ela fitou o copo de refrigerante e sorriu de canto, parecia pensar em alguma coisa — Deixa os problemas pra lá...
— É, esquece eles... Pelo menos por hoje.
Sakura me olhou e sorriu. Seus olhos verdes brilham tanto quanto as estrelas, seu sorriso me hipnotiza mais que tudo... Que coisa estranha, será que é isso que as pessoas sentem quando começam a gostar de alguém ? Espero que não.
Conversamos sobre vários assuntos, parecia que nós éramos amigos há séculos. O jantar foi ótimo e até esquecemos sobre a aposta, acabou que não teve vencedor.
Saímos de lá por volta de uma da manhã, estávamos cheios e ríamos de algum assunto qualquer que eu nem me lembro qual era. Não, eu não coloquei uma única gota de álcool na boca, só pra deixar bem claro.
Mas eu não fui direto para a casa dela, ficamos rodando pela cidade. Eu dirigia à alta velocidade, com os vidros abertos enquanto o volume do som estava lá nas alturas. Ainda bem que passei por lugares com pouca gente, não tinha praticamente ninguém na rua.
— Sasuke, você é louco ! — A rosada falou em meio a risadas, eu estava adorando aquilo também.
— Louco ? Você ainda não viu nada ! — Dei a volta com o carro, fazendo com que Sakura praticamente caísse por cima de mim.
Já devia ser quase três horas, eu já não dirigia mais feito louco, mas ainda andávamos sem rumo por Konoha, só dando uma volta, sem ter nada pra fazer.
— Adorei esse encontro, poderíamos fazer isso mais vezes — Disse Sakura. Será que ela se sentiria ofendida se eu marcasse o próximo encontro num motel ? Não, melhor não...
— Onde vai ser o próximo ? — Indaguei na maior cara de pau, eu tinha que arriscar.
— Eu escolho — Sakura deu uma piscadinha. Será que vai ser num motel ? Espero que seja, não aguento mais ter sonhos eróticos com ela e acordar todo gozado... Enfim, dificilmente ela iria liberar tão fácil, mas não devemos perder as esperanças nunca.
— Tudo bem — Assenti — Onde ?
— Surpresa — Ela riu. Ok, a curiosidade me torturava, mas eu iria ter que esperar pra ver.
Estacionei em frente à casa da criatura rosa, destravei o carro, mas ela não desceu. Sakura me olhou e sorriu, ficamos nos encarando feito dois retardados; eu já tinha me perdido em seus olhos.
— Então — Pigarreei, voltando para a realidade — Até amanhã então.
Sakura, que pareceu também ter voltado para o mundo real, retirou o cinto de segurança e voltou a me olhar, suas bochechas estavam coradas e não era por causa da maquiagem.
— Até amanhã — A moça falou com a voz doce e encostou seus lábios nos meus.
Não foi um beijo daqueles de tirar o fôlego, na verdade foi apenas um selinho demorado, só isso. Mas ainda assim foi o suficiente para fazer meu coração bater mais forte, minhas mãos suarem, minha garganta secar, meus pêlos se arrepiarem e um frio na barriga surgir. Isso tudo por causa de um selinho...
Quando ela se afastou de mim, notei que parecia tímida e suas bochechas ainda estavam coradas. Pra ser sincero, eu devia estar da cor de um tomate ! Eu a olhava com os olhos arregalados, como se ainda não tivesse assimilado o que aconteceu. Cara, Sakura me beijou !
— Até amanhã — Falei com um sorriso fofo nos lábios.
Droga, Sasuke, desde quando você é fofo ? Eu devia puxá-la pelos cabelos, beijá-la daquela forma de tirar o fôlego, jogar suas roupas pra puta que pariu e transar com ela ali mesmo ! Só que, tanto a minha razão quanto a emoção diziam para eu não fazer isso... Droga !
— Até — Sakura falou baixinho, quase que como um sussurro.
Fiquei olhando enquanto ela entrava em casa, a rosada acenou pra mim antes de fechar o portão.
Juro que ainda fiquei parar lá por uns quinze minutos, tentando assimilar as coisas... Sakura me beijou, ela realmente me beijou... Eu mais parecia uma criança que acabou de ganhar um brinquedo novo, mas dane-se, minha felicidade era incalculável naquele momento.
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