Bad Girl
20 Capítulo 19 - A viagem (2)
Notas iniciais
Enfim, espero que me entendam.
Como já era previsto, o meu pai nem ligou muito para informações mais profundas sobre a viagem, ele apenas disse que sim, eu, o Pedro e o Jack poderíamos ir, e avisou que mandaria a secretária pagar tudo brevemente. Com a Kate, não foi muito diferente, ela concordou que poderíamos ir e só.
Eu estava animada para a viagem, sempre tive essa vontade de viajar pelo mundo, conhecer lugares e culturas novas, e ainda mais a Califórnia, e com os meus amigos! Se tudo ocorresse como eu estava planejando, seria completamente perfeito!
A viagem aconteceria na segunda-feira, e voltaríamos na sexta pela tarde, a escola concordou em nos dar alguns dias para nos organizarmos para a viagem, achei isso muito bom, assim teria tempo para arrumar as minhas coisas e planejar o que eu faria lá. Eu não costumo arrumar minhas malas com muita antecedência, sou daquelas pessoas que faz tudo de última hora, então comecei a comprar umas roupas mais "verão" na sexta, no sábado acordei praticamente pela tarde, e fiquei com preguiça o resto do dia, apenas jogando videogame com o Pedro, que inclusive já estava com quase todas as malas prontas, e quanto ao Jack, já estava com tudo pronto desde a sexta-feira.
Fomos dormir pela madrugada, estávamos jogando tão intensamente que perdemos a noção da hora, o Jack até nos avisou que já estava tarde, mas não demos ouvidos a ele, e ele foi o primeiro a dormir. No dia seguinte, acordei tarde novamente, e super desesperada, pois faltava menos de um dia para a viagem, e eu não tinha quase nada pronto, peguei minha mala e simplesmente taquei as roupas, sem dobrar mesmo, não ligo pra essas coisas. Passei quase o dia todo arrumando tudo, e sempre checando para ver se eu não havia esquecido nada. Eu liguei para a Manu pra ver se ela iria mesmo, e ela afirmou que iria, mas o Felipe não, mas em compensação, o Scott iria, e inclusive ele estava na casa dela naquele momento. Eu juro que se não soubesse que o Scott é gay, eu realmente acharia que estava rolando algo entre eles, tudo bem que amigos gays costumam passar mais tempo com garotas e tal, mas eu achava o Scott meio diferente com a Manu, talvez fossem apenas coisas da minha cabeça, afinal a Manu era loucamente apaixonada pelo namorado, e como eu disse, o Scott é gay.
Já estava anoitecendo, meu pai estava assistindo TV, e a Kate estava lixando as unhas e reclamando do salão que havia frequentado recentemente, dizendo que o atendimento era uma porcaria e a manicure havia arrancado vários "bifes" de suas unhas, eu sinceramente não tenho paciência para aturar essas coisas, admiro meu pai por estar casado com ela até hoje. Fui até a varanda relaxar um pouco, afinal a varanda era um dos únicos lugares o qual eu me sentia bem e com uma parcela de privacidade, já que o meu quarto eu tenho que dividir com dois garotos.
Relaxei um pouco, coloquei meus fones de ouvido, e simplesmente viajei para outro mundo... Um mundo apenas meu. Um mundo no qual eu realizei meus sonhos. Estava escutando a música Don't You Worry Child.
"There was a time
I used to look into my father's eyes
In a happy home
I was a king, I had a gold throne
Those days are gone
Now the memories are on the wall
I hear the songs
From the places where I born"
Comecei a imaginar coisas que certamente seriam muito improváveis de se acontecer, como por exemplo, eu em uma casa com muitos animais de estimação, os quais eu cuidaria, e nesta casa, além de mim e dos animais, haveria mais uma pessoa. O Pedro, e nós estaríamos casados e felizes. Que porra de pensamento é esse, pensei. Eu nunca fui de ficar imaginando essas coisas, não sei o que estava acontecendo comigo ultimamente, eu estava totalmente fora de mim. Tentei discutir comigo mesma em relação a isso. Tudo em vão, e depois simplesmente eu apago.
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Acordei na minha cama , mas ainda com a roupa a qual eu usara ontem. Me sentei na cama e fiquei me perguntando como eu havia parado ali, não estava me lembrando de ter saído da varanda.
– Eu sabia que você tinha sono pesado, mas não imaginava que era tão pesado assim. — disse uma voz saindo do banheiro. Era o Pedro.
– Foi você que me trouxe para cá? — perguntei.
Ele assentiu positivamente com a cabeça, ele aparentemente havia acabado de sair do banho, pois pra variar, estava sem camisa e com o cabelo molhado e bagunçado.
– Vai ficar aí sentada? Já são 7:00, temos que estar na escola até às 8:00.
Droga! Eu havia esquecido que hoje já era segunda, e que hoje iríamos para a Califórnia. Levanto da cama em um pulo, e vou direto até as minhas malas, eu não havia terminado de arrumá-las. Comecei a tacar o resto das roupas, entre outras coisas, de qualquer jeito na mala, o Pedro me olhava meio assustado.
– Lucy, coloque em cima da cama tudo o que você irá levar e vá tomar banho. — disse ele se aproximando.
– Mas eu preciso terminar de arrumar minhas malas! — respondi com um ar de desespero.
– Eu irei arrumá-las, agora ande logo.
Nem pensei duas vezes, peguei minha toalha, minhas roupas íntimas e escolhi uma calça com um rasgão no joelho esquerdo, e uma blusa do Superman ( aquela a qual eu havia comprado com o Pedro ), e corri para o banheiro. Tentei ser o mais rápida possível no banho. Cinco minutos depois eu já havia saído do banho e já estava vestida, escovei meus dentes e de maquiagem usei apenas o básico, um pouco de base e lápis de olho. Ao sair do banheiro me deparo com a imagem da minha mala super organizada, e o Pedro ao lado dela segurando a mala dele. Ele estava tão lindo, como sempre, com a blusa do Batman e uma calça jeans simples.
– Nossa cara! Valeu mesmo. — eu disse me aproximando da minha mala.
– Por nada. — ele disse sorrindo.
O Pedro quando queria, conseguia ser uma pessoa dócil e gentil.
– Então, vamos? — eu disse fechando minha mala, e pegando minhas outras bolsas.
– Você vai descalça? — ele disse olhando para o meu pé e rindo. Eu estava com tanta pressa que nem havia reparado que eu não havia pegado nenhum sapato.
Peguei o meu bom e velho All Star e o calcei.
– Pronto, agora vamos. — eu disse.
Ele sorriu e nós fomos para a sala, chegando lá, o Jack para variar já estava com tudo pronto e nos esperando ansiosamente.
– Até que enfim! Vocês sabem que horas são? Já são 07:35, já deveríamos estar na escola! — disse o Jack.
– Calma cara, ainda temos tempo. — disse o Pedro.
Fui até a cozinha e peguei duas barrinhas de cereais, uma para mim, e uma para o Pedro, quando retornei à sala, meu pai e a Kate estavam lá.
– Boa viajem minha filha. Qualquer coisa ligue para a minha secretária. — disse o meu pai me abraçando. — Rapazes, cuidem dela.
– Ah qual é pai, não preciso mais de babás. — todos riram.
A Kate se despediu de todos nós, e finalmente fomos para a escola.
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Assim que cheguei na escola me deparei com o Scott e a Manu conversando, e fui em direção a eles.
– Iai vadios, estão ansiosos? — perguntei
– Iai vacona, ah, mal posso esperar pra chegar logo na Califórnia! Tipo, vai ser muito maneiro. — respondeu a Manu entusiasmada.
– Verdade — disse o Scott rindo.
– Mas então Manu... Cadê o Felipe? — perguntei.
– Ah, ele não pôde vir. Acho que rolou alguma coisa com os pais dele sei lá. — respondeu a Manu dando de ombros.
– Ah sei. — respondi. — Enfim, mal posso esperar para chegarmos logo na Califórnia. — falei empolgada, e o Scott e a Manu se mostraram empolgados também.
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Os funcionários os quais iriam ser nossos responsáveis durante a viagem pediram para que nós nos organizemos em filas, para que a entrada no avião acontecesse de maneira organizada.
Fizeram a chamada em ordem alfabética, os lugares não eram marcados, logo, cada qual sentava-se ao lado de quem quisesse, o Scott combinou que iria se sentar comigo, mas como o Felipe não havia ido, a Manu praticamente obrigou ele a se sentar com ela, e quando o Pedro entrou no avião e estava procurando um lugar para se sentar, a Manu virou para mim e piscou os olhos, como se dissesse" Deixei o caminho livre para você se sentarem juntos." Revirei os olhos e nós sorrimos.
A princípio o Pedro iria se sentar com a Caroline, mas uma das nossas responsáveis acabou sentando-se ao lado dela, o que fez o Pedro se sentar ao meu lado, já que era o único assento que estava livre. De certa forma eu estava feliz com ele sentado ao meu lado, eu queria puxar assunto com ele, mas não sabia exatamente o que dizer, então falei o que me veio primeiro na cabeça.
– Não sabia que você levava jeito para arrumar malas. — eu disse.
– Hã... Bem, é que antes do meu pai morrer nós viajávamos muito, e eu não tinha ninguém para arrumar as minhas malas, e então o meu pai me obrigava a arrumá-las sozinho, e exigia que a mesma estivesse organizada. — ele respondeu sorrindo.
– Ah, você gostava muito do seu pai não é mesmo? — perguntei, e depois que me toquei no que eu havia perguntado, coloquei as mãos sobre a minha boca. — Desculpa Pedro.
– Tudo bem, sim, eu considerava ele como meu herói sabe? — ele respondeu com lágrimas nos olhos. Eu entendia a dor dele.
– Sei, também considerava a minha mãe como minha heroína, até que um dia, o filho da puta do meu padrasto a matou. Na minha frente. — automaticamente minha visão ficou embaçada, e lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, e parecia que eu estava vivenciando aquele pesadelo novamente.
– Ei Lucy, calma. Sei que é estupidez lhe pedir isso, mas não chore. Onde quer que a sua mãe esteja, ela deve estar feliz pela pessoa que você é. — disse ele me abraçando e enxugando minhas lágrimas. — Por mais que você seja essa pessoa insuportável. — completou ele rindo. Dei um soco no braço dele e ri também. Como ele fazia eu me sentir melhor...
" ... por favor apertem seus cintos... "
Após todos ouvirmos o aviso, apertamos os cintos e nos mantivemos sentados. Eu havia levado um docinhos para a viagem, eu e o Pedro comemos, mas não tudo, deixamos um pouco para mais tarde, afinal a viagem seria longa.
Eu havia pegado o meu celular e estava escutando música, senti o Pedro meio alone do meu lado, então ofereci um dos fones para ele, que aceitou. Descobri que ele gostava de quase todas as mesmas bandas que eu, começamos a conversar sobre isso, ele começou a bocejar e eu sugeri que ele dormisse um pouco, olhamos ao redor e uma grande maioria das pessoas estavam dormindo.Ele concordou e dormiu, e eu fiz o mesmo.
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*** POV do Pedro ***
Ao acordar olhei no celular da Lucy, e já eram 10:15, eu estava disposto a acordar a Lucy que estava com a cabeça no meu ombro, mas ela ficava tão linda dormindo que desisti. Que vontade de beijá-la de novo. Fiquei pensando em certas coisas durante o voo, e eu já havia tomado uma decisão. Eu precisava deixar de ser tão lerdo e parar de fazer tanta merda, decidi que eu tinha que terminar com a Caroline e ir atrás de quem eu realmente gostava ou amava, e essa pessoa estava bem ao meu lado. Por mais que a Caroline seja totalmente insuportável e fútil na maioria das vezes, eu não queria magoá-la, então estava pensando em terminar com ela de uma forma mais amigável se possível.
Resolvi acordar a Lucy, afinal todos já estavam começando a acordar, e algo me dizia que já estávamos próximos do nosso destino.
– Lucy, ei, acorda. — estava tentando acordar ela do jeito mais dócil que consegui.
Ela abriu os olhos e me olhou meia confusa.
– Onde nós estamos? — perguntou ela esfregando os olhos.
– Não sei exatamente, mas acho que já estamos perto da Califórnia. — respondi.
Ela virou-se em direção a janela e ficou olhando a paisagem durante um tempo. Depois voltamos a comer os docinhos os quais ela havia levado para a viagem, e por fim passamos o resto da viagem jogando no notebook.
Depois de algumas horas, o avião começou a descer, era sinal de que provavelmente já havíamos chegado na Califórnia. Uma das moças que seriam responsáveis por nós levantou-se.
– Silêncio crianças! Atenção por favor. Acabamos de pousar na Califórnia. — nesse momento todos começaram a gritas. — Silêncio! — gritou a mulher. — Como eu ia dizendo, há dois guias nos esperando aqui, e um ônibus, o qual irá nos levar até o hotel que ficaremos hospedados. Como vocês já devem imaginar, os quartos serão separados para meninas e meninos. Cada quarto irá ter duas pessoas hospedadas. Para a separação ficar organizada, assim que chegarmos ao hotel cada pessoa irá receber fitinhas de cores diferentes, e as pessoas que tiverem a mesma cor de fitinha ficarão no mesmo quarto. Entendidos? — todos assentiram positivamente com a cabeça, e formamos uma fila para sair do avião.
Todos que iam saindo iriam formar uma fila, e haviam um homem e uma mulher com roupas iguais, suas peles eram bronzeadas e ambos eram loiros. Aqueles seriam os guias.
O homem se aproximou, ele era bem alto e musculoso, pra ser sincera, ele era muito lindo. Ao se aproximar ele sorriu para nós e anunciou.
– Olá, sou o Fred e esta é a Karen. — disse ele apontando para a guia. — Nós seremos os guias de vocês, portanto, qualquer dúvida ou problema, além dos responsáveis de vocês, estaremos aqui a postos. E enfim. Bem-Vindos a Califórnia.
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